segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O jornalismo de investigação requentada do Público serve para quê?

Isto deve ter-se passado assim e se não foi poderia ser...

O Público de hoje tem a capa com esta notícia gorda:






Ontem, quem estava de serviço na redacção deste jornal cada vez mais apasquinado, deve ter matutado na notícia que iria colocar na primeira página. Havia uma, inevitável: o Costa enquanto presidente da Câmara tinha objectivamente autorizado uma recepção junto aos mortos excelentíssimos no Panteão, em 2013. Como tinha dito que tal era coisa indigna, a notícia era de manual porque era o homem a morder o cão.
Mas...o Público não quer chatices como poder do Costa e não faz ondas porque o Dinis ou quem o substitui precisa de emprego futuro e nunca se sabe.
Logo, Tecnoforma! Bingo! Um artiguelho de António Cerejo que é confrangedor pela pobreza noticiosa e pelo vazio do assunto de fundo. Sobre o Costa e o Panteão? Nem uma linha...

Vejamos então o assunto Tecnoforma que em escutas do Marquês já deu para entender que era caso político, acima de tudo. Logo, o Público está na corrida neste jornalismo de causa já ganha, mas nunca se sabe o que virá e o melhor é continuar a malhar no Passos mesmo que o motivo seja inócuo, irrelevante ou até despiciendo, como este já é desde há muito tempo.



A notícia de fundo assenta numa novidade antiga: o Ministério Público investigou a denúncia que uma Ana Gomes mandou seguir desde Bruxelas, contra o famigerado Passos da troika e da austeridade e encontrou nada que lhe pudesse apontar em modo criminal. Zero. Nada. Quanto ao seu ministro plenipotenciário, da altura, Relvas de apelido e a quem cassaram o título de licenciado ao contrário do que fizeram ao outro que anda por aí a viver à custa de alguém, o que nunca incomodou particularmente o Público, o MºPº arquivou igualmente o procedimento criminal porque nada encontrou de penalmente censurável. O Público em vez de esclarecer o leitor devidamente sobre isto tergiversa e titula: "eventual abuso de poder de Relvas prescreveu". O "eventual" nunca passou disso e quando o MºPº arquiva fá-lo porque não recolheu elementos suficientes para acusar seja quem for. Mesmo assim, adiantou que ainda que tivesse recolhido, o assunto estava prescrito. Isto é muito diferente do que o Público escreveu, mas é este jornalismo que temos.

Quanto ao mais, basta ler o artigo de José António Cerejo, muito lamentável, tendencioso e de duvidosa intencionalidade, o que diminui a integridade profissional seja de quem for, mormente de um jornalista.

Qual o mote principal? O Ministério Público arquivou o processo. A entidade europeia que investigou os factos, entendeu na altura que havia indícios de crime plausível se se confirmassem as suspeitas de que os envolvidos ( Relvas, Passos Coelho, indirectamente e Paulo Pereira Coelho) tinham influenciado as escolhas e aprovar um projecto de formação em detrimento de outros. É esta a matéria em causa, o coração das trevas que Cerejo entrevê na investigação do OLAF ( o organismo administrativo europeu que analisou papéis) .
Mas...em vez de ler tudo e repensar o escrito , conclui erradamente, muito erradamente, que afinal o MºPº tem uma versão e o OLAF tem outra. Ora não é assim.

O que  o OLAF conclui é que podem existir indícios de crime se se confirmarem certas suspeitas que objectivamente se apresentam. Porém, escreve e o jornalista transcreve sem perceber todo o alcance que " trata-se de uma matéria que ultrapassa as competências do OLAF".

Mais: o próprio jornalista dá conta que as investigações posteriores do MºPº com intervenção de consultores técnicos e policiais, deram em nada porque nada se apurou de concreto, divergindo as conclusões, substancialmente do que o tal OLAF dissera.
Conclusão implícita do jornalista: o OLAF é que tem razão e os demais investigadores não. Enfim.


Ou seja, o Ministério Público investigou para além do que o OLAF poderia ter feito e chegou a conclusão diversa, assentando na ausência de indícios da prática de crime. Ponto final, porque nem houve reabertura de inquérito ( o Público poderia ter-se constituído assistente e assim o requerer...) nem novas provas suplementares. Não são estas que agora o Público vem requentar que terão esse efeito, aliás.


Tudo isto se torna claro, menos para o Público e o seu vergonhoso director que anda nestas poucas-vergonhas há anos e não tem emenda. Se calhar acha que isto é que é jornalismo de investigação: aquele que tem sempre os destinatários certos em mira, pejados de argueiros e desvaloriza as traves que vê todos os dias noutros destinatários que não lhe interessa nada investigar. Por exemplo, António Costa, sobre o apartamento da Av. da Liberdade. 

