segunda-feira, 1 de junho de 2020

Mata-Bicho 76: a hipócrita protecção de dados

Ontem na conferência de imprensa ( há-de estar aqui um dia destes...) sobre o que se passou no dia anterior em Portugal, em termos de estatísticas de bichos à solta e infecções avulsas, a ministra da Saúde que ao Domingo dá folga ao infeliz ajudante com ar de gato pingado ( é irresistível...não consigo abstrair-me do aspecto do tipo, principalmente quando declina com aquele ar pesaroso do costume "as mortes que lamentamos") disse coisas preocupantes.

A uma pergunta acerca da dimensão e números concretos de propagação do bicho na zona mais afectada e particularmente no chamado bairro da Jamaica, disse que não poderia especificar por causa da protecção de dados pessoais.  E aludiu a orientações oficiais da entidade "reguladora" ou seja a Comissão dos ditos.

Não obstante à saída ou à entrada ainda explicou com aquele ar  cretino que a envolve em inacreditável arrogância ( é ver os trejeitos de tromba que exercita mirando o perguntador sempre que as questões não lhe agradam...) referiu que o "trabalho", junto de entidades na zona da Amadora, era o de tentar "quebrar nexos de transmissão" do bicho.
Os factos são avassaladores e ontem cerca de 90% das novas infecções ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo.
Esta designação territorial é tudo o que se permitem dizer. Nada de quintas localizadas ou de bairros periféricos e específicos porque tal atenta contra a dita protecção de dados pessoais.

Evidentemente que existe recolha de dados pessoais, pelas entidades oficiais e tais elementos são tratados publicamente nas reuniões para o efeito, como certamente aconteceu ontem com a que reuniu várias entidades para "articular actuações sobretudo no terreno".  As "entidades" foram as do concelho da Amadora, portanto autárquicas, hospitalares e outras, incluindo depois as da DGS, Cruz Vermelha e Protecção Civil, mais a Administração do Hospital Amadora-Sintra, como se pode  ver e ouvir aqui.

Obviamente que todas essas pessoas, dezenas e dezenas, têm necessidade de aceder a dados pessoais e elementos referenciais, localizados e precisos para poderem actuar "no terreno".

Não podem é divulgar por mais ninguém, tais dados pessoais a que tiveram acesso...

Ora o que diz a orientação supostamente legal da dita Comissão com tantas comichões?

O rigor politicamente correcto não permite mencionar etnias e nunca mencionar casos de localidades em que se verifique um número de infectados inferior a 3. Podem ser identificados...




A Lei e Regulamento que sustenta esta doutrina, surgida após uma autarquia (Ovar) ter mencionado alguns dados sagrados mas nem sequer susceptíveis de identificar fosse quem fosse, é esta:



Lendo isto que representa uma lei supinamente jacobina e de origem estrangeira, gizada para controlar o cidadão muito mais do que protegê-lo seja do que for, nada do que a ministra cretina disse ontem tem justificação nestes artigos, alíneas ou interpretações.

É mais um abuso desta indivídua, a somar a muitos outros e a uma imbecilidade ostentatória.

Aliás, esta indivídua teve direito a um pequeno apontamento no Expresso do passado mês de Abril, altura em que já era tarde para abandonar o posto onde canta a Internacional.


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