domingo, setembro 25, 2011

Os idos de 60

Nem de propósito, hoje na Antena Um num dos habituais programas sobre os cem anos de Portugal, Fernando Dacosta citava Miguel Torga que lhe disse pouco antes de morrer que ainda bem que morria sem ver o desaparecimento de Portugal que lhe parecia inevitável.

Citou ainda Franco Nogueira, o biógrafo de Salazar e do Estado Novo que dissera pouco tempo antes a mesma coisa, porque lhe parecia que Portugal sem o Ultramar não teria capacidade de se integrar harmoniosamente no concerto da Europa.

Assim, o primeiro marco de análise é este: Portugal sem o Ultramar teria hipóteses de se tornar um país europeu, como os mais desenvolvidos? A resposta a essa questão, dá-nos uma primeira pista e tendo a acreditar que sim, Portugal poderia ter tido outro percurso- por exemplo como o da Espanha.

Porque não o teve?

Deixando de lado as ideias de Sousa Tavares, que valem apenas o papel onde se embrulham, Vasco Pulido Valente retoma a velha teoria sobre os culpados do descalabro português, sacudindo a água do capote da sua geração, a dos sessenta anos e que em 25 de Abril andavam na casa dos trinta, portanto já estudados, formados e empregados.

VPV acha que a sua geração, afinal, logo que chegou a alvorada da liberdade de Abril de 74 “tentou tudo para a suprimir”, depois de a ter ansiado. “Assistiu, calada, ou mesmo se juntou, à louca procissão do PREC, em nome de uma doutrina que não percebia e de uma sociedade em que nunca aceitaria viver.”

Mas diz ao mesmo tempo que “a ausência do que tinha sido o movimento estudantil entre 1960 e 1974 no Governo e nos partidos entregou o poder a uma série de arrivistas, que não o tornaram a largar.”

Ora é aqui que a porca torce o rabo. Então a “geração estudantil de 60 a 74” não teve nada a ver com os governos e partidos correlativos?

Ora vejam lá: em 1974 uma figura de proa na economia académica ( tinha sido catedrático e demitido do ISE pelo regime anterior) era Francisco Pereira de Moura que tinha 49 anos e fizera parte do grupo da “Capela do Rato”. Este grupo, por sua vez era o núcleo fundador do MES que aglutinava precisamente o grosso dos elementos do “movimento estudantil” com destaque para um certo Sampaio que sempre fez parte de partidos e foi presidente da República com um discurso relaxante. Nos vários governos provisórios que se lhe seguiram até ao primeiro constitucional, várias outras personalidades da "geração de sessenta" assentaram as pastas no Conselho de ministros e secretários de Estado.

Portanto, quem são os outros “estudantes”? São por exemplo, José Manuel Galvão Teles, um figurão da advocacia portuguesa de negócios; José Vera Jardim, um maçónico do PS que sempre foi politicamente moderado; Victor Wengorovius, um radical da esquerda socialista democrática; João Bénard da Costa um escriba e cinéfilo, Jorge Galamba e outros. Tirando Jorge e Vera Jardim, o MÊS foi feito por aqueles e o discurso inicial do Movimento é de fugir para Leste.

Mais nomes? Nuno Brederode, um intelectual de pacotilha; César de Oliveira um presidente de Câmara honesto e já falecido; Manuel Lucena, Medeiros Ferreira e Oliveira Marques, outro maçónico de alto coturno. Nuno Portas, Eurico Figueiredo, Alberto Vaz da Silva e Nuno Bragança; Jaime Gama e José Luís Nunes, Luís Salgado Matos, Luís Miguel Cintra, e Jorge Silva Melo. E Guterres, naturalmente. Alguns deles estavam numa revista chamada O Tempo e o Modo e alguns outros passavam pelo bar do Hotel Florida e chamavam-se naturalmente, Grupo do Florida, por onde aparecia também um tal Marcelo Rebelo de Sousa para alimentar coscuvilhices na Gente do Expresso de antanho.

Alguns destes indivíduos candidataram-se a eleições, pela CDE, núcleo da oposição democrática ao regime, antes do 25 de Abril de 1974.

Serão estes os estudantes do tal “Movimento Estudantil” que VPV acha que nada tiveram a ver com a democracia conforme a temos?

Pois se são- e não há muitos mais- está completamente enganado. Foram precisamente esses indivíduos que ocuparam a totalidade do espaço mediático- até hoje. São eles a intelligentsia bem-pensante de que o Público actual é o produto acabado.

São eles a Esquerda global, a que veio do marxismo, cheirou o comunismo que não lhe agradou e assentou arraiais intelectuais no PS e grupos adjacentes, ao longo dos anos. Votam sempre “esquerda”, seja lá isso o que for. Ideologicamente, a palavra "direita" é sarna política.

Se é a estes que VPV se refere, estamos bem arranjados…porque foram eles que desperdiçaram a oportunidade de mudar o país para melhor. Todos eles, quase sem excepção, passada a aventura irresponsável do PREC, em que alinharam e participaram activamente, aliaram-se depois ao poder político do momento, como verdadeiros situacionistas que sempre foram. Tiveram e têm cargos e prebendas, prendas e rendas. Alguns ensinam, veja-se lá!

Não lhes cometeu a eles participarem activamente nos Governos? Tirando o pormenor de alguns terem participado- e de que maneira!, como é o caso de João Cravinho- a verdade é que todos eles, por junto e atacado, valem pouco intelectualmente. E ainda por cima defenderam ideias erradas e perigosas num tempo em que Portugal precisava de clarividência e acção competente.

Depois disso, VPV tem a distinta lata de escrever que " O novo Portugal acabou por nascer e crescer à revelia da minha geração: no Estado, nos partidos, na sociedade." !

O grupo deles, no fim de contas, foi quem nos atirou por duas vezes para a quase-bancarrota e agora repetiram a façanha, trinta anos depois.

É obra!

O cardeal Policarpo

"O nosso ministério é de uma natureza e de uma ordem que pode ficar prejudicado se nós nos metermos na política directa como ela é feita hoje. Ninguém sai de lá com as mãos limpas. E, portanto, nós fugimos disso", afirmou José Policarpo, em entrevista ao Jornal de Notícias (JN).

Se isso assim é, a Igreja portuguesa devia dar o "testemunho" que se impunha desde sempre, denunciando os desmandos e a corrupção de alto coturno. Em vez disso, o cardeal Plicarpo preferiu fazer o jogo do poder político, particularmente o dois últimos governos de José Sócrates e do PS. Não mobilizou a Igreja contra o jacobinismo que sabe muito bem que foi preponderante e continua a ser na sociedade portuguesa e consta que pode pertencer a uma Loja.
O cardeal Policarpo é, assim, um hipócrita.

Vasco Pulido Valente e a geração dos sessenta

Ontem foi a vez do cronista Sousa Tavares expôr o seu excelso entendimento sobre a nossa História contemporânea. Não me interessa muito o que Sousa Tavares pensa sobre o assunto, a não ser para dar conta do panorama intelectual de certas figuras que ganham a vida a escrever em jornais e Sousa Tavares é uma delas, porque sempre figurou em fichas de redacção ou colaboração em jornais . É uma notória figura pública que tem acesso aos media e isso faz do indivíduo um alvo de atenção crítica.
Hoje é a vez de Vasco Pulido Valente, no Público de hoje, dar a sua versão da nossa História contemporânea. VPV tem uma óbvia vantagem: é notoriamente mais inteligente e versado, instruído, que o truão de banalidades.
Por isso mesmo a sua versão sobre a nossa decadência merece maior reflexão- para mais tarde.
O mote de VPV é que a sua geração pouco ou nada teve a ver com a decadência...
Pois então iremos ver se assim foi.

sábado, setembro 24, 2011

Sousa Tavares e a História contemporânea


Vale a pena ler este pequeno artigo de Miguel Sousa Tavares, sobre os nossos últimos 30 anos. E os comentários virão mais tarde.

As toupeiras da catrina

O Expresso de hoje volta à carga nas "secretas" ( um termo cretino que por isso mesmo é usado e abusado no semanário). Escreve em cacha que foi apanhado o toupeira da Optimus que "espiou jornalista".
Segundo o Expresso, o toupeira foi descoberto pelos serviços da Optimus, porque foi nabo demais. Deixou pistas em todo o lado por onde passou e mesmo assim as provas recolhidas contra o mesmo serão circunstanciais, o que significa que se o mesmo negar ou confirmar em inquérito e negar em julgamento, será fatalmente absolvido se chegar a ser acusado. O crime, esse, o Expresso não enuncia porque interessa mais a este jornalismo de pacotilha dizer que " o suspeito arrisca-se a uma pena de prisão", sem esclarecer que nunca um tribunal aplicou prisão efectiva em crimes com moldura até um ano, como é o caso e que há elementos de prova que são proibidos nestes casos. Precisamente os atinentes a escutas que podem consistir em verificação do conteúdo dos procedimentos informáticos do suspeito...é só perguntar a Costa Andrade que ele explica.
Diz ainda o Expresso dirigido pelo pequeno génio deste tipo de jornalismo, Ricardo Costa, que a Optimus "passou a informação ao MºPº e a PJ, no âmbito do inquérito que corre no DIAP ( gostava de saber porquê, atenta a moldura penal do crime de violação de segredo de Estado de que o Expresso é suspeito por ter revelado o nome do agente do SIED que terá recebido a informação) e numa busca no local de trabalho apreenderam elementos comprometedores. Quais? Ora, o registo de acesso aos dados, os access logs da Optimus que registam os acessos feitos pelos funcionários ( tal como nos tribunais, com o Citius) e portanto ficando a saber quem acedeu aos dados de tráfego em causa, quando acedeu e o que consultou.
Portanto, com estas informações cedidas por outra toupeira na PJ, no MºPº ou na Optimus ( é escolher mas inclino-me para que a toupeira do Expresso, neste caso esteja enterrada algures nas instalações da PJ) o Expresso fez o brilharete.

