segunda-feira, 14 de abril de 2014

Estado, interesse público e interesse privado, há 40 anos

O jornal i de hoje traz esta capa com uma sondagem sobre a "honestidade" dos políticos de agora em comparação com os de antanho, do regime anterior.
Apesar de 40 anos de infusão mediática sobre a natureza maléfica do regime de Salazar/Caetano, a verdade é que muita gente, provavelmente muita que nem viveu aquete tempo, tem uma ideia que as pessoas que exerciam política, nessa altura, eram mais honestas que hoje em dia. Isto diz muito sobre várias coisas, mormente o regime que temos e a percepção pública da corrupção.

Por outro lado, os contentinhos da silva do actual regime dirão sempre que dantes é que era um horror de corrupção, mas bem escondida porque havia censura.


Será assim? Vejamos um caso singular e exemplificativo do que era o regime de Caetano e da moral vigente na altura, com os negócios do Estado. Hoje, chama-se ética e é tomada em forma de leis. A ética nunca é fora-da-lei... 

No tempo de Marcello Caetano, nos últimos anos do regime, o panorama da imprensa é descrito no livro de Pedro Jorge Castro, O ataque aos milionários, relacionando-o com uma competição entre dois "milionários", Jorge Brito e Miguel Quina.
A propósito do concurso público lançado pelo governo para construção de auto-estradas ( mesmo sem as ajudas dos fundos estruturais da CEE iriam ser construídas e já havia planos para tal, em curso de execução), no livro conta-se a disputa entre aqueles dois industriais para ganhar o concurso. Ganhou o "brisa".  E conta-se assim:


No seu livro Depoimento, Marcello Caetano conta o mesmo episódio sem referir nomes, alargando depois para outros exemplos da gestão pública de bens importantes, num modo que hoje é desconhecido, porque a ética, como escrevi, nunca está fora-da-lei e é esta que permite a imoralidade que não se chama ética ( et pour cause).O melhor exemplo disto encontra-se na parecerística avulsa do Estado com as firmas de advocacia do regime, "sempre as mesmas" e na corrupção que não o é, porque misturada nas práticas regulamentadas por leis aprovadas democraticamente. O prejuízo, esse, é de todos e por isso democrático também. Os beneficiários,todos os que  capturaram o regime em proveito próprio, com destaque para a elite partidária.

As entidades publicamente responsáveis pelo combate a esse fenómeno intrincado, asseguram periodicamente que "Portugal não é um país de corruptos" e que a percepção do assunto é desfigurada em relação à realidade, ou seja, a letra processual não diz com a careta dos factos conhecidos.  O desfasamento fica por conta de equívocos e desinformação e "lá vamos, cantando e rindo", como antigamente, embora sem a música original, substituida por artistas em play back.

As diferenças de regimes são assim flagrantes para quem quiser entender. O povo entende, pelos vistos.Como já disse um dos beneficiários do regime ( Vasco Vieira de Almeida) "o povo foi sempre melhor que as elites". Lá sabe do que fala...
 







108 comentários:

Floribundus disse...

o ataque era tão cego que até sanearam da banco dos Quinas um dos filhos dum Prof do IST afastado pelo estado Novo 1m 1947

um dos familiares dos Condes da Covilhã presente na foto pertenceu à Loja para onde o sogro me convidou

Floribundus disse...

li o poema de Torga 'Rio largo' em 1951
é muito elucidativo sobre o Prec de 74

http://museu.rtp.pt/app/uploads/dbEmissoraNacional/Lote%2087/00038926.pdf

muja disse...

A basbaque da capa nem sabe quanta verdade Deus lhes pôs nos lábios.

Há alternativa. O problema, para ela e os outros, é esse mesmo: é ser alternativa.

Alternativa a deputadas que parecem manequins. Que parece que se preocupam mais com o chapelinho que põem para a entrevista que com as pessoas (e suas vidas) que se diz representarem. Provavelmente naquilo que se vê na foto, há-de ter gasto bem mais que o salário mínimo (para os outros, claro) que havia de histericamente defender lá no Palramento junto das outras catatuas e aves raras...

Estes 40 anos ainda podem vir a ser uma bela surpresa. Afinal, afinal, as pessoas não são tão parvas quanto isso... Afinal sempre vêem alguma coisa...




Manuel de Castro disse...

Vai ser complicado sair do buraco. O sistema está tão podre que até já vieram a terreiro alguns - Freitas e Marcelo, pelo menos - defender a obrigatoriedade do voto, numa tentativa de legitimar à traulitada um regime cada vez mais desacreditado. Como se a obrigatoriedade do voto viesse resolver alguma coisa.

Choldra lusitana disse...

Mais um sapo que os antifassistas têm de engolir. Na hora da verdade,e sem constrangimentos ideológicos,o povo manda que os resultados sejam sempre os mesmos: o anterior regime era mais decente que o actual.
Não havia Coelhos,Ferreiras do Amaral e quejandos a saltitarem de um lado para o outro à procura de "negócios".
E quando se expunham mais do que lhes era permitido,Salazar demitia-os por um cartão de visitas a agradecer os serviços prestados ao país. Ele bem sabia dos limites da natureza humana.
Guardo um desses cartões,como quem guarda uma raridade.

