Pinto Monteiro, o antigo PGR está na RTP3 ( a dona Lourenço...) em entrevista sobre a Justiça, não se sabe a que propósito.
A entrevistadora volta ao tema do segredo de justiça e sua violação. Pinto Monteiro diz que enquanto houver linhas directas dos departamentos de investigação criminal com os órgãos de informação não haverá segredo de justiça.
Pois isso é que não sei bem. No dia 24 de Junho de 2009, Pinto Monteiro ficou a saber pela primeira vez que existia um processo em Aveiro no qual o então primeiro-ministro foi escutado a dizer algo que o tornava suspeito de atentar contra o Estado de Direito.
Pinto Monteiro descartou logo tal hipótese e fez um processo administrativo.
Durante a tarde desse dia teve reuniões com o sindicato do MºPº e também no STJ. No dia seguinte os visados naquele processo começaram a falar ao contrário, manifestando aos investigadores que tinham tomado conhecimento do que se passava.
Pinto Monteiro nunca foi ouvido a propósito disto. Nem sequer como suspeito...
A entrevistadora Lourença não sabe disto, claro que não sabe. E se soubesse, não sabia.
Quanto a Pinto Monteiro, quem perde a vergonha todo o mundo é seu.
Afinal o propósito é um frete: a entrevistadora perguntou-lhe agora sobre os "últimos casos da corrupção" e o que pensa do assunto.
"Foi tudo investigado enquanto eu lá estive". "Nunca o engº Sócrates deixou de ser investigado enquanto eu lá estive". E volta a falar no Fripó e a contar a velha narrativa mistificadora: "investiguem tudo até ao fim" foi o que disse aos dois investigadores.
Talvez seja altura de os dois investigadores serem entrevistados pela dona Lourença....mas não acredito em tal. Os fretes são para quem são...porque a dona não lhe pergunta uma coisa óbvia: deu ou não deu um prazo peremptório para os investigadores terminarem o inquérito? Isso compatibiliza-se com o "investiguem tudo até ao fim"? Enfim, este discurso completamente mentiroso é o que passa. E ninguém lhe atira à cara.
A Lourença volta a falar no Manuel Pinho para perguntar se tal é corrupção de Estado. Pinto Monteiro diz que depende. Quanto à "operação Marquês", "vamos ver o que isto dá, daqui a dez anos ou quinze". E então repete o actual mantra do PS: se se provar isto tudo e uma ramificação de ministros e de bancos então haverá corrupção de Estado.
Bem, quanto a Sócrates disse tudo: "no meu tempo não prendi o Sócrates nem prenderia" .
Pois não. Com a verdade me enganas...
Agora passou a defender o Governo de Sócrates dizendo, como autoridade sabe-se lá de quê ( do "cível" e mesmo aí...), que o Governo caiu por causa da crise internacional. Já está. O Sócrates diz o mesmo.
Este indivíduo é uma desgraça pública mas continua a ser chamado para entrevistas destas. Para mistificar e mentir.
A vergonha não existe ali.
Quanto à dona Lourença depois de fazer os fretes na SIC passou para a RTP com o mesmo propósito.
Num país a sério, esta fulana amanhã já não apresentava jornal algum.
Sobre o modo como conheceu Sócrates: foi a terceira escolha que foi apresentada a Cavaco. "Nunca meti uma cunha na minha vida", diz. A gente acredita, então não acredita.
Nos seis anos que lá esteve só uma vez lhe ligou para desejar bom Natal. Nunca viu Sócrates a sós. Depois de sair recebeu um telefonema da "secretária de Sócrates" para o convidar para um almoço, no Aviz.
Foi sem saber nada, ou seja que Sócrates dali a dois dias seria preso porque andava a ser investigado. " Se soubesse nunca teria ido. E se ele soubesse não deveria ter convidado", acaba por dizer, traindo a confiança depositada e que torna bizarra uma amizade inexistente.
Que grande palerma!, permitam-me a expressão de indignação. Então um ex-PGR não sabia de nada da investigação de que Sócrates era alvo, mesmo depois de tal ter sido noticiado?
Pinto Monteiro não sabia de nada?!!
Enfim.
Mais uma vez aparece este antigo PGR a defender José Sócrates, embora agora com uma nuance: mantendo o discurso da coerência, no sentido de continuar a afirmar que "no tempo dele" não havia motivos para prender Sócrates e por isso o não mandaria prender ( como se o pudesse fazer e até disse no programa que não tinha o poder de despachar processos...excepto, claro, o tal administrativo em que mandou cortar folhas a x-acto para proteger Sócrates, precisamente, de ser confrontado com escutas eventualmente comprometedoras) mudou um bocadinho, só um bocadinho, o discurso para o adptar à nova posição política do PS. Tal posição é a de "se se vier a provar o que está na acusação, então é gravíssimo!". Nas anteriores intervenções do mesmo, nunca se ouviu este mantra agora fixado como cartilha pelo PS.
Isto demonstra, além do mais, o modo como o poder do antigo PGR estava amarrado ao mesmo PS, apesar de todas as juras de isenção e independência.
Outra nuance significativa reside na circunstância de ter dito, pela primeira vez, que José Sócrates não o devia ter convidado para almoçar, sabendo a circunstância em que estava- e sabia, claramente.
Traiu assim a confiança que antes apresentava em modo arrogante como se não tivesse quaisquer contas a prestar fosse a quem fosse pelo despautério de ter ido almoçar com um prè-arguido, prestes a ser preso.
Este comportamento supostamente inteligente é assim uma manifestação de um carácter. Quem souber ler que leia...