Observador:
Ricardo Salgado está “de consciência perfeitamente tranquila” e
convencido de que será “ilibado dessa monstruosidade” que é acusação
resultante da Operações Marquês. Nas primeiras declarações após ser
conhecida a acusação (houve uma conferência de imprensa nos dias
seguintes mas apenas o advogado falou), o ex-banqueiro garante que nunca
corrompeu ninguém nem cometeu qualquer um dos crimes de que é acusado.
“Posso-lhe
garantir que nunca subornei ninguém em toda a minha vida. E já lá vão
73 anos. Já foi dito, também pelos meus advogados, que não cometi nenhum
crime”, afirmou Ricardo Salgado, em declarações aos jornalistas à porta
do tribunal de Santarém.
Ricardo Salgado, amigo chegado do presidente da República actual, companhia nas férias e visita de casa, nem tem consciência da ilicitude de uma conduta que já nem oferece dúvidas ao mais céptico.
Para R. Salgado, subornar será qualquer coisa de diverso daquilo que ao comando do BES/GES fez: entregar e mandar entregar dinheiro de comissões em negócios que o seu banco protagonizou ao longo dos últimos anos.
Sabe-se que houve comissões na compra de submarinos e que algumas até foram reconhecidas como legais. Não se sabe se alguém recebeu, por interpostas pessoas, comissões ilegais, apesar das autoridades alemãs o terem referido. Não se apurou e o suspeito de saber o que se passou é agora caixeiro-viajante por conta da empresa Mota-Engil.
Para Ricardo Salgado, tais operações assemelham-se a decisões do "board" e por isso passam por socialmente aceites no gotha dos negócios em que participou. Subornar, para Ricardo Salgado deve ser qualquer coisa como untar as mãos a um polícia para não passar uma multa ou combinar expressamente com um facilitador do governo uma vantagem patrimonial em troca de um favor qualquer, uma licença ou uma facilidade. Como isso não acontece assim, no "board" de Ricardo Salgado, nunca subornou ninguém. As comissões pagas a políticos ou a outros intermediários? Fazem parte do jogo e não são subornos...
Para se perceber o que têm de patético estas declarações de Ricardo Salgado, basta ler esta notícia de hoje, no CM:
Quanto ao resto, do tempo do inginheiro no poder, em anos da nossa desgraça, façamos um flahs-back com imagens a ajudar, tiradas de um pasquim de 2006 que já acabou e cujo director nem sequer o lia ( Pedro Tadeu que entretanto arranjou um chóio no DN de Proença de Carvalho, et pour cause).
Em Setembro de 2006 estiveram lá todos.Menos os tansos que foram enganados e depois vieram dizer que "estavam todos feitos". E até os que não estiveram poderiam ter estado...
Mesmo assim, nessa altura não havia corrupção em Portugal e se havia era muito poucochinha, como assegurava uma mentecapta e o PGR ( Pinto Monteiro) e directora do DCIAP da época ( Cândida de Almeida) asseguravam também:
A comunicação social era o que era: um grupo de delinquentes, segundo um membro da classe. Por isso , notícias que agora se conhecem sobre o que se passava, não passavam na TSF nem noutros lados da SIC, do DN, do Público, da RTP, e na TVI só passavam num programa de Manuela Moura Guedes que sabemos como acabou.
Por isso é que uma São José de Almeida, uma Clara Ferreira Alves e uma Fernanda Câncio e muitos outros, quase todos, de nada sabiam e nada denunciaram nessa altura. Até se escandalizaram com o jornalismo de sarjeta daquela Moura Guedes, que horror!
Mas a Câncio nessa mesma altura sabia que queria um apartamento de mais de dois milhões de euros, pagos por um "Buraco" na zona nobre de Lisboa e que era "um buraco" segundo o próprio "Buraco" e por isso para lá não foi.
Durante algum tempo até o DCIAP acaparou o jogo de Ricardo Salgado. Não se percebe bem porquê, mas a seu tempo se poderá saber.
Tudo isto releva um pouco do que escrevi aqui, em 2010: Ricardo Salgado não sai aos seus. E por isso sacode a água do capote, como faz agora.
O problema é que a história não deixa por conta factos que contam e que em 2009 ainda serviam para mistificar:
É por estas e por outras que aquela declaração supra de Ricardo Salgado, hoje em Santarém é simplesmente patética.
Devia ter vergonha, confessar-se e pedir perdão a Deus Nosso Senhor em quem aparentemente acredita. Os homens, esses cá estarão para lhe fazer justiça se for o caso.