segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

A rectificação da História ao gosto do freguês

 Público de hoje, um artigo de um arqueólogo chamado Raposo, sobre os símbolos da nossa identidade passada: 


Sobre este assunto já escrevi aqui há uns anos, o seguinte:

Há cerca de dois anos [em 2014], um tal Sá Fernandes, intelectual de elevada craveira e que dizem que trabalha na Câmara Municipal de Lisboa, decidiu no seu pelouro de vereação acabar com uns emblemas ajardinados e antigos, que existiam na Praça do Império, em frente aos Jerónimos.
Tais emblemas incluem brasões e símbolos da nossa portugalidade e remontam ao tempo em que ainda tínhamos colónias, como uma boa parte dos países europeus.
Em 1940, para comemorar os 800 anos da nossa nacionalidade e os 300 anos da restauração da mesma, fez-se uma exposição em Lisboa que foi chamada do Mundo Português e foi nessa altura que se construíram pavilhões evocativos e idealizou um jardim, em frente ao mosteiro dos Jerónimos que mais tarde, ainda no tempo de Salazar, veio a incluir  os referidos brasões desenhados em bucho, como elementos decorativos e simbólicos do nosso passado histórico ultramarino.

É desse passado histórico que o tal Sá Fernandes, mais a Câmara de Lisboa, responsável pelos jardins locais,  se envergonham e por isso, no alto do poder de vereação decidiram acabar com os símbolos desse mal que inclui a Cruz de Cristo que ornava as nossas caravelas quando partiram para as Descobertas.
É destes jacobinos que temos para obliterar a História à boa maneira comunista que apagava das fotografias os elementos entretanto tornados indesejáveis de figurar na história representada.

O jornal O Século, em 1940 publicou uma edição especial que pode ser vista integralmente aqui e mostra nesta imagem a composição arquitectónica, com os jardins agora em causa.  



O Século Ilustrado de 29.6.1940 mostra a inauguração:

 Durante o tempo de Salazar e Caetano e até aqui há  duas décadas atrás, os jardins e respectivos emblemas simbólicos eram cuidados assim:



Actualmente, depois de instalado na CML o poder maçónico e jacobino,  encontram-se assim, num acto de abandono voluntário e equivalente ao das fotos do comunismo estalinista:


Assim foi notícia há dois dias que um gabinete de arquitectura qualquer ganhou um concurso de ideias para refazer esteticamente o local, o que inclui, natural e obrigatoriamente ( se não,  nem sequer teriam ganho...estou em crer)  a substituição dos referidos brasões simbólicos por outra coisa qualquer, eventualmente de índole maçónica que é a profissão de fé da actual CML.

Enfim, mais uma jacobinice, das antigas e de sempre e que a falta de cultura dos portugueses em geral permite e condescende.

A propósito de tal assunto, por ocasião da referida Exposição do Mundo Português foi construída uma nau representativa das que marearam em busca de outras terras e outros mares, nos séculos XVI  e XVII. 

O galeão da carreira da Índia foi idealizado no início de 1939 como relata este artigo do Século Ilustrado de 25 de Fevereiro de 1939.


Foi construído no Arsenal da Marinha e serviu para engalanar o Pavilhão do Mar nessa mesma Exposição.
Foi inaugurado em Setembro de 1940, como relata o artigo desse mês da mesma revista com a imagem de Salazar, o cardeal Cerejeira e Leitão de Barros, um dos autores da ideia.
Estas fotografias, os jacobinos maçónicos não apagam da memória.

Por uma razão suplementar: a nau Portugal chama-se Sagres tal como o actual navio-escola que ostenta nas suas velas a mesmíssima Cruz da Ordem de Cristo que tanto incomoda esta gentinha de pequenez histórica assegurada.




ADITAMENTO: o vereador Sã Fernandes defende-se assim, no Público de hoje de quem o acusa seja do que for. Aliás, está pronto a aprovar tudo o que venha...



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