quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O combate rumo à vitória

No livro dos bloquistas da Esquerda, Os Donos de Portugal, há várias passagens que merecem destaque e comentário. Uma delas é sobre a "recomposição da burguesia" após o PREC e o Estado que lhe antecedeu em que os esquerdistas explicam o que Cunhal queria para o Portugal de 1960 e futuro radioso de amanhãs a cantar: na página 261 escrevem coisas espantosas sobre o modelo económico que Cunhal entendia como adequado ao nosso Estado: nada mais nada menos do que aquele que tiveram em 1975 após as nacionalizações. " A liquidação do poder dos monopólios terá que ser acompanhada por uma política de rápido desenvolvimento industrial. onde a direcção superior do Estado não so não exclua como anime a iniciativa das empresas privadas" ( Cunhal, 1964, citado no livro).

Em função das nacionalizações do PREC, no entanto, os bloquistas consideram a páginas 268 que " apesar do impacto destas nacionalizações e da concentração empresarial a que dão origem, o peso das empresas públicas, medido entre 1977 e 1979, ainda é limitado na economia: no investimento representam cerca de 30%, na parte do valor acrescentado bruto no produto chegam a 20% mas no emprego somente a 6,5%."

A fls. 15, onde escrevem as magníficas seis conclusões do estudo ciclópico que apresentam, escrevem assim, para fustigar a ideia principal das famílias malditas dos capitalistas portugueses:

" Estas empresas e os seus empresários dominaram sempre mais de um terço do produto português e, assim, dirigem a rede social da acumulação de capital."

Afinal, em que ficamos? Se as famílias malditas dominaram sempre mais de um terço do produto, como é que após a sua decapitação total ( foram presos alguns dos seus membros e as empresas foram todas nacionalizadas) o peso das empresas públicas diminuiu no cômputo do produto?

Mais e melhor cuja resposta merece uma sonora gargalhada em riso amarelo: se em 1975 nove décimos da economia estava nas mãos do Estado ( como disseram então) ou pelo menos nos números que agora os bloquistas apresentam, como é que se explica que em 1977 andássemos já de tanga e de mão estendida à caridade europeia e ao FMI?

Enfim, na terceira e brilhante conclusão do magnífico estudo, alvitram a fls. 15 que " Essa desigualdade é organizada pelo Estado, que é o produto da burguesia portuguesa".

Vejamos: o Estado é o produto da burguesia portuguesa? Que Estado tivemos ao longo destes últimos 35 anos? O da burguesia? Qual delas? A de Sampaio, do MES, do PS, do PSD, de Mário S. , do esquerdismo de quase todos os media? É essa a tal burguesia do Estado que temos? São todos uma cambada de vendidos aos Mellos, Champas e Salgados deste pobre país? Deixam- se todos dominar e engrominar por eles?

E se assim for, e afinal as grandes famílias que afinal segundo estes pândegos bloquistas, se concentram todas numa só, com Mello com rei-sol, forem verdadeiramente as grandes manipuladoras deste Estado, como é que se compreende a miséria franciscana em que vivemos?

Esta é de rir, se não fosse tão triste a demonstração do contrário: a burguesia portuguesa, factualmente comprovada, a que capturou verdadeiramente o Estado das causas fracturantes é a chamada esquerda caviar. Ignorante, que não trabalha e não produz coisa que se veja, arrogante e plena de preconceitos comunistas, renovados por uns tantos autores estrangeiros como aqueles que Louçã citava no velho Combate, de 1990 em que defendia o fim das prisões.

Tal como um certo Foucault o tinha feito em França, no dealbar do miterrandismo...

A ficha de alguns elementos desta "burguesia" vai aqui mesmo, tirada do jornal Combate de 1990. É ler os nomes e verificar como é que estamos como estamos, sempre neste discurso sobre a "burguesia" e os "capitalistas" e as "grandes famílias". ALguns dos que aí estão já se aliaram à tal burguesia, provavelmente. Serão traidores da classe operária, um Augusto Mateus ou uma Catalina Pestana, um João Nabais que aparece na revista Caras da tal burguesia, a mostrar a casa decorada a preceito? Enfim. A importância que estes bloquistas assumem na sociedade portuguesa é inversamente proporcional ao valor acrescentado que colocaram no nosso produto nacional bruto. Quantos mais se elegerem, mais ficaremos pobres.






5 comentários:

lusitânea disse...

Internacionalismo=traição
A Nação não se discute.Preserva-se!
Das duas uma:ou querem uma nação coesa social e culturalmente e todos devem participar ou querem "o mundo é um só" e então deve ser o cada um por si...

Floribundus disse...

«o sol brilhará para os pêcês»

a quercus colocou o 'aquecimento global' nos sapatos

Boas Festas

JC disse...

O que estes indivíduos sentem é inveja.
Sempre foi o problemas deles.
São invejosos.
Invejosos por não serem oriundos de "boas famílias", invejosos por não serem ricos, invejosos por não serem bonitos.
E por via da inveja vem o ódio.
Estes fulanos odeiam tudo e todos que seja melhor que eles.
Basta ver a cara dos indivíduos que estão por detrás do orador, num comício do PCP ou do BE, para lhes ver a cara de ódio.

Já andava esquecido destes pândegos e do que foram os tempos do pós 25 de Abril.

Maria disse...

Parabéns por todos estes preciosos artigos de há muitos anos, que tem vindo a transcrever e que valem o seu (deles, artigos) peso em ouro.

Não sei se o defeito é do meu computador (creio que não, porque o mesmo não me acontece com os outros Blogs), mas infelizmente tenho muita dificuldade em lê-los dado que as palavras me aparecem excessivamente tremidas, mesmo aumentando-as ao máximo.

Aproveito para lhe desejar Boas Festas e um Feliz Natal, bem como a todos os seus leitores.
Maria

josé disse...

Maria: não sei resolver o problema porque no meu computador lê-se bem. Só se aumentar o tamanho da imagem. No entanto, isso implica colocar imagens muito mais pesadas e um dia destes a Blogger corta-me a colecta.

Boas Festas.

A História agora é outra...