Choldra lusitana disse...

A gaja da capa,filha tardia,logo com os genes progenitores algo deficientes (nem todos podem ser filhos de Picasso),parece um clone daquele histérico maníaco-obssessivo do Galamba. Ambos não têm mais nada a mostrar que o dedo em riste e uns risinhos cabotinos quando se lhes afronta a pseudo superioridade mental. Umas nulidades. Uma diz-se constitucionalista,o outro economista. De bancarrotas,decerto.

muja disse...

numa tentativa de legitimar à traulitada um regime cada vez mais desacreditado

De facto. Dizem que o anterior caiu porque estava podre. Eu duvido, porque este, por apodrecer, já tem muito pouco.

Tenho para mim que o outro caiu porque existia de pé.

Este, como nasceu rastejante e pelo chão se ficou, cair não cai. A ver vamos o que lhe há-de então acontecer...

Vivendi disse...

Esta flausina (marxi-feminista) demonstra bem como as gerações precedentes se degradaram.

Quem sabe um dia, o José, apresenta as mulheres que marcaram o regime do estado-novo em confronto com as mulheres do regime abrileiro.

Ricciardi disse...

As pessoas tem a sensação que hoje em dia os politicos são menos honestos. Quando nos referimos ao passado parece-nos sempre que o pessoal era mais honrado.
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Não sei, porém, se essa sensação devém da realidade dos factos ou se a informação que chega até nós é que se tornou mais incisiva expondo os políticos com mais frequencia e liberdade do que outrora.
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Poderia um jornalista publicar os resultados das suas investigações no tempo de salazar da mesma forma que vai podendo fazer (cada vez menos) nos dias que correm?
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Parece-me que não. Mas tambem me parece que o poder politico da actualidade, à falta do lápis azul, usa influencia para ajoelhar qualquer jornalista mais contundente.
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Vivi essa experiencia num jornal local que iniciou actividade ingenuamente atacando de frente os poderes locais. Poderes corruptos que felizmente perderam as ultimas eleições. Pouco tempo depois recebi telefonemas de empresas privadas que patrocinavam o jornal a cancelar os apoios. Se isso acontece na imprensa local, tambem deve acontecer na naional.
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Rb

josé disse...

Há um método de análise que me parece à prova de bala:

Quase todos os rssponsáveis pelo regime anterior, ao mais alto escalão como se costuma dizer eram honestos ao ponto de viverem do seu salário e quando este se acabou ficaram mal.

Até o Tomás ou o Tenreiro.

Portanto...

Vivendi disse...

Há outro método de análise que me parece à prova de bala:

Não houve bancarrota. Aliás 3 bancarrotas.

Ricciardi disse...

Sim, José, é um bom indicador. O exemplo.
.
Rb

Unknown disse...

Como é um professor estrangeiro que o diz, não é bem fassismo ...
Mas que o glorioso Vasco Lourenço não gosta nada desta conversa, ia não gosta não.

http://expresso.sapo.pt/portugal-ensinou-como-nao-fazer-transicoes-para-a-democracia=f865540


Miguel D

Choldra lusitana disse...

O Vasco de Melena e Pá só gosta do seu umbigo,se é que consegue vê-lo com aquela protuberância informe a que se chama de barriga.

muja disse...

O exemplo.

Não é o exemplo! É mesmo quem essas pessoas eram!

Eles não eram honestos para dar o exemplo. Eram honestos porque eram! E nisso constituíam exemplo.

Ao Rb custa-lhe isso a engolir como bom democrata que é, mas é a verdade.

A verdade é que nos impingiram quarenta anos de treta e ladroagem. É isso que diz a sondagem ou inquérito ou lá o que é.

E as pessoas, se o não sabem, sentem-no ou pressentem-no.

Vir agora com histórias de que é-a-imagem-e-que-dantes-não-sei-quê-e-era-mais-difícil-e-que-os-políticozinhos-agora-são-mais-expostos é já a dissonância cognitiva. Não adianta nada. É "desculpa de mau pagador".

A democracia, para Portugal, foi uma merda.

Esta é a verdade, e é a verdade que as pessoas já sentem.

Agora se com outra democracia as coisas tinham corrido de outra maneira, pois é bem possível, talvez até provável. Mas também não é certo.

O certo é, que da forma que tudo ia na altura do golpe, nada fazia prever que o país fosse piorar. Tudo havia melhorado e continuava a melhorar. O certo é, que de qualquer ponto de vista racional, não havia razão nenhuma para fazer qualquer golpe: não se fazem alterações bruscas - muito menos fundamentais! - numa coisa que melhora. A não ser que se queira que piore...

A democracia foi uma merda e não é distorcendo, mentindo e enganando sobre a República anterior por um lado, e arranjando desculpas esfarrapadas pelo outro, que se faz dela melhor que o que foi.

