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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Alguém, em Portugal, tem 8 mil milhões de euros?

Económico:

O grupo francês Altice apresentou aos brasileiros da Oi uma oferta vinculativa pela PT Portugal, segundo um comunicado divulgado esta noite pela dona da Cabovisão e da Oni.
A Altice fixa o enterprise value da PT Portugal (isto é, incluindo dívida) em 7,025 mil milhões de euros. A oferta é em dinheiro e livre de dívida, o que inclui um ganho de 400 milhões de euros relacionado com a geração futura de receitas da PT e mais 400 milhões de ganho relacionado com a futura geração de free cash flow operacional (EBITDA menos Capex).


Segundo julgo, ninguém, em Portugal tem oito mil milhões de euros para investir na compra da PT. A não ser o Estado que não o pode fazer porque seria um buraco nas contas maior do que o do BPN...

Logo, os dados estão lançados e a conclusão é que a PT vai ser vendida a privados, eventualmente estrangeiros.

Em 1974, os capitalistas portugueses, incluindo os do grupo Espírito Santo, estavam dispostos a investir na economia nacional cerca de 120 milhões de contos, cujo valor actual, referido a 2013 e segundo as contas do livro O Ataque aos Milionários, de Pedro Jorge Castro ( A esfera dos livros, 2014, pág.138) seriam cerca de 20 500 milhões de euros.

Portanto, nessa altura, em Portugal havia dinheiro, capital, aquela coisa que servia para mandar cantar os cegos. Porém, nessa altura  em Portugal não havia cegos. Só visionários a mandar.  Começando por Mário Soares e os adeptos ferrenhos dos amanhãs a cantar.
Pois o pessoal político-jornalistico de então, com muitos deles ainda por aí na ribalta e até com pretensões a serem, sei lá, presidentes da Assembleia da República e mais além, não quiseram a oferta. Um tal Salgado Matos, "aspirante" na tropa de então, mirolhou a oferta e concluiu em relatório que era fogo-fátuo e que  o que os capitalistas de então queriam era apenas transferir para o MFA a responsabilidade da não aceitação da oferta. Este Salgado Matos arranjou bem a vidinha, depois...


Imagem do Sempre Fixe de 31 de Agosto de 1974, sobre a iniciativa dos empresários portugueses da época.

A seguir imagens daquele livro citado que conta a história do que se passou em meados de 1974, após a Revolução, com aquela iniciativa.

Sobre isto é escusado procurar em algum lado porque não se encontra quem queira saber melhor. As tv´s e a imprensa nacional actual também não querem saber e por isso a História é contada ao contrário pelos mesmos de sempre, ou seja, a Esquerda que nos afundou em três bancarrotas. Alguns julgam este diagnóstico muito exagerado.
Gostaria de ver rebatida tal asserção... e por isso um verdadeiro Prós&Contras seria interessante. Mas tal coisa é do domínio da utopia porque para perguntar é preciso saber primeiro ( João Sousa Monteiro dixit de outra forma).







48 comentários:

Dudu disse...

Mesmo que quizesse, duvido que Bruxelas permitisse a compra da PT pelo Estado. Ainda não chegámos a uma república bolivariana.

Floribundus disse...


parece um filme do Fantasporto

'os homens ficam, a obra passa' ... de mão em mão

anda tudo muito salgado

zazie disse...

É uma vergonha

foca disse...

Curiosamente mais uma empresa que tinha uma participação qualificada do BES, que vale uma pipa de massa.
Com tantos activos valiosos, espero, já com alguma impaciência, que nos chegue a explicação dos tais ilícitos que levaram à destruição do BES.

Nota: há uns anos o Belmiro dos supermercados queria dar 10mM€ pela PT e também não tinha dinheiro para isso.

Unabomber disse...

Quem criou a revolução de Abril de 1974, não foram os politicos esquerdistas - estes apenas se aproveitaram dela - mas sim os militares.
E, o que levou os militares à revolução, foi sobretudo o problema da guerra colonial, para a qual os governos do Estado novo não foram capazes de encontrar solução.

zazie disse...

Pois foi. E os militares e políticos encontraram uma excelente solução para África, como o mundo pôde observar.

zazie disse...

Os militares fizeram o golpe por aumento de salários.
Um causa verdadeiramente nobre, sendo que outros alinharam sem saberem porquê.

José disse...

