domingo, 5 de dezembro de 2010

O Grande Erro

Muita gente se interroga sobre quem foi o autor da mudança do sistema de ensino que tínhamos em 25 de Abril de 2974 quanto à divisão entre ensino técnico-profissional, com as escolas secundárias comerciais e industriais, como se chamavam então e o ensino liceal vocacionado para a preparação para as universidades.

A divisão "de classe" causou sérios engulhos ao sistema esquerdista vigente, com notório destaque para o partido comunista que pautava a ideia de democracia pela de igualdade, através de uma colectivização da economia e do próprio ambiente colectivo com vista à almejada e constitucionalizada "sociedade sem classes".
O melhor exemplo deste tipo de pensamento que dominava então a intelligentsia que ensinava e comunicava nos media é Rui Grácio, já falecido.

Vale a pena ler esta entrevista concedida ao O Jornal de 6.2.1975 para se verificar o tremendo erro em que Rui Grácio laborava afincadamente.
Foi ele, sem dúvida alguma, um dos autores mais importantes do erro fatal que nos afectou e afecta nestes últimos trinta e seis anos de democracia: acabou com o ensino técnico que se ministrava nas escolas industriais e comerciais, em nome da democracia! A justificação é esta que o mesmo apresenta:

" Trata-se de democratizar, ao nível do ensino secundário, as estruturas escolares, implantando um tronco comumem que não haja vias paralelas de desigual prestígio que reproduzam e reforcem a hierarquia classista da formação social, designadamente a divisão do trabalho manual e do trabalho intelectual. A estratificação hierarquizada da sociedade portuguesa sofreu, com o 25 de Abril, abalo forte mas não se decompôs de maneira que os grupos socialmente dominantes nunca terão perdido a esperança de uma recuperação."

Esta aqui tudo dito sobre a ideologia comunista. A mesma que ainda hoje o PCP e o BE pregam aos neófitos e escondem do povo.


Como fruto desta mentalidade ideológica podíamos ler no mesmo jornal, em 8.8.1975 e em reportagem de Afonso Praça, uma peça jornalística sobre os professores primários. Os professores e a Revolução era o mote para um conjunto de docentes desse grau de ensino, numa pequena localidade de Aveiro se pronunciarem sobre as mudanças urgentes com vista à construção da "sociedade sem classes".
Curiosamente, uma analfabeta citada na reportagem, "mãe de nove filhos, que não sabe ler nem escrever, cujo marido também é analfabeto, habitando uma pequena casa para o agregado familiar, sem conforto nem condições higiénicas, vivendo exclusivamente da agricultura de terras que não lhe pertencem", dizia assim: " tenho nove filhos e nunca precisei de médico, e dos últimos três estava sozinha em casa quando eles nasceram e não precisei de ninguém. Se hoje viessem para cá os comunistas, eu matava os meus filhos todos e no fim matava-me também a mim. "
Foi por isto e só por isto que o comunismo não vingou em Portugal: por causa dos analfabetos , verdadeiros proletários e que afinal sabem mais que muitos doutores...
O partido comunista nunca conseguiu entrar em pleno nesse núcleo social que afinal seria ,supostamente, a sua base de apoio...
Mas entrou em força e com grande jeito no núcleo da pequena burguesia urbana das cinturas industriais nacionalizadas e no reduto histórico da sua implantação tradicional, o Alentejo.
E porque não entrou? Provavelmente pelo mesmo motivo que a Primeira República encontrou como escolho número um: a padralhada e a mentalidade conservadora e tradicional do povo que temos.

6 comentários:

Floribundus disse...

nesta revolução socialista há ódio a tudo que não seja proletário.
falta pouco para o conseguirem.
a miséria já se instalou em força por umas dezenas de anos.

o ministério da magistratura inaugurou a época de saldos

o governo aguarda 'nova gerência'.
parece a 'múmia paralítica'

zazie disse...

Deviam ter sido ilegalizados na altura.

lusitânea disse...

A via comum nos dias que correm "avançou" para a fase internacionalista do todos iguais, todos diferentes e por nossa conta mesmo que não sejam precisos.É o TGV para a sociedade sem classes e sem cor...é o dar a outra face... é enfim o refazer do império cá dentro.
Os ideólogos começaram no PCP mas já vão até no PSD...
E psicólogos e sociólogos devidamente doutrinados para o "avanço final" é o que por aí não falta.
Se os Portugueses de sempre e amantes da sua história milenar não se prepararem para o confronto que se avizinha, deixando de ser cobardes,a luta vai continuar...
Repare-se na magnanimidade do sistema político em realçar e sentar na decisão essa franjas minoritárias que deveriam já estar há muito reduzidas á sua insignificância.

Lura do Grilo disse...

Causa tristeza entrar numa dessas escolas comerciais e industriais. Laboratórios inteiros, alguns com máquinas ainda em perfeito estado, postos de lado e a um canto salas improvisadas com secretárias, cadeiras e quadro.

Faltam no mercado profissionais para operar um torno mecânico por exemplo.

Jacinto disse...

Não esquecer o decreto firmado por essa personagem determinando a destruição de obras consideradas ideológicamente perniciosas aos "novos tempos".
Adelino Gomes conhece bem todo este escabroso episódio.

joserui disse...

Está aí o prestígio do ensino para toda a gente ver... O comunismo português penetra é na intelectualidade nacional. Nos que não querem trabalhar.
Que miséria de ideologia. Depois de 100 anos de miséria ainda é legal em países civilizados. -- JRF