quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Artur Portela Filho, rip

 Morreu Artur Portela Filho, um jornalista que foi escritor antes, durante e depois de 25 de Abril de 1974.

Antes,  A Funda aqui numa edição de Maio de 1973.  Segundo se conta,  sete volumes foram publicados em tantas edições que reuniam as crónicas originalmente publicadas em jornal, como o República e o o Jornal do Fundão. 

 



O tipo de prosa era este, arremedando algumas passagens de obras de Eça de Queirós. Neste caso comentando o que dizia Franco Nogueira, em 1972 e pisando o risco da censura então existente ( aliás esta crónica não foi publicada em jornal) : 




A Funda, então já com quatro volumes previstos e revistos tinha prosas bastante admiráveis sobre tudo um pouco do quotidiano social e político da época. Vale a pena ler. 

Artur Portela Filho era rebento de uma esquerda que se filiava em alas liberais. E quando veio o dia 25 de Abril exultou durante uns tempos porque os amigos das lutas contra o regime anterior tinham ganho a partida. 

A festa não durou muito porque em Abril de 1975 mesmo em cima de eleições para constituir um corpo de deputados novos que iriam fazer outra constituição, para substituir a de 1933, Artur Portela Filho sentiu a chamada de alguns patrocinadores, principalmente políticos e não só ( Vasco Melo, por exemplo)e ajudou a fundar um jornal novo, precisamente o Jornal Novo.


O jornal tinha esta equipa de redacção e colaboradores:


A ambição do jornal vinha publicitada nas próprias páginas pejadas de esquerdistas. Até o actual presidente da República lá estava, pois nunca perdeu pitada destas coisas:  



A aventura do novo jornal durou pouco tempo para Artur Portela Filho que se meteu noutra, passado um ano. 

Em 29 de Abril de 1976 surgiu nos escaparates esta revista dirigida pelo mesmo APF:


Na senda da Funda aparecia nas primeiras páginas este tipo de prosa, desta vez consagrada a um figurão do jornalismo nacional da época e de agora: 


Em 19 de Agosto de 1976 dentro desta capa apareceu outra crónica sobre aquele que agora diz em declarações de obituário que APF era "seu colega de lides jornalísticas, seu amigo e às vezes seu alvo”:




Depois disto, comprei a revista durante um ano. Depois cansei-me porque nem era sequer muito bem feita. Em Agosto de 1977 tinha esta ficha redactorial e vendia, segundo anunciava, 22 mil exemplares. 


A revista não durou muito mais tempo, apenas uns meses mais,  mas se alguém quiser saber nem sequer tem um artigo na wikipedia para ajudar. 

Por isso este obituário tem imagens que outros nem cheiram, feito de papel já muito velho. 

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