Desculpe lá, bombista solitário, mas quem criou a revolução de Abril foram uns ineptos que já foram qualificados de imbecis. E por isso mesmo é que se deixaram comer pela Esquerda totalitária, acolitada pela dita democrática que na altura tinham pouco disso, mas arranjou logo maneira de meter o totalitarismo na gaveta. Melhor, engaiolou tal opção e de vez em quando fá-la cantar para os papalvos que votam verem e cairem sempre na esparrela.

Julgo que o bombista é um deles...

BELIAL disse...

Não os tenho aqui na alguibeira disse champalimaud em tempos

Mas, tudo se arranja, né.

merdas-pai sempre deisse que dinheiro não falta por aí.

E pode-se sempre imprimir - disse o mesmo frei joão sem cuidados...largo sátrapa à conta e custa do alheio - que cai da telha.

JC disse...

O inicio do triste fim da PT começou assim:

http://economico.sapo.pt/noticias/nprint/95628

Do que tenho ouvido e lido por aí, parece que Sócrates não tem nada a ver com este filme.

josé disse...

"parece que Sócrates não tem nada a ver com este filme."

Absolutamente nada. Entre 2005 e 2011, a PT foi qualquer coisa de exemplar. Granadeiro e Bava, os heróis nacionais e Salgado nunca mexeu uma palha na empresa...

JC disse...

Não sei se fui bem compreendido no sentido irónico que pretendi transmitir no meu comentário, com a expressão "parece que Sócrates não tem nada a ver com este filme."

A noticia do link que ali deixei é de 2010 e dá conta da posição do governo de José Sócrates no negócio da compra da OI e na venda da Vivo à Telefónica.

E fala no Ricardo Salgado, claro, à data o maior accionista da PT.

josé disse...

Pois então fica o reforço da ironia.

Unabomber disse...

Pois é amigo José:
O problema é que o governo do Professor Dr. Marcelo, ao não conseguir resolver o problema da guerra colonial, "criou" condições para que "os ineptos (...) qualificados de imbecis" tomassem conta do país.
E, em consequência disso, aconteceram todas aquelas loucuras de que o amigo gosta de falar.

josé disse...

O "problema da guerra colonial" que dantes se chamava guerra do ultramar e agora mudou de nome reside também nisso mesmo: em mudar o nome às coisas.

Palavras como "fascismo", "capitalismo", "reacção", "obscurantismo", tomaram conta das ideias e quem as não tinha passou a tê-las e a designá-las por esses nomes.

Multiplicando por milhões é suficiente para se mudar um país e uma nação que era próspera foi logo à bancarrota em dois tempos. Na realidade bastaram dois anos.

Esse é que foi o "problema". Não foi o do Marcello Caetano não ter resolvido a "guerra colonial".

Unabomber disse...

Amigo José:
Essas palavras só "tomaram conta das ideias" a seguir à revolução de 1974: de 1933 a 1973 nunca conseguiram "tomar conta das ideias".
...
O problema fundamental foi: não era possível continuar "infinitamente" a gerra do Ultramar.
......
Atribuir as três bancarrotas à esquerda equivale a considerar "esquerdistas" os governos da AD (de 1980 a 1983), bem como os membros do PSD que fizeram parte do governo do bloco central.
...
Votos de uma boa semana para si.

josé disse...

Com três frente numa guerra "infinintamente" prolongada, tínhamos crescimento económico e segurança, para além de perspectivas de um futuro bem melhor que hoje.

Isso não lhe diz nada nada?

E se foi a Esquerda que estuporou a economia em 1974-75 também isso nada lhe diz?

josé disse...

A AD governou dois anos - 79 e 80. Depois governou o Balsemão em bloco central com os socialistas.

Em dois anos nada se faz se houve como havia uma Constotuição que garantia que estávamos a caminho da sociedade sem classes e com todos os sectores chave da economia nacionalizados e em bancarrota galopante.

Foi culpa da AD?

Floribundus disse...

os problemas insolúveis deste regime são:
tropa fandanga
socialismo de greves e distribuição do que não se produz
representantes do patronato que se agacham perante o social-fascismo e exibem as pobres 'pendurezas' como se fossem velhas relíquias

salgado de matos é exemplar sagrado de produtividade de bens e serviços prestados à comunidade
'horny soit ...'

'prá frentex ó pessoal das barracas !'

