Depois do levantamento de rancho promovido pelos militares no dia 25 de Abril de 1974 o caldo entornou-se de vez nos dias e semanas a seguir.
Lá vai mais uma série de recortes para se perceber o ar do tempo que passou e que não volta mais. Nos livros não vem isto e as pessoas têm a memória curta.
A Capital de 29 de Maio de 1974. Notícias sobre a ida de Marcello Caetano e Américo Tomás para o Brasil.
Autorizados pela Junta de Salvação Nacional, numa decisão muito criticada pelos partidos de esquerda que queriam julgar ambos por diversos crimes não previstos em leis penais. O crime era o de serem "fascistas"...
O Diário Popular de 21 de Maio de 1974 mostrava o repúdio pela ida dos fascistas para o Brasil...
No mesmo dia aparecia a notícia sobre as intenções do Sombra do regime em acabar com as nossas possessões ultramarinas. Claro mais claro não pode haver...
Por outro lado, nesses dias faziam-se as contas sobre o número de "pides" que entravam na grelha.
Naquele número da A Capital mostrava-se como foi interessante a transição para esta "democracia": o PDC dizia-se de esquerda, quer dizer centro-esquerda e até referiam "o povo que durante 50 anos viveu na obscuridade implantada pelo fascismo".`É verdade, faz parte do programa do partido...que poucos meses depois foi considerado...fascista. Ora toma!
Almeida Santos andava numa fona...a prometer o futuro de um governo de baixo para cima. É o que passou a existir em Angola depois da passagem deste Sombra da democracia: um governo em que os de baixo, aos milhões e pobres como sempre foram, olham para os de cima carregados de milhões. Obra prima destes Sombras.
Entretanto o Diário Popular de 29 de Maio mostrava como os artistas lidavam com as estátuas incómodas.
E Mário Soares, falando da "grande burguesia" ( um deles deve ser o Espírito Santo que no outro dia defendeu publicamente...) a dar os primeiros passos na "descolonização exemplar"...na parte final está o teor das declarações polémicas que permitiram a alguns afirmar que Mário Soares lavava as mãos se os antigos colonos fossem atirados aos tubarões.
O Federalismo, ilusão de alguns dias de muitos autóctones era coisa com pouco valor de troca.