quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O caso Champalimaud visto pelos bloquistas da Esquerda

No livro Os Donos de Portugal, António Champalimaud é apresentado sem dúvida alguma como um dos "donos" que foi do país. A páginas 228-229, o "caso da herança Sommer" é explicado de modo curioso. Diz-se que António Champalimaud em finais dos anos sessenta, na sequência de um processo crime em que o irmão Henrique ( contra quem apresentou queixa por desfalque e burla, crimes que hoje em dia, provavelmente são do âmbito da fantasia bancária) foi preso durante meses, viu o processo reverter-se contra si, tendo sido emitidos mandados de captura de que o mesmo tomou conhecimento, numa antecipação curiosa do caso F. Felgueiras. Os bloquistas contam assim, o caso:

"Apesar da censura, o noticiário do Caso Sommer populariza o tema dos rendimentos e privilégios das altas figuras do regime. No seu livro Depoimento, Marcelo Caetano deplora o ambiente público desfavorável ao capitalismo criado pelo julgamento, devido ao "escândalo levantado, à inépcia do juiz presidente e à demagogia dos advogados". Pela defesa de Champalimaud desfila uma série de advogados oposicionistas, que conferem ao processo uma carga política incómoda: o jovem Proença de Carvalho, Manuel João da Palma Carlos (ambos expulsos pelo juiz em pleno processo), Salgado Zenha, que passa a basear a sua defesa em argumentos abertos de perseguição política, sugerindo que o regime se serve para isso de um "louco", o irmão de António Champalimaud. Em 1973 Champalimaud é absolvido e regressa de Acapulco, no México, onde se refugiara durante cinco anos."

Ou seja, António Champalimaud é considerado, justamente, um dos pater familias daquelas que os autores apelidam de "donos de Portugal". No entanto, durante o consulado de Marcelo Caetano foi sujeito a eventual prisão preventiva...o que no mínimo permite entender o seguinte: durante o regime de Caetano, ninguém estava acima da lei, nem sequer um dos pater familias do regime.

Este tipo de ilações, no entanto, os bloquistas, não retiram do que escrevem. E há outros exemplos no livro, o que denota uma cegueira esquerdista nem este ensaio consegue iluminar. Para eles, mesmo durante o "fassismo" quem mandava eram os pater familias. É essa a tese do livro...

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