E também não é por se reconhecer a verdade das coisas e a justiça que merecem muitos na anterior República que ela volta com o que tinha de mau (muito do qual nunca daqui saiu), nem - infelizmente - com o que tinha de bom.





zazie disse...

O exemplo é um bom indicador.

Foi isto que o morgadinho da cubata disse, sô muja

":OP

zazie disse...

Quanto à dita cuja, não sei se o mujah tem exemplos melhores lá pelas bandas dos turbantes, para podermos imitar.

zazie disse...

É que há cenas que têm explicação histórica.

E há outras que são pancada fora dela.

zazie disse...

Esta cena da democracia e tal e coisa, sem ser "em perspectiva histórica" acaba por ser a mesma conversa dos críticos do capitalismo.

também encontram mil e um detalhes para explicarem como o capitalismo é uma boa merda.

Pede-se alternativa e fecham-se em copas por vergonha de assumirem o que querem.

muja disse...

Foi... Ele diz muitas coisas.

muja disse...

V. leu o que eu escrevi?

Ou vai também defender a virgem pura contra os moinhos de vento?

zazie disse...

E v. também deixe lá que fala pelos cotovelos.

Ainda consigo ser mais masculina na parcimónia de palavras que v.s os dois.
":OP

muja disse...

Deixe falar atão.

Não é conquista de Abril? Desde já a agradeço...

zazie disse...

Li. V. é que não leu o que eu escrevi.

No outro dia um amigo meu também estava com a conversa das maldades e cretinices do sistema capitalista.

Tudo altamente rebuscado porque um anti-capitalista tem parlapié que dá para doutoramento na coisa.

Às tantas, eu lá o interrompi num exemplo e disse que já houve capitalismo diferente- tivemo-lo no Estado Novo quando até os empresários tinham escolas e creches para os filhos dos operários.

Aí é que ele se atirou ao ar.

Que nada! Isso ainda é maior hipocrisia- essa "caridadezinha"- antes um capitalista predador, como os de agora que essa hipocrisia do "bom capitalista".

E vou ei e apenas lhe pergunto: "mas então o que é que defende, o socialismo, é?"


Calou-se. Nem mais uma palavra.

zazie disse...

ehehehehe

Essa da conquista de abril pelos cotovelos teve piada

":O)))))))

Os homens de letras é que costumam ser muito plaradores. Mas v. é de Ciências, ao que julgo.

O morgadinho da cubata é muito palrador porque é um contador de histórias.

muja disse...

Pois. Se calhar enganei-me na área. Ou então é o seu estereótipo a falhar num caso-limite.

Mas ainda há homens de letras?

zazie disse...

ehhehe

Acho piada. Cá em casa é o inverso- falam por monossílabos.

zazie disse...

Há pois. O que mais há é "homens de letras".

É um bordão inventado pelo meu pimpolho quando era mesmo pimpolho.

Tinha piada o que ele queria dizer com isso mas é melhor ficar-me por aqui.

zazie disse...

Dou só um exemplo.

Uma noite fomos ao cinema e, no lugar á frente dele, estava um tipo todo emproado que nem encostava a cabeça no encosto da cadeira e não o deixava ver nada.

E vai ele- apetece-me dar-lhe um pontapé na cabeça mas deve ser um "homem de letras".

o tipo virou a cabeça ao oubir isto e eu reconheci mesmo um "homem de letras" - um intelectual de letras
ahahahahahahahhaha

É maisw outro bordão que ficou no activo, a par dos "arranhacéus de Nova Iorque".

muja disse...

"Homens de tretas" é o que V. quer dizer, então...

muja disse...

Mas olhe que também não é com essa do socialismo que me apanha.

Primeiro, socialismos há muitos. É como democracias.

Depois, para mim, um regime é melhor se os resultados forem melhores. Como os homens, têm de ser julgados pelas próprias acções e não por intenções que se lhes atribuam (que só se verificam realmente por acções).

Por alto, penso que uma sociedade deve procurar sempre justiça, paz e prosperidade.

Este sistema é melhor que o outro em alguma dessas coisas? Eu acho que não. Logo, para mim, este é pior que o anterior. Aí tem o que eu defendo.

Mas voltamos sempre ao mesmo, sem o qual não há progresso possível: o que é a democracia?

Em que é que este sistema - todo o sistema, incluindo a sociedade que gerou e gera - é mais democrático que o anterior, vamos lá saber então?

E o que é que tem de democrático passar a vida a pagar dívidas que outros contraíram antes de nós?

Porque quando a Zazie, o Rb, o José e outros já cá não estiverem para ver, a dividazinha é para pagar na mesma. Essa é que é essa. E alguém a vai ter de a pagar. Nem o Salazar conseguiu livrar-nos dessa... O que havia a pagar, pagou-se. O que há a pagar, vai ter de ser pago de uma ou outra forma.

Anónimo disse...

"O certo é, que de qualquer ponto de vista racional, não havia razão nenhuma para fazer qualquer golpe"

Havia. Uma guerra colonial sem fim á vista. É esse o principal motivo para o movimento de 25 de Abril.

