José Sócrates esteve há duas semanas no Porto, onde almoçou com vários socialistas que lhe são próximos. Nesse encontro, soube o SOL, o ex-primeiro-ministro manifestou-se pelo voto contra do PS à proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2012 apresentada pelo Governo.
O almoço decorreu a 23 de Outubro, num restaurante em Pedras Rubras, no Porto. À mesa, além de Sócrates, estiveram o ex-líder parlamentar Francisco Assis, o ex-secretário de Estado Manuel Pizarro, Renato Sampaio (ex-líder da federação do Porto), José Lello (membro do anterior Secretariado do partido) e Isabel Santos (ex-governadora civil do Porto). Nomes a que se juntaram António Borges, presidente da Câmara de Resende, e Castro Fernandes, presidente da Câmara de Santo Tirso. Em comum têm a proximidade a Sócrates e a ligação ao distrito do Porto.
Evidentemente, mais que não houvesse, estas notícias legitimam todas as indagações porque este indivíduo não desistiu da política activa depois do que fez ao país.
Estas movimentações políticas legitimam que se saiba onde anda e como anda. Não é da vida pessoal que se trata porque o assunto mistura-se. Este Inenarrável anunciou uma retirada sabática com a panache do costume: discrição aldrabada. Silêncio cúmplice sobre os motivos e anúncio de uma seriedade postiça. Ressente-se neste estilo o habitual menu: fake, falso, kitsch. O curso de filosofia provavelmente não existe enquanto tal; a inscrição na prestigiada universidade, correu mal; já há notícias escandalosas sobre o retiro sabático, com almoços pagos em restaurante de luxo a conhecidos de circunstância política, por um indivíduo que anunciou a retirada da vida política, renunciando a subsídios mesmo sem lhe serem conhecidas quaisquer fontes de rendimento.
Enfim, só falta que o jornalismo do para quem é bacalhau basta se digne cozinhar o prato à Zé do pipo, para que mais um escândalo rebente e a matilha se reúna em conclave a clamar por mais uma cabala, através de apaniguados do antigo parceiro pensador.