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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Moustaki morreu. Com 79 anos.

Georges Moustaki morreu ontem e como dizem as noticias de embalar bacalhau, na sequência de doença prolongada. Hoje as mesmas notícias ( e até crónicas radiofónicas como a de João Gobern, na Antena Um, por volta das oito e meia da manhã, que até dói pelo plágio da Wikipedia) repetem factos conhecidos: Moustaki autor de 300 canções, algumas delas interpretadas por artistas como Edith Piaf ou Serge Regianni; Moustaki, filho de pais judeus e que cantava em várias línguas, inclusivé o Português ( do Brasil).

Vi Moustaki a cantar, há poucos anos, na Casa da Música,  no Porto. Sala ( Suggia?) repleta e a cantar o que o artista cantava. Pessoas de alguma idade, mas também jovens. Um espectáculo inesquecível que terminou com um Milord cantado pela tal Piaf ou com uma balada para Sacco e Vanzetti, já nem me lembro bem.

Moustaki apareceu a cantar num tempo em que a língua francesa ainda se aprendia nas escolas secundárias, mais que o inglês que hoje predomina nas "business schools" que por aí ensinam métodos de gestão em inglês técnico.

Moustaki era um libertário ideológico, uma espécie de bloquista de esquerda sem partido nem beira política a não ser a utopia da Liberdade que cantou numa cantiga extraordinariamente simples, Ma Liberté.
Em 1974, no final do Verão, esteve em Portugal e deu entrevistas. Numa delas, ao Século Ilustrado de 3 de Setembro de 1974 dizia que vinha a Portugal porque o que então aqui se passava lhe dizia respeito, "por ter caído o fascismo numa parte do mundo". Moustaki era comunista, evidentemente. Mas...no comunismo real teria uma vida muito difícil e até impossível. Por isso a contradição fazia-lhe jeito...

Nesse mesmo ano, no início, Moustaki tinha uma canção fantástica que me lembra inexoravelmente o 25 de Abril de 1974: Danse. Um ritmo e um tema inebriantes. Das canções de Moustaki poderia escrever páginas, mas fica uma outra, para além dessa: La carte du tendre, que muitos franceses ( principalmente francesas) sabem de cor.


3 comentários:

Carlos disse...

Há vidas que vale a pena acompanhar. Há mortes que custa comentar.

Floribundus disse...

já disse noutro comentário que me pareceu ser Trotskista a avaliar pelo que me disseram os meus Amigos do 'Rouge' para eles 'le canard'. até me convidaram para assistir a uma reunião da célula do 'Pasteur'.
tinha canções sensacionais como 'il est trop tard'.

como me sinto um meteco neste rectângulo oiço diariamente a canção antes de me deitar,
assim como 'my way' por Sinatra.

finalmente a Paz no campo da igualdade (o Além)
gostava de te encontrar no 'dia da Ressurreição'

Floribundus disse...

penso que a 'Rubra' da raquel é a versão iscté da 'Rouge'