quarta-feira, 19 de agosto de 2020

O jornalismo pente-fino do CM tem rombos que se farta...

No outro dia publiquei aqui isto:


A notícia dava conta que o suspeito do homicídio estava sujeito a pulseira electrónica para controlo de movimentos.
Não estava e o mesmo CM dá conta disso hoje, na sequência da exploração do sensacionalismo jornalístico que levou a jornalista do "pente-fino" até ao local da consumação do crime, tendo falado com uma testemunha presencial de factos relacionados.
Um facto falso provindo do jornalismo tipo pente-fino.

Porque é que isto é importante escrever? Porque ao jornalismo de pente-fino do CM não interessa apurar a causa da morte da mulher pelo ex-marido, mas o sensacionalismo que rodeia o fait-divers, nomeadamente a circunstância de o suspeito andar a monte ( eventualmente já morto...).

A circunstância de a vítima ter um "botão de pânico" e nem sequer ter tido ocasião ou tempo de o usar, revela uma perfeita inutilidade em circunstâncias destas. Não protege qualquer vítima de acções deste teor.
A única prevenção nestes casos é a actuação sobre o potencial agressor. Não com medidas de repressão cada vez mais duras mas com medidas de outro género que não são aplicadas, nem sequer equacionadas pelos poderes públicos. Nem sequer serão estudadas.

As mortes suceder-se-ão, a ritmo constante, tal como acontecia no romance de Eco, O Nome da Rosa.

Enquanto não se eliminar o motivo para matar, as mortes continuarão a ocorrer. E tal objectivo, aliás impossível de atingir em pleno, nem sequer é equacionado e está longe de ser atenuado nos respectivos efeitos porque ninguém dos observatórios que pululam por aí à cata de dinheiros públicos e justificam a existência apenas por causa disso, se importa com tal coisa.

Antes pelo contrário...



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Miguel Sousa Tavares, outro tartufo