quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Desconstruir a desconstrução do bloco de esquerda

 Na revista francesa Valeurs Actuelles desta semana vale a pena ler esta entrevista ao filósofo Pascal Bruckner, autor de um livro cuja tradução se impõe mas será improvável, sobre o actual "fardo do homem branco":





Lendo isto percebe-se instantaneamente onde é que as joacines dos blocos de esquerda vão buscar inspiração e idealismo, como neste caso já badalado aqui, em que se noticia o discurso escrito "anticolonialista",  da actual líder de tal bloco:  "virá o dia em que os discursos oficiais serão capazes de reconhecer a enorme violência da expansão portuguesa, a nossa história esclavagista, e a responsabilidade no tráfico transatlântico de escravos". 

Virá o dia! De facto há muitos anos que tais amanhãs não param de se anunciar em cantigas de amigo com armas na mão e agora discurso em riste. 

Em finais de 1974 o mentor desta gente de vão de escada esquerdista, já ansiava por tais manhãs de nevoeiro nos espíritos dos ingénuos que neles costuma votar, como mostram estas imagens da revista Vida Mundial de 19.12.1974:


Durante décadas que porfia pelo resultado que não esconde a não ser dos mesmíssimos ingénuos e como já escrevi aqui, várias vezes: 

"Numa esquerda socialista. (...) Para nós o socialismo é a rejeição de um modelo assente na desigualdade social e na exploração, e é ao mesmo tempo uma rejeição do que foi o modelo da União Soviética ou é o modelo da China. 

Não podemos aceitar que um projecto socialista seja menos democrático que a "democracia burguesa" ou rejeite o sistema pluripartidário. Não pode haver socialismo com um partido político único, não pode haver socialismo com uma polícia política, não pode haver socialismo com censura. 

O que se passa na China, desse ponto de vista, é assustador para a esquerda. (...) Agora, a "esquerda socialista" refere-se mais à história da confrontação, ou de alternativa ao capitalismo existente. Por isso o socialismo é, para nós, uma contra-afirmação de um projecto distinto. Mas, nesse sentido, só pode ser uma estrutura democrática."

O que dizia Louçã em 2005 a este propósito? Isto:

"O BE é um movimento socialista ( diferenciado da noção social-democrata, entenda-se-nota minha) e desse ponto de vista pretende uma revolução profunda na sociedade portuguesa. O socialismo é uma crítica profunda que pretende substituir o capitalismo por uma forma de democracia social. A diferença é que o socialismo foi visto, por causa da experiência soviética, como a estatização de todas as relações sociais. E isso é inaceitável. 

Uma é que os meios de produção fundamentais e de regulação da vida económica sejam democratizados ( atenção que o termo não tem equivalente semântico no ocidente e significa colectivização-nota minha) em igualdade de oportunidade pelas pessoas. 

Outra é que a arte, a cultura e as escolhas de vida possam ser impostas por um Estado ( é esta a denúncia mais grave contra as posições ideológicas do PCP). (...) É preciso partir muita pedra e em Portugal é difícil. Custa mas temos de o fazer com convicção."

O Bloco não tem segredos para ninguém. Nem sequer para o Jerónimo da seita ortodoxa. Só tem para quem prefere que seja assim e os votantes embarquem eleitoralmente no engodo. 

Só se deixa enganar quem quiser...e até se publicitam nos quiosques tais propósitos, claramente e sem reservas: 



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