E que brilharete? O de julgar que ficou a saber quem passou a lista de compras ao agente do SIED que o Expresso denunciou.
Ou seja, as toupeiras do Expresso cometeram um crime de violação de segredo de Estado para denunciar a prática de um crime de devassa da vida privada...e o Expresso anda todo ufano com o feito. Ainda por cima, baseando-se em provas que são proibidas no processo penal, neste tipo de casos.
As toupeiras do Expresso parecem as pombinhas da catrina.

sexta-feira, setembro 23, 2011

Festejar o quê?

Imagem do jornal Sol de hoje

"Os soldados disseram ao soba Ngana Katende que ordenasse a retirada imediata dos garimpeiros, sob pena de morte. Mas Pereira, que já tinha recolhido cascalho, queria lavá-lo antes de interromper o trabalho. Os militares arrancaram os paus que reforçavam a cobertura do buraco escavado em forma de túnel. fizeram-no desabar e foram-se embora. Lá dentro estavam 45 garimpeiros. ´As pessoas não tinham coragem de retirar os cadáveres`, contou Linda Moisés da Rosa, mãe de Pereira, um dos soterrados. ´Fomos à polícia. Estes mandaram-nos ir ter com as FAA ( Forças Armadas angolanas). Os militares correram connosco, com as armas, na unidade ao lado do Hospital de Cafunfo."

Este relato de factos ocorridos em Angola, em 5 de Dezembro de 2009, foi publicado no Público de Sábado, 17 de Setembro último. As duas páginas de reportagem e entrevista com o autor do relato, Rafael Marques, autor de um livro que intitulou Diamantes de Sangue lançado na semana passada em Portugal, foram replicadas pelo jornal i, em 20.9.11, também com uma entrevista extensa com o autor.
O que Rafael Marques, jornalista, conta sobre Angola é de ficar arrepiado: " A corrupção em Angola é um acto transparente. E as empresas portuguesas dão o seu contributo. Todos os actos de corrupção são assinados pelo presidente. Ele é o grande distribuidor da grande corrupção".
Estas frases de um peso terrível foram publicadas na entrevista do i.

Pois bem, esta semana estava à espera de um artigo sobre o assunto , pequeno que fosse, no semanário Sol que agora perfaz cinco anos de existência. Estava à espera porque o semanário, depois da vergonha que foi a decisão judicial que lhe cortou as asas de alguma liberdade que ainda teria, entregou-se a capitais angolanos. E não publicou uma única linha sobre este assunto. Nem esta semana nem na edição da semana passada. Nem na anterior. Nada de nada.
Porquê?
É uma pergunta retórica porque a resposta é muito simples de dar e entender: o Sol não pode publicar estas coisas que contestam de forma grave o regime angolano. O Sol está amordaçado na sua liberdade e é isso tem que ser dito, porque é uma tragédia jornalística.
A decisão do tribunal português, sobre a providência cautelar que um tal Rui Pedro Soares ganhou e a acção que se lhe seguiu foram uma machadada fatal na viabilidade económica de um jornal que se afigurava promissor na relativa independência que os jornais podem gozar em Portugal. Para não soçobrar, entregaram-se aos angolanos. Ao regime de Angola.
Estamos por isso perante uma tragédia no jornalismo português e custa-me a aceitar que as pessoas que festejaram o quinto aniversário do jornal não o sintam como tal.
E digo mais embora com as reservas de poder escrever sem estar perante os dilemas que fatalmente se lhes apresentaram: o jornal deveria ter encerrado. Abria um processo de insolvência e acabava ali mesmo, com protestos contra a decisão judicial, das mais graves que alguma vez foram proferidas em Portugal contra o jornalismo. Tenho a certeza, que só não é absoluta porque o direito o não é, que o TEDH lhes daria razão num futuro mais ou menos longínquo. Mas ter razão num caso destes é preservar a dignidade pessoal e profissional e isso não tem preço que um angolano ligado ao regime possa alguma vez pagar.

O Público e o jornalismo para quem é, bacalhau basta.

O editorial do Público de hoje mostra bem até que ponto se pode chegar no jornalismo "para quem é, bacalhau basta".
Sobre o relatório do SIRP que concluiu pela ausência de indícios de responsabilidade dos serviços no caso da consulta dos dados de tráfego do telefone de um jornalista, então naquele jornal, o/a editorialista escreve que tal "prova que não houve, por parte das secretas, o mínimo de vontade em apurar o que se passou".
E escrevem isto mesmo sabendo, e escrevendo-o, que "o inquérito de natureza meramente administrativa" ( colocam a expressão entre aspas certamente porque não a entendem na sua plenitude) não permitiu "proceder a diligências e aceder a meios de prova complementares."

Ora o que esperava o/a editorialista do Público com este inquérito de natureza administrativa? Que o instrutor procedesse a diligências proibidas no âmbito desse procedimento? Ao que se sabe houve apreensão de telemóveis e de computadores pessoais, no âmbito dos serviços e desse inquérito. A ter sucedido tal, verifica- se uma ilegalidade grave que gera uma nulidade de prova, porque no âmbito de um inquérito disciplinar tal não é admissível legalmente. O Público alguma vez se preocupou com isso? Alguma vez relatou a possível ilegalidade, violadora de direitos, liberdades e garantias tão ou mais importantes que as do jornalista devassado?
Ao ler o editorial do Público, fica-se a pensar se não pretendiam mesmo que "as secretas" investigassem de modo ilegal tendo em vista o objectivo meritório de se descobrir quem foi o autor da devassa à "lista de compras" do jornalista...
Ou seja, para o/a editorialista do jornal, o fim justificaria os meios e por isso sente-se frustrado/a por ter sido respeitada a legalidade.
E até coloca em dúvida a relevância da diferença entre dados de tráfego e o conteúdo de conversas escutadas. Para o/a editorialista é a mesma coisa porque saber com quem falou um jornalista é o mesmo que saber o que foi dito na conversa...

Quem cabritos vende...

A fonte é um antigo pasquim, por isso aqui vai com muitas reservas:

A história foi contada pelo secretário-geral da OCDE, o socialista mexicano Angel Gurría, durante a sua visita a Portugal na semana passada e tem como protagonista principal o ex-primeiro-ministro José Sócrates. Gurría ficou mais espantado do que os políticos portugueses que a ouviram, deliciados com todos os pormenores num jantar em Lisboa.

O cenário tem lugar à hora de almoço em Paris, mais precisamente num dos mais caros restaurantes italianos da capital francesa. As massas ali nunca custam menos de 100 euros por pessoa. A propósito da presidência polaca da União Europeia, que se iniciou em Julho e termina em Dezembro, o embaixador de Varsóvia na Cidade Luz, Tomasz Orlowski, tem convidado vários grupos de representantes diplomáticos e políticos para almoços e jantares.

Há algumas semanas, Angel Gurría foi o convidado de honra de um destes repastos de relações públicas. Sentavam-se à mesa do embaixador Orlowski cerca de dez enviados diplomáticos dos mais diversos países da Europa. Foi então que o secretário-geral da OCDE foi informado de que o ex-primeiro-ministro português José Sócrates também se encontrava no restaurante, acompanhado de um amigo.

Gurría, que conhece bem Sócrates, foi cumprimentá-lo, apresentando também o embaixador polaco e outros comensais. Cumprimentos trocados, voltaram para as respectivas mesas.

No final do repasto, já Sócrates tinha saído do restaurante, o embaixador Orlowski pediu a conta. Espanto geral, foram informados pelo empregado de que estava tudo pago pelo "senhor de Portugal". É caso para dizer que a crise não é para todos...

quinta-feira, setembro 22, 2011

Um inquérito para inglês ver

Perante esta notícia de hoje que nos informa que 30 figuras de topo ( incluindo o PGR) tomaram conhecimento dos factos que integram indícios de um crime público que agora vai ser investigado formalmente, o que dizer sobre o inquérito instaurado e dirigido pelo DCIAP ( ao contrário do que seria habitual e corrente porque esta entidade não investiga crimes deste género com molduras penais até um ano de prisão)?

Este inquérito surge, aparentemente, por pressão mediática, mesmo depois de se saber que tem todas as probabilidades de não conduzir a qualquer acusação e muito menos a qualquer condenação.

Só não é um acto inútil porque permite alimentar o circo mediático e questionar a razão pela qual não foram abertos outros inquéritos que se impunham por maioria de razão e por factos amplamente divulgados no mesmo circo mediático. Mas ainda vai a tempo...pelo que se deve questionar também se não vão ser abertos inquéritos por factos idênticos e de natureza ainda mais grave. Afinal, conduzir um país à bancarrota, em dois tempos, será bem mais grave do que esconder mil milhões de euros da contabilidade pública...