'abaixo os telhados que a chuva é do povo'


vêm aí em força os orates que não vão à consulta ao Júlio

José** disse...

Ola caros,

É oportuno lembrar esta saída sobre "as dívidas e as ideias de crianças"...

http://youtu.be/VJqzNxZSNUg


Cumps.

muja disse...

Mas qual era a solução?

Toda a gente diz que durante o Estado Novo não se conseguiu encontrar solução. Porém, esquiva-se tudo a dizer qual era a solução afinal...

O problema fundamental foi: não era possível continuar "infinitamente" a guerra do Ultramar.

De treze ao infinito vai muito ano... Quantos ao certo? Quantos anos se conseguiria continuar a lutar no Ultramar? Alguém sabe dizer?

A da Restauração da Independência durou 28; mais do dobro portanto...

Transcrevo o que diz na wiki:

Desfecho: Vitória decisiva de Portugal
- Espanha reconhece a soberania de Portugal e as suas possessões coloniais
- Tratado de Lisboa
Mudanças territoriais: Portugal cede a cidade de Ceuta a Espanha


Quantos haveria, ao tempo, que diziam que não era possível continuar "infinitamente" a guerra?

muja disse...

Quanto a quem fez o golpe de estado e para quê, é óbvio, pelo que vem no livro do Eng. Jorge Jardim - Moçambique, Terra Queimada - que o cabecilha foi o Gen. Costa Gomes.

Tudo o mais foram pretextos e manobras para atingir esse objectivo, incluindo a ridícula questão corporativa das promoções.

Como eu sempre disse, era impossível um grupo de imbecis como aquele levar a bom porto uma empresa daquelas sem conivência ao mais alto grau das hierarquias do Estado.

Bom, sei agora que não foi conivência, foi dolo. E mais alto era difícil: só se fosse o próprio PR.

A presença de CG em variados momentos de agitação no território ultramarino, a triste figura que fez com Spínola frente a MC em Março de 74, a forma como o pós-golpe foi levado a cabo pelo poder militar, etc, etc, em tudo atestam essa conclusão.

O objectivo? Não poderia ser outro senão a entrega do Ultramar. O simples e único.

Seria Costa Gomes agente soviético? Americano? De ambos? De nenhum?

Pouco importa: foi um traidor à Pátria, quiçá o maior de todos quantos houve, e uma mancha ignóbil na Instituição Militar portuguesa.

O Diabo o tenha.

Unabomber disse...

Amigo José:
O Balsemão não governou no bloco central.
O bloco central governou a partir de 1983, encabeçado pela dupla Soares-Mota Pinto.
Os governos da AD governaram de 1978 a 1983.
....
Não duvido que o amigo José tinha "segurança": o problema é que aqueles que combatiam em sitios como: Guidage, Gadamael, ou Mueda, não tinham "segurança".

Arnatron disse...

Quando o Costa tomar conta disto o regabofe vai aumentar muito e com dinheiro fresco é uma festança para os abutres do costume.
Já se sabe o valor das imparidades do Bes.
Assim ficaremos a saber a saber o valor da nossa contribuição "voluntária" para que a festança possa continuar.
Aleluia

Unabomber disse...

Amigo Muja:
A guerra em Moçambique inicialmente existia apenas nas provincias mais a Norte.
Com o decurso dos anos, foi vindo por aí abaixo: atravessou mesmo o Zambeze, e no final final já chegava às imediações da Beira.
.......
Este facto mostra a progressiva deteriorização da situação militar em Moçambique.

Maria disse...

Completamente d'acordo com o que José escreveu sobre esta temática no seu comentário das 19.12 e já agora de todos os outros (seus) que acabei de ler.

O que faltou ao Professor Marcello Caetano no fatídico ano de 1974 foi gente íntegra e patriota, fossem eles oposicionistas ou situacionistas. Em troca disso e pensando que aqueles com quem vinha tendo conversações para tentar ir resolvendo sem traumatismos de parte a parte uma independência faseada para as Províncias Ultramarinas e em paralelo a liberalização do regime, primeiro junto dos seus 'fiéis' conselheiros encontrou alguns falsos como Judas e, para agravar a situação, no seio dos oposicionistas ao regime, alguns dos seus principais dirientes tidos por ele como gente séria, honesta e competente (como ele próprio sempre o fora) com quem seria impensável não se poder dialogar, só se deparou com gente de índole criminosa, altamente corrupta e sobretudo traidora aos seus compatriotas e à Pátria.

