quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A Direita inventada pela Esquerda

JMT no Público de hoje:


JMT concorda que o PSD não é um partido de direita ao contrário do que os responsáveis do mesmo deixaram propalar por aí nos últimos tempos. Na verdade, tal reclame não é de agora e constitui um dos principais equívocos da política nacional.

Para gnosiologizar esta realidade é preciso recuar mais de 40 anos e perceber quem fixou os termos e a linguagem designativa das correntes políticas e principais pertenças dos partidos que temos. Para ser breve e sucinto, foi sempre a esquerda comunista. Passo a tentar demonstrar.

Já aqui mencionei que a linguagem corrente e mediática, anterior a 25 de Abril de 1974, não comportava termos que os comunistas e socialistas usavam, como fascismo, reacção ou mesmo colonialismo e a associação automática destes termos à "direita" fassista porque na realidade o fascismo nunca existiu em Portugal.
Tal mutação da linguagem genética passou a suceder nos dias seguintes ao 25 de Abril de 1974 como por aqui profusamente já ilustrei, com recortes de jornal que são a prova evidente de tal facto, mais que qualquer livro dos namedropers do costume.
Os jornais da época relatam o que se passava nas ruas da komentadoria das redacções e instituições que foram tomadas de assalto pelo poder político de esquerda comunista cujos esforços foram coroados de total êxito nessa operação cosmética de mudança de termos linguísticos.

Como exemplo concreto, aqui está este tirado do jornal República ( ligado ao PS) de 29.4.1974, com o programa do PS bem claro e específico na delimitação de balizas do que era e não era "democrático" e socialista, incluindo nesse grupo político o PCP e os partidos da "Nova Esquerda"  e que tinham concepções sobre a economia muito próximas das do PS de então.
A Esquerda, portanto,  seria isto  e tudo o resto só poderia ser a "Direita", particularmente os que se opunham à mudança de paradigma económico, de mercado para uma colectivização em vista e anunciada desde o Outono de 1974 e meses seguintes.
Para o PCP e extrema-esquerda nunca foi diferente nestes últimos 45 anos ( antes do 25 de Abril já era assim) porque a linguagem continuou a mesma de sempre, a par das concepções económicas que professam e nunca esconderam.
O PS, esse mudou e substancialmente, dali a poucos meses e tal é a causa principal do equívoco porque pretende ocupar as duas cadeiras e estar em dois lugares ao mesmo tempo: o da esquerda comunista, quanto a diversos aspectos supostamente ligados a estes "afectos" e também os de outras formas de organização social e económica, de mercado concorrencial e contraditórias com aquelas mas que suplantam sempre no imaginário popular através de equívocos e sofismas: o PS pretendeu sempre quadrar um círculo e perante a ignorância e desconhecimento do vulgo conquistou uma posição confortável no imaginário político nacional. Em França já não consegue enganar ninguém...aqui é o partido preferido dos portugueses que votam e se sentem felizes neste logro.



  A partir daqui estavam definidas as fronteiras que a Esquerda comunista e socialista estabeleceram para a grande divisão de classes, entre Esquerda e Direita. Contudo, tudo parte de um equívoco logo desfeito nos meses e anos a seguir: o PS não queria efectivamente uma organização económica moldada segundo o modelo comunista das nacionalizações e estatização completa da economia. A gradação dessas opções foi a tal ponto que o PS de Mário Soares, em 1976 admitia perfeitamente opções económicas ditas de "direita" ou seja contrárias àqueles princípios que a esquerda comunista sempre defendeu e defende ainda hoje.

Foi por isso que o PS se tornou persona política non grata dos comunistas. Estes sentem-se traídos pelo PS que afinal queria economicamente  a mesma coisa que eles e deixou de querer. Apesar de defender coisas parecidas, o PS acaba sempre por fazer o "jogo da reacção" ( designação comunista da direita) e ceder à burguesia, ao patronato e aos inimigos de classe dos trabalhadores, apesar de o seu programa proclamar o contrário. O PCP fossilizou nos anos trinta da época da Frente de Esquerda que em França quase lhes fez o frete de entregar o poder que nunca alcançaram. Essa traição intolerável é sempre esquecida, no entanto, quando se proporcionam ideias de geringonça como a que actualmente governa o país. É a réstea de esperança que os comunistas têm em inverter o rumo da História e daí a ingurgitação constante de sapos, como dieta alimentar comunista.

Por outro lado a ideologia do PS era um tanto ou quanto esquisita, como se mostra nesta entrevista de Junho de 1974:



Esta contradição nunca resolvida é ao mesmo tempo o seguro de vida política do PS. Junto das tais classes "oprimidas" mantém uma imagem de protector e junto dos supostos inimigos uma imagem de aliados tácticos e de circunstância sempre  necessária para o que der e vier, o que sucedeu já por diversas vezes em Portugal,  nas últimas décadas. Um programa assente no cravo e uma praxis com ferradura às costas.


Porém este fenómeno único na Europa ocidental e que nos caracteriza singularmente, começou logo em 1974, com a mudança de linguagem. 

Em 13.1.1975 um artigo exemplar mostrava em concreto o que se devia entender por fascismo: tudo o que recendesse a antigo regime, sem mais. E o PS concordava manifestamente com este entendimento, mesmo que tivesse acoitado antigos "fascistas" no seu seio político ( Joaquim Silva Pinto para citar um).