Por isso mesmo talvez seja razão para questionar se o MºPº tem de andar a toque de caixa mediático e nesse caso se deve escolher os toques ou afianr o diapasão da igualdade de todos perante a lei, sem princípios de oportunidade que lhes valham.

quarta-feira, setembro 21, 2011

As virgens ofendidas: já chegamos à Madeira!

TSF:


Um antigo juiz do Tribunal de Contas diz não perceber o alarido que rodeia a questão do buraco orçamental do Madeira, depois de terem surgido outras dívidas do género em Portugal.
«Este coro, diria de virgens enganadas, que agora surge a apontar o caso excepcional da Madeira, mas não é do que as antigas virgens que, duma forma habilidosa, esperta e dissmulada, criaram outras dívidas que têm custado imensos sacríficos aos portugueses», disse Carlos Moreno.
Em declarações à TSF, este ex-juiz do Tribunal de Contas, que exerceu funções nesta instituição durante 15 anos, disse ainda que não ficará surpreendido se aparecerem outros buracos orçamentais em Portugal.



Assim que aparecerem os buracos financeiros que andam por aí escondidos em empresas, fundações e outras instituições, os seus dirigentes, fundadores e representantes, virarão a cara para o lado, como se nada tivessem a ver com o assunto.
Entretanto, a Madeira serve-lhes às mil maravilhas para verem o argueiro...
O jornalismo caseiro serve-lhes de veículo para o disfarce e a caramunha. Ontem, de modo surpreendente, na SIC-Notícias, um Gomes Ferreira invectivo, mencionou um nome que nos envergonha e é deputado: Paulo Campos. Disse que esse indivíduo é responsável por aquilo que aí vem com a Estradas de Portugal e certas parcerias público-privadas. E disse-o sem papas na língua.
Há muito que o digo: este Paulo Campos foi um dos indivíduos mais nocivos que passou no governo de Sócrates. Pelo que fez politicamente que do resto não reza esta história. Ninguém lhe quer pedir responsabilidades. Saiu do governo e ficou deputado. Como prémio.

terça-feira, setembro 20, 2011

Novas do jornalismo "para quem é bacalhau basta"

R.R. ( esta emissora deve ter recrutado os seus jornalistas na antiga feira das cebolas):

O processo cível do Banco Português de Negócios (BPN) contra os ex-administradores Oliveira e Costa e Dias Loureiro foi travado.

A juíza da 11ª vara cível de Lisboa considerou o tribunal incompetente para analisar a questão que envolve um pedido de indemnização de 42 milhões de euros do banco a seis antigos gestores, entre os quais Dias Loureiro e Oliveira e Costa.

A notícia, avançada hoje pelo jornal “Correio da Manhã”, refere que a magistrada entende que esta é uma questão para o Tribunal do Comércio.

A administração do BPN já apresentou recurso no Supremo Tribunal de Justiça.

Portanto, é assim: uma incompetência em razão da matéria, determina a travagem de um processo. "Travar" é a expressão conotativa de uma aleivosia e simultaneamente de uma malfeitoria. O Correio da Manhã até a colocou na primeira página de modo que quem lê interpreta logo o sentido literal da expressão...
É este o jornalismo que temos.
PS Ah! E parece que Dias Loureiro continua pobre, porque nada tem de seu, coitado...

A falência da democracia da oligarquia partidária

Económico:

O presidente da Jerónimo Martins diz não ter dúvidas de que Portugal é hoje um País falido.

"Estamos falidos e quando se está falido, está-se falido. Não vale a pena andar-se a discutir. A única coisa a fazer, todos em conjunto, é não assistir a este espectáculo triste de nos estarmos sempre a queixar na televisão, mas darmos as mãos e recuperarmos o país a trabalhar", argumentou hoje Alexandre Soares dos Santos durante uma conferência promovida pela AEP, em Lisboa.

Em Abril de 1974 o país não estava falido, tinha guerra em três frentes e a democracia era uma esperança, mas o regime que tínhamos era mais democrático do que por exemplo o de...Angola, actualmente e que não é devidamente denunciado por estes democratas de pacotilha que temos.

Quem faliu Portugal? As forças políticas dominantes que foram escolhidas em eleições livres de constrangimentos que havia dantes, como por exemplo a proibição de partidos comunistas.

Quem dominou esses partidos? Foram os indivíduos que em mais de 35 anos de poder não saíram de lá.

Portanto, temos o que merecemos. Ou seja, quem os escolheu, a esses medíocres e incompetentes que guardaram todo o poder para si e fizeram de um país uma desgraça económica. Ainda por cima minado por uma corrupção endémica que dantes não havia. E os beneficiários, naturalmente, são os que têm poder porque só o poder corrompe. E as instâncias judiciais são incapazes de a punir e tornam-se cúmplices dessa desgraça.

Agora descobriram um bode expiatório para a incompetência, a mentira e a intrujice: Alberto João Jardim. É a vítima perfeita e todos lhe caem em cima.

domingo, setembro 18, 2011

O jornalismo do "para quem é bacalhau basta."

O "professor Marcelo" na TVI, hoje, teceu considerações sobre o caso da Madeira e do facto do presidente do governo regional ter omitido informações sobre as contas públicas. Disse, como é natural e após a PGR ter admitido que o caso seria investigado criminalmente, que poderia haver responsabilidade criminal, mas no seu entender, tal como no de José Sócrates, não haveria dolo e portanto, nem haveria crime.
O que fez a redacção da Rádio Renascença? Isto:
Ao confessar que omitiu informações sobre as contas da Madeira, Alberto João Jardim corre o risco de ser processado criminalmente, diz Marcelo Rebelo de Sousa.

Nem se deram conta que o facto de haver um processo crime, de inquérito, implica já o tal facto de ser "processado criminalmente".

É mais um exemplo do jornalismo "para quem é bacalhau basta".

O saber dos jornalistas: para quem é, bacalhau basta.

O Provedor do Público, um esquerdista bem pensante, escreve hoje sobre o saber dos jornalistas. Começa logo por dizer que o jornalismo "é um ofício em que se aprende um pouco de tudo, sem se ficar a saber muito de nada. Grande parte dos profissionais é polivalente tem de se informar e informar diariamente o público sobre temas da mais variada natureza- e, mesmo nos casos em que se especializa numa área temática, não dispõe geralmente de uma formação específica prévia."

O Provedor acha que tal se compreende porque "as redacções não são formadas por especialistas nos vários domínios do saber e o que se espera de um bom jornalista é que seja um bom mediador de informação e um bom avaliador do seu interesse noticioso. Compete-lhe, em geral, descodificar situações, problemas, controvérsias ou acontecimentos que podem apresentar diferentes níveis de opacidade ou complexidade para a generalidade dos leitores."

O leit-motiv do artigo são as críticas dos leitores informados e conhecedores a certos artigos de teor científico, como os de índole médica.
Como exemplo, o Provedor cita um título relacionado com a "vacina contra a meningite", título repetido no jornal Público e que um leitor, médico, considera desadequado e tecnicamente incorrecto.
O Provedor, depois de reconhecer a razão de forma, retira a razão de fundo e diz que afinal os títulos são aceitáveis, porque " certamente desaconselháveis numa publicação científica, não são "desadequados" num jornal de informação geral."

Portanto, para o Provedor do Público que espelha de alguma maneira uma orientação editorial, o bom não é inimigo do óptimo porque para quem é...bacalhau basta.

Um dos problemas do jornalismo português é a carência de formação mais "completa" dos seus profissionais e a especialização "on the job" é necessariamente muito lacunar. No campo da Justiça, por exemplo, o saber técnico e acerca da complexidade da máquina judiciária não se compadece com o amadorismo e aquela "polivalência" e quem diz assuntos jurídicos, diz médicos, de arquitectura e obras públicas, de engenharia, de biologia, de economia e de outras matérias específicas das Humanidades em geral.

O que deve então fazer um jornalista a sério? Relatar factos que entenda. Escrever bem e de preferência com talento específico que fuja um pouco do quadradismo redactorial. E como habitualmente, seguir um conselho específico: se não percebe...por que pergunta? Tente perceber primeiro e faça as perguntas depois.

Afinal havia outro

Económico:

Alberto João Jardim admitiu que não foi totalmente transparente com o Estado em relação às contas da Madeira.

É mais um mentiroso. Tínhamos um, ficamos a saber que eram dois.

D. S-K não foi julgado, mas os franceses não o querem na política

Económico:

Strauss-Kahn dá esta noite a primeira entrevista desde que foi detido por suspeita
Linkde abuso sexual. Os franceses não o querem na política.

Segundo a sondagem, cerca de 20 por cento dos franceses inquiridos querem que D.S-K regresse à política como se nada se tivesse passado.
Por cá, a opinião que mais me impressionou sobre este "affaire" foi a de Manuel António Pina. Aqui há uns tempos na sua coluna de opinião no JN defendeu a inocência de D.S-K como se o seu não julgamento equivalesse a uma absolvição e a uma condenação da vítima.
Tal como aconteceu com certos figurões do PS em relação ao processo Casa Pia.

