terça-feira, 26 de março de 2019

Ser homem, hoje...é aguentar o feminismo.

No Domingo passado, de manhã, na Antena Dois e num programa apresentado por Gabriela Canavilhas, ( O Ar do Tempo) a ex-ministra da cultura de um governo Sócrates, filha de militar e casada com militar, por isso disciplinada professora de música socialista, falou de assuntos feministas e violência doméstica porque o tema era " As Origens da misoginia", de Aristóteles a Jean Jacques Rousseau.

Depois de passar alguns minutos de sofrimento para aguentar o palavreado entrecortado por trechos musicais, com predominância erudita e de beleza icontestável, dei por mim a pensar que valia a pena escutar até ao fim, a arenga que durou cerca de uma hora.

O que ouvi foi muito instrutivo: uma incursão diacrónica nas raízes e desenvolvimento da cultura ocidental, com reflexos no modo de encarar o feminino, as mulheres.
A tónica do discurso nunca mudou permanecendo por isso monocórdica: os homens são uma peste e conseguiram impor o seu poder desde a antiguidade clássica, contra as mulheres. Os homens em geral são misóginos e isso vem de longe, de muito longe.
Aristóteles é o malus pater desta família e também Platão, que depois influenciaram a cultura judaico-cristã que veio pela Bíblia e depois abarcou a Igreja de Roma, com Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Todos machistas, todos eles primitivas influências da cultura que nos cerca e oprime as pobres mulheres.
Mas não é apenas a Bíblia a fonte do mal. Também o Corão tem a sua parte e até as filosofias orientais levaram por tabela.

Passou a Idade Média e o Renascimento continuou a Tradição, chegando mesmo a Rousseau cujo Émile ou a Educação, foi lido em pequenos extractos para demonstrar o sexismo de todos os tempos e de todas as latitudes. A saga de citações maléficas terminou em Proudhon, o anarquista misógino que achava que o lugar das mulheres era em...casa a tratar dos filhos e lide doméstica. Alguém teria que o fazer, não?
Como parou em Rousseau não chegou a Marx, ficou aquém, mas é pena porque a tonalidade dos textos lidos por Gabriela Canavilhas era do mais puro marxismo, de luta de classes, agora entre homens e mulheres. As mulheres exploradas pelos homens que as relegam sempre para tarefas menores na vida social. É pena não ter lá chegado para ouvir o que poderia dizer sobre a mulher de Marx, Jenny...

Curiosamente toda a música que passou no programa era...masculina. Também curiosamente as mulheres não se salientaram ao longo dos séculos na nobre arte dos sons agradáveis ao ouvido, vá lá saber-se porquê e porque não há nenhuma Bethovena ou Mozarta. Ou mesmo Chopina nem Rachmaninofa. Não há, ponto.

Nesta luta de classes o epílogo do programa foi dedicado ao juiz Neto de Moura e aos juízes netos de moura que representam bem a tentativa dos homens em defender o seu reduto de poder machista contras as pobres mulheres feministas e misandras que bem queriam esse poder todo para elas.

Inebriado ainda por ouvir tantas barbaridade eivadas da mais radical misandria deparei com este número especial da revista Sciences Humaines. de Abril de 2019.
O tema era precisamente esse: o que é ser homem, hoje em dia?

A resposta é complexa...mas singeliza-se numa evidência: há uma guerra das feministas misandras contra os homens em geral. É ocidental, tal guerra de sexos. E tem alguns anos. Como de costume está agora a chegar cá. Tal como as modas, antigamente, demoravam anos a chegar.

A Canvilhas é mais um peão desta brega. Uma das que prepara o terreno para mais batalhas. E os homens ficam a ouvir...e sem problema porque a Natureza se imporá naturalmente como lhe é próprio.

Coitadas das canavilhas.


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