Sendo assim, por esta nomenclatura definida pelo comunismo, o PPD/PSD e principalmente o CDS eram partidos de direita, típica e sem espinhas democráticas, no sentido que aqueles atribuem à expressão ( "o povo é quem mais ordena" mas o partido é que manda no povo) .

Não querendo de forma alguma associar-se ao "fascismo", palavra que foi implantada de tal forma nos media de esquerda que se assimilou a nazi, o Partido da Democracia Cristã, quando nasceu, nem sequer de direita queria ser, conforme relata a Capital de 4 de Maio de 1974. Centro-esquerda estava muito bem.


 Em 28 de Setembro de 1974 deu-se a grande ruptura de uma possível continuidade com o regime anterior relativamente a certas forças que ainda tiveram ânimo para lutar pelos valores antigos em contraposição aos valores comunistas que viam aparecer diante dos olhos e ouvidos, nos media de então.

Foram quase todos presos por atentado à democracia, até mesmo um Sanches Osório aderente ao PDC que era de "centro-esquerda"...



E os jornais da "reacção" vilipendiados e queimados na praça pública pelos defensores das amplas liberdades democráticas e as suas milícias nos media e nas ruas:





Estes factos não são mostrados nos media de hoje e muito menos identificados os autores destas proezas que se acoitam nos vários blocos da Esquerda que temos, alguns deles em lugares de governo e de Estado. Se confrontados com estas coisas desculpam-se com os erros ou excessos de juventude e fica tudo assim.


Mas não ficou para quem sofreu as consequências destas acções e deste entendimento sobre o que é a direita e a esquerda na sociedade portuguesa, no equívoco que ainda hoje permanece. Se os Joões Miguéis Tavares soubessem isto bem e de cor, provavelmente questionariam como "tudo era possível" e tirariam ilações.

Mas não tiram porque surgiu outro fenómeno a seguir: os que poderiam ter esclarecido e ajudado a desfazer o equívoco, acomodaram-se à situação.

Em 1975 a Esquerda tornou-se força dominante na Economia, o sector social determinante para se alterar "a relação de forças" como a Esquerda comunista bem sabe.  E o panorama esta este:


Que fazer perante isto?

O melhor exemplo é este do Francisquinho que agora anda à rasca, precisamente por causa destes equívocos, mas ainda não se deu conta disso:



Portanto, o caminho estava encontrado, para estes tartufos modernos: aderir a "novas formas de viver em sociedade". E foi isso que o Francisquinho fez, em companhia de outros membros fundadores do PPD que depois se tornou em PSD por causa disto mesmo.

Nenhum deles queria viver em regime comunista ou de esquerda socialista típica. O PS já dava indicações de também preferir a organização burguesa da sociedade à mirífica visão do "caminho para o socialismo" ou mesmo a "sociedade sem classes", expressões que porém, aceitaram que ficassem a figurar como programas na Constituição de 1976. Para dar uma boa imagem...o que diz quase tudo sobre estes equívocos alimentados por estes francisquinhos da política nacional.

Em 1976 o intelectual de serviço, emigrado no estrangeiro, sabia quem era a "direita" portuguesa: aquela que se reclamava do "rigorosamente ao centro" e servia os interesses da burguesia que o mesmo conhecia dos livros de Rosa Luxemburgo, Althusser e outros génios desse calibre.



 Na esquerda comunista e pró-comunista nunca houve qualquer dúvida sobre quem era a "direita" em Portugal. No entanto,  continuavam os equívocos, porque afinal o CDS reclamava-se da democracia cristã, portanto afastado do tal "fascismo" identificado acima e em 1976 votaram sozinhos contra a Constituição. O seu líder, Freitas do Amaral, no entanto, ao longo dos anos torceu tanto o seu carácter político que acabou ministro de um governo de um socialista e a aplaudir aqueles socialistas de antanho, como figuras de referência da democracia. Outro que tal foi um certo Basílio.Todos de direita e que por um passe de carácter mágico deixaram de o ser.

Desta antiga distinção feita em modo académico, logo em 1974, ninguém quer saber:



Quanto ao líder do PPD/PSD o que dizer? Era de direita? Como isso se foi opositor ao "fassismo" de Marcello Caetano e deputado da Ala Liberal, com outros que agora são de esquerda social-democrata? Como isso se foi defensor claro da social-democracia como "único socialismo possível em Portugal"?

E nem se diga que foi por tacticismo político porque de facto Sá Carneiro sempre defendeu, coerentemente,  as ideias que então expressou em 18.10.1975: 



Como se nota em 6.2.1976 Sá Carneiro queria no entanto reverter o processo de nacionalização e colectivização da economia portuguesa por causas que são comummente aceites hoje em dia e até na altura, por um PS de um Mário Soares desiludido com o resultado do socialismo real.


 Estas ideias fariam de Sá Carneiro um direitista afastando-o da social-democracia? Faziam, mas apenas para o PCP e forças comunistas. Por uma razão: tocavam na essência do colectivismo segundo a esquerda comunista e isso faz  qualquer um ser de direita ou mesmo fascista, epíteto mortal para qualquer cidadão português com aspirações a político.

Em 1977 não era outro o entendimento do PCP:


Quem é que se preocupou em desmontar esta farsa comunista e esta linguagem enviesada e falsa? Ninguém, praticamente.
O jornalismo que então se praticava ainda sem escola monitorizada por quem assim escrevia, dava alento a este ideologia e forma de pensar e tornou-se "viral", como agora se diz.  As professorecas de jornalismo que agora existem vieram deste caldo de cultura.