PS: Entretanto já se conhece o conteúdo da primeira entrevista de D.S-K. Diz que teve "uma fraqueza moral". Claro que não admite a violação ou tentativa da mesma. Foi apenas a tal "fraqueza moral"...o que fica ao critério dos intérpretes. "Fraquezas morais" deste calibre, parece que teve várias. No outro dia confessou que tentou beijar a jornalista francesa que chegou a casa com a roupa rasgada por causa da tal "fraqueza moral".

D. S-K. provavelmente é mesmo isso: uma fraqueza moral.

A fraude fiscal ambiente e a corrupção oculta

Este apontamento no Público de hoje, da autoria de José António Cerejo, dá conta de uma investigação do jornal, no ano de 2001, sobre um fenómeno tão corriqueiro e corrente como o do estacionamento em lugares proibidos: a fraude fiscal traduzida em ocultar ao Fisco o valor real das transacções imobiliárias, a fim de pagar menos imposto de sisa ( hoje IMT). Duvido que haja algum português que tenha comprado casa e não tenha pelo menos ponderado a hipótese de enganar o Fisco com base num raciocínio que a Criminologia estudou como um fenómeno clássico de justificação da conduta pela circunstância de o Estado se comportar como explorador fiscal sem limites para a voracidade.

O caso citado pelo Público é isolado e parte de factos que suscitaram a atenção do jornalista por motivos óbvios: um vereador de uma Câmara municipal comprou dois apartamentos a um empreiteiro, declarando um preço notoriamente abaixo do custo real. O vereador comprou a um empreiteiro de "regime", que por sua vez tinha adquirido a empresa a personagens da vida política ( clicar para ler quem são). E com ligações a políticos relevantes do chamado arco central de interesses ( clicar para ler quem foi o político que aproveitou o empréstimo de um avião particular do empreiteiro para a campanha eleitoral em que se envolvia a nível autáurquico e principalmente perguntarmo-nos quais foram as contrapartidas pelo favor) .

Este caso surgido em 2001 tem por isso várias vertentes e todas de interesse suplementar: um empreiteiro importante que adquiriu uma empresa de construção a um político que foi ministro da Justiça, fez fortuna suficiente para comprar um avião particular que emprestou anos depois, em 2007 a outro candidato autárquico.
Da investigação jornalística saiu um inquérito criminal que deu origem a um processo de natureza fiscal. No âmbito deste processo fiscal já houve "correcções" à matéria fiscal de todos os envolvidos, em sede de SISA e IRS. Há impugnações a correr termos em tribunais superiores ( TCAS).
Não obstante esta consequência que afectou todos os adquirentes dos apartamentos em causa, derivada da classificação dos factos como fraude fiscal, permanece ainda outra coisa mais grave, mais subterrânea e mais importante por investigar: o jornalista dá conta que a empresa em causa estava envolvida noutras moscambilhices e que o tal ex-ministro da Justiça ( Vera Jardim para que se saiba o nome) ainda era seu sócio. Aparece o nome da Universidade Moderna numa dessas moscambilhices e o de vereadores da Câmara Municipal de Lisboa, como seja o de uma vereadora com nome impresso e que assumiu pouco tempo depois emprego de administradora em empresas filiais da dita empresa. E outros factos e relacionamentos são citados no artigo do Público.
Que termina assim: "tanto quanto se sabe, o Ministério Público nunca se debruçou sobre quaisquer dos factos referidos nestas notícias."

Este parágrafo é um epitáfio ao Ministério Público enquanto instância de investigação da corrupção em Portugal. No entanto, a directora do DIAP não se cansa de falar e dar entrevistas sobre a "corrupção"...
O jornalista para escrever isto precisou de consultar "o processo". Não diz se foi o processo fiscal ou o processo-crime pela tal fraude fiscal, mas devia, porque só assim se perceberia.
Pata terminar: julgo que este caso só suscitou a atenção do jornalista por causa das pessoas envolvidas. E bem. No entanto, depois de 2001, muita água correu sob as pontes, mas a corrupção autárquica e as fraudes fiscais associadas não pararam de correr também. E de feição.
A investigação deste fenómenos, no entanto, parece que não passa das entrevistas e declarações grandiloquentes...

sábado, setembro 17, 2011

Já cá faltava mais esta...

Económico

O Procurador Geral da República (PGR) vai analisar se houve violação da lei de crimes da responsabilidade de titulares de cargos públicos.

O PGR vai analisar a omissão de dívida da Madeira revelada pelo Banco de Portugal e Instituto Nacional de Estatística que ascende a 1.113 milhões de euros e levará à revisão dos défices entre 2008 e 2010.

Em coerência deveria a PGR analisar também se houve tal violação na última legislatura em que José Sócrates foi primeiro-ministro. Porque não o fez?

O saber não ocupa lugar

José Pacheco Pereira passa hoje no Público uma página inteira a escrever bacoquices com ar de muita seriedade.
Diz que leu na Focus que a GNR chega ao pé de um/a automobilista e não tem mais aquelas: pede-lhe a identificação dos cd´s que leva no carro e pede-lhe para deixar ver as etiquetas da roupa. Tudo em nome do combate ao crime de contrafacção...
Duas coisas: nenhum GNR pode fazer buscas no interior de um veiculo sem mandado judicial respectivo ou pelo menos do MºPº ou da autoridade de polícia ( comandante, só e apenas se o caso for urgente e de importância específica, tráfico de droga por exemplo) onde constem obrigatoriamente as razões concretas da suspeita para tal acto processual ( só no âmbito de um inquérito penal é admissível e por isso mesmo nem sequer o director do SIED ou lá quem foi tem autoridade para fazer buscas no serviço e apreender computadores como parece que terá feito...).
Segunda: o crime de contrafacção, desde 2003, depende de queixa das entidades ofendidas, ou seja dos detentores do direito de propriedade da marca ou patente. Sem queixa nada feito. É um crime semi-público.
Portanto, Pacheco Pereira, em vez de andar a escrever lendas, informe-se, porque lhe pagam ( acho eu) para o que escreve...

Em resumo: A GNR ou a PSP não fazem estas coisas porque sabem perfeitamente que se o fizerem estão "à pega" com o crime de abuso de poder, se de facto tiver existido. Aliás, diga-se em abono da verdade que as nossas polícias, GNR e PSP, têm evoluido muitissimo nestes últimos anos e a competência do seus agentes, pelo que conheço, anda muitas léguas à frente da competência de Pacheco Pereira neste escrito...

sexta-feira, setembro 16, 2011

Banda Desenhada A Suivre



Por notícia do Público de ontem tomei conhecimento da morte de Jean-Paul Mougin, o chefe de redacção da revista francesa de banda desenhada ( A Suivre), cujo primeiro número saiu em Fevereiro de 1978 e durou vinte anos.
Lembro-me bem de o ter comprado na livraria Bertrand e ler o editorial acima transcrito, por baixo do sumário da revista que marcou a minha saída da adolescência. Mougin queria casar os desenhos e a banda desenhada com a literatura, o "récit", como lhe chamava.
Ao contrário do que escreve o Público, a revista não foi criada " em torno de Hugo Pratt e da sua obra" ( para isso havia a Corto italiana) mas em torno do grafismo inventado por Étienne Robial ( que trabalhara na Métal Hurlant, algum tempo antes) e principalmente de alguns autores consagrados da banda desenhada de expressão francesa, Tardi, principalmente e que fez a capa do número um, todo em preto e branco e cuja tonalidade se manteve durante anos a fio ( em 1980 apareceu uma aventura de Adèle Blanc-Sec, - "joli brin de fille"-de Tardi, a cor) .
Em Dezembro de 1997 a revista A Suivre escreveu a palavra "fim" no título e assim acabou. Agora morreu o seu antigo director de redacção. Fim.

quinta-feira, setembro 15, 2011

O ovo e a galinha da esquerda

"Todo o atraso de Portugal, desde a noite do analfabetismo salazarento aos tempos do novo-riquismo democrático, se deve ao défice de educação e formação"- escreveu no Diário Económico João Paulo Guerra, um jornalista de esquerda que costuma comentar notícias de jornais logo pela manhã, na Antena Um.
Esta frase enreda um equívoco do tamanho da Esquerda: o de que a Educação, mesmo sem se definir o que isso seja, é a panaceia para todos os males, incluindo o do atraso.

Vamos lá a ver: atraso em relação a quê e em quê? No desenvolvimento económico? São os países capitalistas e burgueses que estão mais adiantados, mesmo os nórdicos. Isso proveio da educação ou a educação proveio do desenvolvimento? É o que alguns debatem, para contrariar os mitos da Esquerda, afirmando que a educação é uma consequência e não uma causa.

Vejamos ainda melhor: em Portugal, a Educação nos últimos 37 anos melhorou ou piorou? Não me refiro a estatísticas marteladas e acéfalas. Refiro-me ao sentimento geral do cidadão comum, sem medida adequada para contabilizar. Refiro-me a ideias básicas e de senso comum, sempre contrariadas pela Esquerda bem pensante de que João Paulo Guerra é um dos próceres mediáticos.

E se a conclusão for a de que melhorou, porque outra, diversa, seria a confissão do fracasso democrático, por que raio é que estamos bem pior agora, económica e socialmente do que antes, em que tínhamos um desenvolvimento "sustentado" e coerente?

