domingo, 19 de novembro de 2017

O óbulo do Expresso para as cheias de há 50 anos: um gato-pingado.

Na revista do Expresso desta semana um jornalista antigo fez de gato-pingado e andou a contar os mortos de há 50 anos nas cheias, por diversas conservatórias, consultando certidões de óbito. Diz o jornalista que então se mencionava expressamente nas mesmas a causa da morte e hoje não. É falso porque hoje ainda tal acontece e por isso mesmo se fazem autópsias quando a causa de morte é desconhecida.
Claro que não se esqueceu de dizer que "o país vivia sob a ditadura de Oliveira Salazar, que tudo fez para que a opinião pública não tivesse consciência da verdadeira dimensão da catástrofe. Desde logo, impedindo através da censura, que os órgãos de comunicação social informassem com verdade o que se passava." Podia lá esquecer esta "verdade" inventada a preceito! Só faltou pô-la no título...

Esta ignomínia que se junta às outras já por aqui catalogadas, nem repara na estupidez que encerra ao escrever-se logo à frente que "a 29 de Novembro, pouco antes de o regime ter decretado o fim da contagem pública dos mortos, o ultraoficioso Diário de Notícias ( José Pedro Castanheira, biógrafo de Jorge Sampaio, começou em 1976 , no O Jornal e se calhar não teve tempo de passar pelo tal ultraoficioso...) apontava para 427 mortos. No dia seguinte a agência Associated Press actualizava para 457. O último cômputo, feito pelo Diário de Lisboa a 3 de Dezembro, falava em 462".

A seguir escreve que todas as contas feitas por quem já as tentou fazer, o número total de mortos deve rondar os 500, portanto mais 38 do que o "último cômputo" feito pelo jornal da família Ruella Ramos que lutava pelo comunismo, na época, embora censurado, evidentemente.
Na época, houve dois jornalistas, empenhados em nome do PCP, que contaram 700...e ainda hoje tal número é sagrado para quem copia notícias e factos.
Estas merdas e mistificações nunca aparecem nos artiguelhos que se escreveram a propósito da efeméride. 


Torna-se evidentemente inútil remar contra esta maré de anti-zalazarismo primitivo e que em tudo o que possa ser aproveitado para denegrir o regime é usado como arma de "fake news", de mistificação da verdade e de manipulação da informação.

A simples asserção de que na época existia Censura prévia à imprensa, o que evidentemente é verdade,  basta para se lançarem os ataques mais estúpidos porque menos racionais e coerentes. A verdade que se lixe! O importante é continuar o discurso de denúncia do fassismo, mesmo que a realidade o desminta.
Esta instrumentalização dos media para mistificar uma realidade vivida por alguns, conduz à desinformação e à adulteração da verdade histórica, porque apresenta sempre um ponto de vista: o da oposição ao regime e a retoma de um relato que gostariam de fazer na altura e não fizeram por causa da censura.
E que relato era esse? Simples:o de que o regime de Salazar era responsável por estas tragédias, uma vez que assentava numa oligarquia fascista que impedia os comunistas e outros "democratas" de se exprimirem e o derrubarem em eleições a fim de deporem os sustentáculos do regime, ou seja, "os monopólios, o capitalismo e o tal fascismo".

Este discurso implícito em todas as mentes captas pelo comunismo de então, permaneceu em formol estes anos todos e arriba à superfície mediática sempre que a ocasião se proporciona. Nem sequer o cheiro nauseabundo da mentira é suficiente para denunciar esta canalha que então pretendia substituir a "ditadura de Salazar" pela ditadura do proletariado ( o PCP só aboliu a expressão depois do 25 de Abril de 1974) e alegremente ficarmos como os antigos países de Leste, subjugados ao imperialismo soviético, simplesmente porque essa mesma canalha o preferia ao imperialismo ianque da Cia e companhia.

Esta simplicidade de  discurso é exactamente o que justifica, ainda hoje,  o ambiente mediático prevalecente uma vez que os próceres desse jornalismo ainda não desapareceram de todo, ensinando aos vindouros as regras da profissão e da mentira institucionalizada ( como se fazia no Leste de então) sendo certo que os seus compagnons de route, como eram os socialistas de então, também aplaudem a mistificação e colaboram nela como então colaboraram, até aparecer o "caso República"...

 

9 comentários:

Lura do Grilo disse...

Não fora Salazar e estes jornalistas estariam a limpar vidros em condomínios.

josé disse...

E se calhar faziam melhor serviço do que as burricadas que escrevem.

altaia disse...

