Observador, citando o Expresso:
Nas operações da operação Labirinto, que investigou a atribuição de luvas a vários altos elementos do Estado, os inspetores da PJ encontraram o atual diretor do SIS, Horácio Pinto, a com outros dois elementos entrando no gabinete de um dos principais suspeitos com uma mala. O suspeito era o presidente do Instituto dos Registos e Notariado, António Figueiredo, o seu gabinete era no Campus da Justiça e, segundo explica uma fonte ligada ao processo ao jornal Expresso, o diretor do SIS foi ajudá-lo a verificar se estava sob escuta… da PJ. A pedido do próprio.
António Figueiredo foi entretanto preso e já estava sob vigilância das autoridades. Em março, segundo lembra o semanário, já tinham saído notícias dando conta de que poderia estar sob investigação. E antes disso tinha sido sócio do antigo número dois do SIS, que entretanto foi para Macau, como conselheiro de Segurança do Governo chinês naquele território.
A despistagem de escutas telefónicas não é autorizada ao SIS, menos ainda a pedido. De resto, a possibilidade de o SIS poder vir a fazer escutas tem sido longamente debatida, com vários responsáveis e ex-responsáveis do serviços de informações a defendê-lo abertamente. Os vários governos nunca fizeram qualquer alteração legislativa nesse sentido.
Comentário: é delicado comentar estas coisas conhecendo alguns dos envolvidos e não quero fazer a figura de Ângelo Correia quando Duarte Lima foi encostado aos media por causa da quinta da sobrinha, em Nafarros. Tal facada nas costas ao "amigo Domingos" em directo na tv, sucedeu no longínquo tempo em que o Independente de Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso dava notícas dessas, para vender mais um exemplar que o Expresso. Coisa que infelizmente nunca sucedeu.
Então que posso dizer para não atraiçoar amizades? Em primeiro lugar, citando o brocardo latino, amicus Plato, sed magis amica veritas. Depois lamentar mesmo que os "sistemas de contactos" tenham permitido estas coisas que agora se agigantam embora sejam quase triviais entre amizades.
E só o não são porque afinal parece que havia corrupção na pessoa da figura que é pivot nesta história, o aludido presidente do IRN que aliás continua presumido inocente.
Se não houver essa corrupção agora indiciada pelo que já se conta mediaticamente, espero sinceramente que a honorabilidade dos agora mencionados também mediaticamente seja devidamente assegurada e saia impoluta disto. Por mim, estou por aqui, pronto para tal porque isto é motivo de interesse nacional e os media estão já a agarrar este caso como o cão mais faminto ao osso mais à mão.
Mas...se for verdadeira a notícia do Expresso torna-se muito lamentável o que o SIS fez, envolvendo o seu director, mesmo contando com a circunstância de poder haver matéria da sua competência. Nisto não pode haver chico-espertices. Ou ingenuidades, como pode muito bem ter sido o caso, o que aliás não desculpa nada. Não pode ser posto de lado o facto de o SIS ter sido apanhado numa ratoeira com isco inócuo mas agora dificilmente justificável.
O perigo, agora, é o efeito amplificador e mediático que estas ocorrências sempre acarretam. E quem se julga inocente, mesmo com justificadas razões para o ser, ver-se de repente envolvido num vórtice mediático do qual já não consegue sair.
Parece-me ser esse o risco, neste caso, dos dois desembargadores envolvidos. Assim, torna-se ainda mais relevante e premente a investigação do MºPº ( mesmo a do STJ- Secção criminal, se for esse o caso), porque está em causa a honra de pessoas que julgo, presumindo, não terem mancha criminal desse tipo. É importante manter o sangue frio mediático para destrinçar o que é ilícito administrativo disciplinar e criminal e responsabilidade disciplinar e criminal.
Como não creio que tal vá suceder, acompanharei de perto as notícias e presumo efectivamente a inocência criminal de ambos.
Comentarei as notícias à medida que sairem, particularmente as do Correio da Manhã cuja sede de sangue de "poderoso" já espuma das páginas que querem vender.
Como não há em Portugal um jornalismo com seriedade suficiente para separar trigo de joio, vou estar atento e por aqui fico.