João Paulo Guerra e outros da Esquerda deveriam pensar e retirar a conclusão lógica: não é a (falta) de Educação que nos consome; é mais a Educação errada, baseada nos mitos da Esquerda em que a igualdade a todo o transe, provoca uma desigualdade paradoxal e um atraso endémico fenomenal.

No entanto, para se concluir tal coisa ou entender tal efeito é preciso Educação, sem dúvida. Mas nem tanta assim, porque as pessoas incultas e até analfabetas sempre entenderam algo que é básico e a Esquerda não compreende: não se pode viver com o que não se tem nem se produz, a não ser que se ande a pedir.

Tal como nós andamos agora, por força das ideias correctas da nossa Esquerda, mesmo a democrática.

O jornalismo que temos

Escrevi aqui em 6.9.11, que Joe Berardo, o magnífico comendador da Bacalhôa, devia as penas aos pássaros, depois de ter pedido mil milhões de euros emprestados, à CGD, para comprar acções do BCP, e que serviram de garantia para o pagamento da dívida, além do mais. Entre garantias e dívidas, Joe Berardo estava falido, porque os seus activos eram inferiores aos seus passivos, em muitos milhões.

A informação baseava-se numa notícia do i que assim a apresentava sem rebuço e com comentários. Afinal, segundo o Público de hoje, o magnífico comendador da Bacalhôa pediu emprestado à CGD, apenas 400 milhões de euros. O restante, cerca de 250 milhões, foi o BES a emprestar.

E mais, segundo o Público: o valor em risco, actualmente, derivado de imparidades, anda à roda de 300 milhões, o que coloca o magnífico comendador ao abrigo da falência e a dever apenas a crista ao galo.

E portanto, das duas uma: ou o i anda muito mal informado e publica aleivosias e notícias difamatórias e prejudiciais para a reputação do comendador da Bacalhôa; ou o Público tem um jornalismo cada vez pior.

Faite vos jeux, messieurs! Rien ne va plus.

quarta-feira, setembro 14, 2011

A grande lata

No Público de hoje, na mesma página ( 7) duas notícias que se complementam: a primeira dá conta do propósito ( louvável ) do PCP em extinguir a empresa Parque Escolar. Miguel Tiago, desse partido, explica: " Foi um exemplo de como endividar o país de forma insustentável." E mais: " Foi das empresas públicas que mais se endividaram no estrangeiro, criou autênticos monstros de arquitectura desfasados da realidade escolar e tem administradores a ganhar principescamente".
Aliás, a vontade do PCP em extinguir este monstro pós-moderno não é nova...e em sua substituição, tudo passaria pelas mãos do Ministério da Educação e fatalmente pelas do Sindicato Nogueira, do Mundo das Crianças.

Ao lado, outra notícia: "PS questiona assessoria para privatizações". O deputado desse partido, João Galamba ( será alguma coisa a António Galamba, o antigo deputado PS que quis saber o que se passava com a Parpública e a PLMJ e depois de o poder saber , quando o PS estava no governo, nunca mais se interessou pelo assunto?) quer explicações sobre a decisão de contratar duas empresas de assessoria financeira ( Caixa BI e Perella Weinberg Partners) e saber exactamente se tal foi feito por ajuste directo e conhecer a fundamentação para as escolhas dessas empresas.

A distinta lata deste deputado do PS reside no facto de nunca ter questionado as centenas ou milhares de adjudicações directas que o governo do seu partido efectuou durante o consulado que nos conduziu à bancarrota. Reside ainda na circunstância de a Parque Escolar ser um desses exemplos concretos de escolhas de arquitectos sem cincurso e por critérios que agora o deputado da oposição quer conhecer...

A Parque Escolar, aliás, tem como administradores pessoas competentíssimamente. É ver o currículo de assombração. Refer. Invesfer. Obrecol, pós-graduações no ISCTE, etc etc etc.
Esta gente não tem partido. O partido deles é o trabalho...quase sempre por conta do Estado. Tudo gente de bem.

Ao ler estas coisas ocorrem factos. Nomes. Circunstâncias. E uma conclusão: em Portugal há uma nomenklatura de gestores públicos cujo currículo ganharia muito em ser escrutinado. Saber quem são; de onde vieram; como se relacionaram nas instituições; como ascenderam social e profissionalmente.
Se soubéssemos tal e se tal nos fosse revelado, estou em crer que descobriríamos rapidamente porque estamos na miséria económica, como país.

terça-feira, setembro 13, 2011

Obras missionárias




















A revista Audácia, "revista da juventude generosa" é produto de missionários combonianos há décadas. Foi das primeiras revistas de banda desenhada que li e as capas evocavam sempre o mundo das crianças.
Tal como a revista ao lado, publicada hoje pelo Público e mencionada aqui.

quinta-feira, setembro 08, 2011

E onde está o Olrik?

Renascença:

"E se o caso do ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) se transformar num processo como o Wikileaks? E se o computador de Jorge Silva Carvalho tiver mesmo sido violado e quem o fez tiver copiado tudo o que lá estava? E se, a ser verdade, essa pessoa - ou pessoas - continuarem a passar informações à comunicação social? A hipótese parece fazer parte do enredo de um filme de espionagem, mas é bastante real.

Jorge Silva Carvalho não tem qualquer dúvida de que o seu computador de serviço, enquanto foi director do SIED, foi violado e que é aí que têm origem todos os casos que têm sido notícia nas últimas oito semanas. Essa é a base da queixa-crime que apresentou na Procuradoria-Geral da República a 29 de Julho, acompanhada do referido computador.

O ex-director do SIED consegue já ter uma ideia, por esta altura, de quem pode ter invadido o seu portátil e sobretudo que motivações estão por trás da divulgação de algum desse material, mas não sabe que dimensão teve esse crime e mesmo até que ponto o autor - ou autores - conseguiu aceder à informação ali depositada."

O Olrik vai aparecer ou continua na sombra?

PS. Entretanto, o jovem com algumas brancas, Sousa Pinto, teve uma branca maior: esteve ao lado do pena branca, e depois disse que "não faia a mais pequena ideia" sobre o facto de ter sido escolhido como receptor do envelope 10...

O sermão de Pedro Lomba aos jovens

Pedro Lomba, no Público de hoje apresenta um exórdio dirigido a candidatos ao ensino superior. Ou seja, aos "rapazes e raparigas deste nosso Portugal" que "dentro de algumas semanas estareis, muitos de vós, no primeiro ano das faculdades, começando uma vida nova."
E diz que "há vinte anos o enredo era mais simples e previsível. Cursávamos sem drama, encontrávamos emprego sem drama e por lá nos arrastávamos também sem drama."
Depois de uma série de conselhos que se afiguram inúteis, Pedro Lomba termina a dizer que "aprender seriamente significa ficar exposto a uma derrota possível, a um erro possível. O que não tem de ser um problema. Conheçam as vossas fronteiras."
Primeiro equívoco: duvido que alguém de 17-18 anos leia o Público e particularmente o exórdio de Pedro Lomba. E se o lerem nem percebem exactamente o que pretende dizer porque lhes soará paternalisticamente como um discurso de "seca".

No meio do texto há uma passagem que realço: " Leiam tudo. Leiam a Ética a Nicómaco de Aristóteles para perceberem o significado de "virtude". "
Ora, ora, Pedro Lomba! A Ética a Nicómaco é que serve de manual virtuoso para o ensino da disciplina?
Aos 17 anos a virtude ainda se pode ensinar, mas não exclusivamente com livros e leituras ou mesmo com filmes. É mais com o exemplo e com o que se acumulou de trás na educação parental e escolar. O ambiente social e familiar em que se nasce e cresce se calhar é mais importante que todas as leituras que não se fazem.
Aliás, o que será " a virtude" para um jovem de 17 anos? Estudar? Poupar o dinheiro dos pais? Não aldrabar ou mentir sobre coisas importantes e essenciais? Aplicar os talentos naturais que todos de algum modo detêm? Procurar a autonomia que liberta a independência?
Confesso não saber exactamente o que seja, para além da regra básica: liberdade com responsabilidade e limitar a nossa acção sempre que contende com a liberdade e respeito alheios.
Conheço da catequese cristã, as virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Mas estas têm a ver com a cristandadae que herdámos e que tem a noção de Deus como fundamento. As demais, também chamadas cardeais são a prudência, a justiça, a força e a temperança. E a que se opõem os vícios...o chico-espertismo, a aldrabice, a mentira, a iniquidade, a injustiça, a temeridade, a cobardia, a pusilanimidade.
Por isso mesmo acho que as virtudes que se ensinavam na catequese antiga eram verdadeiramente essenciais a uma vida social digna e dignificante.
E seriam essas virtudes que deveriam voltar a ser ensinadas nas escolas e em casa. Como dantes eram.

O envelope 10

Ontem no Parlamento o jovem Sousa Pinto, já com brancas pronunciadas, levou um envelope branco, que lhe foi misteriosamente endereçado, à Comissão de Assuntos Constitucionais, presidida por Fernando Negrão, antigo juiz e director da PJ.
O conteúdo do envelope é secreto mas o jovem Sousa Pinto, já com algumas brancas, como lojista aprendiz, sabe o que lá está e acha que é importante para o caso das "secretas".
Segundo o presidente da Comissão, o envelope vai ser aberto hoje e o seu conteúdo dado a conhecer aos membros da comissão.
No Sábado, o Expresso já terá tudo o que o envelope contém. Aliás, já tinha. E vai continuar a cretinice até que a facção maçónica que apoia vença a guerra destas batalhas.

