segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Caçadas

Público online:

O ministro da Justiça espanhol, Mariano Fernández Bermejo, apresentou hoje a sua demissão face à onda de protestos gerada pela sua participação numa caçada com o juiz Baltasar Garzón, responsável pela instrução de um processo de corrupção que envolve dirigentes do Partido Popular, o maior partido da oposição.
A edição online do diário “El Mundo” recorda que nos últimos dias os conservadores, mas também dirigentes socialistas, criticaram a caçada com o juiz da Audiência Nacional, considerando que a proximidade entre Bermejo e Garzón levanta suspeitas de interferência do poder político no processo judicial em curso.
20.02.2009 - 18h27 Agências
O juiz espanhol Baltasar Garzón foi hoje à tarde hospitalizado numa clínica de Madrid com uma crise de ansiedade, depois de se ter sentido indisposto, com uma forte dor no peito.
Por cá, nem ansiedades nem demissões. As suspeitas de promiscuidade do poder político com a instância judicial, incluindo os investigadores de topo, designadamente no caso Freeport, nomeados para cargos de relevância política no exterior, estão na ordem do dia. O caso dos irmãos Guerra ( do ICN e do MP) e dos responsáveis nomeados para o Eurojust, é motivo de grande apreensão, neste assunto concreto.
Não o seria em circunstâncias normais e correntes, mas neste caso assume relevãncia especial que não pode ser contornada com juras e garantias de boas intenções. Por um motivo que importa esclarecer quanto antes: se houve em algum momento, o perigo de a investigação ficar condicionada em função das ligações familiares e de amizade dos intervenientes.
Importa ainda saber com toda a clareza possível e aproximação desejável à verdade material, se o sigilo e a rapidez de investigação que eram essenciais e absolutamente necessários, à descoberta da verdade, foi garantido e respeitado e absolutamente circunscrito a quem dele tomou conhecimento por obrigação legal. A publicação dos nomes das pessoas que lidaram com o caso, directa e indirectamente, por causa das funções que exercem, torna obrigatório tal esclarecimento. Ponto e parágrafo.
E fotos como esta, à solta por aí na Rede( se for verdadeira e autêntica como parece) nada ajudam a que a essência da honra profissional que obriga à isenção e imparcialidade, ligadas à independência pessoal e política, condiga com a aparência da mesma.
Isto está de rastos e as pessoas responsáveis já nem se preocupam com estas aparências.

2 comentários:

portolaw disse...

este senhor garzón não é o "grande herói" dos justiceiros por essa europa fora?
não é ele o paradigma de magistrado para alguns figurões do burgo?

Anónimo disse...

Não me recordo de nenhum filme de ficção com um enredo tão completo e descarado como este, nem naquela série do polvo. Acho até que nenhum argumento destes seria aprovado, tal o ridículo a que ficaria submetido.

Outra vez Porter em causa