quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

John Lennon, morto há 40 anos

 Fez ontem 40 anos que o músico John Lennon foi morto a tiro, à entrada de casa, em Nova Iorque, por um maluco que esperou por ele depois de lhe ter pedido um autógrafo no disco recém lançado do artista. 

O homicídio ocorreu noite dentro, cerca das 11 "p.m" e  em Portugal julgo que se soube já no dia de hoje, há 40 anos.  

Lembro-me de ouvir a notícia e da consternação geral porque o músico ainda era um artista muito conhecido e estimado no meio.  A notícia correu mundo, numa sociedade altamente mediatizada, como já era no início dos oitenta. Apesar disso as publicações disponíveis para tratar o assunto, em Portugal, eram relativamente pobres e os "especialistas" também não eram muito mais ricos em saber e conhecimento. 

Afinal a novidade da televisão a cores ainda se anunciava assim  ( anúncio no Sete de 10.12.1980):


O O Jornal de 12 de Dezembro desse ano, escassos dias após o acontecimento funesto publicava assim um artigo assinado por António Macedo, um dos tais especialistas e locutor de rádio. Bastante pedante e com informação copiada algures, sem indicação. 


O semanário de espectáculos Sete, nessa semana publicou mais alguma coisa, mas do mesmo género: quase tudo copiado e o resto com pouca originalidade. Era o que havia e neste caso sem assinatura do autor do escrito.



Lendo bem, até a história factual está errada. Naquela "segunda-feira à noite" a história foi melhor contada pela revista cuja primeira capa, em 1967, tinha sido com uma foto de John Lennon. 


Nesse mês de Dezembro e mesmo no dia em que o músico foi morto, houve gente  a falar para a revista e para uma reportagem a propósito de um novo disco que seria lançado nessa altura pelo músico então com quarenta anos.

A capa da revista tornou-se "icónica" porque foi considerada a melhor capa de revista dos últimos 40 anos, em 2005, pela American Society of Magazine Editors, como mostra esta página da Visão de 3 de Novembro de 2005.


Todo esse número datado já de Janeiro de 1981 mas publicado ainda em 1980 ( ou na primeira semana de Janeiro), era dedicado ao artista falecido, numa reportagem e publicação exemplar. 



A história do acontecimento.


Foi pelo rádio que se conheceram as primeiras notícias. Um " tambor tribal"...como não se ouvia desde o início dos anos setenta, segundo a revista ( Chet Flippo, um grande jornalista e crítico pop que os de cá liam...os que liam, claro). 


A recensão crítica da música de Lennon, com e sem McCartney, nos Beatles.







E uma entrevista de 1970 em que Lennon se assume como um génio, o que soube ser desde muito novo...enfim, até diz que génios como ele sabem sempre que o são, desde muito cedo.


Para além da Rolling Stone também a francesa Rock&Folk soube dedicar um número ao artista, em cima do acontecimento, com uma imagem da capa do disco então lançado. 


E também a publicação de uma entrevista, alegadamente a última e da autoria de uma jornalista da Newsweek, Barbara Graustark. 
Segundo se lê, seria rara tal entrevista porque nos nove anos que se seguiram à separação dos Beatles, John Lennon tinha sido muito recatado e parco em palavras publicadas:



Quando li estas revistas já conhecia alguma coisa de Lennon porque desde o início dos anos setenta que dava atenção à música dos Beatles e depois à que os elementos a solo, produziram. Lennon publicou logo em 1970 este single fundamental da pop, com esta edição portuguesa:


Em 1974 a revista Rock & Folk que comecei a comprar dava atenção ao artista, no número de Outubro, um dos primeiros que comprei:  


No final dos oitenta começou uma espécie de revivalismo da música popular das décadas passadas e a capa da Rolling Stone de  Agosto de 1990 mostrava tal fenómeno, numa foto "psicadélica" de Richard Avedon.


Nos últimos anos a quantidade de publicações inglesas e americanas ( os ingleses ainda hoje têm pelo menos quatro revistas com publicação regular sobre a música popular) deram atenção a John Lennon enquanto artista dos Beatles e a solo.



E isso para não mencionar as que dedicaram aos Beatles...


Evidentemente que em 1970 nada disto existia em tal abundância e qualidade. O que por cá existia era uma pequena revistinha, editada por uns comunistas do Porto que lidava com estes assuntos de modo que quem queria ler algo sobre a música popular tinha que a comprar. A edição de Agosto de 1970.


Ou então este jornal de 15 de Abril de 1970 que imitava os ingleses ( até no logotipo do título)  dedicados ao assunto:


O resto publicado por via de "agências" aparecia em revistas avulsas como estas mostradas nos dois  livros de Abel Rosa dedicado ao tema:



Porém tudo isso estava dependente disto, fundamentalmente, ou seja dos discos de John Lennon, aqui nas edições originais e publicados a solo, a partir de 1970 até 1974. 
Ouvi agora mesmo os dois últimos, Mind Games de 1973 e Walls  and Bridges, de 1974. 

Recomendam-se, ainda hoje como grandes discos a ouvir, particularmente em vinil e nas versões originais. Em cd não soam da mesma maneira...e em mp3, ou através do som fanhoso do you tube sem conversor "dac" de qualidade, é quase um crime ouvir tal música. 





 

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