sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A ministra anarquista


A ministra da Educação, ao Publico de hoje, diz que " se sente anarquista".

Para quem teima em impor um modelo de avaliação de professores, com os antecedentes dos estatutos do professor e do aluno, soa como uma piada. De mau gosto.

Para quem se afirma "anarquista", pressupondo um desmantelamente do poder execrável do Estado, ao mesmo tempo que integra esse Estado e de um modo plenamente autoritário, em contraponto completo e fatal para o anarquismo que ousa professar, só há uma observação racional:

Não faz ideia do que anda a fazer. E essa é uma verdadeira e tristíssima anarquia. Mental.

9 comentários:

Miguel M. Ferreira disse...

Antes de mais aproveito para confessar que o seu blog faz parte das minhas leituras diárias....concordo com 90% do que por cá (já no GLQL assim era...).

No entanto não consigo compreender esta "embirração" com a ministra da educação, nomeadamente quanto à avaliação dos professores.

Reconheço que não conheço o sistema que está a (tentar) ser implementado. Mas uma coisa é certa, tem de existir avaliação. E a avaliação não pode ficar como está. Obviamente que compreendo a contestação dos professores...existirá alguém, ou alguma classe que, pacificamente, "largue" um sistema de progressão automática e sem critério, por um sistema de avaliação de mérito? É óbvio que não....

Colmeal disse...

José,
Não podia estar mais de acordo consigo (e não, não sou professor !), só por teimosia é que esta senhora ainda está em funções (veja o que António Balbino Caldeira escreveu em http://doportugalprofundo.blogspot.com/2008/11/professores-fraccionamento-da-entente.html e começa a perceber-se que é uma ministra a prazo)vão-se procurar modelos de avalição ao Chile !!! vão-se procurar boas práticas à Finlândia (esquecendo que na Finlândia o número de alunos por sala é metade dos nossos e existem 2 professores por sala) e em seguida faz-se crer à população que a culpa da educação é dos incompetentes dos professores que não sabem ensinar não gostam de trabalhar entre outros mimos. Sobre a redução das turmas, exigências com os alunos e encarregados de educação .... não interessa legislar. Tem graça que os pais que mais apoiam esta medida (os que conheço) são os mesmos que nas reuniões na escola ou não compareciam ou só iam para contestar os TPC.
No meu caso tenho o problema resolvido, sempre confiei no ensino público e fiz aí toda a minha formação, infelizmente já não posso dizer o mesmo para a minha filha e como já não confio, iniciou este ano um novo ciclo num colégio privado(sempre nos 15 primeiros lugares qualquer que seja o ranking) onde lhe é ministrado um ensino de excelência, onde existem regras de conduta ,onde os alunos estão com predisposição para aprenderem e os pais são "convidados" a fazer o acompanhamento das aprendizagens dos seus educandos. Obviamente que é um ensino diferente, não se nivela uma turma por baixo como no ensino público onde o que interessa é que não haja retenções e estão a tentar ligar as retenções à avaliação dos professores. Para mim todo este processo foi mal conduzido desde o princípio (fico estarrecido ao pensar que esta sra. é socióloga e depois faz estes diparates ... será que é minimamente competente ?) e alguém devia tentar corrigir esta situação enquanto é tempo.
Quanto à avaliação, penso que estamos todos de acordo, tem de existir avaliação (também ainda não ouvi nenhum professor a dizer que não quer ser avaliado...) agora do que tenho lido e ouvido, este "modelo" já foi mais remendado que as meias do palhaço pobre e nunca foi testado ! Deve haver uma forma de avaliar os professores sem ser esta importada da américa latina, e não sei como foi possível aquele concurso para professores titulares ...

MARIA disse...

Efectivamente a Senhora deve estar a falar verdade :é anarquista . Isto nota-se nos textos legislativos que provêm do seu ministério.
No sentido de "anarquia= confusão, desorientação".
O problema deste Governo em geral é este. A vontade reformadora é de elogiar.Tinha as condições políticas para o fazer, apenas
lhes faltou um plano.
Quando se quer mudar uma realidade , antes de mais tem que conhecer-se muito bem a mesma, só assim avaliando as necessidades
de intervir e a melhor forma de o fazer e mesmo até antever reacções...
Implementar uma reforma que tem implicações na vida das pessoas não é o mesmo que fazer uma " prova de perna às costas" e remetê-la via postal aos destinatários. A reforma tem que ser ela própria avaliada, provada, ponderada.
E este é na minha modesta opinião o problema desta Governação : conhece mal os meios onde vai intervir e fá-lo com a arrogância de quem possui a unica verdade no mundo.
Contudo devo dizer que aprecio pessoas com alguma fibra e reconheço isso à Ministra. Muitos no lugar dela já teriam desabado...
Quanto à avaliação dos professores é certo que o modelo é infeliz : faculta a avaliação por quem possa ser menos habilitado, é burocrático, pouco claro nos critérios de ponderação.
Porém quantos portugueses não poderiam sair à rua pelos mesmos motivos e com mais razões de mágoa nesta matéria?
Por vezes tenho visto manifestações em que fico na dúvida se são realizadas pelos miúdos ou por quem tem por função educá-los antes de mais pelo exemplo...
Que fique bem claro : concordo com a luta desta classe, mas há formas ...
A verdade também é que quem está habituado a estar em posição " de levantar o dedo ao nariz" dos outros, dificilmente aceita que o façam a si ...
Em suma penso que se deveria antes de legislar comparar sistemas de avaliação experimentados noutros ordenamentos jurídicos, ouvir os interessados no sector e elaborar modelo adequado à nossa realidade.

