quarta-feira, 4 de novembro de 2020

As eleições americanas de 1976 e 1992: Jimmy Carter e Bill Clinton

 Em 1976 a América comemorou o bicentenário. Houve arraiais e foguetes no ar e as fanfarras não paravam de tocar, como dizia o José Cid. 

Em Novembro houve eleições presidenciais e um dos candidatos era um indivíduo que tinha plantações de amendoim, Jimmy Carter. 

Nesse ano tinha dado uma entrevista à revista Playboy, uma coisa inédita nesse tempo, para candidatos a presidente. 


( imagens surripiadas da net).

A esta coisa nunca vista somou-se outra: meter o rock ao barulho, para apoiar o candidato. A revista Rolling Stone que comprei em Setembro de 1976 dava conta disso, num artigo intitulado Rock & Politics: 


Obviamente que o director, Jann Wenner, votava por estes burros e não tinha memória de elefante algum. Logo a seguir à eleição entrevistou a primeira dama. O presidente não lhe passou cartão...


Nesse ano, de meados da década de setenta, a televisão ainda era a dos clássicos da informação e geração "talking heads", cuja metáfora tinha aparecido no ano anterior. Eis os veneráveis marretas da informação americana ao tempo, identificados nesse número da revista:


Nesse tempo ainda era proibido dizer certas palavras em público e muito menos publicá-las. Jimmy Carter tinha dito "screw" na entrevista da Playboy e quando foi citado houve um sem número de eufemismos nos media "responsáveis", como o New York Times e que a revista também deu conta.
Enfim, outros tempos. O NYT de hoje é uma sombra quadrada do mundo redondo de então. Até é citado pelo Pacheco Pereira:


Seja como for, a eleição de Carter foi uma pedrada no charco do marasmo político americano e a insolência foi tanta que ouvia dizer então que se um plantador de amendoins conseguiu ser eleito presidente isso era a prova que qualquer pessoa na América o poderia ser...enfim, fantasias da época. 

Uns meses depois o presidente autorizava uma visita guiada aos bastidores da Casa Branca. Foi a primeira vez que vi coisas destas em imagens que então me espantaram: os assessores de imprensa e que tinham dirigido a campanha presidencial ocupavam gabinetes de luxo na sede do poder americano e punham os pés em cima das mesas...

Em 1977 a Rolling Stone entrava pela primeira vez na Casa Branca e a capa de 19 de Maio mostrava o feito dos meninos rabinos. Era uma novidade.




Diz aqui que no segundo dia da sua presidência que aliás só durou quatro anos, perdoou todos os refractários e desertores da guerra do Vietname. 
Como é sabido a seguir a este Carter, corrido por causa do que se passava no Irão e fruto do islamismo que temos e vemos a actuar,  veio o ex-actor Ronald Reagan, vilipendiado como Trump o tem sido, embora com menor grau de violência porque os media ainda eram o que eram. 

Em 1992 os burros democratas elegeram outro presidente, Bill Clinton. Não houve Perot que chegasse.

Clinton era outro boy wonder da revista em causa. Desta vez quem o entrevistou foi a Rolling Stone de 17 de Setembro de 1992, mesmo a tempo de ajudar o candidato a ganhar as eleições.  




Um ano depois entrevistavam-no:


Como é que Clinton ganhou? Pois terá sido com ajuda daquele Perot que inaugurou o que hoje é banal: o uso da televisão por cabo e a propaganda política avulsa nas tv´s em debates de variedades. "Talk-shows", como lhes chamam...

Em 10 de Dezembro de 1992 a revista explicava como foi o que depois veio a ser:





Tudo isto está tão longe deste Trump e do Zé do Biden que nem sei que mais dizer...a não ser que em 9.12.1993 ainda se discutia o problema da violência nos programas de tv...e parece que o problema era com uns desenhos animados horrorosos com o título de Beavis and Butt-Head. Parece que não passaram cá e não se perdeu nada. 


Por esta altura, Frank Zappa já tinha morrido e uns anos antes tinha ido ao Congresso defender a liberdade de expressão na música gravada...

A história está aqui e aqui, mas não foi por isso que Clinton foi eleito. O seu vice-presidente, Al Gore tinha a mulher, Tippi , metida naquela embrulhada das mulheres que queriam censurar as letras  nas músicas. 
Democratas...



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