Lamentações de job

Qual é a empresa pública que está no topo do endividamento colossal e catastrófico para a nossa economia? A REFER, com mais de 6 mil milhões de euros de calotes por solver, muito à frente dos metros de Lisboa e Porto.
Quanto ganham os magníficos gestores destas impressionantes empresas públicas? Pouco. À volta de 100 mil euros anuais, o que lhes dá um pouco mais que o presidente da República. Como gestores de grande calibre e bitola internacional, merecem todos os cêntimos que ganham, claro está, porque nunca descarrilam nas contas.
O jornal i de hoje dá conta de mais um destes gestores fantásticos, irmão de uma tal deputada que em tempos se preocupou muito com certos blogs levando o PGR em início de funções a desabafar que "é uma vergonha!"
O indigitado gestor, aprontado para o cargo pela magnífica administração da REFER, ainda no tempo do anterior governo, foi chumbado pelo actual governo que viu na nomeação aquilo que vulgarmente se designa "boy for the job".
No currículo da criatura consta uma incessante a activa participação política num Movimento Voluntário Sócrates 2011 e uma militância intensa no blog Defender Portugal, nos idos do anterior governo.
Lá se vai o boy para outro job.

As escolhas do Público

Alguém conhece a mulher de Ferro Rodrigues que faz hoje anos? Hã?! Ninguém?
Conhece o Público que a destaca na coluninha da secção Pessoas em que indicam diariamente os aniversariantes do dia. Aparece como esposa de...
É curiosos, não é? Pois é...cantava a Amália.

quarta-feira, setembro 07, 2011

A logística

R.R.:

"O deputado do PS, Sérgio Sousa Pinto, entregou no Parlamento um envelope com denúncias anónimas, consideradas “sigilosas e delicadas”, sobre os serviços secretos. Foi durante a reunião em que participou Jorge Silva Carvalho."
A que loja pertence o jovem Sousa Pinto, ex-futuro líder apadrinhado pelo "pai" desta democracia? Foi aconselhado pelo grau 33? Esperemos pelas revelações do envelope ...10.

Por causa destas cartas anónimas que muitos apaniguados do grau 33 consideram, desde o processo Casa Pia, sempre serem cobardes e indignas, foi alterado o artigo do Código de Processo Penal relativamente a essas denúncias. Agora só dão origem a um inquérito se forem...fundadas. Só determinam a abertura de um inquérito se delas se retirarem indícios da prática de crime ou constituírem, elas próprias, um crime.

Portanto, este envelope 10, para relevar alguma coisa ou permite que se retirem de lá indícios de um crime ou ele mesmo constitui um crime, o que aliás parece ser o caso.

Esta gente dos degraus anda a brincar com a lei. Pode ser que tropece.

Para troika ver

Económico:
Parlamento corta em tudo para reduzir despesa em 27%

Estou plenamente convencido que poderiam reduzir outro tanto, passando a uma poupança de 50% sem que efeito algum se notasse. As viagenzinhas a sítios exóticos, por exemplo, vão continuar a bom ritmo...
Perguntem, por exemplo, aos deputados do Bloco ou do PCP a quantos sítios agradáveis já foram, a expensas do povo que paga.

As entrelinhas das causas

O Público e o i de hoje escrevem sobre o mesmo assunto: o Parque Escolar e a dívida colossal que engendrou em poucos meses: mais de 900 milhões de euros.
O Público titula: "cancelamento de obras da Parque Escolar põe em perigo 15 mil postos de trabalho."
O i por sua vez, titula: "Criada para incentivar PME, aproveitada pelas gigantes." E cita uma dessas gigantes, a Mota-Engil, que no artigo do Público nem aparece mencionada.
O Público, aliás, trata o assunto de um ponto de vista sindical e situacionista. É a causa actual deste jornalismo.
O i, de um ponto de vista do cidadão pagante e independente do sindicalismo, denuncia o desmando que consistiu em serem os "grandes consórcios a dominar os concursos da Parque Escolar" quando não o deveriam ser. Para tal, aldrabaram-se as regras, o que o i denuncia e o Público nem cheira em modo noticioso. Aliás, este jornal até se dá ao luxo de mencionar os ajustes directos sem explicar como e a quem, o que o i faz de modo a que toda a gente fique a saber que "os projectistas foram designados sem que os critérios de escolha tivessem sido públicos." indicando ainda expressamente a Mota-Engil de Jorge Coelho ( e Dias Loureiro, por onde anda?!) como uma das principais beneficiárias do esquema de requalificação das escolas, gizado pelo executivo Sócrates mai-la senhora dona Rodrigues.

Este tipo de jornalismo do Público era muito habitual antes de 25 de Abril de 74 em que as pessoas para saberem as coisas tinham que ler nas entrelinhas. Aqui, no artigo do Público nem isso. Já nem as entrelinhas salvam este jornalismo com capote de censura em modo de causa.

O tempo da justiça mediática

Sapo:
O jovem português Renato Seabra comparece hoje no Tribunal Supremo de Nova Iorque, em nova sessão do caso do homicídio do colunista Carlos Castro, crime de que é acusado.
Segundo disse à agência Lusa fonte do gabinete do procurador, a sessão presidida pelo juiz Charles Solomon será apenas de “controlo” do andamento do processo e das diversas diligências em curso.
Aguarda-se ainda a conclusão do relatório psiquiátrico pedido pelo gabinete do procurador, que será posteriormente entregue ao juiz.

O caso em causa aconteceu em Janeiro deste ano. Já lá vão quase nove meses e nem parece um caso difícil porque se sabe quem matou e o autor material está preso.
Cá em Portugal, os processos com arguidos presos são urgentes e até têm prazo para despacho final que no caso seria de oito meses.
Nos EUA já lá vão nove...portanto espera-se que os escribas habituais, com a sua proverbial sabedoria sobre tudo e o habitual par de botas, tenham em devida conta em futuros escritos o prazo e deixem de citar o caso Madoff para denegrir a justiça portuguesa sempre que lhes convém...
Aliás, como ganham mais a escrever inanidades do que qualquer magistrado no activo, espera-se que ao menos restinjam a quantidade de asneiras que publicam impunemente. Falo por exemplo de um Miguel Sousa Tavares.

terça-feira, setembro 06, 2011

Chegou o cobrador. De fraque e pasta de troika

Joe Berardo, o herói do BCP, com ajuda da CGD e do governo Sócrates mai-lo Vara, pediu emprestado mil milhões à CGD para comprar acções do BCP. Mil milhões! Que garantias deu para tal? A sua colecção de arte, e nem toda porque ficou 25% de fora não se sabe muito bem porquê! Quanto vale? Por alto e na alta ( 2007) , 316 milhões.
Sobram ainda 700 milhões para cujo pagamento a CGD se calhar entendeu que não eram precisas garantias, para além das próprias acções.
Neste momento valem 73 milhões.

Joe Berardo, Armando Vara e José Sócrates o que merecem, com esta jogada? Digam lá: o que merecem?
Pagar tudo, digo eu. Berardo com língua de palmo e meio, porque está falido completamente ( segundo o i a sua fortuna vale actualmente um pouco mais de 500 milhões ) . E os outros dois, um inquérito como deve ser para se saber como autorizaram uma coisa destas.

PS. O caso apresenta semelhanças gritantes com a "dívida de Sá Carneiro à banca", embora este assunto Berardo-Vara-Sócrates, seja muito mais escabroso e escandaloso.
Quem lhes pede contas? Onde está o "diário" da "verdade a que temos direito"?
Se fosse nos EUA o que aconteceria a este tipo de "investidores"?

segunda-feira, setembro 05, 2011

Dêem-nos antes professores ingleses!

Carlos Abreu Amorim, agora deputado, escreveu no Blasfémias, sem direito a comentários, ( e se calhar bem, atento o elevado número de energúmenos que por lá pulula) uma catilinária contra a Justiça. A enésima e se bem me lembro poderia até dizer que CAA nada mudou de há uns anos para cá. Nada aprendeu de novo sobre o assunto e as ideias velhas são relhas de tanto rilhar.

Além do mais, diz mal dos juizes novos e que o CEJ não presta e falhou porque " não forma magistrados dignos desse nome". Pois se calhar não forma nem tem que formar porque um magistrado digno desse nome forma-se ao longo dos anos de experiência. Um ano ou dois incluindo um estágio é muito pouco para fazer um juiz, ou um magistrado, mas a culpa não é do CEJ. É das universidades que não formam licenciados em Direito como deve ser. Portanto, em vez de juizes ingleses que não conseguem julgar um Vale e Azevedo e se enganam frequentemente nas decisões, cometendo erros judiciários graves, dêem-nos antes professores e escolas inglesas. Ou se calhar nem isso...
Como todos devem saber, um curso de Direito custa quase nada a organizar. Bastam uns tantos professores de outras escolas universitárias, uns currículos copiados, umas instalações ad hoc e temos um curso pronto a dar e vender. Houve alguns assim e porventura ainda haverá. Por isso mesmo há quase três dezenas de milhar de licenciados em Direito a tentar a advocacia e quem não tenta, tenta-se pela magistratura.
Fazem-se os testes habituais, difíceis e muito selectivos e que nenhuma outra profissão exige para se entrar nela e frequenta-se uma escola que foi degradando o espírito de escola de magistratura ao longo dos anos, mas que ainda continua a ser o que poderia ser complementar: a formação académica. Neste aspecto, CAA não tem qualquer razão, porque o CEJ forma bem os seus futuros magistrados e não falhou os objectivos, como se costuma dizer. Os novos magistrados sabem mais de Direito do que alguma vez outros souberam.
Mas será que são bons magistrados só por isso? Não parece que seja necessariamente assim, mas também não se percebe onde CAA quer chegar. E o que me parece é que CAA não sabe. Então...porque pergunta?
Dizer mal só por dizer não basta. É preciso saber dizer mal e conhecer o bem. E duvido que CAA conheça.

