sexta-feira, 29 de março de 2019

A decadência dos filhos de algo na sociedade portuguesa actual

Jornal Económico:

O número de relações familiares no Governo envolve um total de 50 pessoas e 20 famílias, e também um ex-casal. Uma contagem anterior apontava que existiam 27 pessoas e 12 famílias no poder, mas nos últimos dias vieram a público mais nomes.

Entre entradas e saídas, passaram ou ainda estão no Governo socialista 50 pessoas com relações familiares entre si, ou com algum dos deputados do PS, ou com algum parentesco de ex-deputados do PS ou dirigentes socialistas (atuais ou anteriores), ou que tenham sido nomeadas para um organismo estatal nesta legislatura, num total de 20 famílias
.


Tomemos o caso singular deste Miguel Rebelo de Sousa, sobrinho do presidente e filho de António Rebelo de Sousa, economista e irmão de Marcelo. 

Este Miguel tem 42 anos e também é economista. É irmão de outros licenciados em Economia e Direito. Tem filhos pequenos em idade escolar.
O pai é  irmão do presidente Marcelo, formou-se em economia e tem hoje um trabalho curioso: é "consultor na Embaixada do Japão para assuntos económicos".  Começou como assessor do ministro Magalhães Mota, do PSD, em 1975 e depois, entre 1976 e 1985 foi deputado, primeiro pelo PSD e depois pelo PS. Depois dirigiu publicações periódica de cariz económico, durante dois anos, até 1989. Depois assessorou e consultou. Tal e qual e nem é preciso dizer mais nada. 

A mãe deste Miguel também é economista mas não tem qualquer perfil de relevo que mereça registo, a não ser "representante do título de Visconde de Outeiro", cuja linhagem pelo menos não começou com dinheiro do Brasil .  A senhora é ainda "bisneta do 2º conde de Idanha-a-Nova", cuja linhagem vem daqui, do final do séc. XIX. O casal teve três filhos e este Miguel segue as pisadas do pai. Quem sai aos seus...

Quanto ganha por mês este Miguel, filho daquele António, com o curso que tem, incluindo um "MBA"?  Parece que até agora era "alto quadro na EDP comercial". Alto quadro? Entrou lá, como? Com que credenciais? E porque saiu para chefiar o gabinete de um...Secretário de Estado, com um salário ilíquido de um pouco mais de 4 mil euros, mais ou menos o que ganha um alto funcionário do Estado?  

Sai de "alto quadro" para o baixo quadro da função pública de nomeação política, mesmo com ordenado alto para tal função? 

Enfim, se começássemos a escavar sem grande necessidade de obter informação em fontes fechadas porque esta informação supra está toda disponível na Net, veríamos mais e melhor. 

Só me resta uma pergunta: que Portugal é este que esta gente, de que faz parte aquele Rebelo de Sousa, esta fidalguia nacional da actualidade, construiu? 

Não sentem vergonha desta miséria? Não sentem um pudor que o visconde ou conde ou qualquer aristocrata a valer deveria sentir? 

Que tristeza...não admira que precisem dos préstimos de um descendente de um goês cuja educação será o que é...

Esta decadência conduz a isto, ilustrado no Sol de hoje:


Esta crónica de Filipe Pinhal explica um pouco mais:


E qual o motivo desta competição entre pessoas de família e amigos que evidentemente existe? O Polígrafo indica a tabela das rendas, ou melhor, dos salários que estas pessoas auferem pagos pelo erário público. É de supor que estas pessoas, em funções privadas não ganhariam tanto...o que dá para ver o grau de pinderiquismo que temos.



Costa, o primeiro-ministro, segundo o Polígrafo, tem nada menos do que 11 motoristas ao seu dispor, com carro de gama no topo, a condizer com a dignidade enxundiosa que o titular do cargo exala.


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