Em 16 de Setembro de 1976 Mário Soares era o primeiro-ministro de um primeiro governo constitucional. Portugal estava na bancarrota iminente por causa das aventuras políticas da Esquerda, a maior parte com aval socialista de Mário Soares. Um pouco mais de dois anos antes, com Marcello Caetano, tínhamos uma balança de pagamentos equilibrada. Depois, foi logo o descalabro e as causas eram conhecidas: diminuição da produtividade ( apesar da "batalha da produção", incentivada pelo PCP e sem greves porque eram criminosas e a Inter não se atrevia a desobedecer) e aumento do consumo, com aumentos salariais significativos ( tal como hoje, a Esquerda acha sempre que "o dinheiro aparece").
Mário Soares, tendo Medina Carreira como ministro das Finanças sabia que andávamos a viver acima das possibilidades e dizia-o então, abertamente e sem complexos, como se escreve neste artigo da Opção de 16.9.76. Os argumentos do articulista ( Bettencourt Resendes, um apoiante de Soares, já falecido) são exactamente os mesmos de agora...
Poder-se-ia pensar que Mário Soares aprendera com a experiência governativa de 1976, mas infelizmente não está na sua capacidade, isso de aprender depressa os fenómenos económicos porque só se formou em...política, ou seja na arte de conquistar e conservar o poder a todo o custo democrático.
Assim, ainda que durante alguns anos fizesse uma cura de jejum governativo, em 1984 já lá estava outra vez, impante de palavreado oco e ideias vazias a não ser a de socialismo democrático, liberdade, tolerância e pouco mais que para o indivíduo que anda por aí a disparar em todas as direcções para o governo, é tudo o que um político precisa para governar.
Entretanto a Economia sobrevivera com empréstimos externos, como agora e a dívida pública atingira números estratosféricos. como agora. A partir de 1978, a dívida pública atingira mais de 50% do PIB. E que fazia então Soares?
Nada como agora, a não ser manter o paleio oco e as ideias vazias. E por isso teve que chamar outra vez o FMI.
o Jornal de 13 de Janeiro de 1984 conta como foi.
E o que fazia Cavaco Silva nessa época, depois de ter sido governante na AD? Era director do Gabinete de Estudos do Banco de Portugal. E sabia o que se passava porque em 19 de Dezembro de 1983 disse-o num colóquio da APE, publicado pelo O Jornal em 6 de Janeiro de 1984. Até sabia como nasciam os "buracos" e a Assembleia da República era sistematicamente enganada.
Ainda assinm, sabendo tantas coisas, quando se processou a revisão da "carta de intenções" com o FMI ( coisa que para Soares era chinesice) não pôde estar presente. Tinha gripe e acabou por ir a sua colega Teodora Cardoso. Está documentado num jornal que tenho por cá e que coloco se alguém duvidar...