sábado, 5 de dezembro de 2020

A Censura é agora a dos jornalistas

 Artigo do Pe. Portocarrero  no Observador que mostra bem o que é actualmente o jornalismo em Portugal. Um cóio de uma esquerda gizada pelos eduardos lourenços e quejandos intelectuais:


O episódio é recente e descreve-se em poucas palavras. Numa celebração eucarística, na igreja da Sagrada Família, no Entroncamento, no passado dia 15 de Novembro, um homem com um gorro na cabeça, avançou para a estante das leituras, afastou o leigo que aí se encontrava e dirigiu-se aos fiéis. O celebrante, que estava sentado na sede, alguns metros atrás do altar, ao aperceber-se da abusiva intromissão, levantou-se e foi ter com o sujeito, a quem educadamente admoestou, o qual lhe respondeu, por duas vezes, “Cala a boca!”, levantando o braço, embora sem o agredir fisicamente.


Enquanto o celebrante se retirou para a sacristia, onde desligou a aparelhagem de som, o intruso disse: “Têm de sair de África, têm de deixar a gente resolver … a nossa África. Não queremos Cristianismo, nem religião nenhuma, nada em África …”. Depois, abandonou pacificamente o altar e a igreja, permanecendo no seu exterior.

O facto, por ser insólito, merecia alguma referência nos meios de comunicação social de âmbito nacional, porque não é todos os dias que as celebrações eucarísticas são desrespeitadas no nosso país. A mera interrupção teria sido banal, porque acontece com alguma frequência, quase sempre devido à extemporânea intervenção de alguma pessoa desequilibrada que, obviamente, não justifica destaque informativo e que, mais do que censura, merece compaixão. Mas não era o caso, dado o discurso político e antirreligioso do espontâneo interveniente.

É curioso que o “indivíduo de ascendência africana”, assim identificado pelo jornal Mais Ribatejo, seja a favor de uma África sem europeus, sendo ele, pelos vistos, um imigrante num país estrangeiro. Que sentido faz ser, num país estrangeiro, contra os estrangeiros no seu próprio país?! Ou que têm a ver os católicos do Entroncamento com a presença estrangeira em África?! Por outro lado, se há alguns missionários portugueses nesse continente, há cada vez mais, graças a Deus, padres de origem africana em Portugal. A reação dos fiéis a esta nova realidade é de agradecimento pelo excelente trabalho pastoral realizado, no nosso país, pelos sacerdotes oriundos de África, apesar de, a julgar pela intervenção do dito sujeito, sermos nós os colonialistas e racistas …


Na medida em que se tratou de um acontecimento inédito, fazia sentido que tivesse sido devidamente noticiado, com os esclarecimentos que a questão exigia, até para evitar juízos temerários. Tendo em conta os atentados contra a Igreja católica, em França, em que padres e fiéis leigos têm sido assassinados, o facto ocorrido no Entroncamento tem uma acrescida relevância e oportunidade. Na realidade, é uma séria advertência para os católicos portugueses, que não estão isentos da perseguição que sofrem os seus irmãos na fé, em França e não só.

Contudo, quase todos os meios de comunicação social nacionais, com excepção da imprensa regional, optaram pelo silêncio. Porquê? Decerto porque temeram que essa notícia pudesse ser aproveitada para finalidades racistas, ou xenófobas. O receio é decerto louvável, mas não justifica a censura, porque há um direito fundamental à informação e à verdade. Até porque, se a comunicação social discrimina as notícias em função da raça, não é ela própria que está a ser, afinal, racista?!


Mas, seria razoável que, ao noticiar este incidente, se referisse a origem da pessoa em questão? Claro que sim, porque a menção é necessária para explicar o conteúdo da intervenção, sem que daí se possa retirar nenhuma ilação racista. A referência à etnia, ou nacionalidade, faz sentido quando não são as que seriam de esperar: ser português em Portugal não é notícia, nem africano em África, mas sim o contrário. É esta, aliás, a prática comum: no caso Maddie McCann, por exemplo, consta um suspeito alemão, sem que essa referência se possa entender como antigermânica. O que seria discriminatório seria, pelo contrário, ocultar a etnia, ou a nacionalidade, do protagonista, sempre que não seja branco.