Perante um cenário dantesco como aquele que se lhe deparou nesse amaldiçoado ano de 1974, ao Prof. M.Caetano - um político íntegro, honesto, incapaz de trair o seu semelhante e patriota acima de todas as coisas - nada mais restava do que baixar os braços e deixar andar..., quem viesse atrás que fechasse a porta. De facto as forças a enfrentar (comunistas e socialistas-maçónicas) com cujos principais membros já havia encetado conversações, eram demasiado poderosas e demoníacas para poderem ser tidas como parceiras políticas. E contra a maldade humana, que é ilimitada, difìcilmente existe antídoto e quando através dos seus actos demoníacos ela manifesta a sua verdadeira natureza é quase sempre o Mal que leva de vencida. Como efectivamente aconteceu.

muja disse...

E isso que mais tem?

Não esqueça de referir o pormenor onde se esconde o diabo: a deterioração de Moçambique coincide com a construção de Cabora-Bassa - o maior sistema hidroeléctrico do sul de África.

Construção essa que decorreu imperturbada. Não lhe tocaram num cabelo só.

É claro que isto fez com que se tornasse necessário desviar meios militares importantes para a sua protecção.

General Kaúlza de Arriaga:

Em meados de 1973, a situação mantinha-se em equilíbrio no Niassa; verificavam-se certo recrudescimento da subversão e algumas perturbações sem significado especial em Cabo Delgado; o sucesso português relativo a Cabora Bassa era total, mantendo-se imutável o ritmo da sua construção; a Frelimo tinha conseguido infiltrações no istmo de Tete •nos distritos de Vila Pery e da Beira, reduzidas mas de grande projecção psicológica; as forças portuguesas metropolitanas, apesar do esforço de desmoralização, desagregação e destruição que sobre elas incidia, mostravam-se na sua generalidade firmes e razoavelmente capazes, os Comandos, incluindo os moçambicanos continuaram excepcionais, e as outras forças portuguesas locais cresciam em quantidade e eficácia; a Frelimo encontrava-se esgotada.
Na mesma época, estavam definidas as novas fases da estratégia portuguesa, a defensiva-ofensiva, baseada nos novos Comandos, GE e GEP e no aldeamento, e a ofensiva, que se seguiria, baseada em mais Comandos, GE e GEP, nos efeitos psicológicos e políticos do termo da construção de Cabora Bassa, nas vantagens tácticas que a sua albufeira ofereceria e, também, no aldeamento; a Frelimo não tinha qualquer alternativa estratégica.

(...)

A conclusão resultante deste quadro é evidente.

Isto é, apesar dos dois erros capitais citados e de tantos outros importantes, embora de menor projecção, o triunfo final português em Moçambique apenas fora adiado de 1970/1971 para alguns anos depois.

Entretanto, e sobretudo após o 25 de Abril, um outro factor favorável ao inimigo se generalizou e intensificou, tudo acabando por dominar: a política absurda e apóstata que, como disse, desmoralizou, desagregou e destruiu o conjunto das Forças Armadas.

Tal deu lugar à paralisação estratégica • mesmo a desonrosas atitudes de inoperância táctica perante o inimigo.

E tudo se perdeu.



Tem aqui o resto:
http://ultramar.github.io/kaulza-de-arriaga-analise-da-luta-em-mocambique.html

Aprenda e fique sabendo do que o seu país era e foi capaz de fazer. A guerra passou, a barragem continua lá.

Gaspar Correia, Lendas da Índia, a propósito do cerco de Diu, em 1538:

“A fortuna do mundo é serem eles tão poucos, porque a Natureza, como aos leões, felizmente os fez raros”

Está na altura de acordar.

muja disse...

E quanto à Guiné, também temos:

http://ultramar.github.io/bethencourt-rodrigues-situacao-da-guine-em-74.html

General Bethencourt Rodrigues:


Em paralelo com a guerra, e naturalmente sofrendo condicionamentos por ela postos, desenvolvia-se a vida política, económica e social da Guiné.