Durante os anos setenta do século do 25 de Abril foi este o panorama: o PPD era de direita, mesmo sendo social-democrata na essência porque o PCP não reconhece como tal um partido que pretendia mexer nas sacrossantas nacionalizações irreversíveis.

Foi aliás até ao final da década seguinte essa a pedra de toque da distinção entre direita e esquerda, para o PCP e Esquerda em geral.

O socialista democrático Mário Soares, já um traidor notório da causa comunista,  não se importava, porém,  de fazer percurso conjunto com aqueles na caminhada em prol das sucessivas bancarrotas que o país sofreu nesses anos.

Os que não alinhavam nessa concepção eram de direita, naturalmente e isso incluía o partido social-democrata que de direita tinha apenas esse rótulo imposto pelo comunismo.

A partir de finais dos anos setenta, em plena recessão vinda da primeira bancarrota, Mário Soares era primeiro-ministro de um PS que ainda não tencionava alterar nada na Constituição para a tornar mais consentânea com a economia real e não a do colectivismo esquerdista que a tornava o principal obstáculo à modernização portuguesa.


Quem é que se lhe opunha? O PSD e o CDS mais o PPM que fizeram uma Aliança Democrática para alterar essa Constituição marxista ou seja de esquerda. Tal desiderato fazia de tais partidos, partidos de direita? Não, claro que não, excepto mais uma vez para o PCP que nisso via o início do seu declínio inexorável no cômputo da sociedade portuguesa que detinha meios de produção, ou seja o Estado.  Querer menos Estado num país que nem tinha exemplo na Europa significava ser de direita?

Para o PCP e mesmo PS, fazia e foi assim que definiram os campos, nessa altura. Em 1980 os eleitores deram uma maioria absoluta a tais partidos de "direita" e a reacção do povo de esquerda foi esta:

Primeiro o medo de perder o peso político no Estado.


 Depois a azia:


 Em 1980, claramente, o PSD, CDS e PPM eram de direita, para esta Esquerda cripto-comunista e socialista democrática. Eram eles quem dizia o que devia ser a designação política e foi assim que disseram.

Dentro do próprio PSD havia facções mais à esquerda ou mais centradas à direita, mas o programa do partido continuava tipicamente social-democrata e portanto afastado daquilo que se convencionou em geral designar como "direita". Defender a descolectivização da economia não é política de direita, necessariamente, quando se está perante receitas que conduziram a bancarrotas evidentes. É política de bom senso nacional que a Esquerda nunca teve e que prontamente acusa como sendo de "direita" assimilável ao fascismo de antanho qualquer tentativa de retoma da economia para o mercado que existe na Europa democrática.  Hoje, tal como ontem.

Em 1979 um advogado do PSD saiu do partido porque queria uma viragem à esquerda mais acentuada e não concordava com as opções de Sá Carneiro relativamente à Economia. Chama-se Sérvulo Correia e é actualmente um indivíduo que tem um dos maiores escritórios de advocacia de negócios, em Lisboa, onde natural e coerentemente só aceitará causas de esquerda, como as que derivam da interpretação jurídica de cláusulas de contratos públicos, cujo código um qualquer governo de esquerda lhe encomendou.
Esta é a direita que a esquerda gosta e naturalmente não anda sozinho nestes assuntos. Emparceira com José Miguel Júdice um curioso advogado que foi do MIRN ( suposta extrema-direita), enfileirou depois no PSD e agora no PS. É um dos exemplos máximos da polivalência ideológico-política. Tanto pode ser de direita ou de esquerda consoante aquele que lhe paga os réditos assim o entender. Lembra aquele dito antigo de um humorista sobre os princípios. Tém estes mas poder ter aqueles, se der jeito. A par de Júdice que deve ser de esquerda por esta altura, andam na mesma monda, outros advogados citados já profusamente neste blog.


Terá sido esta gente que ajudou a definir o estatuto de "direita" do PSD?  É bem capaz porque eles saíram do partido para serem mais de esquerda, como é público e notório. E têm lutado incansavelmente por fazerem jus às opções inadiáveis que então tomaram.

Nos anos oitenta, por obra das circunstâncias de mais uma bancarrota que outra coisa,  chegou o tempo das cerejas apodrecerem e foi uma tragédia o que sucedeu no final da década, com a derrocada do comunismo mundial. Ficou para amostra, no entanto, conservada em formol ideológico, o PCP. As múmias continuam por aí, no entanto, vestidas de roupagem sindical dos arménios e outros jerónimos. São eles quem continua a definir o que é a direita e a esquerda e todos lhe prestam vassalagem nessa tarefa ingente.

Em 1983 o jornal do Francisquinho não via direita em lado algum, mas ela existia porque las hay, las hay...



 E se existiu uma certa direita, a verdade é que desapareceu há longos, longos anos, como o Expresso do actual presidente da República mencionava em 1981:



E não era a extrema-direita, mas outra coisa que a Esquerda não compreende. 

