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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A TAP de Baptista-Bastos é uma espécie de datcha




Baptista-Bastos escreve hoje no Correio da Manhã que a TAP lhe pertence porque é de todos e por isso não a deixaria vender.
O argumento principal é o de tal negócio ser imposição do capitalismo agora transformado em  monstro de "capital financeiro multinacional". Assim como um  BES à escala global que efectivamente põe e dispõe por conta das "leis de mercado".
Em resultado do funcionamento dessas leis celeradas, a TAP será vendida, quando, sendo  dele e nossa não o deveria ser, por uma questão afectiva, porque a TAP " é um estado d´alma, uma emoção, um pequeno orgulho e a módica vaidade que nos resta".
Portanto, a essência da TAP pouco lhe interessa, na medida em que continue a ser parte desse "estado  d´alma", dessa "módica vaidade que nos resta" e só por isso. 
Se funciona melhor ou pior a transportar pessoas ou coisas e nas melhores condições de segurança e conforto, isso é secundário, desde que continue a ser "nossa" e faça parte do acervo hereditário que deixaremos aos vindouros. O custo da operacionalidade, esse, também conta para nada porque Baptista-Bastos sente-se  rico, mas com o dinheiro dos outros. Aliás, já disse publicamente que isso de dinheiro nunca foi coisa com que se importasse. É a mulher que lida com essa minudência.
O assunto é assim parcicularmente do domínio do afectivo, da razão que a razão desconhece. É uma espécie de infantilidade em que certa esquerda é prenhe.

Porque não pode desconhecer que  noutros países europeus e por esse mundo fora, há muitas outras transportadoras aéreas, nas mãos horrorosas do "capital financeiro internacional" depois de terem sido  propriedade dos cidadãos desses países e por razões concretas que explicam o fenómeno. 
Alguns desses países, certamente governados por "gentalha", concluiu que seria melhor assim para todos e deixaram de ter companhias aéreas " de bandeira" desfraldada. 
A Inglaterra, por exemplo há um ror de anos que não tem essa "módica vaidade". A França, contudo, ainda vai tendo o nome, mas no final dos anos noventa privatizou-a e juntou-se depois aos holandeses da KLM. A Alemanha , com a Lufthansa, fez igual e privatizou-se, ficando sem a bandeira pública, por causa das "leis de mercado" e juntado-se a uma miríade de empresas do "capital financeiro internacional".
Em Itália havia a Alitalia, como bandeira do que era " a módica vaidade" italiana. No final da década dos 2000 faliu, por causa das "leis de mercado". Quem manda agora é a Air-France/KLM, ou seja o "capital financeiro internacional". E poderiam acrescentar-se outros exemplos.

Baptista-Bastos parou no tempo, porque não concebe "leis de mercado" aceitáveis. Por isso reclama para si uma fatia da companhia aérea de bandeira vituperando o horrendo capitalismo global que lhe quer roubar a sua querida TAP, couto de muitos camaradas e compagnons de route durante décadas a fio, em nome de um hediondo "projecto de controlo global" que é o principal inimigo dessa fraternidade sempre pronta a cantar amanhãs com o dinheiro alheio.
Baptista-Bastos é do tempo das datchas e por isso tem uma, conferida pelo Estado in illo tempore, tal como na antiga URSS havia para distribuir, não por todos, mas pelos apaniguados do regime, num processo de corrupção sem paralelo no mundo ocidental. Esse é que era um projecto global de capitalismo de estado e a corrupção generalizada que o mesmo gerou  acabou com essa inevitabilidade histórica, mas Baptista-Bastos ainda não sabe e gostaria de o repristinar.  

Por isso vale a pena lembrar os bons velhos tempos em que não só a TAP como a maioria das outras empresas "de bandeira" eram de Baptista-Bastos e camaradas e principalmente, porque razão uma a uma deixaram de o ser. 

Em 11 de Março de 1975 por obra e graça dos camaradas de Baptista-Bastos foi possível em Portugal acabar com o sistema capitalista tal como o conhecêramos até então. Foi uma festa de que Baptista-Bastos nunca mais se recompôs e quer voltar a deitar foguetes .