Embora sob a influência daqueles condicionamentos, que em maior ou menor grau, punham questões de segurança de pessoas e bens, ampliavam margens de incerteza nas previsões, criavam distorções nos mecanismos de gestão, afectavam relações sociais:

funcionavam os órgãos de governo próprio;

a rede administrativa cobria todo o território;

os órgãos de administração local exerciam as suas funções de gestão;

os serviços de saúde e de educação cumpriam as missões próprias;

as comunicações de transporte e de relação asseguravam os contactos entre localidades, permitiam os deslocamentos de pessoas e garantiam os circuitos de comercialização, no interior e para o exterior;

estavam em curso obras de fomento nos sectores da educação, saúde, vias de comunicação, agricultura e melhoramentos rurais e urbanos;

a produção agrícola satisfazia parte das necessidades da população;

cobravam-se impostos:

cumpria-se um orçamento.

De fins de Fevereiro a princípios de Abril realizara-se, pelo quinto ano consecutivo, o Congresso do Povo, nas suas fases regional e provincial, envolvendo a participação de alguns milhares de representantes da população e dezenas de reuniões em diversas localidades.

(...)

No campo rigoroso do concreto, nega-se frontalmente a veracidade de algumas afirmações que sobre a Guiné têm sido produzidas.

Nomeadamente, aponta-se como rotundamente falso que, no 1.º trimestre de 74, dois terços do território estivessem sob o domínio do PAIGC; que as tropas portuguesas estivessem entrincheiradas em algumas cidades e algumas bases; que as Forças Nacionais estivessem acantonadas na capital e em mais dois ou três pontos.

Pelo contrário, afirma-se sem receio de desmentido, que as tropas portuguesas tinham acesso a quase todos os pontos do território, com medidas de segurança de intensidade variável; que os comboios auto, de reabastecimento, circulavam pelas estradas; as tropas se movimentavam em campo aberto, com maiores ou menores dificuldades, efectivos mais ou menos numerosos, apoios tácticos mais ou menos desenvolvidos; que o dispositivo militar cobria todo o território; que as Forças Nacionais ocupavam, com guarnições militares ou de milícias, 225 localidades.

José disse...

Quando falo em "bloco central" no tempo de Balsemão não quero significar o tempo de Soares e Mota Pinto, mas o tempo de real bloco central que ainda hoje domina o panorama político e que tem predominado nos últimos 35 anos.

É esse bloco central de facto que Sá Carneiro não queria e era preciso mudar, desde logo arrasando a Constituição e mudando o espírito da mesma.

Unabomber disse...

Amigo José:
É um facto que O governo de Balsemão era da A.D.
É um facto que a A.D. governou durante três anos (80,81 e 82).
È um facto que o governo seguinte (PS+PSD) teve de pedir,quase de imediato, ajuda ao FMI.
...Por isso, Culpar os esquerdistas por esta segunda bancarrota equivale a dizer que os governos A.D. eram de esquerda.

muja disse...

E se se tiver de dizer que os governos AD eram de esquerda também não se diz nenhuma mentira.

De direita é que não eram com certeza, senão seriam fachistas.

No fundo é o que o José está a tentar dizer chamando-lhe bloco central, porque a esquerda é que escolhe quem é "de esquerda".

Pessoalmente, prefiro "ladroagem".




josé disse...

Bombista: acho que não equivale por uma simples razão que é base de um sofisma que a Esquerda aplica sempre: os fenómenos económicos não se repercutem imediatamente na Economia, a não ser os revolucionários, claro está.

A bancarrota de 76 teve origem em 74-75 e a de 83, obviamente que teve origem nesses anos que não resolveram os problemas criados então, com as nacionalizações.

Por isso a AD nada tem a ver com a bancarrota de 83, mas sim o PS e o PCP. A Esquerda, portanto, com quem o governo de Balsemão pactuou sempre.

Unabomber disse...

Amigo José:
Antes da bancarrota de 1983, houve a de 1978 (e não de 1976).
Depois de 1978, praticamente só governou a A.D. até ao inicio de 1983.
....
A evolução do défice da balança corrente durante os governos A.D. (1980 a 1982), não permite apagar a sua responsabilidade na bancarrota de 1983.

Unabomber disse...

Amigo Muja:
O general Kaulza confirma a degradação da situação: "a Frelimo tinha conseguido infiltrações no istmo de Tete •nos distritos de Vila Pery e da Beira".
....
Óbviamente que deixar avançar progressivamente a guerrilha de Cabo Delgado para junto da cidade da Beira, constitui um revés militar - por mais desculpas que se "arrangem".
...
Óbviamente também que o general Kaulza nunca iria reconhecer as suas responsabilidades na degradação da situação.

