sábado, 12 de dezembro de 2020

O extremismo da esquerda nunca existiu...foi apenas um sonho lindo

 Público de hoje, uma obscenidade com a autoria habitual: 


Como se lê, agora são todos social-democratas, embora tenham lá por casa o disco de José Afonso com esta letrinha bem decoradinha do tempo em que "tudo era possível": 

A palavra socialismo
Como está hoje mudada
De colarinho a Texas
Sempre muito aperaltada

Sempre muito aperaltada
Fazendo o V da vitória
Para enganar o proleta
Hás-de vir comigo a glória.

De facto o "tempo mudou e ela não voltou" e eles sabem que ela "partiu, para sempre fugiu". A Revolução popular, entenda-se. 
As armas estão agora em mãos alheias e o refluxo dura há décadas, como se comprova pelo escrito plangente e desabusado. 

Acenem-lhe porém com novos alvores e ressurgirá a velha chama, adormecida no escurinho desse cinema de bairro popular. 
Ora note-se a luz da esperança, ainda acesa num livro de memórias de 2017: 





A luta popular agora é nas tretas e as armas virtuais podem mais que as bombas de fabrico artesanal para brincar aos carnavais. 

..."Donde se deduz que a esquerda, com mais ou menos derrota, tem de ir prosseguindo a luta, por vezes passo a passo".  

Ora nem mais! Ou antes, ainda outra citação do mesmo teor e ainda mais explícita. É do bispo negro Louçã, do tempo em que as cerejas ainda estavam verdes. É de 2005 de uma entrevista à Sábado:

"O BE é um movimento socialista [diferenciado da noção social-democrata, entenda-se- nota minha] e desse ponto de vista pretende uma revolução profunda na sociedade portuguesa. O socialismo é uma crítica profunda que pretende substituir o capitalismo por uma forma de democracia social. A diferença é que o socialismo foi visto, por causa da experiência soviética, como a estatização de todas as relações sociais. E isso é inaceitável. Uma é que os meios de produção fundamentais e de regulação da vida económica sejam democratizados [atenção que o termo não tem equivalente semântico no ocidente e significa colectivização-idem)]em igualdade de oportunidade pelas pessoas. Outra é que a arte, a cultura e as escolhas de vida possam ser impostas por um Estado ( é esta a denúncia mais grave contra as posições ideológicas do PCP). (...) É preciso partir muita pedra e em Portugal é difícil. Custa mas temos de o fazer com convicção."

É este o retrato da revolucionária das bombas inteligentes desactivadas...




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