O jornalismo que desexplica

O jornal Público de hoje anuncia em primeira página e desenvolve no interior uma notícia dada por toupeiras nas secretas: "Computadores e telemóveis de elementos das secretas confiscados em rusga interna".

Explica a notícia passada pelas toupeiras que "dois departamentos do SIS e um do SIED foram alvo de uma rusga interna coordenada pela actual direcção do SIED, chefiada por José Casimiro Morgado".
Diz ainda que a iniciativa foi "ordenada por Júlio Pereira, secretário-geral do SIRP e enquadra-se no inquérito interno pedido pelo primeiro-ministro na sequência da notícia de que o SIED teve acesso aos registos telefónicos do jornalista Nuno Simas."

Ora bem. O Público não diz- e carece de explicação porque é essencial para se perceber o âmbito destas acções-mas poderia ter questionado as toupeiras sobre o género de "inquérito" em curso.

Será apenas um inquérito interno de âmbito disciplinar e outro não pode ser porque os serviços não têm competência para mais que isso? Se o for é muito duvidoso que tenha poderes para fazer apreensões do modo como estão relatadas, ainda por cima de objectos que podem ter matéria reservada e confidencial de foro privado. Se o Público acha muito bem esta actuação então deveria achar que a consulta dos dados de tráfego do jornalista foi igualmente admissível em termos legais. De resto, tratou-se de uma diligência para detectar uma toupeira interna e que poderia andar a cometer crimes contra o Estado e a segurança nacional, violando o segredo que lhe é inerente.

Nos processos e inquéritos de âmbito disciplinar, o instrutor não pode fazer tudo o que é permitido num inquérito criminal que por isso mesmo tem outras garantias processuais. Não pode apreender objectos para os utilizar como meio de prova se tal não for legalmente consentido. E não é legalmente consentido que em sede de processo disciplinar as escutas telefónicas ou a consulta de elementos de tráfego possam ser consultadas pelo instrutor do processo.
Para tal, só um inquérito criminal. E como há inquéritos criminais a decorrer, é no seu âmbito que tais diligências se devem cumprir. Mas há outro problema: é que se os elementos que estiverem nos computadores e telemóveis forem do âmbito de segredo de Estado nem sequer no processo de inquérito criminal podem ser consultados.
Logo, há aqui um vazio que não se vê como poderá ser preenchido...

Outro escândalo

Correio da Manhã/diário digital::

O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) vai investigar as contas da família do ex-primeiro-ministro José Sócrates após ser confirmada a autenticidade de documentos entregues ao procurador-geral da República, Pinto Monteiro, pelo líder da extrema-direita, Mário Machado, que se encontra preso, noticia esta segunda-feira o Correio da Manhã.

O jornal cita uma fonte judicial como garantindo que a investigação, parada há quase um ano, vai agora ser acelerada.

Os documentos, que segundo o Correio da Manhã, são, na maioria, extractos bancários, indiciam transferências de elevadas quantias para fora do país por parte de familiares de Sócrates ao longo de quase três décadas.

Além dos extractos bancários, os documentos incluem elementos sobre compra e venda de acções, designações de empresas sediadas nas offshores das Ilhas Caimão, ilha de Man e Gibraltar, bem como operações em bolsas.

Apesar de os documentos não indiciarem qualquer crime, a investigação pretende apurar a origem do dinheiro, os motivos que levaram à sua transferência para o exterior e a forma como os familiares do ex-líder do Governo fizeram fortuna.

Os papéis a que alude o jornal foram entregues na PGR e por lá ficaram eventualmente em "processo administrativo", para que as investigações criminais não se intrometessem na política. Esta opção é da responsabilidade de alguém que deveria prestar contas por isso.
Haja alguém que as peça publicamente porque há investigações cuja celeridade é elemento essencial do sucesso do apuramento dos factos.
Se como diz o jornal, os documentos são autênticos, aquilo que eles contém, em qualquer parte do mundo civilizado chegaria para alertar todas as autoridades de um país. Em Portugal, os documentos ficaram retidos na PGR não se sabe bem para quê..

domingo, setembro 04, 2011

O comunista-trotskista Louçã

O comunista trotskista Louçã disse hoje num comício que "precisamos de um 25 de Abril na Economia para proteger o que é nosso".

Já tivemos disso. Se as pessoas que ouviram soubessem o que foi o 11 de Março de 1975 e o que significaram as nacionalizações que se lhe seguiram, teriam respondido a Louçã: precisamos é que Louçã se cale ou que fale do comunismo que defende, abertamente e sem receio de defender ideias serôdias. Que declare abertamente a sua defesa do comunismo e depois logo se vê...

Olrik, outra vez

O Público de hoje consagra quatro- páginas- quatro ao assunto das "secretas. Poderia ter resumido tudo em duas frases: "Estes serviços, aparentemente, têm acomodado mais interesses diversos do que servido directamente o interesse nacional." - tirada da última edição da revista Segurança e Defesa, dirigida por José Manuel Anes, essencialmente um maçónico, sempre ouvido nestas andanças e que foi director do laboratório da PJ. A outra frase é "SIS e SIED não deixaram de fazer escutas ou aceder a registos telefónicos só porque a lei não o permite: fazem-no centenas de vezes. Quando se tem uma disfunção entre a necessidade de trabalho e aquilo que a lei permite, cria-se uma forma informal de fazer o trabalho, de obter informação. O que acontece é que , como não existem procedimentos padronizados, improvisa-se."- José Vegar, jornalista e investigador.

Um corolário destas duas frases é dado pelo maçónico Anes, para quem estes problemas não terão solução se não for constituída uma "carreira" para os funcionários das informações com salvaguarda da sua "independência técnica" e "avaliação contínua" do desempenho. Se calhar no seio de alguma loja do costume...
E também é dado por um antigo dirigente dos serviços, em serviço de toupeira do Público. Adianta que a "verdadeira protecção não está em garantias fornecidas pelo sistema". Assegura o que parece óbvio: " Tem que ser uma pessoa com espírito democrático e comportamento ético. Não há outra solução."
Exactamente. A cretinice do Expresso nestas últimas semanas reside nisso: na incapacidade em entender a raiz do problema e em pretender insistir na denúncia de inanidades, apenas com o objectivo turvo de combater uma empresa rival.

Neste contexto, a permissão legal para que os serviços possam fazer escutas, é irrelevante. Com autorização ou sem ela, os serviços continuarão a pisar o risco da legalidade, sempre que os tais "interesses" se sobrepuserem e o chefe nomeado politicamente assim o entender, porque terão sempre algo a ganhar ou a perder.
Onde está o vértice deste problema democrático? No Primeiro-Ministro e quem este escolhe para os serviços. Os formais e os informais.
Para se saber mais sobre o assunto procure-se o nome do Olrik. Como é uma metáfora basta a imaginação, procurando os seus efeitos.



sábado, setembro 03, 2011

As toupeiras do Expresso


O Expresso de hoje continua a senda de cretinice com as "secretas". O assunto Silva Carvalho resume-se à cedência, por este, de uma informação sobre "cadastro criminal" relativamente a um indivíduo anódino, produtor de vinhos da Madeira. E para que era a tal informação sobre o "cadastro"? Para dar a um amigo de Silva Carvalho, a pedido do mesmo. O tal amigo, Paulo Santos, casara recentemente com a ex-mulher do produtor de vinhos e pretendia saber o tal "cadastro". Só isso porque o resto nem sequer é relevante para qualquer efeito.

Portanto, o pecado de Silva Carvalho foi ter informado o tal amigo Paulo Campos sobre o "cadastro criminal". Não exactamente sobre o conteúdo do cadastro, mas se tinha cadastro. Ao contrário do que o Expresso escreve, qualquer pessoa que nisso tenha particular interesse, pode aceder a essa informação por vários modos. O sistema de informação criminal, se alguém tiver cadastro não emite o respectivo documento a não ser com a informação que tem cadastro. O problema é sentido há muito pelos tribunais porque isso impede os julgamentos sumários em casos de haver "cadastro". Será isso ilegal e criminoso como refere o Expresso? Duvido muito.