Unabomber disse...

Amigo Muja:
Relativamente à Guiné, basta ler o que foi escrito por várias fontes relativamente ao que aconteceu nos meses de Abril a Junho de 1973: introdução no teatro de operações (pelo PAIGC) de misseis anti-aereos (Strella), que abateram inicialmente vários aviões da FAP.
Cerco continuado (pelo PAIGC) aos quartéis de Guidage, Guilege e Gadamael (com fuga da tropa Tuga de Guilege).
....Todas as fontes referem que no final da guerra o armamento do PIAGC era superior ao da tropa Tuga - as tropas especiais tugas utilizavam armamento capturado ao PAIGC.
Mais,

zazie disse...

Mas será que as pessoas são aprvas ou gostam de se fazer?

Num país que nacionalizou tudo e levou cerca de 12 anos a começara privatizar um pouco, oqeu estavam à espera?

A economia (passe a expressão) em Portugal é estatal. e isso é o ideal escardalho qeu ainda está escrito na Constituição, com vista ao tal mundo igualitário e sem classes.

Que pelo meio tenham estado uns governos que não alteraram isto, em nada modifica a questão.

Porque basta ver agora o que dizem ser a causa da crise- é a famigerada "Direita neoliberal" que anda a oferecer boas empresas estatais aos estrangeiros (já que os ricos portyugueses conseguiram eles exterminar no PREC)


Agora ricos só estatais ou de encosto.

muja disse...

Òbviamente também que o general Kaúlza nunca iria reconhecer as suas responsabilidades na degradação da situação.

Obviamente que V. sabe mais que os militares que lá estavam.

Obviamente que V. não refuta nem contra-argumenta nada de concreto sobre o que eles dizem.

Obviamente que quando assim é, não se pode dizer mais nada senão nada.

Obviamente que V. numa guerra que durou treze anos num território combinado do tamanho da Europa fala em três localidades que não estão entre as vinte maiores daquela província - um teatro de guerra que era um terço da Metrópole - para demonstrar como estava perdida a guerra!

Ahahaha! E nem se dá conta do ridículo do que diz.

O PAIGC abateu de facto três Fiat G91 e um Dornier Do-27... De facto, Portugal passou de uma condição de supremacia aérea na Guiné para uma de superioridade aérea... Uma catástrofe, já se vê...

Além disso, é pouco provável que o PAIGC continuasse a receber armas dessas pois, uma vez confrontada com a situação, a FAP adaptou-se à ameaça e portanto perdeu-se o elemento surpresa e a eficácia desses sistemas de armas que mais tarde ou mais cedo seriam capturados e enviados para a NATO, o que não agradava nada aos benfeitores que para lá os mandaram.

Não há maior pequenez que a mental.




muja disse...

As tropas especiais portuguesas não precisavam de armamento do PAIGC porque tinham o que o PAIGC queria ter e nunca teve: o povo da Guiné com elas.

O PAIGC tinha Strellas soviéticos. Nós tínhamos Marcelinos da Mata.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcelino_da_Mata

Coitados.

Unknown disse...

Caro Muja,
Pedindo desculpas antecipadas ao José por utilização desta caixa de comentários, pergunto-lhe se não pensa actualizar o seu blog Ultramar.
Uma das partes da entrevista a Marcello Caetano ainda está por publicar não é?

Quanto ao tema das bancarrotas e nacionalizações, vem-me ao espírito sempre a mesma questão: comparar o que era o conglomerado da CUF em 1973 com os conglomerados sul-coreanos da altura e ver onde os sul-coreanos estão hoje... dá vontade de chorar. Além do mais, em termos de qualidade da gestão, capacidade de internacionalizar etc, a CUF batia-os em TUDO.
Nem todas as empresas nacionalizadas eram deste calibre e nalguns casos pouco se perdeu. Mas a CUF era uma base inigualável para construir uma economia moderna e foi deliberadamente destruída.

Miguel D

josé disse...

"Mas a CUF era uma base inigualável para construir uma economia moderna e foi deliberadamente destruída."

Mas...foi destruída por quem?

Unknown disse...

