No fundo, se tivéssemos mantido o anterior regime, liberalizando o sistema político e encontrado uma solução para o problema do Ultramar, não andaríamos hoje a discutir três bancarrotas em menos de 40 anos e uma situação económico-social que se afigura preocupante, com figurinhas políticas de baixa extracção e um ex-primeiro-ministro preso por corrupção.
Essa noção torna-se para mim mais evidentes quando se contrasta o pensamento politico-económico dos que alteraram as regras do jogo, nos meses a seguir ao 25A, ou seja a esquerda, incluindo a socialista democrática, com o que então era a nossa tradição e que aliás seguia a europeia, capitalista e burguesa.
O melhor exemplo que se pode ler para tal poder demonstrar-se reside no que sucedeu ao grupo Champallimaud, logo a seguir ao 25 de Abril.
Nestes recortes de revista Vida Mundial de finais de 1974 e início de 1975 mostra-se o que pensava essa esquerda e o que dizia e pensava o próprio Champallimaud.
Preparando já o assalto às empresas privadas e grupos económicos que ocorreu após o 11 de Março de 1975, João Martins Pereira, falecido há relativamente pouco tempo e que era uma espécie de guru dos Louçãs e companhia esquerdista habitual, questionava na revista, no número de 5.12.1974, a Siderurgia de Champallimaud.
Este, no número de 9 de Janeiro, respondia-lhe assim:
João Martins Pereira respondeu no número seguinte:
A resposta de JMP, do tipo das que Louçã hoje em dia debita quase todos os dias na SICN, falha na explicação de uma coisa prosaica e simples de entender e que Champallimaud dizia claramente:
"Tivesse tido a Siderurgia Nacional o Estado como proprietário e ela não passaria hoje de um lamentável empreendimento a custar ao erário público, isto é, a todos nós, fortunas sobre fortunas, contribuindo, como tantos outros negócios para que alguns políticos impelem o Estado, para o agravamento sucessivo dos impostos e o retardamento da elevação do nível de vida da população".
Foi exactamente isto que se produziu dali a meia dúzia de anos, já com uma bancarrota em cima.
A esquerda, essa, nada aprendeu, nada esqueceu e está na mesma, passados estes 40 anos.
Por isso estamos como estamos.
Quanto ao resto, ou seja aos recortes destes "pasquins", é preciso lê-los para se entender o que informam. Basta clicar nas imagens e ampliá-las noutra página...a não ser que não se dê qualquer importância a isto e tudo continue como dantes, na tranquilidade do realismo fantástico ou da loucura ambiente da esquerda reinante. A diferença entre ambos reside apenas no lugar de observação...