AG

zazie disse...

Há muitos, não. Há socialização de meios de produção.

A cena de democracia é diferente. Existem variantes, sim. E existem farsas de saque como em África e grande aprte como cá.

Mas isso em nada invalida a questão das alternativas.

Que eu saiba, alternativa sem ser por cópia de turbantes ou de Coreia e assim, só a têm os maluquinhos dos morcões independentistas e dos ancap que acreditam na democracia directa por condomínio.

josé disse...

A única vantagem que este regime tem relativamente ao outro é uma coisa inefável: liberdade em se poder dizer mais do que antes e não se ser preso por isso.

Ser preso por isso e por se ser "subversivo" ou seja ser do PC ou da extrema-esquerda porque não havia liberdade para tal.

No fundo tudo se resume a isso.

Será mesmo suficiente para se poder dizer que é melhor?

josé disse...

Quando algum antifassista me recrimina por dizer bem do regime de Caetano, acrescentando que foi a Revolução que me deu a liberdade para tal, está sempre enganado: nessa altura eu tinha liberdade para dizer exactamente o que digo hoje.

Não tinha era se fosse comunista...e estes pacóvios nem se dão conta do paradoxo que ainda se amplia quando lhes refiro que o regime que queriam era pior que o que pretendiam substituir.

zazie disse...

Claro que não.

Mas o anterior também não era ditadura.

E a conversa do Mujah não é essa. É achar que os nossos males são fruto de uma forma de governo comum a todos os países da Europa e mais ou menos civilizados no mundo.

Foi a isto que respondi porque então ele tinha de assumir que defende a bondade das ditaduras islâmicas, por exemplo.

josé disse...

Esse argumento é o que determina a falta de razão dos mesmos.

zazie disse...

Como não tenho grande pachorra para parlapié abstracto, de facto, não entendo o que querem, quando lhes dá para carpirem os malefícios do sistema capitalista ou do regime democrático.

Os morcões ancap, sim- esses ao menos apresentam a tal alternativa de secessão e governo de bairro por proprietário de condomínio.

zazie disse...

E é isso- Nós não tivemos uma ditadura.

Tivemos outra coisa peculiar mas não se arruma em ditadura para depois se lhe opor a tal "democracia europeia".

josé disse...

O esforço que os antifassistas fazem para assimilar o regime anterior a ditaduras sem especificação, porque são todas más, é uma fantasia para se protegerem. E uma falsificação histórica porque a ditadura de Salazar e a de Caetano não era típica e não era o que essa tropa fandanga anda a divulgar aos jovens e esquecidos.

josé disse...

Porém, é com essa falsificação que fazem a História.

Os Rosas&Pereira vivem disso.

zazie disse...

Eles acham que é democracia porque lá há voto em que também não acreditam.

A parte que gosto de morder é quando os democacas ficam histéricos por eu dizer que raramente voto.

Que não. Que ao menos devia ir lá anular o voto para eles não o utilizarem para o partido que quiserem

ehehehehehe

Os democacas acreditam que a democracia eleitoral é uma mentira mas depois insultam o Estado Novo por haver falsificação nas urnas.

zazie disse...

É claro que eu não acredito nessa falsificação actual em que eles acreditam.

Mas isto a mim diz-me muito. Significa que há pascácios que embandeiram em arco com uma suposta conquista de "escolha" de governantes (quando não escolhemos sequer o menu) mas depois acham que os votos podem ser falsificados

AHAHAHAHAHAHHA

zazie disse...

Exactamente, José. Os cretinos nem conseguem sequer explicar a constituição do Parlamento.

Foi uma patranha que se tornou lei. Ensina-se na escola, está dito. Quem disser que é mentira é marcado na testa como saudosista do "facismo".

josé disse...

Essencialmente o regime de Salazar e Caetano protegia Portugal do comunismo mas fazia-o em moldes que na Europa civilizada já não se fazia.

Se formos aos anos cinquenta e até sessenta nos EUA, o regime também se protegeu do comunismo com o McCartismo e as perseguições "democráticas".

Em França, os comunistas não foram perseguidos porque foram antinazis na II guerra, mas não punham o pé em ramo verde.

na Itália idem. Nos demais países europeus idem aspas.
Mas nenhum tinha uma guerra nos anos sessenta, como nós tivemos. A descolonização da Argélia não foi uma "guerra no Ultramar" como nós tivemos porque não estiveram em confronto dois blocos da guerra fria.

Foi essa circunstância que não permitiu o aggiornamento que poderíamos ter em 1968 e não tivemos.

josé disse...

Ah! E a protecção contra o comunismo era válida como razão política porque é um regime hediondo.

E por isso Salazar e Caetano tinham razão e não há volta a dar a isso.

Os Rosas&Pereira não sabem responder a isto.

josé disse...

Tinham mais razão do que estes pascácios querem ter contra o "fassismo" que não era. Por isso o exageram para terem a tal razão que não têm.

zazie disse...

Pois é isso mesmo.

e não tiveram porque os outros colonizaram tarde e a más horas e nós descobrimos.

