domingo, 17 de janeiro de 2021

Os hipócritas da "outra banda" do jornalismo

 No CM de hoje, o director-geral Octávio Ribeiro tem este editorial: 


O moralismo jornalístico é coisa despudorada de se ver e simplesmente obscena perante as páginas diárias do tablóide que aliás compro porque é um repositório diário do que acontece no país, nesmo sob as lentes do sensacionalismo permanente. 

Diz o director-geral que "os jornalistas deviam estar sujeitos a um escrutínio rigoroso" e depois explica tal escrutínio pelo conhecimento do património, rendimento e interesses que os mesmos deviam declarar. Enfim, um escrutínio à la carte...

Como exemplo de hipocrisia diária deste jornal e particularmente do seu director-geral ponho aqui apenas dois exemplos da edição de hoje, embora pudesse recolher todos os dias um exemplo de tais obscenidades- e não me refiro às tradicionais. 

Todos os dias no jornal há disto que significa a prática de chulice, juridicamente titulada como lenocínio, ou seja, ajuda à prostituição. O jornal todos os dias promove a prostituição que é algo triste e degradante para a natureza humana sem sequer dizer que é para a mulher. E no entanto, o director geral tem depois aquelas tiradas grandiosas sobre princípios morais e outros, os da "outra banda". 

Que autoridade moral tem um director-geral assim?


Outro, este de uma jornalista da casa que é um desastre profissional e pessoal porque apresenta um estilo caceteiro da sensação mais escabrosa que explora emocionalmente a mente mais perversa do ser humano, ou seja, a do voyeur, a dos que querem ver tudo o que está por trás da cortina da personalidade e muitas vezes da decência e da reserva de intimidade. Será que esta jornalista se vê bem ao espelho? Escuso de continuar e mostrar um vídeo que circula por aí...


E no entanto, publica esta notícia sobre um magistrado que foi processado por infracções profissionais e foi afastado pela corporação por isso mesmo. Não lhe bastando tal efeito  a jornalista publica que o mesmo ganha uma reforma "após congelar processos". 

Que merece um jornalismo destes? Que lhe mostrem o vídeo, claro está. Mas não vou mostrar porque tenho pudor e vergonha que ainda haja jornalistas assim. 


Será que isto tem remédio no Correio da Manhã e na CMTV? Não me parece. Vivem disto e para isto. E por isso terão aqui sempre alguém que o denuncie. Não por moralismo mas apenas por indignação e esperança de que possa mudar. 

E tudo isto para rebater o argumento moralista sobre os "métodos pidescos para descobrir, perseguir e atemorizar fontes de informação"  no caso da investigação ao crime de violação de segredo de justiça praticado por alguém. 

Não foi para tal: foi apenas para de algum modo pôr cobro à indecência deste tipo de jornalismo viver do sensacionalismo diariamente e procurar por todos os meios o máximo de lucro e vendas, incluindo por isso a prática sistemática de crimes de violação de segredo de justiça, sem qualquer justificação atendível que não seja exactamente o sensacionalismo e a ânsia da ganância de ser a "CMTV, primeiro!"  e o líder de audiências mediáticas. 

E para isso vale tudo, até mesmo vilipendiar que procura pôr termo a tal deriva, por ser esse o dever profissional, mesmo com exagero e com desproporção e inadequação, como foi aqui já escrito. 

É isso que o hipócrita director-geral não diz. E pensará? Duvido.

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