terça-feira, 22 de abril de 2014

A pesada herança do regime de Marcello Caetano

Marcello Caetano, durante o exílio no Brasil foi escrevendo cartas a amigos e conversou com outros, como Veríssimo Serrão que reuniu em livro, publicado em 1984, já depois da morte daquele, ocorrida em 26 de Outubro de 1980, os "desabafos" que o mesmo foi tendo a propósito de vários assuntos.

Este que segue diz respeito à "pesada herança do fascismo", ideia estúpida propalada pelos heróis do novo regime e que Marcello Caetano comentava assim, em Agosto de 1979,  depois do "e tudo era possível":



E uma apreciação pessoal sobre Mário Soares e Álvaro Cunhal que conheceu como alunos...



27 comentários:

Manuel de Castro disse...

A tirada de Marcelo Caetano sobre Soares e Cunhal está o máximo, e penso que o diagnóstico lhes assenta bem, especialmente ao primeiro.

muja disse...

E queria o Floribundus que o pessoal soubesse plantar uma couve...

Então mas estes sabiam? Ahaha Nem um pé de feijão em algodão em copo de iogurte fariam nascer. E se nascesse, era já murcho.

Por outro lado, o Caetano era gente de outra fibra... Sempre gostava de saber se o outro da inteligência superior se manteve respeitoso até ao fim...

E a mamã a escrever cartinhas ao sr. professor para o menino poder fazer o examinho...

E depois diziam que eram torturados... que gente sem vergonha...

A falta que uma enxadinha na mão, na altura certa da vida pode fazer a uma pessoa...

JC disse...

Era bom que essa carta aparecesse, se ainda existe, e fosse divulgada pubicamente.

Floribundus disse...

pelo que ouvi em diversos locais e li
Marcelo foi abandonado pelos generais

pensou que o homem do caco no olho era a pessoa indicada para a democratização do país

por isso não terá mandado atacar os rebeldes

conclusão:
desprezou o pcp, a única força organizada

e permitiu a destruição do que existia

agora existe finalmente uma pesada herança
a dívida de 3 bancarrotas

o rectângulo passou de rural a suburbano

de pobre, mas sem fome,
a miserável e faminto

Floribundus disse...

no prec aconteceu ao rectângulo

o título dum soneto de Carlos Drummond de Andrade
« a castidade com que abriu as coxas »

se me é permitido, sem urinarmos todos pela mesma pilinha (ou politicamente correcto)

muita gente devia ler gratuitamente na Net
'el arte de pensar de Ernest Dimnet'

Floribundus disse...

do blog 'cidadãos por Abrantes'
« Acontece que o oficial que tomava muitas vezes a bica no Gil, inevitavelmente quando estava em Ponta Delgada, local a que o ligavam grandes interesses econónicos, devido à fortuna da primeira mulher que era açoriana, era Ernesto Melo Antunes, filho dum capitão tarimbeiro que fazia a escrita da Legião Portuguesa. »

josé disse...

Outro lateiro, mais sofisticado um pouco. Lia a vulgata marxista.

Floribundus disse...

no blog 'Estado sentido' podem ler o que Arnaldo de Matos disse

no congresso dos reformados do D. Maria

declarou que Melo Antunes, o escriba dos escritos do mfa e grupo dos 9 (noves fora, nada), salvou o pcp no 25.xi

joserui disse...

Não consigo lembrar-me de um único nome pós 25 de Abril com a categoria e dignidade de Marcello Caetano… nem um. Abastada e podre burguesia é um bom resumo do país como um todo, não só desses aproveitadores. -- JRF

Floribundus disse...

o revolucionário socialista melo antunes

possuia apartamento em Paris
na Rue Saint Dominique

do Cisterciense São Domingos de Clairvaux (Clara vallis)

muja disse...

Então vá, como estamos em maré de entrevistas e revelações, ficam aqui as minhas:

http://ultramar.github.io/depoimentos-jose-passo.html#titulo
http://ultramar.github.io/depoimentos-abilio-pires.html#titulo
http://ultramar.github.io/depoimentos-oscar-cardoso.html#titulo

Não são propriamente minhas, evidentemente. Coube-me apenas o papel de "arqueólogo digital" se assim se pode dizer eheheh

Cuidado que estas vêm do "lado negro da força"... Ler com toda a precaução e de preferência já encomendado ao santinho democrático da predilecção! Para quem ainda acredita nessas coisas, claro está.

Vivendi disse...

Mais uma para a teoria das conspirações... ;)

A edição do Jornal, O Diabo, desta semana faz algumas perguntas sem resposta sobre o 25 de Abril.

Esta é a mais interessante:

Porque é que o golpe se dá no dia em que uma armada da NATO largou âncora no Tejo?

Choldra lusitana disse...