Nas redes sociais – que felizmente suprem a censura que alguns meios de comunicação social querem impor – a notícia foi viral. Mas, como também acontece com frequência nessas redes, houve quem erradamente supusesse que o dito sujeito era muçulmano. É verdade que, ao dizer “a nossa África”, se identificou como africano mas, ao dizer que não quer nenhuma religião na sua terra, também excluiu, como é lógico, a crença islâmica. Também por este motivo, impunha-se que os media de referência nacional tivessem rectificado essa preconceituosa informação. Ao não fazê-lo, foram coniventes, por omissão, com essa falsidade, que ofende os maometanos.

Mas, pergunta-se ainda: deve-se referir a religião do protagonista de um acontecimento desta natureza? É irrelevante a religião de um carteirista que rouba no eléctrico nº 28, mas se um terrorista entra numa igreja, aos gritos de “Alá é grande” e mata cristãos, não faz sentido ignorar a motivação religiosa do atentado. Mas nenhuma religião pode ser julgada pelos crimes de um seu fiel, ou ministro, quando age sem o consentimento, nem o conhecimento dos seus superiores religiosos. Sempre que a religião é determinante de um acto socialmente relevante, é óbvio que deve ser referida.


A comunicação social, que é madrasta para os católicos, sobretudo se são padres, é mãe e madrinha dos fiéis das outras religiões, cujos desaires silencia, ou justifica. Foi o que também agora aconteceu em relação a umas incríveis declarações de Mamadou Ba, que se tornaram virais nas redes sociais e que os media politicamente correctos ignoraram ou, pior ainda, justificaram.

A escassa imprensa que se referiu ao protagonista do incidente do Entroncamento, talvez para não ser acusada de racista, também se apressou a justificar o intruso, dizendo que estava bêbado. Consta que foi o próprio que, questionado pela polícia, disse, em sua defesa, que estava embriagado, mas as imagens que o mostram a deslocar-se com passo firme, bem como a proferir, com voz escorreita, a sua despropositada alocução, parecem desmentir essa suposição.

À comunicação social não compete julgar, nem condenar ninguém. Não se espera dos jornalistas um veredicto, até porque, em geral, não têm conhecimentos, nem idoneidade, que lhes permitam chegar a uma conclusão sobre a responsabilidade dos sujeitos cujas acções reportam. Que se lhes pede, então? Que informem, sem preconceitos nem enviesamentos ideológicos ou religiosos. E que deixem o juízo, seja ele de absolvição ou de condenação, para quem de direito. Não é razoável que os jornalistas silenciem os factos que contrariam as suas convicções políticas e religiosas, omitindo informação relevante para o público em geral.

Há uns anos atrás, o facto agora ocorrido teria sido noticiado mais ou menos nestes termos: ‘Indivíduo de origem africana interrompe celebração da Missa, injuria o celebrante e exige a saída dos europeus e das religiões do seu continente’. Mas, segundo os cânones do politicamente correcto, hoje, ou se silencia o facto, ou se tem de dizer alguma coisa do género: “Coitadinho interrompeu uma coisa”. Com efeito, não se pode ofender nenhuma etnia, nem os africanos, nem as pessoas de qualquer religião (com excepção da católica, que se pode insultar à vontade porque, neste caso, é sempre uma salutar manifestação de liberdade de expressão). Também não se pode dizer que a Igreja católica foi vítima de um desacato, porque nunca pode ser louvada, nem tida por ofendida, já que é a eterna culpada das horríveis Cruzadas, da ignominiosa Inquisição, da morte na fogueira de Galileu (que, por sinal, morreu de morte natural, em sua casa e cama), etc.

Lembram-se do tempo em que a comunicação social informava?! Pois então esqueçam, porque agora os media do regime, pagos com principescas subvenções, já não servem para informar, mas para educar os cidadãos, segundo a cartilha do politicamente correcto. Dantes, a ominosa censura impedia os jornalistas de dizer a verdade, mas actualmente são os jornalistas politicamente correctos que são os censores: passaram de vítimas a carrascos da liberdade de informação. E os leitores que, durante o antigo regime, foram vítimas da censura aos órgãos de informação, são agora as vítimas destes novos censores.


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