O ex-comissário europeu António Vitorino propõe a identificação pública das empresas que recorrem à corrupção.
"Defendo a publicação de uma 'lista negra' das empresas que, onde quer que seja à escala global, recorreram à corrupção. Assim, podemos criar casos exemplares e consequentemente dissuadir outras de seguir o mesmo caminho", disse Vitorino, no programa "Fora da Caixa" (para ouvir esta sexta-feira na Renascença, a partir das 23h00).
A ideia, aplicada às empresas europeias que tenham recorrido à corrupção, teria ainda outro mérito, acredita: "Não distorcer a concorrência. As empresas que recorrem à corrupção estão a distorcer as regras de funcionamento de uma economia saudável de mercado". O fenómeno da corrupção custa 120 mil milhões de euros anuais, dizem dados da Comissão Europeia.
Pedro Santana Lopes concorda com a proposta de uma "lista negra", mas "devem existir esforços para ela ser global e não só continental. Há sempre um exemplo para dar, um sítio para começar".
António Vitorino visa alto mas é pequeno. Em estatura e autoridade moral, para falar de corrupção. Em vez destas propostas globais e fantásticas devia antes explicar ao povo português como é que foi aquele episódio de há alguns anos em Macau, quando umas malas cheias de notas se preparavam para embarcar num avião rumo à terra e aos "investimentos" no Partido. O PS, claro está. A corrupção está em todo o lado, até no Largo do Rato. E que tal começar por aí, por esse local que Vitorino bem conhece, em vez de fantasiar com listas globais que servem apenas para o ridicularizar?
A história já foi contada aqui e quem sabe melhor contá-la parece ser Marinho e Pinto.
Dinheiro de Macau. Anos mais tarde, um
senhor que fora Ministro de um Governo chefiado por Mário Soares, Rosado
Correia, vinha de Macau para Portugal com uma mala com dezenas de
milhares de contos. A "proveniência" do dinheiro era tão pouco limpa,
que um membro do Governo de Macau, António Vitorino, foi a correr ao
aeroporto tirar-lhe a mala à última hora.
Parece que se tratava de dinheiro que
tinha sido obtido de empresários chineses com a promessa de benefícios
indevidos por parte do Governo de Macau. Para quem era esse dinheiro foi
coisa que nunca ficou devidamente esclarecida. O caso Emaudio (e o
célebre fax de Macau) é um episódio que envolve destacadíssimos
soaristas, amigos intímos de Mário Soares e altos dirigentes do PS da
época soarista. Menano do Amaral chegou a ser responsável pelas finanças
do PS, e Rui Mateus foi durante anos responsável pelas relações
internacionais do partido, ou seja, pela angariação de fundos no
estrangeiro.