Destruída pelos "Pais" da democracia: Os nacionalizadores, bem representados nos partidos políticos do pós 25/4.
E o regime que construíram inspira tanto respeito, que um bando de mortos de fome como os timorenses tratam-no como merece: ao pontapé, com o maior desprezo. Alias, creio que a forma como Angola, Moçambique, Guine e Timor nos tratam parece-me perfeitamente coerente... 'e como se trata as casas de fama duvidosa.

Miguel D

Miguel D

zazie disse...

Eles são iguais. A vantagem dos timorenses é passarem por primitivos com petróleo e depois terem lá estrangeiros para "vigiarem a legalidade do processo civilizacional em curso".

Nós nem a isso temos direito.

josé disse...

A forma como a Merkel nos tratou hoje é a coisa mais degradante e indigna que alguma nação pode suportar.

Dar palpites sobre o nosso ensino, ainda por cima com toda a razão é coisa que Salazar ou Caetano nunca permitiriam porque a tal nunca teriam dado azo.

Unabomber disse...

Amigo Muja:
Obviamente que o general Kaulza não foi o unico militar que lá esteve.
Também lá estiveram: José Moura Calheiros, Carlos Matos Gomes, Amadu Djaló, Carmo Vicente e....(muitos outros).
O amigo Muja (se quiser) pode ler o que eles escreveram em livros,e muitos outros na Internet sobre o que aconteceu em Maio/junho de 1973 nas tais três localidades insignificantes - a propósito: Dien Bien Phu também era um lugar insignificante no Vietnam e Estalinegrado era apenas uma cidade da enorme União Sovietica.
....
No final da guerra na Guiné a FAP operava apenas com seis Fiats: que voavam e bombardeavam com fortes restrições devido aos Strellas.
....
Ao contrário do que aconteceu em Moçambique, em Angola a guerrilha praticamente não conseguiu estender a sua acção no território - mesmo após abrir a frente Leste.
Em Angola a guerrilha nunca abateu nenhum avião, nem nunca estiveram quarteis cercados e bombardeados durante vários dias.
......
Contrariamente ao que o amigo Muja refere eu nunca disse que "a guerra estava perdida": apenas digo que a situação estava a ficar muito complicada na Guiné e Moçambique - já em Angola estava relativamente controlada.
.....
Inicialmente apenas escrevi que a revolução de 74 foi feita pelos militares (e não pelos esquerdistas) e resultou do facto dos governos do Estado Novo não terem conseguido solucionar/acabar com a guerra do "ultramar".

zazie disse...

Ah, a Bismerka pensa mesmo que somos uns selvagens.

E por lá fazem propaganda na tv a dizer isso mesmo.

Não estamos numa situação muito diferente das dos timorenses.

Falta-nos é o petróleo.

Mas foi pena não se terem lembrado de todas estas vigilâncias aquando do "processo revolucionário em curso".

muja disse...

e resultou do facto dos governos do Estado Novo não terem conseguido solucionar/acabar com a guerra do "ultramar".

Mas se a guerra não estava perdida, então qual era o problema dos militares?

V. não vê o contra-senso nisso? Quem fez a revolução foram oficiais do Quadro Permanente! Não foi o Quadro Complementar que era obrigado a ir! Foram os profissionais! Os tipos cujo o único propósito, a única razão para existirem e lhes ser pago o ordenado é fazer a guerra! Quando, como e enquanto o país precisar!

Ora se nem estavam a perder a guerra - e sim, mediante a extensão à escala continental dos teatros de guerra, esses três sítios na Guiné não tinham assim tanta importância estratégica - se não estavam, então, a perder a guerra, qual era o problema deles?

Quanto à comparação com o Vietname, compare como deve ser: Portugal estava a combater em território nacional numa guerra defensiva; Portugal tinha dificuldades em fornecer-se de armas sofisticadas, e mesmo assim Portugal teve incomparavelmente menos baixas sob qualquer ponto de vista (morria mais gente em acidentes de automóvel que na guerra) e que eu saiba, os EUA não construíam barragens nem faziam o fomento económico e social do Vietname.

Portugal podia até perder a Guiné - não perderia porque à medida que os outros teatros se pacificassem, os meios podiam ser desviados; mas supondo que sim.
Do ponto de vista estratégico, se as coisas se saldassem assim, continuava a ser uma vitória retumbante e decisiva.

