domingo, 26 de novembro de 2017

A reinvenção de memórias jornalísticas

O Correio da Manhã de hoje dá voz numa coluninha, a um tal João Vaz que assina como "jornalista" um pequeno apontamento de natureza politico-ideológica, de pendor cripto-comunista.


Neste pequeno texto cheio de esterco ideológico inventa-se que o "Estado ditatorial" de 1967  não preveniu a catástrofe que terá sido a maior a seguir à do terramoto de 1755. E também não acudiu á mesma.
O que é prevenir uma catástrofe deste género, por exemplo a dos incêndios deste Verão que o articulista eventualmente atribui às condições meteorológicas adversas?
É isso mesmo: prevendo uma alteração súbita dessas condições organizar publicamente meios de defesa das populações contra os efeitos devastadores.

Em 1967 os serviços meteorológicos previram a catástrofe? Para o palerma do articulista parece que sim. Ainda assim, se tal fosse possível, deveriam ter evitado os efeitos através de deslocação de pessoas no dia anterior? Só um palerma acabado dirá que sim.

A prevenção deveria ter sido no sentido de se evitar a construção de casas e barracas nas regiões potencialmente afectadas por uma catástrofe destas, imprevisível mas possível?  Pois sim, evidentemente. Tal significaria uma imposição administrativa para com os mais pobres que vinham para as grandes metrópoles fugidos a outras situações ainda piores.
E quando é que chegou a regulamentação dessa planificação de urbanização que evitaria tais desastres? Depois do 25 de Abril de 1974? Então porque é que ainda havia barracas à entrada de Lisboa, muito depois de termos entrado para a CEE? 
 O Estado Novo de 1967 tinha todos os recursos para acudir a todas as situações de miséria e subdesenvolvimento que então ainda existiam? Portugal seria nessa altura um dos países mais atrasados da Europa, mas os índices de crescimento económico rapidamente nos fariam ultrapassar tal fasquia negativa.  E tal não resulta de um wishfull thinking desmiolado mas é atestado pelas estatísticas.
Resta dizer que Portugal continua, passados 43 anos sobre o golpe de 25 de Abril que afastou o antigo regime agora vilipendiado, um dos mais pobres da Europa. O problema será insolúvel ou a democracia falhou mais que o antigo regime, uma vez que se considera moral e tecnicamente superior?

Estes articulistas de tretas ideológicas continuam a desinformar sistematicamente insiste que nessa altura " a preocupação de Salazar era manter a sociedade adormecida". Não era nada disso. Era apenas manter a sociedade livre destes percevejos ideológicos. E tal implicava censura aos media que apesar disso estava infestada deles.

Nisso, o regime de Salazar falhou: em mostrar ao povo que os ideológos do comunismo, como o articulista,  acoitados nos media,  só trariam maior pobreza do que a que criticavam ao regime.

É por isso aliás que continuam, passados 43 anos a vituperar esse regime por razões desfasadas recorrendo a mentiras permanentes que tomam uma parte por um todo para demonstrar uma razão que inventam.
Como se mostra em imagens e documentos da época, não foram os estudantes quem ajudou mais. Não foi o IST, na altura, cóio de esquerdistas que se tornaram revolucionários dali a meia dúzia de anos quem ajudou as populações de modo determinante.
Esses estudantes fizeram apenas o que depois repetiram: propaganda político-ideológica contra o regime.
Como estes continuam a fazer e pelos mesmíssimos motivos.

No Público de hoje a jornalista artsy, antiga directora do Público Bábara Reis publica um estudo extenso que fez de correspondência que Salazar e uma família inglesa mantiveram durante décadas.
Publica excertos de 33 cartas inéditas  entre Salazar e  uma certa Cristiana Garton.
A jornalista terá lido as mesmas mas duvido que tenha apreendido o significado ou a essência de quem as escreveu.
Como prova esta última página com considerações acerca de Salazar:


Diz que uma das correspondentes costumava levar orquídias que cultivava, a Salazar. Este "nunca as aceitava sem dar alguma coisa em troca. Não queria que aceitar as flores pudesse ser visto como uma cunha ou um suborno", diz um dos familiares daquela.  E então o que fazia Salazar para retribuir?  Dava ovos ou alguma coisa caseira feita com ovos da quinta de Salazar".