A TAP que até aí era uma empresa SARL com capitais públicos, passou a empresa pública e foi o maior forrobodó para a camaradagem, comissões de trabalhadores a esmo, sindicatos em barda e "leis de mercado" fora de uso. Durante vinte anos foi o fartar camaradagem, com direitos e mais direitos e deveres mínimos, tal como o trabalho. 
Tal como a "banca" a festa durou até às tantas e os festeiros eram os mesmos de agora, os camaradas de Baptista-Bastos que choram baba e ranho por perderem as posições de privilégio.  Para além das datchas essas empresas davam-lhes o direito de trabalhatem o menos possível pelo máximo rendimento. Quem pagou a factura desses privilegiados que execram "as leis de mercado" por motivos óbvios? Todos os demais. O povo real. Tal como na antiga URSS o povo em geral pagou a factura em crises económicas e bancarrotas sucessivas ( em Portugal foram já três) das experiências dessa camaradagem que não tolera "o projecto de controlo global" que lhes acabou com a incompetência, incúria, ineficiência, corrupção, mandriagem. E rabejam por todo o lado, claro que rabejam quando vêem que lhes vão tirar mais um dos sítios preferidos de exercício dessas actividades.

Porém, tal como aconteceu com as demais aventuras empresariais comunisto-socialistas que deram sempre em fracasso global, também a TAP ( e a RTP vai pelo mesmo caminho de perdição) vai ser integrada no "projecto de controlo global" das "leis de mercado".  Sendo inevitável é a prova que a gestão de empresas por camaradas ou por compagnons de route redunda sempre em falência. Primeiro das empresas e depois do país.

A TAP,  tal como as datchas, nunca foi de todos, mas apenas de alguns:os privilegiados que pouco ou nada de relevante fizeram para o merecerem. A não ser, claro, o possuirem cartão de camarada de luta contra o "projecto de controlo global capitalista".  Essa credencial foi suficiente para o privilégio e agora, vai terminar de vez. Já não era sem tempo. A URSS há muito que acabou com esse género de aparatchicks, por causa do mesmo problema: desigualdade e corrupção de quem proclamava precisamente o contrário e prometia o futuro. Tal como Baptista-Bastos...podem rabejar à vontade que o vento da História deixá-los-há à deriva.



7 comentários:

Zephyrus disse...

Há uns anos viajar de Faro para o Porto era um martírio. Trezentos euros era o preço do bilhete, com escala em Lisboa e tempo de espera na capital superior a duas horas. Tudo somado, eram quase cinco horas entre check-in, viagem propriamente dita e escala em Lisboa. Entretanto apareceu a Ryanair com vôos directos e bilhetes inferiores a trinta euros. É este o belo serviço público da TAP. Na CP há mais exemplos do género.

Zephyrus disse...

São as velhas fantasias das elites que saem sempre caras.

As praças marroquinas custavam uma fortuna com pouco retorno. Do ponto de vista económico era mais proveitoso explorar as ilhas macaronésicas e a costa africana. Mas as elites sonhavam com vitórias contra os infiéis, títulos e glórias. As fantasias, as ideologias e os mitos naquela altura custaram-nos a independência e o Império asiático.

Agora temos novo mundo de fantasia idealizado pela Esquerda e por uma certa Direita que não compreende as transformações do mundo contemporâneo.

Falta um sentido prático que teve e um realismo que ainda existiu durante curtos períodos da nossa recente, com Mouzinho da Silveira, Sebastião José de Carvalho e Melo ou o Prof. Salazar.

foca disse...

Este Batista Bastos é uma bosta e não é de agora.

BELIAL disse...

Há que diz~e-lo com frontalidade: esmifra, com luvinhas de gato e pezinhos de lã...

Onde é que ele estava no prec?

I. B. disse...

Mais um grande post, soberbamente documentado, como sempre.

Em que mundo viverão os BBs deste Mundo?... Tsc, tsc...

BELIAL disse...

o velho patarata inebria-se com as próprias baboseiras.

Antes o JB - ó ganda BB!

Vitor David disse...

O Baptista Bastos "dono orgulhoso" da tap também é dono orgulhoso de uma casa da câmara municipal de lisboa.