Mesmo assim, não se compreenderia que não existisse tal bicho ideológico para que a Esquerda o pudesse combater. E não existindo, inventa-se um. Foi o que sucedeu...
Na ausência de cães de caça de direita começaram a aparecer gatos, pardos sobretudo. Em Agosto de 1983 apareceram os primeiros, ainda furtivos. Um Artur Santos Silva futuro fundador do BPI era de esquerda ou de direita? Era do PS, isso era, mas...em que ficamos, afinal? Vale a primeira designação, original do PCP e PS de esquerda marxista ou vale a que veio depois?


Segundo os critérios da esquerda comunista que foi quem os estabeleceu este Artur Santos Silva é de esquerda ou de direita? Parece não existir qualquer dúvida que é de direita...ou não?

Em finais da década apareceram na ribalta, de novo, estes indivíduos de "direita" no panorama nacional e que tinham sido fascistas notórios, miseráveis exploradores da classe operária, alguns deles:




Mas quem é que estes fassistas apoiaram politicamente? Indivíduos de esquerda, nomeadamente do PS, veja-se lá a contradição.
E que dizer do assim dito dono disto tudo, Ricardo Salgado? Quem apoiou politicamente? Um indivíduo do PS que gosta de dividir a esquerda e a direita para se sentar naquele lado certo da História.
E que políticas económicas seguiu durante o seu consulado? As de privatizar, à semelhança do que aquela suposta direita do PSD de 1979 queria fazer então. Com uma diferença: nessa altura ficou a intenção. Agora, tal política foi efectivamente realizada, pelo...PS.

Que é um partido de esquerda segundo se afirma. Será?!


Em resumo: o PSD não é um partido de esquerda ou de direita típico, tal como o PS também não será. São ambos partidos que comungam de ideias de esquerda mas que concretizam políticas que poderiam muito bem ser de direita se o liberalismo fosse característica típica de direita. O que não é.

Confundir estas ideias, como o fazem o PCP e o PS,   tem apenas um objectivo: iludir os eleitores com suporte na memória antiga que nunca ficou esclarecida devidamente quanto a esses equívocos.

A Esquerda ganhou um estatuto imerecido devido a esses equívocos e o logro e mentira associados nunca podem ser bons conselheiros políticos.

Haja quem desfaça tal mentira. Esta direita que a esquerda inventou existe apenas para legitimar um ideal fantasmagórico e corrupto.

Até digo mais: a única luta política válida em Portugal nos dias que correm é desfazer estas ideias refeitas e denunciar este logro que a esquerda alimenta há décadas. 

245 comentários:

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zazie disse...

Que censura?

Alguém lhe apagou ou impediu de comentar?

Eu comentei o seu "recortes é curto".

Gosto sempre de morder quem acha que está a falar do alto e depois não consegue sequer alinhavar um argumento.

Demiolada é a sua prosápia, só por coisas. Não o referisse a mim e continha-me.

Por que é que "recortes é curto"?
Tem alguma ideia a acrescentar ou dá de chofres e aparece só para catalogar e desconsiderar?

muja disse...

Então e vocação missionária era para converter os comunistas do Komintern à Santa Madre Igreja? Eheheh!

Onde é que o povo português exercia a sua vocação missionária?

Não discuta a Pátria, José... O sentido é claro.

zazie disse...

Os recortes de jornais acerca do tema do post chegavam e sobravam para adiantar alguma coisa.

Por que é que mudam de tema e nunca desenvolvem so tais recortes de jornal a que falta o dropname?

zazie disse...

Bem, em Fátima foi disso que se falou. Não é por nada... só mais uns factos históricos que não são apócrifos.

muja disse...

Ele refere-se à Pátria. A Pátria era, e só podia ser, tudo.

Do Minho a Timor, sem tirar nem por.

O José é que distingue. Não há distinção, aqui. Não se discute a Pátria. Discutir se o Ultramar é Pátria, é logo discutir a Pátria.

zazie disse...

A Pátria é invenção do Ultramar?

Acho que a Pátria é mais o conceito que está em causa com a Grande Guerra e com a República.

muja disse...

Em qualquer caso, a questão não era essa.

A questão era em torno do tempo voltar para trás.

Eu fui buscar esses excertos para mostrar que não eram coisa específica do tempo em que foram escritos.

Tal como o que ele escreve acerca dos partidos não o era. Porque os partidos não são fundamentalmente diferentes nem o resultado deles.

E na altura também eram a realidade até deixarem de ser.

Portanto estar contra os partidos não é querer que o tempo ande para trás. É querer que o futuro seja melhor que o presente tirando lições da experiência do passado.

E a experiência do passado é clara: os partidos não prestam.

muja disse...

Caramba, mas Vs. querem mesmo discutir se Salazar considerava o Ultramar parte da integridade territorial e moral da Pátria?

A sério que sim?

Conseguem explicar a vocação histórica sem o Ultramar?

Era para ir missionar o Komintern?

Qual é a dúvida?

zazie disse...

Não eram específicos do tempo em que foram escritos como?

Pois se faziam parte da vivência mais simples e popular?!

Até os pastorinhos sabiam, carago e não andaram a ler Maurras

muja disse...

É que nem sequer era só Salazar.

É preciso ir buscar aquele texto do Norton de Matos à juventude?

zazie disse...

Não faça desmagogia.

A questão é se nessa frase era ao Ultramar que se referia ou à missão cristã portguesa de combater o comunismo.

Parece-me muito mais a segunda, dado o contexto.

zazie disse...

Isso é demagogia. V. até pode encaixar peúgas na coisa e depois dizer que quem diz que a questão não era essa, negava que usasssem peúgas.