No entanto, foi isto que serviu de motivo para lançar o petardo ao antigo chefe do SIED, prestes, segundo o jornal i de hoje, a assumir o cargo de secretario-geral do SIRP. Tal só não aconteceu porque o Expresso começou a publicar estas cretinices nas suas edições a partir de finais de Julho, tendo o jornalismo mediático cavalgado a onda cretina, sem perguntas sobre as toupeiras do Expresso e os seus motivos específicos. O SIED quanto muito pretendeu topar uma toupeira nos seus serviços. O Expresso, para além de revelar o nome da toupeira, cometendo um crime grave, anda nesta actividade subterrânea apenas com uma finalidade: minar uma empresa concorrente.
Note-se que o pretexto para estas notícias cretinas assenta apenas num objectivo: desestabilizar a tal empresa concorrente, a OnGoing, numa altura em que a Impresa está na falência. A guerra é comercial e o jornal serve de ponta de lança. Nada mais motiva este jornalismo. E os parceiros pensadores deste jornalismo alimentam as notícias com esta ração.

Não obstante, o jornal publica hoje uma notícia com interesse e pouco cretina: escreve que "as "secretas" têm toupeiras em duas operadoras". Se isto for verdadeiro, entenda-se...
Quer dizer, o Expresso, através das suas toupeiras ocultas no breu conseguiu saber que os serviços secretos também têm toupeiras nas operadoras telefónicas Optimus e TMN. E dá-se ao cuidado de explicar como essas toupeiras minaram o terreno no caso Simas, jornalista do Público.Para a explicação serviu-se de mais toupeiras ( "elementos das operadoras, do Ministério Público, da Polícia Judiciária) . A explicação em 18 pontos é de rir.
Começa por dizer que em 18 de Agosto de 2010, um dos agentes do SIED entregou uma lista em Excel ( tabelas gráficas) ao director Silva Carvalho, com a indicação das chamadas do jornalista Simas, entre 19 Julho e 12 Agosto de 2010. A lista destinava-se a determinar quem seria o chamador do SIED para o jornalista Simas. Curiosamente, só permitia saber quem seria o chamado. Apenas isso e nada mais. Portanto, o director do SIED queria saber quem era a toupeira no interior dos serviços e isso é-lhe assacado como um crime associado a uma malfeitoria como seja a de consultar os dados de tráfego do telemóvel do jornalista. O crime do Expresso, esse, está justificadíssimo com a liberdade de imprensa, vaca sagrada dos tempos modernos.

Portanto, o tal documento Excel nada tinha a ver com a facturação detalhada do telemóvel, tal como fornecida pela operadora. "A lista não refere qualquer número de origem de onde as chamadas foram feitas" . Portanto, uma das vertentes da devassa ficou esquecida. O que ficou na lista foram as chamadas feitas pelo jornalista em dois telemóveis- um Nokia com cartão TMN e outro Samsung com cartão Optimus.
Conclusão do Expresso: duas toupeiras. Uma na TMN e outra na Optimus. Brilhante! E mais: como a lista tem a indicação do início e do fim das chamadas, ao segundo, isso significa para as toupeiras do Expresso que foram efectuadas escutas. Duplamente brilhante. E como a rapidez na obtenção dos dados não se compadece com a lentidão processual, só podeiam ser toupeiras a topar o rasto. Triplamente brilhante.
Agora começam as dúvidas:

Lobo Xavier, como administrador da Optimus, esclareceu na Quadratura do Círculo, segundo o jornal i de hoje que " há muitas autoridades a pedirem informações aos operadores sem base legal". Lobo Xavier ainda garantiu que a listagem que apareceu no SIED não é da Optimus e apresenta várias hipóteses para tal ter sucedido. Uma delas é alguém do Público ter dado a listagem ao SIED; outra é alguém, à revelia da Optimus ter dadoao SIED as informações. E como há dezenas de pessoas com acesso a tais dados, com facturação detalhada dos clientes, o problema de saber quem foi afigura-se mais difícil do que saber quem anda a violar o segredo de justiça nos processos. Para Lobo Xavier e outros, estas violações são sempre da responsabilidade dos administradores do sistema, no caso o MºPº. Neste caso particular, o administrador Lobo Xavier não tem responsabilidade alguma, como é bom de ver...

Portanto, ficamos assim: para o Expresso, o SIED tem toupeiras na TMN e na Optimus. Como souberam disso? Por dedução, tipo sherlockeana ou de inspecor patilhas com ventoinha a girar. E como uma cretinice não paga imposto, colocaram-na na primeira página do jornal para vender papel e juntar o útil ao agradável: denegrir ainda mais uma empresa concorrente e fazer o jogo da Maçonaria.


sexta-feira, setembro 02, 2011

Os verdadeiros donos de Portugal

"Em 1975 decapitámos a elite económica da altura e, desde então, á excepção da Sonae, da Jerónimo Martins e do grupo Pedro Queirós Pereira, não nasceu mais nada de grande dimensão. Houve algum enriquecimento nos sectores da construção, imobiliário e obras públicas, mas tenho muitas dúvidas que tenham liquidez neste momento para fazerem uma liquidação de impostos significativa." - Pedro Ferraz da Costa, ao Sol de hoje.

Pedro Ferraz da Costa, hoje com 65 anos, tem sido um dos indivíduos mais coerentes no discurso público que jamais ouvi, desde praticamente o 25 de Abril de 1974. Espanta até como conseguiu distanciar-se do devorismo cavaquista e manter o discurso claro e preciso sobre a nossa realidade diacrónica.
Em resumo, diz Pedro Ferraz da Costa, "tenho a pior impressão do Estado". Para ver a diferença entre este discurso e o do Bloco de Esquerda que publicou há pouco o livro Os Donos de Portugal, basta ver esta página do livro que retrata o capitalismo português saído da experiência do PREC e após a "recomposição da burguesia" ( sic).

Se a nossa desgraça económica tem responsáveis eles são a Esquerda in totum e a ideologia que a sustenta. E vamos continuar a pagar durante muitos anos estes mitos e lêndias que nos impingem todos os dias nos media.
Quem manda nos media são herdeiros dessa esquerda global que nunca esqueceu o que supostamente aprendeu no PREC e antes dele. São eles os verdadeiros donos de Portugal


E para perceber ainda melhor como foi possível este estado de coisas no nosso país, nos últimos 37 anos, basta ver este gráfico do mesmo livro e que retrata as deambulações dos arrivistas do poder político, quase exclusivamente acantonados no PS e no PSD e que tomaram de assalto as empresas com ligações ao Estado cujo aparelho dominaram através de eleições e cooptações entre amigos e correlegionários. Isto é tão claro que não o querer ver é um erro colossal e ainda bem que foi o Bloco a mostrar em gráfico. Mesmo com objectivos turvos ( para a Esquerda radical, "quanto pior, melhor" para eles )a demonstração vale para se verificar o autêntico forrobodó despudorado que tem sido a nossa vida político-económica nas últimas décadas. A corrupção de Estado é isto que aí fica. Insindicável e inefável tem sido esse o caldo de cultura da nossa desgraça que ainda não acabou e promete continuar na mesma senda por falta de visão de quem lhe ponha cobro.
E que ninguém tenha dúvidas que as razões do nosso atraso endémico começaram no PREC mas enraizaram ainda mais como o assalto devorista e incompetente de quem se lhe seguiu, ou seja as sucessivas direcções políticas do PSD e do PS. E o CDS só não figura na lista com relevância porque são um partido sem poder real. São a "direita" que a Esquerda vituperou tanto tempo que pouca gente vota neles...
Duas figuras se agigantam neste panorama pelo que fizeram e principalmente pelo que não fizeram podendo tê-lo feito: Mário Soares e Cavaco Silva. Por incompetência, falta de visão, desleixo ou simplesmente ausência de coragem política, estas duas figuras enterraram o país na miséria em que se encontra. Em vez de serem responsabilizados e castigados politicamente por estes crimes negligentes ainda são ouvidos, convidados, escolhidos.
Quem tem culpa disto? O povo português, sem dúvida, mas com uma elite que os guia: o poder mediático.


quinta-feira, setembro 01, 2011

Lello e os seus irmãos

Leia-se esta parte de um artigo publicado na revista Sábado de hoje ( comprei por causa das "secretas" e da confusão que por lá vai. Ninguém fala do Olrik, no entanto...mas é apenas uma questão de tempo. Amanhã, talvez).
Quanto ao deputado Lello é um primor de ética, deontologia e desfaçatez. É ler e comparar o artigo de João Semedo abaixo publicado, com esta narrativa dos interesses do deputado que se não fosse o 25 de Abril andaria pelos bares a cantar em modo "crooner" um qualquer "i´m singing in the rain..." ou talvez um "i´ve got you under my skin" ou até mesmo um "una paloma blanca" em tom baladeiro.
Isto está podre de podre.

o oliveira da figueira da política

o jornal i conta que José Sócrates anda a fazer diplomacia paralela pela Europa fora. Foi a Berlim falar com Merkel ( a sua grande amiga...)e a Madrid. Antes de Passos Coelho.
Estas coisas da política interessam-me relativamente mas saber que o obreiro principal do nosso descalabro económico-financeiro anda a tramar coisas pelas costas de quem foi eleito e tem a legitimidade para o fazer, incomoda-me. Tanto mais que penso que José Sócrates devia ser processado, julgado e condenado em pena de prisão pelo que fez no país.
E ainda mais: para quem nada ganha e nada ganhou que fosse declarado, faz vida de rico.
De onde lhe vem o dinheiro e os rendimentos?
Não há ninguém para lho perguntar? O jornalismo que temos é uma desgraça, já o sabíamos. Mas aceitar estas coisas sem sequer perguntar é o cúmulo.

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso