terça-feira, 18 de agosto de 2020

O desastre de Sá Carneiro em 1980

Continuando a saga de apresentação de recortes interpretativos do que se passou em Portugal no ano de 1980, com as eleições em que Sá Carneiro participou, na AD, com um projecto de reforma institucional, valerá a pena recordar como seria e como foi.

Em 1979 a maioria absoluta da AD dava grandes preocupações à Esquerda. Um jornal da época mostrava na primeira página:


Em 7 de Outubro de 1980 o jornal mostrava como era o panorama da extrema-esquerda que concorrera a eleições nas quais a AD reforçara a maioria absoluta. O rescaldo:



Como intermezzo uma notícia de faca e alguidar que o CM de hoje chamaria um figo, através da "pente-fino". Duvido é que ela soubesse interpretar isto que aparece aqui escrito e que vale um tratado de sociologia do ISCTE que nunca foi escrito...


E ainda outra sobre o Trump de então, sem tirar nem pôr, a este esquerdismo endémico que nos assola desde há mais de 45 anos. Reagan era tratado do mesmo modo que Trump, pelos Pachecos Pereiras de então. A propósito, por onde andaria este cromo da komentadoria nacional? A dizer mal de Reagan, com toda a certeza:


De resto como a esquerda sabia, a AD encarou a vitória eleitoral como a primeira volta das presidenciais, dali a dois meses. E o perigo espreitava para tal esquerda como o então já Louçã entrevia.


Portanto, todo o trabalho da esquerda foi desbastar a imagem do candidato da direita, Soares Carneiro. E nem precisou de muito esforço porque metade do trabalho pode atribuir-se ao próprio e à escolha desastrada de Sá Carneiro.

O jornal de 17.10.1980:


O jornal 28.11.1980:


o Jornal 11.11.1980:

O Expresso de 19.11.1980 ( Marcelo Rebelo de Sousa a dirigir, Maria João Avilez na estrada) ainda tentava ajudar, mas pouco:


Pelo contrário a campanha de Eanes ia de vento em popa jornalística e mediática, apesar dos esforços denodados do maquiavel da informação na RTP, Proença de Carvalho, denunciado então como manipulador e propagandista sem escrúpulos políticos.

Primeiro uma entrevista a Eanes em 17.10.1980 para mostrar que era moderado e de confiança. E era verdade, nem sequer mera propaganda. Tal ideia passou para a maioria da opinião pública. Eanes era conhecido; Soares Carneiro, não e nem valia a pena tentar dar a conhecer alguém que não tinha qualquer carisma.



As manobras de Proença noticiadas no Expresso de 29.11.1980:


E uma notícia na mesma edição que anos mais tarde teria a sua repercussão em teoria de conspiração, a questão da investigação espúria ao Fundo do Ultramar, ordenada pelo ministro da Defesa, Amaro da Costa que pereceu em Camarate e que as teses de atentado imputam como sendo o alvo do mesmo, por causa disto:


Esta situação política deixava já adivinhar o que se iria passar a seguir, como o futurólogo político escrevia:



Com o recuo do tempo torna-se fácil ver que as propostas de Soares Carneiro seriam relativamente inofensivas, excepto para a extrema-esquerda do PCP e dos blocos que se seguiram. Nem o PS beliscavam a não ser para o arredar do poder durante muito tempo. Talvez para sempre...e por isso Eanes dava maiores garantias de marasmo económico e principalmente de novas bancarrotas, como se viu poucos anos depois.

Estas eram as principais propostas dos dois candidatos, no O Jornal de 5.12.1980:


Porém,  no dia anterior aconteceu o inesperado: Sá Carneiro embarcou numa avioneta para ir ao Porto a um comício, escolhendo tal meio de transporte à última hora, Foi fatal. o Jornal do dia seguinte relatou o que se passou, assim:


Aqui aparece a intervenção de Freitas do Amaral, na própria noite do desastre, escassas horas depois e que me lembro de ouvir e ver na TV:



O Jornal de 9.12.1980 através de um artigo de Eurico da Fonseca, entendido em questões técnicas e que costumava aparecer na TV a explicar tais assuntos:


O Expresso da semana seguinte que confirmava ter Sá Carneiro optado pelo Cessna à última hora, o que pode ser um dos maiores argumentos em prol da tese de acidente, no que a si diria respeito e afastando qualquer conspiração que o tivesse como alvo preferencial :


Depois do acidente tudo se modificou. Expresso de 20.12.1980, dava já o panorama que viria a seguir. A revisão constitucional não seria a mesma e o governo também não:


O Jornal de 9.12.1980, numa análise esquerdista,  mostrava que havia novos horizontes. E de que maneira! Dali a cinco anos, nova bancarrota. Porém, estes que assim escreviam nunca aprenderam nada e pouco esqueceram...

O futuro que nos reservaram foi este:


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