Isso é demagogia.

Vou jardinar.

zazie disse...

Olhe, uma dica que pode ser mais útil para entender a que se referia- o Boletim da Direcção Geral do Ensino Primário A Escola Portuguesa".

josé disse...

Já esclareci o assunto no postal que agora coloquei. Mas a ideia desse discurso de 1936 não me parece que seja o Ultramar, no contexto histórico da época.

Pela simples razão de que não se discutia o Ultramar como se viria a fazer
mais de vinte anos depois.

Porém, Salazar entendia a Pátria como integrando as colónias, que não haja dúvida disso.

zazie disse...

Pois entendia e revitalizou todso os momentos de afirmação de nacionalidade.
Engraçado porque o D. Manuel I fez o mesmo. Legitimou o poder indo buscar os antepassados e até os túmulos mandou abrir.

O Salazar tem uma noção de contínuo histórico. De D. Afonso Henriques ao presente. Não começa a partir de nenhum momento mais importante. Engloba tudo nas suas especificidades e nelas inclui até as culturas distintas.

O trabalho dos restauros demonstra-o bem.

joserui disse...

"Quanto a censura nem sequer censuro o troll que anda por aí."
Causando escusado sofrimento a inúmeros estimados leitores, que como eu, gostam das caixas de comentários arrumadas e limpas.

muja disse...

O José é que disse que a referência não era ao Ultramar.

Ora se ele considerava que o Ultramar era Pátria, então a referência era também ao Ultramar.

Eu disse que o José é que estava distinguir.

E até disse outra coisa, que não faz sentido: "não discutir a Pátria não significava o imobilismo em relação ao território no seu conjunto"

Isto já é o José a querer dobrar o Salazar à sua opinião.

Eu não puxei o Ultramar aqui. Mas é evidente que isso vai completamente ao arrepio do que ele disse. O Ultramar fazia parte da integridade territorial (e moral) na Nação. Não há dúvida nenhuma nisso.

Imobilismo em relação ao território é língua de pau para significar entrega.

E não vale a pena falar em Goa porque só depois do 25 foram lá lamber as botas aos indianos e legitimar a agressão deles. Até aí considerava-se território ocupado, e continuou sempre a haver um deputado do círculo de Goa na Assembleia Nacional.

Portanto, sim, significava precisa e exactamente o imobilismo em relação ao território no seu conjunto. É isso que significa a integridade territorial.

Tal como integridade física significa o imobilismo ao corpo no seu conjunto. Isso é dizer que se respeita a integridade física de alguém e depois dizer-lhe que não seja imobilista em relação ao corpo no seu conjunto depois de lhe amputar um braço...

muja disse...

A integridade territorial refere-se ao conjunto, sem distinção.

Mas a vocação histórica é ao Ultramar em específico, de outra forma não se entende.

Essa é a única vocação histórica de Portugal, ainda para mais quando antes disso fala em vocação missionária.

Ver nisto alguma vocação histórica missionária para combater o comunismo é obtuso.

É claro que se referia ao Ultramar, que era onde nós missionávamos.

zazie disse...

Sim, é verdade. Tem razão.

Mas é curioso o uso diferente de Nação e Pátria.

Ele até fala da "mãe-Pátria" e depois explica como nela tudo se integra enquanto Nação.

Ele refere um termo kantiano- um "Imperativo Histórico". usa muito essa noção.

zazie disse...

Esqueceu-se foi de explicar como resolve agora o futuro de Portugal sem partidos.

A discussão começou com isso, quando achou que nem merecia a pena perder tempo com a semãntica que justifica o voto e a superioridade moral de uma palavra.

zazie disse...

Pátria- a terra dos pais- é tida como um sentimento que se levou para todos os contimentes.

No sentido romano, idêntico.

zazie disse...

E justifica depois o multiculturalismo pelo exemplo do Brasil.

A questão do sentimento da máe-pátria é que faltava comprovar se pegava assim, sem mais, em culturas diferentes.

Bic Laranja disse...

A Zazzie é uma pândega. Uma autêntica Ana Gomes do comentário.

José.
Censura tem sentido de reprovação. Mas cá está como é lido e interpretado o que se escreve.

Deve ser isto falar «de alto».

muja disse...

A "menina" Zazie é a governanta. Ahahahah!

Ponha-se a pau!

muja disse...

Pois faltava comprovar, faltava...

Mas sem tentar, não se comprova nada...

Agora nunca saberemos. Provavelmente...

eheheh!

muja disse...

O futuro de Portugal não se resolve agora, nem com partidos nem sem eles.

Mas, com partidos, Portugal não tem futuro, disso estou certo. Ou, por outra, terá sempre o mesmo futuro.

Bic Laranja disse...

Portugal não tem futuro porque, lá está, teria de haver Portugal.
Isto é já qualquer coisa que ninguem sabe dizer nome.

zazie disse...

É. Eu sou a pândega e v. a foca que bate as barbatanas.

Sempre me encanitaram as burrices que nem se enxergam mas se julgam mais inteligentes que os outros.

zazie disse...

A falar assim é que nem a Ana Gomes. Portugal não tem futuro porque não existe.

Kaput.
E desapareceu com a entrega do Ultramar?

É que as maluqueiras dogmáticas do Muja já se perceberam; as suas é que ninguém sabe, tirando escrever numa escrita inventada e anacrónica.