Nós tivemos descobrimentos de territórios. Alguns até desabitados.

Outros nem países eram- eram tribos sob domínio de outros e o resto era mato e mais mato sem vivalma.

Disto fizemos países.

Claro que a nossa descolonização tinha de ser mais tardia e havia que resistir mais à moda de um continente para uma raça preta.

zazie disse...

Mas eu nem sei se eles são contra o "facismo" e contra os burgueses e assim.

Porque nesse lugar estão agora eles.

Era uma tragédia haver novo PREC.
É um facto.

Mas, também é um facto que ia ser uma tragicomédia entre pares.

A ocuparem-se mutuamente e a sanearem-se a eles próprios.

zazie disse...

E é por isso que não se pode falar em problemas de "regime democrático" em Portugal.

Os nossos problemas também são outros. Não são de regime- são de ciganagem que tomou conta disto mascarando-se de democrata.

josé disse...

Tenho por cá uma revista-livro de 1965 chamada Ultramar que se publicava na época e que tem artigos muito interessantes sobre a "psicologia social" e a história de Angola com a menção a muitas tribos autóctones dos séculos XVII e até antes.

Muito interessante.

josé disse...

"Não são de regime- são de ciganagem que tomou conta disto mascarando-se de democrata."

Mas é exactamente a ciganagem que agora manda e dantes não mandava.

Por isso a superioridade do regime de Caetano- porque nesse aspecto, indiscutivelmente o era.

A ciganagem que anda por aí nos Expressos e Sics e nas EP´s e escritórios de advocacia é produto de um outro regime: o da perversão democrática.

zazie disse...

Exactamente- da perversão democrática.

Isso pode existir em pequena escala noutros países mas da forma exclusiva e endogâmica como cá, só em África.

muja disse...

E a conversa do Mujah não é essa. É achar que os nossos males são fruto de uma forma de governo comum a todos os países da Europa e mais ou menos civilizados no mundo.

Então mas algum desses países que refere, vai a caminho de se tornar mais civilizado? Não precisa de responder. Pense lá com os seus botões.

De qualquer maneira, não ponhamos a carroça à frente dos bois. E V. também ainda não compreendeu o que eu digo, porque pensa que já compreendeu.

Os nossos males não são fruto de uma forma de governo comum, etc. Nem é isso que eu digo.

Os nossos males são fruto da ladroagem e do golpe que os guindou ao poder.

Agora, de certo não conta que eu teça loas ao regime que, quando os não guindou acima, pelo menos os manteve e mantém lá. E que comprometeu e compromete o meu futuro e o dos meus, como o de quase todos os outros, ao ponto de se tornar necessário abandonar o país para se ter trabalho?

Não teço. Não só não teço como o abomino, ao regime e à ladroagem que o compõe. São ambos reflexo um do outro. São ladrões para me gamar. E essa liberdade de falar do comunismo não a vendia eu por este preço, nem parecido, se mo tivessem proposto.
Mas não o propuseram a ninguém, os democratas.

Isto é o que eu acho e o que eu sinto.

V. - como muitos - é que chama a isto democracia. Eu, que para taxonomista não dou, tenho de cascar, então, na democracia.
Para mim, é apenas ladroagem. O resto é tanga.

Portanto, é evidente que tenho vontade de me manifestar quando alguém vem defender a democracia (i.é. a ladroagem) em nome de não-sei-quê. Das duas uma: ou é parvo ou faz de mim parvo. Eu sou contra a ladroagem. Se lhe chamam democracia, eu sou contra a democracia pronto.


muja disse...

Uma guerra colonial sem fim á vista.

Sem fim à vista? Em 24 de Abril havia de certo alguém que lhe via bem o fim...

Um guerra defensiva só tem três fins possíveis:

- o agressor vence
- o agressor é completamente destruído
- o agressor desiste

O primeiro estava longe, longíssimo de acontecer (excepto pela traição).

O segundo não estava ao nosso alcance enquanto continuassem a receber guarida de estados fronteiros com os quais nos não convinha guerra.

O terceiro era a melhor aposta. E estava a ganhar-se progressivamente.

De qualquer maneira, a Guerra da Restauração da Independência, por exemplo, tinha fim à vista?

É esse o principal motivo para o movimento de 25 de Abril.

Concordo. E até tenho cá para mim que o problema não era não se lhe ver fim à guerra, mas ver-se-lhe antes um fim que certas pessoas não gostavam mesmo nada...

muja disse...

E mais, abandonar o Ultramar, como aliás se viu, sem destruir o agressor ou fazê-lo desistir, não era por fim à guerra.

Era tão somente deixá-la lá.

zazie disse...

Sim, não vão a caminho de se tornarem mais civilizados.

Já sabemos que há uma decadência civilizacional.

E blá. blá, qual é a alternativa?

Tem-na ou tem vergonha de dizer?

zazie disse...

O problema com o regime democrático é semelhante ao capitalismo- tem variantes, não é coisa absolutamente cor de rosa mas, até agora, não se inventou melhor.

zazie disse...

