quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Jaime Nogueira Pinto e os piratas

 Gosto de ouvir e ler o que Jaime Nogueira Pinto tem para dizer sobre as coisas de Portugal e do mundo. Aqui há uns tempos participava num programa no Observador, juntamente com o director José Manuel Fernandes e Jaime Gama. O programa acabou, sem explicações como é habitual. 

Agora posso ouvi-lo aos Sábados, na Antena Um, em charla com o moderador Pego mais o jornalista Pedro Tadeu, antigo director de um famigerado 24H que assumidamente disse então que não leria se não fosse o seu director. 

Este Pedro Tadeu, formado na escola da "verdade a que temos direito", é um versado em tudologia, particularmente história contemporânea, antiga e de todos os tempos e no programa está sempre a interromper irritantemente aquele JNP, com boutades, acrescentos, cortes no raciocínio em exposição etc. Um martírio para quem ouve, apesar da erudição de bolso, como os livros do género,  que vai esportulando na charla. Não há meio de o fulano se enxergar pelo ouvido porque me parece um cretino. 

Enfim, de JNP saiu agora mais um livro que vale a pena folhear e quem tiver 34 euros, comprar ( apre!). É de capa dura e papel couché que o torna pesado e tem 392 páginas, embora mais de  metade se preencham com fotografias e as letras do texto são garrafais para ocuparem espaço. 

A capa é assim e diz que teve a colaboração de Inês Pinto Basto e Maria Luísa Esteves da Fonseca. A d. quixote editou agora, no mês passado. 


 Folheei e comprei apesar de ter já uma biografia do Champas que aliás é uma pessoa que admiro pelo que fez em Portugal e mesmo por quem era, num tempo em que os industriais não se ficavam pelos anónimos do vale do Ave e arredores de S. João da Madeira. 

O livro de JNP e daquelas colaboradoras não é denso ou profusamente informativo, ao contrário do outro que tinha esta capa e contra-capa e já foi aqui mencionado


O que este livro de JNP traz é "um olhar" para certos aspectos da vida de Champalimaud, que sendo um olhar simpático ajuda a compreender o que sucedeu em Portugal nos anos anteriores e imediatamente posteriores ao 25 de Abril de 1974. 

É mais um contributo para tal história em progressão através de um diapasão diverso do habitual, sempre de esquerda e enviezado ideologicamente por isso. 

Ao folhear o livro deparei com duas páginas, com duas imagens que me chamaram imediatamente a atenção:




A primeira daquelas imagens foi pirateada daqui, eventualmente através da net,  mas ficou gatada e com o rabo à mostra porque o texto ligeiramente ondulado pela descoloração do scanner denuncia a subtracção à origem, apesar do recorte capcioso: 

A segunda foi pirateada, tudo o indica,  do livro Nas bocas do mundo, da autoria de Joaquim Vieira e Reto Monico, Tinta da China, 2014:


Isto tem alguma importância? Tem, por causa disto: 


Os créditos fotográficos daquelas duas imagens ficaram por atribuir e era possível fazê-lo, ao contrário do que se escreve no final da lista.

Por mim, não me importo muito e até fico satisfeito em ter contribuído, mesmo involuntariamente, para o livro em causa. 

Porém, um acto de pirataria é sempre isso e fica mal, eticamente, a uma editora assim, publicar uma coisa assado. 

Quanto a Jaime Nogueira Pinto que não conheço e por quem tenho estima e admiração, fica aqui uma vinheta pirateada por mim, agora mesmo, sobre o tema: 

É tão fácil fazer isto que me sinto na obrigação de dizer de onde fui piratear, sob pena de me sentir, sei lá, um pouco ladrão. 
Não custa nada, é só um link e fica a consciência mais tranquila. 



Sem comentários:

Os escombros do apocalipse