Se Portugal acabou, a verdade é que na sua imaginação uma nova língua já foi inventada.

zazie disse...

É como o meu nick. Acrescentou-lhe um z ao que não lembrou ao Queneau.

zazie disse...

«Salazar não tinha um partido, tinha um inteiro.
Os partidos são um «absurdo que na esfera particular ninguém faz, seja na família ou na administração do negócio.
Mas depois, magicamente, na administração dos negócios públicos é a única alternativa...»
Tão claro que só não entende quem não quer.
»

Isto é que foi o comentário ao post da Direita inventada pela esquerda e cujos recortes achou curtos?

É que não se percebe, porque o post nada tinha a ver com inteiros ou partidos.

zazie disse...

Não tinha um partido, tinha um inteiro. Soa bem.

Só que não é nada. É tanto como perguntar quem foi o anormal que inventou os partidos.

Com tanto estudo de etimologia, podiam saber que vem de repartir. E com tantos inteiros, mesmo por conquista sempre se repartiram posses.

Apache disse...

Os partidos nasceram no século XIX. Não fizeram falta nenhuma antes e não me parece que venham a fazer alguma falta se um dia deixarem de existir.


Actualmente a Direita está e vias de extinção, não em Portugal, onde há muito não existe, mas no Mundo. Assistimos a uniões (muitas, para já, económicas, mas futuramente) políticas, de grandes grupos de países, controladas pela “alta burguesia” (nomeadamente as grandes multinacionais) que ditam as regras do que devemos comer, beber, usar. Para encobrir esta hegemonia da Esquerda, chama-se Direita à esquerda menos radical (que é o que faz, em Portugal, o PCP quando se refere ao PSD e ao CDS) criando-se assim uma democracia “de fachada”.
Esta ideia de Esquerda versus Direita, além de manter o povo entretido, permite que vários grupos semelhantes (os partidos) alternem no poder, alimentando (à custa de impostos obscenos e sempre a crescer) as clientelas partidárias.


Os conceitos: Deus, Pátria e Família são, actualmente, os inimigos supremos do poder instituído. Para a Esquerda actual eles não representam a Direita mas a Extrema Direita mais extrema que conseguem imaginar.
A Família está a ser substituída pela monoparentalidade e pelas uniões homossexuais. (A família tradicional tende a educar de forma tradicional e a opor-se ao “mundo novo” que a Esquerda está a construir, por via de uma educação cada vez mais controlada pelo Estado).
As pátrias estão a ser destruídas pela multiculturalidade imposta à força, pelo fim das tradições, pela reescrita da História e pelo lento mas (aparentemente) irreversível fim das fronteiras.
Deus, pelos valores (que se pretendem destruir) e pela tradição/cultura que lhe estão associadas está a ser substituído pela Ciência (cada vez mais corrupta e virtual).

Apache disse...

“O terra gira sobre si mesma a 1,7 km por hora. Por sua vez esta circunda o sol a 107 km por hora” [Ricciardi]

Analfabetismo à solta?

A linha do equador mede 40 075 km e um dia dura 23 horas e 56 minutos, por isso, a Terra roda sobre si mesma a 1670 km/h (o dobro da velocidade de um avião comercial).

A distância média da Terra ao Sol é de (cerca) de 150 milhões de km e uma volta completa demora um ano, ou seja (cerca de) 365 dias e 6 horas. Portanto, a translação ao Sol efectua-se à média de 107 230 km/h, praticamente 30 quilómetros por segundo.

muja disse...

Apache,

mas ainda lê o "spam"?

Maria disse...

Apache, que maravilha o seu penúltimo comentário. E o último, noutro contexto, também não deixa de o ser. Muitos parabéns.

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Aos vários e excelentes (como sempre) do Muja, comento mais logo.

Maria disse...

Muja, estou 1000% d'acordo com o seu comentário do dia 7 às 17.21; Idem com o das 17.25; Idem com o das 17.27
Quanto ao das 17.28, é minha opinião que não se deu a golpaça em 1961 porque ainda não havia traidores nas Forças Armadas, mas também e principalmente porque Salazar ainda estava física e mentalmente capacitado e pronto para enfrentar qualquer inimigo. Como aliás se provou.

O José e creio que também a Zazie, dizem que o tempo nunca mais volta para trás. Pois eu secundo Muja e estou certa de que o tempo acaba por voltar, depende da ocasião óptima para isso acontecer e dos intervenientes óptimos para não o deixarem escapar. Temos o exemplo da velha Rússia. O tempo na Rússia voltou ao que era antes da Revolução Soviética e de que maneira, naturalmente que com as alterações inerentes ao período histórico do tempo que passou e tendo em conta os protagonistas do presente que são outra gente e outra época, mas as ideias-pátrias podem voltar a ser as mesmíssimas, como já está a ser provado em vários países europeus.

Ninguém já pode ir buscar o infeliz Czar Nicolau II nem a infeliz Czarina Alexandra.
Mas se pensarmos bem não há muitas diferenças entre o era e pensava o povo russo d'então e o de agora, com a única excepção de que agora não há descendentes do Czar no poder. É a única excepção. E repare-se quantas décadas passaram entre o tempo em que o Czar reinou e este em que nos encontramos. E digo isto porque a população russa actual tem uma admiração extrema pela monarquia e sobretudo pelo Czar e sua família. E quer saber mais sobre a sua pessoa e o que lhe aconteceu. Tem fotos dele nas suas casas e veneram a sua memória de um modo comovente.

