domingo, 9 de novembro de 2008

A PJ de Santiago


O Correio da Manhã, na revista de Domingo, publica uma entrevista com Teófilo Santiago, o investigador da PJ, com crachá de ouro, por serviços prestados. A entrevista, não é famosa. A história de Santiago, com 25 anos de polícia, dava pano para mangas, mas fica-se pelos colarinhos...brancos.
Em duas ou três frases, porém, Santiago traça um retrato implacável do poder político que temos e da capacidade de investigação da polícia. Sobre equipas especiais, tem uma opinião de senso comum: não funcionam bem, porque quebram a auto-estima de quem investiga.
Sobre o Apito Dourado, recorda a demissão da equipa que fez com o inspector Massano, para dizer que foi "um ataque brutal à integridade da investigação. Soez, feia e cobarde em que usaram o então director da PJ do Porto".
E para quê, afinal? Santiago, julga que para alguém saber o que lá estava. Ou seja, o que os investigadores tinham descoberto. E pressionaram. Teófilo Santiago não diz os nomes dos pressionadores, mas a PJ de então era dirigida por Adelino Salvado. Que saiu em desgraça, por causa de uma "estrangeirinha" que também lhe arranjaram: as revelações sobre os telefonemas para os jornais, por causa do processo Casa Pia.

Na entrevista, Teófilo Santiago revela-se um polícia que sabe trabalhar com a magistratura. E di-lo: "Nós damos confiança ao magistrado, o magistrado confia em nós."

Aí está o segredo da boa investigação.

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Um artigo obsceno de Rui Patrício