quarta-feira, 13 de março de 2019

O jornalismo do pente fino deixa passar piolhos em barda

CM de hoje:


Há várias imprecisões e erros nesta notícia que é assim, falsa.

Primeiro piolho que este pente fino deixou passar: este juiz que aqui se apresenta julgou o caso em tribunal colectivo; assim não é apenas um juiz mas três, os julgadores.

Segundo piolho, mais gordo que o primeiro: o tal juiz que afinal são três porque assinaram o acórdão, não disse que "sem queixa não acreditava na vítima". Disse isso e mais e mais significativo. Portanto, uma ausência de queixa como modo de explicar o acórdão é um modo de desvirtuar o que o acórdão disse.

Terceiro piolho que engorda a olhos vistos neste pente fino jornalístico: o acórdão não desvaloriza várias vezes a violência doméstica que é dado como assente no pente fino. O que desvaloriza é a credibilidade do depoimento da mulher que apresentou queixa.

Avaliar a credibilidade dos depoimentos prestados em julgamento compete aos julgadores, em julgamento em que se produzem provas, a favor e contra a acusação deduzida. O julgamento e o tribunal é representado metaforicamente por uma balança, sendo ocioso estar aqui a explicar o que tal significa.

Mas é isso mesmo que tem que ser explicado a este jornalismo de pente fino que deixa passar tanto piolho.

Alguém o faça com proficiência e terá assegurado a prática de uma obra de caridade.

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