A procura de livros, documentação e informação avulsa que os russos consigam adquirir, que lhes revele como foi aquele tempo, o que representou o Czar para o seu povo e tudo o relacionado com a sua pessoa, é o que provoca a procura dada a enorme curiosidade que hoje sentem por ele. Isto é algo digno de admiração para quem pense que o regime soviético alterou para sempre as crenças e tradições daquele povo. E chega a causar espanto para quem está de fora não se desse o caso dos russos do tempo do Czar e os de hoje terem a mesma admiração e o mesmo orgulho pela família real que perderam. A Rússia era o Czar e o Czar era a Rússia. Ambos unos e indivisíveis e o retrato fiel de um imenso e orgulhoso país cujo regime, durante os séculos que perdurou, emprestou-lhe uma grandeza e um prestígio inigualáveis. Regime monárquico que foi acarinhado pelo povo russo de antes da Revolução, mas também o é hoje por aqueles que não viveram esse tempo e que curiosamente também lhes deixa saudades exactamente por esse facto mas também pelo que lhes é transmitido pelos mais velhos. E querem demonstrar os mesmos sentimentos pelo Czar que tiveram os seus antepassados e, ainda que só através da literatura, experienciar algo que não lhes foi dado viver. E por estranho que pareça pedem-no nas suas orações diárias. E Deus sabe se não o irão conseguir.
(cont.)

muja disse...

A Rússia é um excelente exemplo, Maria.

E têm problemas, alguns, muito mais graves que os nossos.

Maria disse...

Estive ontem a ler um excelente documento elucidativo de como foram os últimos dias de Nicolau II e quem foram os seus assassinos directos e da restante família imperial. Já se sabe muito do que aconteceu naquele tempo de horror, mas aqui acrescentam dados importantes para muitos ainda desconhecidos. Revelam inclusive escritos de Churcill e de outros poíticos conhecidos e historiadores da altura a criticarem acerbamente o regime soviético e o cruel destino que deram ao Czar e família.Todos os assassinos eram judeus, a maioria judeus-russos, alguns, poucos, judeus-alemães.

O Czar era um monarca bom e era extremamente admirado pelo seu povo, segundo dizem os historiadores e escritores que sobre a sua pessoa se têm vindo a debruçar. Sabe-se que houve movimentos patrióticos, tanto na Rússia como no exterior, que tentaram enfrentar os bolcheviques e salvar ao Czar e a monarquia. Perante estes movimentos pró-Czar, que eram inúmeros e fortíssimos (os comunistas sabiam quão odiados eram pelo povo inteiro e principalmente pelos monárquicos), Lenine e seus próximos tiveram um medo atroz que o povo a eles aderisse e foi justamente para os travar em definitivo que nos últimos anos da Revolução decidiram assassinar o Czar e família, pois só com uma medida drástica desta natureza o povo e os movimentos pró-Czar iriam sentir-se suficientemente amedrontados para aceitar o novo regime e abandonar as tentativas contra-revolucinárias.

Simultâneamente os dirigentes comunistas, para fazerem vingar o novo regime e travarem quaisquer hipóteses de revoltas populares com força suficiente para os derrubar (que anteviam como sendo mais do que certo, pois elas eram cada vez em maior número, mais significativas e poderosas), decidiram, ainda com Lenine e depois com Estaline, iniciar a satânica matança da população, primeiro foram às dezenas de milhar e em poucos anos transformaram-se em dezenas de milhões. O intuito foi o mesmo quando fizeram desaparecer de cena o Czar ou seja, travar quaisquer veleidades de restaurar a monarquia por um povo revoltado e insatisfeito com o novo regime. Com a instauração do terror generalizado teriam um povo obediente e completamente à mercê dos ditames dos novos dirigentes despotas e saguinários. E foi exactamente o que aconteceu.
(cont.)

muja disse...

Mas perceba que os nossos convivas, quando dizem isso, é puro conformismo.

Não imaginam e, mais importante, não querem imaginar alternativas aos partidos.

Veja como imaginam facilmente uma data de alternativas à defesa do ultramar... para isso não lhes falta imaginação!

O que eles queriam mesmo era uns partidos de que gostassem, ahahah!

Uns partidos assim sérios, respeitáveis... estilo galinha com dentes, ou porco com asas.

Maria disse...

Hoje os russos compram tudo o que diga respeito ao Czar e dispõem-se a gastar grande parte do seu ordenado, no caso e mais recentemente, para adquirir um pequeno livro sobre o Czar e o seu reinado. Tudo o que apareça à venda sobre esta temática esgota em poucas horas. O povo retomou a sua religiosidade pré-soviética (aliás nunca abandonada) praticando-a agora livremente. Os dirigentes pós-soviéticos adoptaram todas as tradições e regras sociais anteriores ao comunismo. Ieltsin mandou regressar os restos mortais de Nicolau II, que foram recebidos com honras de Estado e repousam na Basílica de Moscovo. Os dirigentes que se lhe seguiram, todos eles tiveram e têm o mesmo respeito pelas tradições e práticas religiosas ancestrais russas. Muitos deles foram inclusivamente baptizados.