Pesada herança de Marcello: "dívida pública atingia os 18,8% do PIB em finais de 1973",recorda o i.
Dívida pública actual: 130%. Conquistas de Abril.

Choldra lusitana disse...

rectifico:13,8%

José disse...

Com uma guerra no Ultramar que consumia cerca de 2/3 do Orçamento, ou 40% segundo outras estimativas.

José disse...

Estes números não impressional os democacas porque na altura era tudo "pobreza" e miséria.

Agora, somos ricos...

muja disse...

Não me parece que esses números estejam correctos, José.

Penso que não têm em conta o facto de, mesmo sem guerra, existirem despesas com as FA e o Ultramar.

Gen. Silvino Marques:

Em relação às despesas públicas globais de Portugal europeu, Guiné, Angola e Moçambique, as quais ascenderam, entre 1961 e 1975, a preços correntes, a 732 milhões de contos (col. 1 e col. 2), as despesas com as Forças Armadas, em todo o país, (180 milhões de contos), representam 25% daquelas. As despesas imputáveis à guerra (97 milhões de contos) representam 13,3 % das mesmas. Isto é: fez-se face ao acréscimo das despesas com as Forças Armadas resultantes da guerra desencadeada na Guiné, em Angola e Moçambique agravando de 13,3% as despesas públicas de todo o país.

muja disse...

O preços "correntes" são os de 1977.

José disse...

Os números que apontei vinham referidos na revista Time de 5 de Novembro de 1973 já por aqui citada.

"it spends from 35% to 40% of its bufget fighting insurgents in Angola, Mozambique and portuguese Guinea".

José disse...

No mesmo artigo o artista Balsemão dizia à revista que " We are at the bottom of any economic indicator you want to take". "Our only competitor is Albania. Even the East Eurpean countries have passed us".

Balsemão teve uma ocasião soberana para inverter este estado de coisas: foi primeiro-ministro durante dois anos...

Choldra lusitana disse...

E para quê,pergunta-se. Mais valia terem-no deixado entregue ao jornalismo de alpercatas em que é exímio praticante.
Não acredito que se gastássem 40% do PIB com a guerra do ultramar,apesar dos elevados rendimentos que a metrópole retirava de Angola e Moçambique. Deve ser outra mistificação que,de tanto repetida,se quer verdade. Só um país em guerra total gasta valores dessa grandeza. O que não era ,de longe, o caso.

muja disse...

Não gastava nada.

Esses bifes dizem n'importe quoi. Como hoje sobre a Ucrânia.

A gente fala do nosso jornalismo, mas têm bem donde tirar exemplo.

E duvido muito do que diz Balsemão também.

Do que eu vejo hoje da cobertura mediática feita a Estados, Governos e acontecimentos mundiais pelos media ocidentais, pode deitar-se tudo para o lixo.

A diferença é que hoje há a Internet que permite, de alguma forma, confirmar a informação com fontes independentes e, ou, nem sequer dos media. E o panorama é assustador. Já nem sequer é manipulação ou meia-verdade. É mentira descarada. Um mundo que não existe.

O mundo que vemos nos media ocidentais não existe, pura e simplesmente.

É o mundo das armas de destruição maciça no Iraque, dos Irões que vão limpar países do mapa, das revoluções democráticas nos países que os EUA rotulam de não-democráticos.
O mundo em que uma quenelle em frente a uma sinagoga é um escândalo anti-semítico e umas Femen a mijar na Madeleine é liberdade de expressão.


muja disse...

Estão aqui números como esses jornaleiros nunca se deram, nem dariam, ao trabalho de procurar, porque o objectivo nunca foi, nem era, informar:

http://ultramar.github.io/situacao-global-em-1973-1974.html#titulo

Está aí, preto no branco, quanto custou. Em dinheiro. Não é cá em paleio tecnocrático de indicadores e percentagens de indicadores.

97 milhões de contos.

muja disse...

E atenção que grande parte desse dinheiro de destinava a obras de promoção e desenvolvimento social levadas a cabo pelas FA e que faziam parte da estratégia geral de combate à subversão nos territórios.

As despesas com material e logística exclusivos das operações de combate são uma fracção desses cem milhões de contos.

Manuel disse...

José, o livro de Marcello Caetano, de que fala neste post, é o "Depoimento" ?

Manuel disse...

Falta de atenção, porque está lá escrito no início do post.

José disse...

Não: é o livro de Joaquim Veríssimo Serrão, Marcello Caetano, COnfidências no exílio, Verbo, 1985.

Só se encontra em alfarrabistas, mas já o vi em alguns, na zona das Escadinhas do Duque, em Lisboa e noutras zonas da cidade, mormente na Calçada do Combro ( Letra Livre)

Salazar: os valores desaparecidos