R.R.:
O chefe do Governo anterior, José Sócrates, vai comentar a actualidade, a partir de Abril, num programa semanal na RTP.
A notícia é avançada na edição desta quinta-feira do “Diário de Notícias”, segundo a qual Sócrates vai ser um dos elementos do novo painel de comentadores, do qual fará também parte o social-democrata Nuno Morais Sarmento.
O jornal adianta que o antigo primeiro-ministro não vai receber qualquer retribuição financeira directa, mas desconhecem-se os termos concretos do acordo estabelecido com a televisão pública.
José Sócrates deixou Portugal em 2011, quando perdeu as eleições para o PSD, e tem vivido em Paris. Desde 1 de Janeiro que exerce o cargo de presidente do conselho consultivo da farmacêutica Octapharma para a América Latina, tendo sido escolhido pelo seu "conhecimento profundo" da região e pela sua "vivência com os problemas de saúde pública", segundo comunicado da empresa.
O seu Governo pode voltar a ser investigado pelo Ministério Público por suspeitas de tráfico de influências no âmbito do processo Face Oculta, num caso ligado à margem de lucro das farmácias.
De acordo com o jornal “i”, numa notícia divulgada em Março, o actual Executivo terá entregado ao Ministério Público, no final do ano passado, documentação sobre a eventual pressão exercida pelo presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), João Cordeiro, sobre o socialista Armando Vara para pedir a José Sócrates que aprovasse legislação que repusesse a margem de lucro das farmácias em 20%. A alteração aconteceu em Março de 2010.
A absoluta falta de vergonha de quem manda na RTP, neste caso singular, é paradigmática do que aconteceu ao país. Um indivíduo que fez o que fez, politicamente, passados escassos dois anos, volta de Paris, onde se encontra a estudar não se sabe bem o quê, sendo agora consultor de não se sabe exactamente o quê e ganhando a vida não se sabendo exactamente como, para intervir outra vez abertamente na política nacional e assim ganhar visibilidade e relevo político que de outra forma não conseguiria. Isto é um frete aberto, claro e obsceno.
A RTP, evidentemente, cedendo a solicitações externas porque não lembra ao careca convidar uma pessoa assim sem ser através de pressões diplomáticas da política nacional, convida o indivíduo que ainda não prestou qualquer conta do que fez ao país, para comentar a actualidade, com outro prócere destas andanças, sócio de capital da PLMJ ( depois de ter sido sócio de indústria e ter alcançado o lugar após sair de um governo) e outro exemplo da falta de vergonha nacional erigida como paradigma de comportamento político.
Isto é demais. Quem convidou esta gente para comentar a política nacional devia ser despedido com a justíssima causa de ser incorrigível. Esta gente que nos afundou politica e economicamente não pode ser branqueada assim, sem mais e quem os convida para tal não tem a mínima noção da situação em que nos encontramos.
A RTP devia ser privatizada porque este tipo de serviço é obsceno e revela o que de pior se alcançou na estação pública de tv. O DN fala num tal Paulo Ferreira. Quem é este indivíduo e que fez para fazer o que agora fez? Como é que esta gente chega a cargos de poder na informação? O que é que Relvas tem a ver com isto?
Inacreditável.