terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Eduardo, de Vence, saiu. Foi sempre pela esquerda.

 Morreu um "pensador" português que vivia em França, Eduardo Lourenço. Era de uma geração de pensadores velhos que escreviam coisas sobre os portugueses, segundo cartilhas lá de fora, particularmente de França. Um outro desses "pensadores" era outro Eduardo, Prado Coelho já desaparecido há um pouco mais tempo. 

Não por acaso, um dos jornalistas que há por aí, desse tempo de cerejas fora do tempo, diz assim a propósito da morte deste Eduardo: 


A primeira coisa que pensei ao ler o título foi a de que fazem tanta falta ao pensamento português como duas violas em enterro. Não são necessárias para nada. 

O primeiro dos Eduardos era filho de um académico de Letras e escrevia artigos ilegíveis sobre os filósofos da moda, em França. Durante o PREC ganhou o ápodo Eduardo PC, et pour cause e depois foi adaptando o pensamento de crisálida até desabrochar como borboleta do PS porque já não havia mais filosofia de ponta.  

Em  Junho de 1978 já duvidava do PCP que três anos antes seguia...


Quanto a Eduardo Lourenço,  em 4 de Junho de 1978 também só jurava pelo socialismo nacional: 


Em finais de 1979 carpiu as mágoas da derrota da Esquerda às mãos de Sá Carneiro, nas eleições desse ano, num artigo no mesmo O Jornal, loca infecta de todas estas figuras da proa esquerdista:


A contradição suprema foi aliás Eduardo Prado Coelho quem a apontou em 4.8.1978 e continua válida nos dias de hoje: "A Esquerda tem maior dificuldade em produzir os seus analistas políticos, na medida em que uma dose de paixão e um desejo de contagiar emocionalmente vêm muitas vezes tolher qualquer hipótese de uma análise rigorosa e fria". Tal e qual. 


Todos os escritos destas duas figuras eram glosas do mesmo tema, sobre a esquerda e a direita e as dificuldades do domínio de uma sobre a outra. Toda a filosofia desembocava sempre nessa alcova.

Enfim, já em tempos escrevi sobre estas figuras que se tornam irritantes porque se assumiam sempre num gri-gri de grilos de esquerda, com ideias de filosofia tributária ao estrangeiro francês. Houve até quem os designasse de pensadores da "nova esquerda"... 

Sobre Eduardo Lourenço já aqui escrevi em tempos sobre a magnum opus que foi a publicação, em 1976 de O Fascismo Nunca Existiu.

O prólogo do livro mostra onde quer chegar: o fascismo só existiria se fosse reconhecido como tal e isso estava longe de suceder no Portugal da época, para grande pena do pensador. Enfim. 





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