Porque, no presente, tudo o que não é assim, ainda é pior.

Pode não ter os tais tiques decadentistas ocidentais mas tem a barbárie até com mais dinheiro.

Ora, entre decadência e pureza de barbárie, eu prefiro a primeira.

muja disse...

Ó mulher, V. também só pega no que lhe interessa!

Tenho lá alternativa, eu?! Não sou estadista, nem sou político! Além disso, eles que procurem as próprias alternativas. E, de preferência, que se abstenham de vir chagar-nos a cabeça com as deles.

Agora, para Portugal há alternativa, pois então! Tudo o que não tiver ladroagem é já um progresso.
De resto, para mim, é voltar a atrás e mudar o que estava mal ou melhorar o que não estava bem.

Gostam de votar? Façam eleições para o PR de sete em sete. Pronto. Querem mais? Façam para a Assembleia Nacional de quatro em quatro.

Agora, mudar o Governo, por eleição, de quatro em quatro não concordo. Acho que estava muito bem como estava. Sabia-se bem quem governava. Para o bem e para o mal...

zazie disse...

A nossa discordância está aqui neste seu seguimento.

Diz o Mujah:

«Os nossos males são fruto da ladroagem e do golpe que os guindou ao poder»

E digo eu- de acordo. Penso o mesmo. Se isto tivesse mudado sem revolução teria sido melhor. O que destruiu foi terem deitado tudo fora e o PREC

Mas depois acrescenta isto sem lógica:


«Agora, de certo não conta que eu teça loas ao regime que, quando os não guindou acima, pelo menos os manteve e mantém lá.»

Não. Se tomaram por ladroagem, não foi "um regime" em abstracto, que era mau or si mesmo.

Como o José diz- foi pervertido. Portanto a culpa não é do regime mas das perversões endogâmicas dos que se tornaram donos de Portugal.

Entende a diferença?

O meu desacordo está aqui- neste salto falacioso que v. dá.
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Ainda que nem sequer tenha certezas quanto à bondade intrínseca da democracia e muito menos alguma vez defendi a transformação dela num valor absoluto ou na sua exportação para se terraplanar o mundo à sua semelhança.

Mas- o que eu digo é que os países que não t~em regime aproximado- com variantes e perfeições e controle mais cívico que nós nem temos, têm pior.

E não vale virem com o exemplo ancap do Lichtenstein

zazie disse...

É pá, não se amofine.

Podia ter alternativa inventaada. ideias e assim.

Há quem as tenha.

Eu, quando não tenho alternativa não consigo passar a vida a deitar abaixo uma coisa para depois dizer que se ela se fôr nem sei o que vai ser.

Porque "não tenho alternativa".

É a mesma história com o capitalismo.

Em perspectiva de futuro milenar e assim- em ficção científica, pode ser que se venha a inventar outra coisa.

Par o presente nada interessa esse talvez.

Vive-se com o que se tem e deve-se melhorar o que se pode.

O resto é lirismo.

zazie disse...

Por acaso acho qeu do modo que a treta democrática funcona, e em havendo ciganagem, o melhor mesmo é nem deixar aquecer lugar.

E podia acontecer como em Itália. Acabarem partidos e aparecerem outros.


Fora isso não sei. Não tenho grande visão social

ehehehehehe

zazie disse...

Esse voltar atrás é que penso ser mesmo impossível.

é importante desmontar-se as patranhas abrilistas.

È muitísismo importante um povo não ter iatos de vergonha histórica por deformação doutrinária.

Mas o tempo não volta mesmo para trás.

Nem sequer temos Império, nem o mesmo povo, nem um político ou elites para amostra.

zazie disse...

Pode-swe restaurar parcelarmente certas coisas.

O ensino, por exemplo.

Mas, mesmo aí nem se podia voltar atrás porque a trampa global bolonhesa e a mentalidade politicamente correcta já manda no mundo.

Acredito mais no pequeno esforço individual.

Ou então, estou como os ancap- cordão sanitário e o mundo fica à porta do meu jardim.

josé disse...

A questão da democracia foi bem equacionada por Marcello Caetano num livro de entrevistas de António Alçada Baptista. Tem lá todos os argumentos para se defender o regime que Caetano defendia. E são os que Mujahedin usa.

O problema porém é a noção e prática de democracia.

Onde é que há um regime democrático que a gente pode admirar?

Na velha Albion? Na Alemanha? Na Suíça?

Na Itália?

Por mim já decidi: Itália. Por uma razão: não respeitam a democracia formal no sentido do respeitinho e mandaram borda fora os partidos corruptos da DC e do PS do Craxi, muito parecido com o PS que temos.

josé disse...

A Itália é um país que admiro porque tem uma tradição antiga de antiguidade clássica e isso ficou nas paredes que lá se vêem.

Como aliás por aqui também há mas poucos vêem.

zazie disse...

Eu tendo mais a ser biologicamente optimista e socialmente pessimista- para para parafrasear o Francis Bacon.

Às vezes lembro-me daquele filme do Michael Haneke- "O Tempo do Lobo" e acho que a coisa vai ficar mais perto disso que do horizonte cor-de-rosa.

muja disse...