Peço desculpa por me ter extendido tanto. Acontece-me isto nos seus posts.

Um bom domingo, por estas bandas triste e chuvoso.

Maria

homoclinica disse...

Porquê ir buscar um modelo ao Chile, se temos tantos modelos aqui na nossa Europa, bem mais ao nosso estilo?

Porque não copiaram o modelo da tão propagandeada Finlândia?

Nessa mesma entrevista ela dá a chave do problema. Diz, a certa altura, que caíu na armadilha de muitos ministros da educação: Quiz fazer "DEPRESSA". Ou seja, confessa que tentou fazer uma "reforma" rápida, mal pensada, mas que desse "resultados" até às eleições de 2009.
Lixou-se! Só fez asneira.
O ensino está mal? Arranjar um culpado: os professores. Logo: castigá-los! Dividi-los, pondo os menos qualificados a classificar os mais qualificados e mergulhá-los em toneladas de papeis e burocracias, sem lhes deixar espaço para pensar e ensinar.

Eu não estou sujeita a esta avaliação, mas revolta-me a ideia de ter de me sujeitar à "avaliação" de pessoas com menos qualificações que eu. Compreendo perfeitamente esta luta dos humilhados professores.

Não pode ser verdade que 120 mil dos 140 mil profs. sejam incompetentes.
E os que são competentes, com certeza gostam de ver o seu valor reconhecido. Esses querem ser avaliados, mas com justiça!

É curioso que aqueles que dizem "Reconheço que não conheço o sistema" sejam precisamente os que dizem "existirá alguém, ou alguma classe que, pacificamente, "largue" um sistema de progressão automática e sem critério, por um sistema de avaliação de mérito? É óbvio que não...."


Pelo contrário! É óbvio que sim! Tantos milhares de profs. competentes, (que os há!!!) gostariam de ver o seu valor realçado! Só que este sistema não faz isso!
Se quiserem opinar sobre o assunto, estudem-no!
Desclassificar prof. de filosofia por não usar o rectroprojector ou o computador nas aulas, NÃo melhora o ensino da filosofia!
Por profs de educação visual a classificar profs de matemática, NÃO melhora o ensino da matemática.

Isto não é avaliação. É simplesmente uma palhaçada para enganar os papalvos e tentat (mal) ganhar eleições.
Vejam como ela ficou "tocada" por um menino dizer que quando for grande vai votar no PS, só porque lhe deram um Maganhães...
Está tudo dito! A técnica do Valentim Loureiro... É só marketing político. Não tem nada a ver com melhoria do ensino. Quem vier atrás que feche a porta... ou seja que conserte os estragos que este governo está a fazer no ensino público.

Miguel M. Ferreira disse...

É óbvio que os Professores querem ser avaliados??? Sinceramente....conhecendo, ou não, este sistema...conheço muitos professores...e sobretudo conheço a mentalidade humana....
AGORA...todos progridem na carreira!!!
DEPOIS...progride que trabalha e está sujeito a avaliação!!!

Não é preciso ter muitos neurónios para saber o sistema preferido da maioria dos professores....

Com este sistema...ou o da Finlândia...ou o da Conchichina é preciso avaliação....não podemos continuar no marasmo actual...é pior nada fazer (que é o que a malta da fenprof pretende...embora este fds devam estar entretidos no congresso do tal "partido da ilusão permanente")

homoclinica disse...

É muita presunção, não sendo professor, pretender dizer o que pensam os professores. Pior: contradizer os professores. Eles estão fartos de dizer que QUEREM ser avaliados, que direito têm os outros de dizer que isso não é verdade? O que querem mais para acreditar?
Aqueles que cumprem com certeza que gostarão de se destacar dos que não cumprem. Agora com este "modelo" chileno, que baralha tudo e não distingue os melhores, claro que não interessa ficar mal avaliado.
A sra ministra não quer outro modelo a não ser o do Chile. A Finlândia só lhe dá jeito para outras coisas. Os modelos que se praticam por essa europa fora não lhe interessam.

Fazer mal é muito pior que não fazer nada!

Um professor ficar com uma classificação deficiente, sendo um bom profissional, é muitíisimo pior que não ter classificação nenhuma. Assim como uma mulher fazer mal o risco do baton ou do eyeliner é bem pior que não maquilhar-se.

Dizer que não querer o modelo importado do Chile equivale a não querer ser avaliado é o mesmo que dizer que quem não quiser comer dejectos caninos não quer ser alimentado.

E não é por a sra ministra, na sua infinita condescendência, dizer que vai tirar os ossos e espinhas desses dejectos, que eles passam a ser um bom alimento.

josé disse...

Muito boa imagem, para este modelo de avaliação qu é, de facto, uma boa merda.

homoclinica disse...

essa era realmente a palavra que me apetecia dizer.

Miguel M. Ferreira disse...

para finalizar os meus comentários a este post....apenas verifico que fui o único a reconhecer não ter um estudo aprofundado deste sistema de avaliação...muito embora não tenha visto uma única critica fundamentada ao tal sistema...excepção à "estafada" afirmação de que é um sistema "chileno"...como se isso, de per si, significa-se algo....a não ser talvez alguma xenofobia....como se um sistema da finlândia fosse, só pela simples razão de o ser, melhor!!!!

Agora com este mega argumento da "merda"...estou estarrecido....

P.S. Volto a dizer que não conheço o sistema...não o posso defender...mas também não o posso atacar...mas no dia em que o criticar acreditem que fundamento as minhas razões....