quarta-feira, 6 de março de 2019

A canalhice mediática e os lambe-cus

 O i de hoje dedica algumas páginas sobre a questão magna da liberdade de expressão versus ofensa ao bom nome.

"O i falou com especialistas para perceber esses limites e tudo o que está em causa neste caso".  Não vou mostrar tudo que é indecente. Vou apenas dizer que o artiguelho é mais um que segue o esquema do costume: as pobres jornalistas Beatriz Dias Coelho e Tatiana Costa presumíveis ignorantes do assunto, presumíveis saídas da madrassa da Nova do curso corrente de Comunicação Social, apresentaram a redacção ao director Vítor Rainho que aprovou e publicou.
Escusado será dizer que o i é uma nulidade como jornal e que um dia destes acabará na insolvência das dívidas a tudo e todos.

Ainda assim convém mostrar o esquema dos artigos de quem escreve sobre assuntos de que pouco ou nada percebe. Começam por introduzir o tema, geralmente com asneiras. Neste caso é logo no primeiro parágrafo: "Neto de Moura pediu para que durante algum tempo deixasse de julgar casos de violência doméstica". Não pediu nada disso, ó santinha! Aprenda primeiro e escreva depois...

Enfim, logo a seguir à exposição introdutória citam "autores" consagrados. Neste caso o excelso advogado Teixeira da Mota, do Público que já mijou fora do penico lá na loca infecta que lhe paga o artigo semanal. Já comentei oportunamente.
Depois tentaram ouvir o CSM que aos costumes agora diz nada de nada. Têm medo da água fria depois de terem aquecido o gato, dando-lhe corda para as injúrias abertas e públicas, de difamação repetida e relapsa.

Em seguida citam outros intervenientes, como o advogado do ofendido que diz coisas demais. De caminho tentam explicar o que nunca compreenderam e por isso voltam a asneirar.
À pergunta que fazem- o que faz um juiz desembargador?- respondem num dos itens: "por exemplo, no caso Neto de Moura o juiz justificou uma situação de violência doméstica enquadrando-a num passado histórico em que a violência doméstica sempre foi aceite em casos de adultério. Foi esse mesmo enquadramento que não foi aceite pelo CSM".
Não foi nada disso e há aqui dois erros flagrantes que mostram que nem sequer sabem ler o que se escreve na decisão do CSM.  O juiz aceitou os argumentos da primeira instância sobre a suspensão de pena e o CSM só não aceitou que o juiz dissesse que a mulher adúltera era falsa, desleal e hipócrita. E não era?!
E volta a asneirar quando escrevem que o CSM "em casos semelhantes não vai analisar se a decisão do juiz foi boa ou má. Vai sim analisar se as considerações proferidas pelos juízes violam ou não o dever de correcção. " Não é nada disto santinha! Vão analisar e não deviam porque a lei o proíbe, mas uma vez que se diz que analisam não é apenas tal dever, mas os outros deveres dos funcionários públicos. E são vários, não são apenas os de correcção.

Enfim, uma miséria assinada por aquela Beatriz Dias Coelho e sancionada pelo tal Vítor Rainho.

Nas duas páginas centrais o i publica os dizeres de alguns membros  honorários daquela academia do putedo, na acepção de Arnaldo Matos, ou seja de que "isto é tudo um putedo". Isto, a política e o resto associado.

Ora vejam lá se não será assim: todos os intervenientes que aqui se mostram dependem de algum modo do Estado, ou já dependeram para o exercício da profissão onde chegaram. São servidores actuais, respeitadores venerandos do politicamente correcto que alinha numa esquerda que está agora no Bloco.
Os humoristas não dependem do Estado? Pois isso é que duvido, porque fazem parte do "meio" e por isso ganham prémios da ILGA ou se permitem dizer o que dizem em público, impunemente e com aplauso geral dos poderes que estão.
Sem este Estado não iam a lado algum sem mendigarem o rsi.

O falecido Arnaldo Matos topou este género por experiência própria. Inclui neles o aqui ausente Garcia Pereira, seu amigo de longa data nas longas marchas da estupidez ideológica, mas temos aqui um belo naipe de exemplares. Disse pouco tempo antes de morrer que "isto era tudo um putedo".

Portanto tomei a liberdade em exprimir por escrito o que penso desta canalha, em comentário manuscrito na própria folha, a preceito dos ditos:





Entretanto riam-se com este humor de grande finesse, do filho da Ana Sá Lopes que arranjou emprego no SAPO porque é mesmo muita bom nisto. Não teve ajudas, foi só por ele. Ora reparem na finura do tema; no recorte das imagens; na inventividade dos ditos e na especiosidade da elegância...


Neto de Moura vai processar tudo o que mexe. Da minha parte, estou triste. Ainda na semana passada tinha escrito sobre a personagem e agora aparentemente vou escapar a uma merecida ação judicial. Sinto-me, como é óbvio, indubitavelmente ofendido e com insaráveis feridas no ego e na autoestima. Estou a considerar junto da minha vasta equipa de advogados a hipótese de processar Neto de Moura por não me ter processado.

Consta que Neto de Moura está “triste” com o que tem sido escrito e dito sobre ele. O que é absolutamente expectável e, aliás, saudável. Quando muita gente está a falar mal de nós porque nós efetivamente fizemos muitas asneiras é previsível que não apresentemos a felicidade de uma criança que marca em Alvalade e no Dragão na sua época de estreia (vocês sabem de quem é que eu estou a falar). Diga-se até que se Neto de Moura fosse completamente indiferente ao que se diz sobre ele seria um alarmante sinal de sociopatia. Mais um, digamos assim.

Vendo pelo lado positivo, processar toda a gente até é um sinal de que existe algum resquício de emoção naquele corpo. O problema é que tal empatia só se manifesta quando o visado é ele. Esqueçam, não é empatia. É mesmo autopiedade.

O sonho de Neto de Moura, com esta bateria de ações judiciais, é dar origem a uma espécie de Kristallnacht do espírito crítico. Um pogrom de jornalistas e humoristas que ousaram pôr em causa a idoneidade do juiz. Até agora, tenho a ideia de que os portugueses rejeitam a ideia de se condenar piadas e opiniões. Contudo, Neto de Moura, se prosseguir com a sua hubris, tornar-se-á cada vez mais um alvo fácil. Legítimo, mas fácil. Aliás, Neto de Moura está a duas semanas de se tornar numa punchline gasta. Isso magoa mais do que qualquer insulto. Ninguém quer ser a Elsa Raposo, a Maddie ou o José Carlos Pereira da magistratura.

É importante recordarmo-nos deste caso quando for alguém da nossa “equipa” a ser alvo de críticas e de escárnio. Há quase um consenso da opinião pública de que os tais acórdãos assinados por Neto de Moura são fundamentados de forma inqualificável e, por isso, quase toda a gente concorda que ele merece apreciações acintosas. Nem sempre é assim, mas com os picles podemos ser seletivos, com a liberdade de opinião, não
.

 Dito isto já se podem rir da criatura...de tão pacóvio, podia mesmo deixar de escrever e publicar apenas esta imagem de si mesmo. Teria sempre um efeito superior no despertar da hilariedade que não alcança de outro modo.

PS. Acresentei ao título do postal "os lambe-cus". São esses que aí estão e foram identificados há uns anos por Miguel Esteves Cardoso, aqui. Esse que aí está em cima ainda não chegou sequer a tal estatuto. E ele bem queria...

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