O problema porém é a noção e prática de democracia.


Pois é.

Onde é que há um regime democrático que a gente pode admirar?

Boa pergunta. Não sei. Desconfio que não haja, pelo menos para mim.
Mas houve. Houve logo aqui.

A Constituição da 2ª República foi sufragada. Mal ou bem, mas foi.

A desta não.

Podem começar por aí...

zazie disse...

Talvez.

Mas dizem-me que eles não respeitam nada, já agora.

São do Sul, como nós. Têm um passado cultural e económico que nós não temos mas contam-me que o ensino consegue estar bem pior do que cá.

josé disse...

Na Itália? Talvez. Mas nos quiosques dos combóios tinham a Limes e a Micromega, ambas de esquerda e para um nicho que por aqui nem temos.

As livrarias italianas são melhores que as inglesas, para mim.

O ambiente, a comida e o estilo são preferíveis aos que conheço noutros lados.

É isso, para mim, a democracia.

zazie disse...

É verdade. Mas contam-me que o ensino está péssimo.

De artes, por exemplo. Disseram-me que é uma merda.

josé disse...

O ensino das artes está péssimo?

Já viu o design nos novos Alfa-Romeo ou dos Formula1 da Ferrari ou os sapatos ou as roupas?

Tomáramos nós ter o ensino das artes italiano.

josé disse...

Pegue numa revista italiana de moda e veja as publicidades. Basta isso.

josé disse...

Por aqui andam a publicitar a Monocle dum nórdico qualquer. Parece que por cá vende bem.

É mesmo um exemplo do parolismo que temos.

Vivendi disse...

A tragédia social gerada pela democracia

A grande festa da democracia de Abril está a chegar com os portugueses cada vez mais pobres e escravos dessa mesma democracia para qual foram ensinados (formatados) a admirar e maior é a festa quanto maior é descalabro...

A democracia de Abril não passa de um sistema de regime socialista (regime abrileiro) onde o objetivo máximo do regime consiste em capturar a liberdade das pessoas usando justamente o engodo da liberdade para capturar a liberdade (as imposições restritivas são cada vez maiores de dia para dia).

De ilusão em ilusão os portugueses são a cada dia que passa menos livres, e temos neste momento uma sociedade dividida, onde de um lado temos os beneficiadores diretos do regime (a malta dos direitos adquiridos) e no outro lado temos (milhões de portugueses) que foram condenados pelo regime à apatia ou em alternativa à emigração e uns quantos resistentes que não deixaram de acreditar na força da iniciativa privada para empreender e resistir à fúria estatizante.

A democracia está longe de ser o sistema mais eficaz.

Abaixo um texto que expõe de forma bastante clara a tragédia social gerada pela democracia...

Vivendi disse...

Por Frank Karsten & Karel Beckman,

A democracia pode até ter começado com o grande ideal para conceder poder às pessoas; porém, depois de 150 anos de prática, os resultados estão aí e eles não são positivos. Está mais do que claro que a democracia está mais para um arranjo tirânico do que para uma força libertadora. As democracias ocidentais estão seguindo o mesmo caminho já percorrido pelos países socialistas e, como era inevitável, se tornaram estagnadas, corruptas, opressoras e burocratizadas. Isto não aconteceu porque o ideal democrático foi subvertido, mas sim, e ao contrário, porque esta é exatamente a natureza inerente ao ideal democrático. Trata-se de uma natureza coletivista.

Se você quer saber como a democracia realmente funciona, considere este exemplo. George Papandreou, o político grego socialista, ganhou as eleições em seu país em 2009, com um slogan simples: "Há dinheiro!" Seus oponentes conservadores haviam reduzido os salários dos funcionários públicos e outras despesas públicas. Papandreou disse que isso não era necessário. "Lefta yparchoun" era seu grito de guerra — há dinheiro. Ele ganhou as eleições sem problemas. Na realidade, não havia dinheiro nenhum, é claro — ou melhor, o dinheiro teve de ser fornecido pelos pagadores de impostos de outros países da União Europeia. Mas, na democracia, a maioria está sempre certa e, quando tal maioria descobre que pode, por meio do voto, confiscar a riqueza alheia para si própria, ela inevitavelmente fará isso. Esperar que não o faça seria ingenuidade.

O que o exemplo grego mostra também é que as pessoas em uma democracia naturalmente se voltam para o estado para que este cuide delas. Governo democrático significa ser governado pelo estado. Como resultado, as pessoas irão sempre fazer exigências ao estado. Elas irão se tornar cada vez mais dependentes do governo, para resolver seus problemas e orientar suas vidas. Qualquer problema que elas encontrem, elas esperarão que o governo os corrija. Obesidade, abuso de drogas, desemprego, falta de professores ou enfermeiros, uma queda no número de visitas a museus, o que seja — o estado está lá para fazer algo que resolva isso.

