segunda-feira, 29 de junho de 2020

António Costa a gozar com quem trabalha...

O primeiro-ministro António Costa foi ontem à SIC e em directo foi entrevistado pelo palhaço rico, o bobo da corte do regime que temos.
Para além de patacoadas relacionadas com o inédito e espectacular poder dos antibióticos contra os vírus, numa demonstração de sabedoria ideal para lidar com problemas de saúde pública, António Costa disse uma coisa que anda a passar despercebida. Porém é o ataque mais insidioso feito alguma vez por um titular do poder executivo ao poder judicial.
Disse textualmente ( ver minuto 8:56 a 9:40 ), rindo-se alarvemente e referindo-se ao julgamento aprazado do seu antigo ministro azarado Lopes:

"...é uma felicidade podermos todos agora subir ao grande palco porque finalmente o julgamento que tem sido público, vai continuar a ser público mas agora no local próprio que é o tribunal e com uma curiosidade que eu acho que todos temos...eu pelo menos tenho. Tenho que reconhecer que é um argumento muito original que é o argumento em que o crime verdadeiramente grave não foi o roubo das armas mas o crime verdadeiramente grave foi recuperar as armas. A tal originalidade da...do da narrativa, olhe eu por mim estou curiosíssimo em ver esse julgamento que felizmente vai chegar à praça pública".

Isto é bem um resumo do que tem sido este PS quanto à Justiça: ri-se dela e de quem lá trabalha, considerando-a uma farsa. E ri-se ainda porque sabe que tem lá, no sistema de justiça incluindo o Ministério Público, os peões necessários para jogar o xadrez e ganhar as partidas. Daí a displicência e o riso incontido. Lá dentro daquela mente baila a ideia bem real de que "está tudo controlado".  E se calhar está. Até tem uma ministra da Justiça que já é  conselheira do STJ.
Ao contrário do que escreve Eduardo Dâmaso, o MºPº neste caso concreto foi impedido de exercer autonomamente o seu múnus por um dirigente do DCIAP que mostrou o devido "respeitinho" por sua Excelência, aquele mesmo que agora se ri deles...

A linguagem usada, por quem se diz jurista e foi advogado também é um must de rigor e pertinácia. Outro pindérico à espera de se revelar como é.

Por isso mesmo, para contrastar aqui fica a página do CM de hoje a propósito do caso concreto. Há quem não se ria disto, mesmo nada. E um dos que não tem nenhuma vontade de rir deve ser o mesmo azarado ministro que tudo indica disse o que havia para dizer e agora se vê apeado de qualquer apoio e entalado até ao pescoço.
A chefe de gabinete do primeiro-ministro, a Faden, deve saber bem melhor e de certeza não ficou com vontade nenhuma de se rir quando leu que recebeu comunicações do azarado ministro sobre o assunto.
A questão humorística é assim de outra ordem, mais séria: até que ponto sabia o primeiro-ministro António Costa algo sobre as manobras de dissimulação e ocultação do assalto e furto de armas,  colaborando igualmente num crime de encobrimento de outro crime?
A resposta a tal questão é que não dá vontade nenhuma de rir...

Tal como refere o juiz de instrução criminal, esta farsa só é inócua para quem entender, "que vale tudo no Estado de Direito democrático".
O juiz que assim escreveu por causa destas e doutras vai continuar a ser perseguido, pessoalmente, sendo uma questão de tempo que o indivíduo que está na Secretaria de Estado, o ex-director-geral Belo Morgado, faça o que foi para lá fazer: preparar terreno para extinguir o TCIC e extirpar o mal pela raiz:


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