Na restauração também se perdeu Ceuta. A Índia também invadiu e tomou os territórios do Estado Português da Índia.
Mas Portugal tem 800 anos. A Índia - como estado - não tem sequer 100. Por isso, essas derrotas, do ponto de vista estratégico que Portugal deveria empregar, foram relativamente pouco graves. Perder uma Guiné era mais grave mas mesmo assim "normal" dentro da perspectiva e das escalas de tempo a ela subjacentes.

Agora, perder tudo? Não só território como o potencial demográfico? Aliás, perder não. Entregar! Abandonar!

O que tantos séculos, tantas vidas, tanto trabalho custou fazer, que era salvaguardar esta nação projectando-a para além dos mares, garantindo mobilidade e profundidade estratégica com a qual enfrentar qualquer situação no mundo - e que funcionou, porquanto enfrentámos durante mais de uma década as duas únicas superpotências globais que o mundo conheceu desde o Império Romano e não estávamos em vias de perder; o que tanto custou assim foi abandonado, despejado, perdido.

Para quê?



muja disse...

Miguel D,

conto actualizá-lo sim. Mas ultimamente não tenho tido ora vagar ora paciência.

E tenho andado distraído com outros assuntos. Mas tenho uma obra de dimensão que hei-de encetar em breve e que tem de certeza material interessante.

Além disso queria fazer um "upgrade" aqui ao meu processo e aos meus meios, mas está encalacrado por enquanto. Está tipo Citius ahahah!

Maria disse...

Mil por cento d'acordo com os dois últimos comentários de Muja, com quem aliás estou sempre em concordâcia.

Que me desculpem todos aqueles que dizem que agora é que é bom, que este regime é óptimo, que com a democracia progredimos imensamente em tudo. Não concordo e explico porquê.

Se a mudança de regime, aliás apoiada pela maioria dos portugueses, tivesse sido protagonizada por políticos e/ou militares íntegros, honestos e patriotas, estou certa de que não só o país teria tomado logo desde o seu início um rumo muito diferente daquele que nos conduziu ao estado degradante e deplorável em que nos encontramos económica, social e polìticamente, como porventura estaríamos nestas áreas da governação entre os primeiros da Europa, senão mesmo do mundo civilizado. E digo isto referindo-me ao trágico desenlace perpetrado por meia dúzia de traidores do pior calibre em quem Marcello Caetano confiou de olhos fechados e como paga pela sua generosidade e crença em todos eles, os mesmos espetaram-lhe facadas nas costas uma e outra vez. Pois caso M.C. tivesse tido a sorte de ter encontrado gente honesta, impoluta e patriota com quem tivesse podido dialogar de igual para igual sobre as futuras/próximas alterações ao regime lentas mas seguras, democratizando-o, bem como delinear um futuro pacífico e em ordem para o Ultramar Português, de certeza absoluta que não tinha havido o golpe traidor do 25/4 tal como se processou.
E muito pior e tremendamente mais dramático do que tudo o resto tratou-se de um golpe que provocou conscientemente guerras fratricidas entre irmãos a somar ao completo horror de mais de um milhão de portugueses inocentes cruelmente chacinados e outros tantos estropiados, portugueses esses que só pediam por Deus que os deixassem continuar portugueses.

E não, as guerras em quaquer das frentes de combate não estavam perdidas. E não, as populações africanas, timorenses e macaenses NÃO queriam a indepedência coisíssima nenhuma. E afirmo isto porque sei através de muitos testemunhos directos que era o que elas, populações, pensavam até ao dia em que parentes, vizinhos e amigos foram assassinados. As que puderam e tiveram tempo fugiram, tal era a 'tremenda vontade' que as mesmas tinham de independência..., então não era!

Faço a mesma pergunta de Muja. Afinal para quê? E respondo. Para beneficiar opìparamente uns tantos traidores à Pátria; para poderem retalhar aos pedacinhos, amputando-o irremediàvelmete, sem entraves de espécie alguma um País quase milenar; e para amarfanhar tràgicamente o corpo e a alma de todo um povo. Um povo bom, crente e pacífico. E eles, os fautores desta obra demoníaca, sabiam-no de cor e salteado, eis porque nela se atiraram de cabeça sem qualquer receio nem a mínima cautela.

Qual o destino que esta gente maldita merecia? E porque razão, passados que são quarenta anos deste que se deu esta tragédia de dimensões bíblicas, dez milhões de portugueses ainda não o exigiram? Porquê?