Esta passagem é bem exemplificativa do equívoco que estas pessoas artsy alimentam acerca do "ditador".
Não percebem a natureza do costume de trocar este género de prendas e da essência rural que lhe subjaz. Os ovos, aliás nem seriam da quinta de Salazar. Seriam antes do quintal que a dona Maria, governanta de Salazar, tinha, das suas galinhas.

Esta falha epistemológica é exemplar do que falta a esta gente: cultura, no fim de contas.  São tão cultas que nem cultivadas chegam a ser. Uma miséria intelectual é o resultado pontual  quando analisam o que não compreendem.

Ah! Li agora este escrito muito interessante de Helena Matos que merece uma atenção mais cuidadosa mais tarde.

Entre as ideias que conto analisar e debater aqui, com exemplos e imagens, discordo profundamente desta análise de Helena Matos:

 A ditadura salazarista, como todas as ditaduras, cultivou a desresponsabilização do povo: o governo dava, o governo fazia, o governo sabia.

É precisamente o contrário, o que aconteceu: Salazar e o regime deram a maior liberdade às pessoas, na sua vida privada, o que hoje não acontece. Não deram por julgarem que deveriam dar, mas porque era assim, naquele tempo. Salazar era um homem do seu tempo e não contrariava as tradições e costumes.
O povo, então, era dependente de si mesmo porque o Estado era mesmo exíguo, excepto numa coisa: no controlo da liberdade de fazer abertamente a propaganda de regimes que o queriam subverter e substituir, ou seja o comunismo. É preciso que isto seja dito claramente porque era mesmo disto que se tratava e Salazar fez muito bem, excepto noutra coisa: foi contraproducente na Censura e na repressão. Foi isso que produziu os "revolucionários de vão de escada" do 25 de Abril de 74, por causa de um ditado bem antigo: o fruto proibido é sempre o mais desejado...

11 comentários:

zazie disse...

Os neotontos querem imaginar-se Direita, precisamente porque foram alimentados com a patranha do Estado Novo proteccionista/socialista.

Estudam umas coisas do nacional fascismo estrangeiro onde se fala em Ditaduras socializantes e depois cá tinha de ser igual e a alternativa é continuar o bom do liberalismo republicano e laico
ehehehe

zazie disse...

É a tal geração entalada entre dois momentos e que não tem memórias desse passado.

Unknown disse...

Vileza e ignorãncia harmoniosamente equilibradas...

Lura do Grilo disse...

Falta de cultura total. Um destes jornalistas colocados no campo não saberiam distinguir um nabo de uma beterraba e uma alface de um pé de batata.

lusitânea disse...

Atenção que até o Portas já anda preocupado com os "avantes" de direita que por aí pululam numa de populismo desenfreado a querem mijar fora do penico...
A rapaziada democrata-interpretadora da vontade popular não quer concorrência e todas as correias de transmissão devem ser só as suas...
Ai de quem se atreva a ser "Ventura"...

lusitânea disse...

A pequena % de contribuintes que tudo paga e pagará deve receber um presente da factura da sorte do Fisco:Uma coleira trabalhada em bronze, com fechadura electrónica e com o número fiscal bem gravado....

josé disse...

O Portas que foi para a Mota Engil e que sabe algumas coisas sobre o Salgado dos submarinos?

Esse Portas é um antigo jornalista do Independente que se existisse agora com o mesmo espírito faria da cara do Portas a primeira página, várias vezes...

joserui disse...

Realmente como diz um comentador à Helena Matos, paradoxalmente, as cheias de 1967 são hoje utilizadas como propaganda pura e dura. Este é do pior que já li. O cretino diz que não foi dado alerta de temporal porque a preocupação era manter a sociedade adormecida? Isto nem sentido faz. Não se pode descer mais baixo.

muja disse...

Se mostrar a pobreza causada pelos comunistas fosse eficiente, porque o não é agora, que temos a prova provada?

muja disse...

O que me parece inteligente, como alternativa ao que se fez, é a estratégia dos russos em relação à propaganda americana: levarem-na aos próprios programas deles para a ridicularizarem.

Aquela linguagem histérica que eles usavam na altura tinha pano para mangas, para um tipo com algum talento.

A questão, todavia, é se haveria alguém com talento e com vontade de ridicularizar a propaganda comunista...

muja disse...

Sermos do nosso tempo, sem deixarmos de ser da nossa terra.

Sabia muito...