sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Coelho e Cabrita

Sobre o caso Duarte Lima, o Público de hoje e o Sol, semanário de hoje, publicam reportagens "de capa".

O título do Sol é- " Brasil pode julgar Duarte Lima à revelia." O Público- "Duarte Lima é o único suspeito da morte de Rosalina no Brasil".

Se eu tivesse que comprar um carro usado a uma das jornalistas que redigiram as duas notícias comprava-o mais depressa a Alexandra Lucas Coelho do Público do que a Felícia Cabritado Sol. E no entanto, ambas estarão a dar conta do que sentem ao escrever. Mas há uma diferença de vulto: Lucas Coelho não exprime a sua opinião, neste caso. Se fosse o Casa Pia, porventura outro galo cantaria...o que diz muito do jornalismo nacional.

Em todo o artigo de duas páginas, quanto a mim exemplar, limita-se a relatar o inquérito da polícia judiciária brasileira, obtido à socapa, através de toupeiras, porque está em "sigilo de justiça", deixando ao leitor a incumbência de julgar os factos relatados. Utiliza mesmo os termos brasileiros apropriados e com aspas e dá o quadro geral da investigação efectuada e resultados obtidos.

Felícia Cabrita também o faz, mas aportuguesa os termos, perpassando em todo o artigo a convicção íntima da jornalista na culpabilidade do suspeito.

E não precisava, como se denota no artigo de Lucas Coelho, mais sóbrio e contido mas igualmente suficiente para se poder aquilatar os factos relatados.

Há por isso uma diferença de vulto entre estas duas maneiras de relatar factos e fazer jornalismo: a opinião da jornalista não devia ser para qui chamada, mesmo em entrelinhas ou subtilezas de linguagem.

Contudo este modo de relatar e fazer jornalismo tem uma vantagem: permite ler a história do polícia que descobriu o carro que Duarte Lima alugou. É uma história digna de romance policial e do detective de Umberto Eco no Nome da Rosa. Por algum motivo chamam ao polícia o "filósofo".

Quanto ao caso em si, se fosse nos EUA, com um advogado do tipo que defendeu D.S-K era, como se costuma dizer, "canja". Provavelmente nem iria a julgamento...porque falta a "smoking gun". A circunstancialidade dos indícios permite apenas dizer uma coisa: Duarte Lima soube do que se passou e provavelmente esteve presente nos factos relatados. Mas...matou mesmo?

2 comentários:

zazie disse...

Pois é. Apanhou o carro e o radar também e é incrível como essas maquinetas fazem de testemunhas.

zazie disse...

Mas só li a coelha.

Dura lex, sed latex