domingo, 14 de fevereiro de 2021

As polícias de vigilância e defesa dos estados

 No Público de hoje há um artigo com quatro páginas e fotos ampliadas que as reduziriam a duas, sobre a "PIDE". Mais um. Na primeira página o título de chamada é "Os portugueses foram vítimas ou cúmplices da PIDE?" 

Desconfiado de mais uma flunsice tinturada a rosas fui ler. O pequeno artigo é de um tal Duncan Simpson, cuja identidade é a de "historiador, ICS, ULisboa", sem mais. No artigo aparece a informação de que é "investigador Marie Curie" ou seja, bolseiro de luxo e estrangeiro que anda por cá a estudar fenómenos como o indicado, pago pela UE. 

Como é que o bolseiro foi investigar o assunto magno que implica obviamente um conhecimento profundo do povo português, tal como era há 60 anos? Foi ler cartas à Torre do Tombo. Cartas de portugueses dessa época, endereçadas à polícia política, a PIDE, entre 1960 e 1968. Leu ou coligiu 523 cartas e...pronto!, ficou habilitado ao artigo em que postula conhecimentos que obviamente não tem nem pode ter desse modo a não ser por mero efeito de adivinhação, não muito diverso dos cartomantes que lêem papéis sortidos de espadas e escudos. 

De qualquer modo aparenta algum cuidado em mencionar que o que existe escrito em Portugal sobre a PIDE é tudo obra das flunsices correntes dos Rosas e quejandos que oferecem a visão maniqueísta associada ao antifassismo comunista primitivo. 

Também não esquece de mencionar que nos países de Leste, mormente a RDA, o fenómeno estudado também era corrente. Ou seja, os flunsistas sabem bem como era porque conhecem como foi e queriam replicar o sistema, apenas mudando o sinal e a cor, aprimorando as técnicas, o que denota a sua primazia moral em escrever sobre tais assuntos. 

Mais ainda: cita o tremendo comandante Otelo, o do COPCON, a quem o MRPP chamava de "nova PIDE" para mencionar que este entendia que a maior parte dos funcionários da PIDE eram pessoas comuns, "pais de família" que nunca tinham torturado ninguém. 

Bastaria esta mera declaração para o autor abandonar toda a esperança de entendimento real do fenómeno para além da leitura de cartas avulsas, remetidas por toda a espécie de gente, com as motivações mais esconsas e reveladoras do carácter de quem as enviava. As leituras cingiram-se às cerca de  cinco centenas de missivas em oito anos, numa média de seis dezenas por ano, cinco por mês, para o estudo de investigação pago pela bolsa Curie. Que desperdício!





O "estudo" desta leitura apressada de cerca de cinco centenas de cartas avulsas permite pelo menos uma pequena comparação elucidativa sobre a ideologia e os propósitos dos flunqueiros rosados e de todos os matizes que ainda abundam por cá. 

Bastam algumas ilustrações de outras cartas remetidas a polícias de vigilância e defesa de outros estados para se entender a estupidez deste tipo de empreendimentos.

A comparação da PIDE com a STASI, a polícia de vilgilância e defesa do estado que os flunquistas de todos os matizes preferiam para cá, durante e depois do nosso fassismo, muito depois de 1968,  era deste tipo.



Para dar uma pequeníssima ideia do que era a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado na RDA, a STASI, basta esta pequena imagem que mostra os arquivos que se estendem por 111k m de espaço em estantes...e a imagem vem daqui, do Irish Times. Porém poderia vir de outros lados...


Perante esta exposição de câmaras de horrores que só mostram as estantes e nem sequer os conteúdos das cartas, exposições e relatórios, vir sempre com a história da tenebrosa PIDE, como o faz o Público dirigido por um adepto dos regimes citados, por defender quem os defende, como o PCP, importa mostrar uma pequena série de cromos para ver se ganham vergonha e pudor e limpam as mãos depois de as sujarem com estas reportagens sobre a PIDE.

Sobre o tal Otelo que em 1974 nem sabia bem de que terra era, colaborando com o comunismo na nova "PIDE", visitante e admirador do regime cubano, fica aqui um pequeno artigo que mostra como nunca passou de uma barata tonta ideológica. E foi este indivíduo quem emitiu mandados de busca e detenção, em branco, para não ter de os assinar de cada vez que os parceiros das flunsers e rosas andavam à cata de fassistas que prenderam aos molhos em Setembro de 1974, até 25 de Novembro de 1975. 



Depois, a mais viva força dos adeptos fervorosos da STASI, como polícia de vigilância e defesa do estado, o actual PCP que continua na mesma, como sempre, a defender tal regime extinto e proibido nesses países onde oprimiu todo um povo durante décadas. O PCP ainda hoje quer tal regime, mas toda a gente faz de conta que é um partido democrático. Se eles o dizem!





Depois os outros que também queriam um pouco mais e melhor que o sistema STASI. Preferiam os ares orientais com colarinho à mao e métodos a condizer como "morte aos traidores" e outras palavras de ordem. Execuções sumárias, sem necessidade de polícias de vigilância. Eles é que seriam os vigilantes, como se comprovou no caso de Marcelino da Mata. Alguns mudaram, mas a mentalidade permanece, porque o carácter das pessoas é imutável.





Depois a consequência das ideias e actos desta gente, portugueses que andam por aí como se nada tivesse sido com eles, foi isto, por exemplo:


E queriam isto, uma lavagem rápida ao cérebro de séculos, orientada pelos ideológos das novas stasis, ou polícias de vigilância e defesa do estado:




 
E nem sequer o que aconteceu em finais dos anos oitenta os elucidou melhor, como mostra a Panorama, em Dezembro de 1989, com multidões de pessoas desses países que repudiaram tais sistemas e polícias:


O ensinamento desses povos ainda não chegou cá, como mostra esta imagem turva de pessoas novas que pensam com as velhas ideias das polícias de vigilância e defesa do estado:



Portanto o artigo do Público carece deste enquadramento. Talvez ganhem vergonha. 

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