Portanto, isto não é jornalismo de investigação. É apenas jornalismo de causas. Erradas, ainda por cima. 









8 comentários:

Unknown disse...

Há uns meses, quando o Centeno foi apanhado a MENTIR ao Parlamento por causa da CGD, logo o Público veio em socorro e para desviar as atenções apressou-se a colocar em primeira página uma notícia soprada pelos xuxas sobre milhões que teriam voado para offshores por decisão do governo anterior.
Foi-se a ver, zero.
O procedimento é igual, se há pressão logo se planta uma manobra de diversão no meio mais permeável. Tão previsível que dói.

Miguel D

Ricciardi disse...

"Entre as despesas da Tecnoforma surgem casas em Angola, veículos topo de gama, frigoríficos, arcas congeladoras, placas de aquecimento, televisores colchões, armários ou quadros, e duplicações de despesa. São situações que constituem uma "manobra fraudulenta lesiva dos interessas da Comissão Europeia".
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A comissão europeia não se conforma com o arquivamento do MP. Afirma que há fraude na atribuição de subsídios à tecnoforma. É no valor simpático de 6 milhões de euros.
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Querem a devolução da massa, independentemente do processo crime ter prescrito ou as investigações não concluírem uma acusação.
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Não se sabe se o coelho está envolvido na putativa fraude ou não. O que se sabe é que a empresa onde trabalhou (em lugar de chefia) usou fundos comunitários para desbundar em carrinhos de luxo e despesazinhas em Angola.
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Se o crime prescreveu a dívida mantêm-se. Que devolvam a massa subtraída rapidinho. Que a justiça faça um arresto a bens dos envolvidos para garantia.

Rb

Floribundus disse...

o cerejo no topo do bolo

alguma coisa vai muito mal quando recorrem a falsidades

podiam falar do passado e presente de antónio das mortes
de D.Legionella

sonai sonai sonai

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Floribundus disse...

a rtp1 do largo dos ratos
no seu jornal do desgoverno (13h)

deu grande relevo

josé disse...

"Caro José não há santos na política portuguesa e o amigo sabe-o bem."

Sim...mas alguma vez o Cerejo se lembrou de analisar os concursos deste género em que a CGTP e a UGT participaram? Ou os créditos que têm na CGD e tinham no BES?

O caso da Tecnoforma é um nado-morto porque já assim o era no início da investigação. Os modos de adjudicação de serviços por ajuste directo a certos advogados ( por exemplo ao marido da ministra da Justiça ou ao pai do Pedro Nuno Santos) serão muito diferentes, ou seja, não haverá "jeitos" explícitos ou implícitos para tal?

E como tal insindicáveis?

Para quê singularizar o caso da Tecnoforma que nem é dos mais escandalosos e se marosca houve não se conseguiu descobrir e estes casos todos passam ao lado do jornalismo de investigação?

Porquê?

Carlos Guerreiro disse...

A comissão europeia pode recorrer aos tribunais para recuperar a massa. Mas 6 milhões? Acho que era mais produtivo dedicar-se à análise dos projectos PIN do inginheiro. Existem mais de 60 em execução. Só no caso do La Seda de Sines e da Pescanova de Mira o estado é credor de mais de 100 milhões em isenções fiscais e fundos europeus.

osátiro disse...

exatamente por o PÚBLICO ser um pasquim defensor tresloucado ca CORRUPÇÃO XUXA-MAÇÓNICA....DAS SELVAJARIAS ISLÂMICA E COMUNISTA.........é que eu BOICOTO OS PRODUTOS SONAE......DESDE O CONTINENTE ATÉ À WORTEN...........................

quanto ao cerejo, não merece as críticas que lhe fazem..escreveu isto mas não fez o título. de certeza..........é provável que nem tenha escolhido a data....é normal essa escolha ser das chefias....

e se nos lembrarmos que cerejo investigou e muito bem....a anexação de terrenos da universidade de lisboa pelo colégio moderno....com problemas para o próprio.................

ou mais recentemente.......A CORRUPÇÃO E VIGARICE EM GRANDE NA APROVAÇÃO DO MAMARRACHO (PELA CÂMARA DE LISBOA....KOSTA/SALGADO)......QUE ESTÁ A SER CONSTRUÍDO NO GAVETO AV. FONTES PEREIRA DE MELO/AV 5 DE OUTUBRO........só podemos concluir que é excelente profissional