“Este primeiro-ministro acha que a democracia começa e acaba no dia das eleições. Não. Há muitas outras formas de viver e de praticar a democracia e quando um Governo se fecha e não ouve a voz do povo e não ouve a opinião pública, isso pode levar a situações de ruptura que nunca se sabe como começam e nunca se sabe como podem acabar”, afirmou Manuel Alegre.
Este discurso do bardo Alegre, baritonado na fundação de Mário Soares, paga por todos nós, é um atentado à democracia que diz defender. Sob a capa proclamada democrática esconde-se uma ideia anti-democrática como só a esquerda é capaz de gizar.
Vasco Pulido Valente explica como funciona este estado de espírito esquerdista, na crónica de hoje no Público:
Sempre que as eleições não correm de feição, estes democratas que sufragaram o comunismo de Leste, reagem sempre da mesma maneira: desvalorizam e deslegitimam o voto popular.
Foi assim com Cunhal, em Junho de 1975, após a eleições de Abril do mesmo ano que lhe tinham tirado as esperanças de converter Portugal num país comunista pela via democrática, tipo Chile ou Chipre e razão principal do aquecimento do Verão desse anos que arrefeceu de vez em Novembro, com o frio da época.
A entrevista de Cunhal a Oriana Fallaci publicada na L´Europeo em 6 de Junho é bem clara dos propósitos anti-democráticos de uma esquerda que só conhece a democracia se lhe correr de feição ( e por isso proibiram os partidos de extrema-direita apodando-os de fascistas e de horror anti-democrático, com a complacência ecuménica dos media). A entrevista foi publicada integralmente em França, na Paris Match de 28 de Junho de 1975, mas por cá, nem foi possível por causa da nova censura. Só a mencionaram por alto e mesmo assim em modo muito contido, tendo o PCP desmentido a verdade assegurada pela jornalista, com provas gravadas. A entrevista, com manifesto interesse público, na altura e não só, nunca foi publicada integralmente em Portugal...o que mostra o grau de democraticidade da nova censura encapotada nos espíritos de quem faz jornalismo.
Porém, dias antes das eleições de 1975, prevendo eventuais desastres, o grande Otelo, "inimputável simpatiquíssimo" e criminoso irresponsável ( minha versão daquele eufemismo de VPV) dizia assim ao Expresso de12 de Abril de 1975:
Nessa altura a democracia estava inteiramente entre parêntesis, como deixava adivinhar um guru francês que dali a anos fazia um extenso mea culpa ao Le Nouvel Observateur ( e que por cá também foi publicado pelo O Jornal). Sartre, segundo o Expresso de 5 de Abril de 1975.
Portanto, a História repete-se, agora como farsa, protagonizada pelos mesmos farsantes antigos e que conduziram Portugal ao caos económico em 1975, desresponsabilizando-se das bancarrotas e deixando para os "mercados" a culpa do que muito a eles compete. Porém, como são inimputáveis simpatiquíssimos" continuanos a vê-los nas tv´s como os heróis de sempre, acolitados pelos mesmos de sempre e mostrados pelo jornalismo que aprendeu na escola que os mesmos frequentaram.
O que esperavam? Democracia, desta gente?
Quando a vaca tossir...