Do You Tube, as imagens do 1º de Maio de 1974, em Portugal:
No 1º de Maio de 1974 os comunistas de todos os matizes tiraram a barriga de misérias. O cronista da Flama de 10 de Maio desse ano, um vira-casacas qualquer ou um Alexandre Manuel ou mesmo António Reis que a dirigia , escrevia já este tipo de prosa fantástica que nunca fora escrita em Portugal nos últimos 40 anos: "durante dezenas de horas, o povo quis descomprimir-se dos milhões de horas fascistas que o martirizaram."
Que linguagem filha da puta, santo deus! E pegou de estaca, este linguarejar antifassista aprendido na escola comunista que essa gente frequentou à noite, na clandestinidade.
As imagens mostram a confusão de um povo que ainda nem sabia o que o esperava.
De notar que um dos cartazes empunhados, presumivelmente do MRPP por causa da imagem de Mao, já dizia algo como "viva a ditadura"...do proletariado, supõe-se, mas é sintomático. A ditadura boa contra a ditadura má. O PCP defendia o mesmo, como hoje. Mas não o diz. Prefere lembrar que é pela "democracia avançada" uma farsa perigosa e mentirosa que ninguém contesta.
Na escrita, mais à frente, um dos tais vira-casacas lembrou-se de mencionar que um dos cartazes dizia "ninguém nos pagou. Viemos aqui porque quisemos", esclarecendo o contraste com "as manifestações que o Governo derrubado organizava". Tais como hoje o Arménio e o Jerónimo, mai-los outros organizam...com camionetas pagas por contas caladas.
Na foto acima aparecem Cunhal, de sorriso rasgado na cortina de ferro e o nosso kerenski de ocasião, Soares que hoje só diz disparates e faz má-figura. Domingos Abrantes o antifassista mais sibilante que se conhece também espreita por trás dos microfones da Emissora Nacional...
Dali a meses provocavam a maior tragédia dos últimos 40 anos. Ainda assim andam agora a celebrar o centenário do nascimento desse herói da nossa desgraça colectiva.