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sexta-feira, 25 de maio de 2012

O soviete do Público

Finalmente o Público esclarece os leitores "sobre o caso Relvas". Deveria ter escrito antes "sobre o caso Público" porque é disso que agora se trata.

O esclarecimento confirma aquilo que "chegou" à cronista Fernanda Câncio: o caso da revelação dos dados pessoais de uma jornalista resume-se à eventual divulgação da relação pessoal que a mesma manterá "com um homem de um partido da oposição". Coisa grave, como se vê. Assunto momentoso que toda a gente considera do âmbito do segredo íntimo mais reservado. Tal como o segredo daquela Fernanda Câncio que era partenaire do outro que foi primeiro-ministro. Ninguém assumia publicamente a revelação do tipo de relação e apesar disso sabia-se e era alvo de conversas e eventualmente de chistes que os próprios autorizaram com o comportamento de suposta reserva e de eventual farsa.
Ainda assim o ministro Relvas nega tal coisa e a única pessoa que o pode afirmar, que nem sequer é a visada,  não tem testemunhas da conversa telefónica, sendo certo que esta não poderia ser gravada e muito menos publicada. A transmissão do teor da conversa fica assim pelo fenómeno dúbio do "ouvir dizer".
O Público entrou assim num beco para onde foi empurrado pelo soviete da redacção. Segundo conta o "esclarecimento aos leitores" a directora " uma vez informada não considerou que as ameaças do ministro viessem a ser postas em prática". E mais ainda e pior: "É nossa tradição não denunciar as pressões que nos são feitas-e foram muitas e muito concretas ao longo de 22 anos. É assim em Portugal e não só."

Então se assim é porque é que não foi? O Público ( direcção editorial, entenda-se) explica: "Em momento algum nos sentimos intimidados ( lá se vai o crime de ameaça...)e em nenhum momento o telefonema do ministro Miguel Relvas alterou o trabalho que estava a ser feito." ( lá se vai a seriedade das pressões)

E depois explica melhor porque é que o Público deixou de ter credibilidade com esta historieta: "o telefonema do ministro foi objecto de reflexão e debate internos ( Imagina-se a reflexão e o debate...)Deveria o jornal ignorar o telefonema ou protestar formalmente? (...) Há quem considere, dentro e fora do jornal- incluindo os jornalistas eleitos para o Conselho de Redacção- que a direcção do Público deveria ter denunciado publicamente a pressão, logo no próprio dia. Essa não foi a nossa opção".
Pois se não foi, por que razão depois passou a ser? Por alteração de circunstâncias em consequência da tal "reflexão e debate interno"?
Não se sabe, mas sabe-se que o soviete do Público ganhou a aposta e sobrepôs-se à direcção do jornal, como verdadeiro corpo de jacobinos que têm sido, com algumas excepções.

E nem sequer a  conversa que a direcção mantivera "com o advogado do jornal", Francisco Teixeira da Mota os demoveu de tal tomada de poder, suplantando a direcção do jornal e armando-se em autêntico esquadrão da morte de um político.
O advogado do jornal, tendo tomado conhecimento da situação e do teor das conversetas de telefone tal como a direcção as comunicou ( ameaças de black out informativo e de divulgação de "dados pessoais na internet", os crimes imputados ao ministro) logo verificou que não tinham ponta por onde se lhe pegasse: a ameaça, para ser crime carece de relevo penal, como sejam a credibilidade de uma acção contra a liberdade física, pessoal ou patrimonial de outrém. Não era o caso e assinalou-o à direcção. Sobre a tal divulgação dos "dados pessoais" que a direcção explicou muito bem de que se tratava ( ao contrário dos leitores que ficaram até hoje sem saber)  o advogado lá teve de conceder que era nada de nada, juridicamente. "Distinguiu claramente a questão jurídica da questão ética e política e sublinhou a diferença entre ameaçar divulgar um dado da vida privada que é "íntimo", "desconhecido", "secreto" e "embaraçoso", e divulgar um dado que, sendo pessoal, é de fácil acesso público, sendo que no seu entender, os jornalistas têm que aceitar um maior grau de exposição e escrutínio do que os cidadãos comuns".
Entendimento correctíssimo de Teixeira da Mota que o Público soube logo e mesmo assim fez orelhas moucas continuando a alimentar uma polémica que já estava esvaziada.

Porque é que o Público assim fez?

Entra aqui a responsabilidade do jornal, da direcção e do soviete que tomou conta do asilo. O desgaste público e político sofrido pelo ministro Miguel Relvas só deve ser imputado ao jornal. É inadmissível que o jornal, sabendo os factos e conhecendo a opinião jurídica avalizada sobre a relevância dos mesmos tenha continuado a senda da meia-verdade e da insinuação sobre a gravidade putativa da tal revelação de "dados pessoais da jornalista na internet". Ainda por cima com base apenas na declaração da receptora do telefonema que nada garante não tenha "apimentado" o caso de modo a robustecer-lhe a importância que não tinha.  É uma suposição legítima que a própria deveria ter considerado porque fazer os outros acreditar numa versão de factos que só a mesma conhecia é arriscado sem ter provas dos mesmos.

Na segunda-feira, dia 21 de Maio, com a polémica instalada na opinião pública e o  opróbrio todo em cima do ministro, a fritar em lume brando pela atitude do Público o que fez este jornal, direcção e redacção já irmanadas num soviete supremo?

Publicou uma nota de direcção com chamada de primeira página titulada: " Relvas: Público faz "jornalismo interpretativo", com uma "nota da direcção editorial" na página oito em que alimenta o equívoco e tem o desplante de escrever que "as nossas notícias se pautaram pelo rigor". Vê-se...

Ontem, a directora do jornal declarou publicamente que as pressões de Relvas eram inaceitáveis. Antes tinha aceite que afinal eram pressões correntes, corriqueiras, de políticos e que em momento nenhum se sentiram ameaçados ou intimidados...isto basta para revelar o calibre moral de certo relativismo jornalístico daquela directora.

Se a  direcção do Público num primeiro momento andou bem, borrou a pintura logo depois, ao seguir o soviete e alimentando uma polémica cujo desiderato tem apenas um objectivo em mente: interferir na política pela politiquice. Fazer política da pior forma.
Não é isso que se espera de um jornal.
PS. estou com muita curiosidade para ler o que José Queirós, provedor do leitor vai escrever no Domingo que vem sobre o assunto, depois de ter escrito no Domingo passado que "as ameaças atribuídas a Relvas, e entretanto desmentidas pelo seu gabinete, são de grande gravidade".  Eram, não foram?
PS2. O Inimigo Público do jornal, um suplemento de várias páginas ( oito!!!)  com um humor escrito sempre com a mesma receita, dedica a edição de hoje ao caso Relvas. Para a próxima leremos a receita habitual sobre o caso Público...



3 comentários:

zazie disse...

A putona da fufa; só podia ser.

Que vergonha de palhaçada.

Floribundus disse...

ao que parece o público apenas queria criar um facto político que denegrisse o ministro e o governo
é assim o comportamento do lixo humano que temos

lusitânea disse...

O "colectivo" do Público alimentado pelo Belmiro... na cama com quem?