As cheias de 1967

Tragédias Grandes


Se a forte tromba de água que se abateu na noite de 26 para 27 de Novembro de 1967 nas Quintas, Castanheira do Ribatejo, acontecesse hoje, as consequências seriam bem piores. Quem o diz é o presidente da Junta de Freguesia da Castanheira do Ribatejo, Ventura dos Reis, que diz “insistir constantemente” nos alertas para a necessidade de se proceder à limpeza do rio grande da Pipa, das valetas e dos sumidouros dos esgotos.“Não tenho a mínima dúvida que, se hoje chovesse em quantidade semelhante ao que choveu em 1967, teríamos em nossa mão uma tragédia ainda maior. Isto porque as linhas de água devem estar limpas e não estão. Temos de andar sempre a pressionar as entidades competentes para resolver estes problemas e mesmo assim não resolvem”, desabafa Ventura Reis a O MIRANTE, que também se mostra preocupado com as novas alterações que a revisão do Plano Director Municipal (PDM) de Vila Franca de Xira vai trazer para as Quintas.“Se o novo PDM for aprovado isso significará um acréscimo de habitação e área urbanizável em termos globais na localidade, o que trará consigo problemas. Não se pode mexer nestas serras sem respeitar o ambiente, o declive e, até, a catástrofe que aqui aconteceu”, alerta o autarca. Recorde-se que a junta de freguesia propôs que tivesse sido reduzida a área destinada a novas habitações. “Esperamos que a proposta seja aceite”, referiu Ventura dos Reis.A assinalar os 41 anos da tragédia de 1967 a Junta de Freguesia da Castanheira do Ribatejo organizou uma cerimónia para o descerramento de um memorial com duas placas de bronze com as inscrições dos nomes das 88 vítimas das cheias. A recolha da informação demorou um ano e o nome de algumas vítimas ficou por identificar apesar do esforço. Perto de três dezenas de populares e familiares das vítimas assistiram à cerimónia de homenagem.“Um dos nossos objectivos é continuar a transmitir às novas gerações o que aqui se passou. Este monumento é muito importante para alcançar esse objectivo. Não nos podemos esquecer”, referiu Ventura dos Reis, salientando que todos “devem transmitir com muita força e garra aos técnicos deste país os alertas para que se tenha cuidado a mexer nas linhas de água. A natureza não perdoa”, concluiu.A cerimónia encerrou com uma missa na igreja das Quintas em memória dos que pereceram com a força das águas. “Naquele dia correu tudo mal. O rio tinha um leito estreito e a chuva foi muita”, recorda Mário Macedo, 92 anos, residente nas Quintas.

Publicação do jornal «O Mirante»

Floribundus disse...

para jornalistas de esquerda

Gracias y desgracias del ojo del culo.
Dirigidas a Juana Montón de Carne, mujer gorda por arrobas.
Francisco de Quevedo

joserui disse...

Isto é de facto terrível. E só de me lembrar que ainda há quem ache pouco e onde nós vemos anti-zalazarismo primitivo, outros juram que é branqueamento do fassismo e ataque a este governo, até arrepia. O nível de estupidez atroz onde este país chafurda.

Floribundus disse...

a CMTV apresentou 2 vezes um programa sobre os almoços do 44

aparecia pinto monteiro e outros quejandos

isto é 'o da joana' sem ofensa

Ricciardi disse...

Denigrir Salazar noticiando a verdade parece-me bem. Pior seria enaltecer o ditador omitindo a verdade.
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Em democracia as notícias cobriram a verdade. Noticiaram o que deviam ter noticiado. A verdade foi apurada.
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Em ditadura as notícias omitiram a verdade. Os mortos não falam e o povo também não tinha órgãos de comunicação independentes do poder político.
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Uma diferença substancial.
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Rb

aguerreiro disse...

Farto-me de fazer esta pergunta: Quem é capaz de estudar ou dar números sobre os que morreram (literalmente a cagar-se) nos hospitais deste país nos idos anos de 74/75 atingidos por uma epidemia de cólera que ninguém fala ou quer falar. Só no H.S.Jo-ao morreram mais de uma centena, nos outros deveriam ter ultrapassado um milheiro, mas não sei que raio de censura, neste caso "democrática", que se abateu sobre os/as jornalistas desses tempos. Deviam andar em manifs de punho fechado e braguilha aberta (eles) e sem calcinhas (elas)... Era tudo revolução e hormonas desencabrestadas?

josé disse...

Há notícias sobre esse surto de cólera mas não com esses números que se forem verdadeiros são impressionantes.