O povo russo no geral (e é isto que admira ou se calhar até não) e sobretudo esta geração, que nem sequer sofreu os horrores do comunismo mas conhece-os por relatos orais e agora através da literatura que vai estando acessível, vai tomando um conhecimento mais aprofundado sobre quem esteve efectivamente por detrás da Revolução de Outubro, isto é, seus nomes e apelidos. Eles eram quase todos judeus. Presentemente os russos querem que os judeus que lá residem saiam do seu país já que forem os seus antepassados quem esteve na origem do derrube da monarquia e no cruel assassinato do seu querido Czar.

Russos que, contràriamente a todas as brutas mentiras propaladas pelos comunistas décadas seguidas para o mundo inteiro, durante a monarquia tinham benefícios sociais como nunca mais vieram a ter enquanto durou o comunismo - como o apoio e protecção à família, ajudas estatais aos agricultores (que era a maioria do povo, que por sua vez vivia pràticamente do que semeava e colhia nos campos, porém com o advento do comunismo as suas preciosas colheitas começaram a ser-lhes roubadas pelo próprio Estado, deixando-os a morrer à fome e nos casos em que se recusassem a entregá-las - o que inicialmente acontecia escondendo-as dos comissários políticos - nuns casos estes apoderavam-se delas à bruta, noutros casos os donos dos cereais eram mortos pelos mesmos), liberdade de imprensa, etc.

Diz o José, a Zazie, o joserui e creio que mais alguns ilustres comentadores, que o tempo que passou não volta. Mas é claro que volta. Pode demorar muito ou pouco tempo, depende, mas mais tarde ou mais cedo acaba por voltar. Pra não ir mais longe, temos na Rússia de hoje a prova provada disso mesmo.

muja disse...

Uns partidos que até falassem no Salazar de vez em quando e o elogiassem discretamente, mas fizessem, na prática, tudo ao contrário dele. Ahahah!

Mas que governassem bem.

Coisas de um realismo tal que um utópico dogmático como eu, nunca perceberá...

muja disse...

Mas a Maria também não percebeu que eles consideram a Rússia uma ditadura.

É só ditaduras por aí abaixo, minha cara... umas sobre as outras.

Ou o tempo não volta para trás ou é uma ditadura, dir-lhe-ão.

Maria disse...

Muja, quanto aos problemas sérios que assolam a Rússia, eu sei que os há e não são poucos, não obstante os seus dirigentes tomaram algumas decisões que me agradam imenso. Uma delas é não permitirem 'excursões' de homossexuais pelas ruas e avenidas das cidades. Outra, é defenderem os países do Médio Oriente que os tratadistas europeus - e outros farsantes com eles coligados - odeiam de morte combatendo-os selvàticamente e matando milhões de seres inocentes (onde é que eu já vi isto?). E a outra, é este regime deixar o povo praticar livremente a sua religião, coisa que era terminantemente proibida durante o sovietismo como é por demais sabido.

Os esquerdistas cá do sítio, hipócritas ao máximo, que se batem por excentricidades destas e de outras similares, se vivessem na Rússia soviética, que proibia estas práticas contra-natura - segundo opinião dos seus governantes d'então, como aliás os actuais também a professam - calavam-se que nem ratos e se por absurdo tentassem promovê-las eram presos e por lá ficavam a apodrecer. Ou, pior um pouco, se tivessem reincidido seriam imediatamente enviados para o Gulag. Isto se não fossem imediatamente fuzilados.

Mas é claro que todos os comunistas 'portugueses' sabem isto de cor e salteado. Foi com estas regras rígidas, a maioria delas criminosa, que eles foram sendo doutrinados desde muito cedo e consequentemente concordariam com todas elas de alma e coração. É este modo hipócrita e cínico de actuar que os comunistas adoptam em todas as democracias. E porquê? Porque enquanto existiu a União Soviética (e já agora também a China de Mao antes se converter à economia de mercado) este era o método infalível, estudado e praticado desde Marx, que os partidos comunistas que se distribuíam por todas as democracias do Globo, tinham/têm de acabar com elas.

E o processo adoptado era e continua a ser sempre o mesmo. Depois de se introduzirem nos governos das democracias, vão subreptìciamente subvertendo as leis instituídas para lhes ser mais fácil atacar por dentro as economias. A seguir tentam desvalorizar, ridicularizando, as tradições celebradas durante séculos pelos povos e fazendo o mesmo aos heróis do passado. Logo após ou em simultâneo vão modificando as normas do sistema educativo estabelecidas desde há muito, bem como os respectivos programas, umas e outros tidos como os mais correctos, mas por eles catalogados de (falsamente) muito antiguados e a necessitar rápida modernização.

Depois, lentamente, vão ocupando os cargos políticos por eles mais cobiçados por serem justamente os decisivos para alterarem o destino dos povos, conseguindo que sejam aprovadas leis supostamente emanadas pelos governos, mas de sua inteira autoria e que longe de irem beneficiar irão prejudicar irremediàvelmente o desenvolvimento económico das democracias, bem como a paz social e laboral desses mesmos povos. Etc., etc.

Quando os comunistas estalinistas e comunistas maoistas dão por atingidos todos os seus objectivos diabólicos, deixando as democracias em mísero estado, partem para outra felizes e contentes e tudo o que resta aos povos é apanhar os cacos.
E o processo destrutivo recomeça na democracia seguinte inscrita na agenda.

Maria disse...

Leia-se no penúltimo parágrafo "leis... emanadas dos governos" ou "redigidas pelos governos"

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