quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

O estado das artes

 CM de hoje. Primeiro a crónica de FJV sobre a loucura que paira na indústria de cinema da Disney por causa da cultura politicamente correcta de não afrontar, sequer supostamente, minorias rácicas ou animais de estimação. 

Ainda não chegou cá? Vai chegar por via dos Livres e Blocos que andam por aí aos pinotes por causa do Ventura. Os media darão sequência devida, na altura certa, porque tal será ensinado nas madrassas próprias, em aulas de "cidadania" sobre a magnífica escola de Frankfurt. 


Depois a música portuguesa em crise clama por maior audição pública nos rádios. Não poderia estar mais de acordo por alguns motivos. 

Em primeiro lugar a música portuguesa de expressão mais popular está melhor que nunca, em qualidade e quantidade. 

Lembro-me ainda dos anos sessenta, setenta e oitenta e até noventa em que era difícil conseguir arranjar meia dúzia de artistas originais cuja música valesse a pena o esforço de ouvir e continuar a gostar. Por um Paião ou um José Cid apareciam vários Emanueis  do tiroliro e ainda assim era penoso ouvir o pimba em repetição nos rádios dos anos noventa. 

Aos poucos começaram a aparecer músicos e músicas que não deixavam nada a desejar ao que se poderia ouvir de qualidade nos sessenta e setenta ( Filarmónica Fraude, Banda do Casaco, e alguns cantores de protesto, como Zeca Afonso, Sérgio Godinho e Fausto, para além de José Mário Branco e pouco mais, como um Júlio Pereira).

Tornou-se um regalo poder ouvir a Ribeira dos antigos Mini-Pop dos primeiros anos da década de setenta, então modicados em Jáfumega, tal como as melodias algo zapianas dos Trabalhadores do Comércio, com o Tá quietinho senão lebas no fucinho e outras desses gaijos do puorto.

Os discos dos Trovante também se ouviam muito bem no rádio de meados dos oitenta e o surgimento da onda do "rock português" era agradável de surfar. 

Rui Veloso, definitivamente deu as cartas num novo jogo que já não passava pela simples imitação de sons estrangeiros com letras pindéricas e a partir desses longínquos anos oitenta apareceu uma catrefa de bons grupos com bons músicos, eventualmente em consequência do bom nível no ensino da música em Portugal ( a música, tal como as engenharias ou medicina  não se serve apenas com tretas e é preciso praticar e aprender muito mais que paleio oco e nessas disciplinas quem tem unhas toca mesmo viola).

Replicou-se depois em vários artistas  o sucesso merecido de bons grupos como os Clã ou os Ornatos Violeta e outros precocemente desaparecidos como os Filhos do Presidente cujo single procurei até encontrar e poder ouvir em hi-fi decente ( apesar da gravação tecnicamente fraca) Rumba là, passados mais de trinta anos ( o single é de 1982)

Que será feito destes músicos? 




Noutras latitudes o estado das artes musicais parece ter evoluído para plataformas de "streaming", de música a correr no éter e pronta a ser pescada e consumida com novas técnicas inseridas em telemóveis e similares, em formatos evolutivos, alguns já de qualidade digital superior ao cd. 
Ontem o CM sumariava o que já se sabe há semanas: Bob Dylan e Neil Young venderam os direitos de publicação da maior parte das suas obras mestras a tais plataformas.
O caso de Neil Young é tão mais estranho porque o músico sempre recusara a comercialização indirecta da sua música em artefactos publicitários ou de outro género, para além da venda dos discos produzidos.
Pois acabou agora por vender metade do seu catálogo a um fundo de investimento que lhe terá pago mais de 120 milhões de euros. 
Quanto a Bob Dylan, para mim podia ter vendido tudo logo em 1979  porque nada mais do que produziu a seguir me interessou ouvir. O que publicou na dúzia de anos antes disso, chega e sobra. 



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