Aconteça o que acontecer — um incêndio em um teatro, um acidente de avião, uma briga de bar —, elas esperam que o governo vá atrás dos culpados e garanta que nada semelhante aconteça novamente. Se as pessoas estão desempregadas, elas esperam que o governo 'crie empregos'. Se os preços da gasolina sobem, elas querem que o governo faça algo sobre isso. No Youtube, há um vídeo de uma entrevista com uma mulher que acabou de ouvir um discurso do presidente Obama. Quase chorando de alegria e emoção, ela exclama: "Eu não mais terei de me preocupar com o pagamento da gasolina para o meu carro ou da minha hipoteca". Esse é o tipo de mentalidade que a democracia cria.

E os políticos estão sempre dispostos a fornecer o que as pessoas exigem deles. Eles são como o homem daquele provérbio: para quem tem apenas um martelo, tudo se parece com um prego. Para cada problema da sociedade, eles se veem como os únicos capazes de solucionar esses problemas.

Vivendi disse...

Afinal, é para isso que foram eleitos. Eles prometem que irão 'criar empregos', reduzir as taxas de juros, aumentar o poder de compra das pessoas, fazer com que a aquisição de casas seja acessível até para os mais pobres, melhorar a educação, construir parques infantis e campos desportivos para os nossos filhos, se certificar de que todos os produtos e locais de trabalho são seguros, fornecer serviços de saúde de qualidade e acessíveis para todos, acabar com os engarrafamentos, varrer a criminalidade das ruas, livrar os bairros de vandalismo, defender os interesses 'nacionais' perante o resto do mundo, promover a emancipação e lutar contra a discriminação em todos os lugares, verificar se os alimentos são seguros e se a água é limpa, 'salvar o clima', tornar o país o mais limpo, o mais verde e o mais inovador do mundo e banir a fome da face da terra.

Eles irão realizar todos os nossos sonhos e exigências, cuidar de nós desde o berço até o túmulo, e se certificar de que estamos felizes e contentes desde o início da manhã até o final da noite — e, claro, farão tudo isso sem elevar os gastos e ainda reduzindo impostos.
Tais são os sonhos que constituem a democracia.

Os pecados da democracia

Obviamente, a verdade é que isto simplesmente não tem como funcionar. O governo não pode alcançar tudo isso. No final, os políticos sempre irão fazer as únicas coisas que eles realmente sabem fazer:
1. Desperdiçar enormes quantias de dinheiro em problemas que são ou insolúveis ou transitórios;
2. Criar novas leis e regulações;
3. Criar comissões para supervisionar a implantação das suas leis.

Vivendi disse...

Não há realmente nada mais que eles possam fazer, como políticos. Eles não podem sequer pagar as contas de suas atividades, cuja fatura é enviada para os pagadores de impostos.
É possível ver as consequências desse sistema ao seu redor, diariamente:

Burocracia

A democracia gerou, em todo o mundo, um enorme inchaço burocrático. A burocracia nos cerca e reina sobre nossas vidas com um poder cada vez mais arbitrário. Dado que tal aparato burocrático é ele próprio o governo, ele é capaz de assegurar que seus integrantes estejam bem protegidos contra as duras realidades econômicas que o resto de nós enfrenta.
Nenhuma burocracia jamais vai à falência; os próprios burocratas não podem ser demitidos e eles raramente entram em conflito com a lei, uma vez que eles são a lei. Ao mesmo tempo em que gozam de impunidade, eles jogam um enorme fardo sobre o resto de nós, com as suas regras e regulamentos. A abertura de novas empresas é impedida e desestimulada por uma imensidão de leis e de custos burocráticos que lhes são impostas. Empresas já existentes também sofrem sob o peso da burocracia. Os custos burocráticos para se empreender — por menor que seja o empreendimento — são aviltantes.
Os pobres e os que têm menos educação são os que mais sofrem com esse sistema. Em primeiro lugar porque o custo adicional gerado pela burocracia encarece sobremaneira o valor final de qualquer empreendimento, fazendo com que o uso de uma mão-de-obra pouco produtiva seja muito custoso. O resultado é um achatamento salarial. Em segundo, porque os pobres também têm de arcar com o financiamento do aparato burocrático, e isso se dá por meio de encargos sociais e trabalhistas que encarecem o valor final do seu salário. O resultado é um novo achatamento salarial. E terceiro, porque é muito difícil para eles estabelecerem o seu próprio negócio, uma vez que eles não têm como enfrentar a selva burocrática; pobre não pode se dar ao luxo de gastar dinheiro com propina.

Parasitismo

Além dos burocratas, funcionários públicos e políticos, há um outro grupo de pessoas que se safa muito bem no sistema democrático: aquelas pessoas que comandam empresas e instituições que devem sua existência à generosidade do governo ou a privilégios especiais. Pense nos gestores de grandes empresas nacionais que são protegidas pelo governo contra a concorrência, tanto por meio de tarifas de importação quanto por agências reguladoras que cartelizam o mercado e impedem a entrada de empresas concorrentes. Pense naqueles setores industriais e agrícolas recebedores de fartos subsídios. Pense nos grandes bancos e nas grandes instituições financeiras que são protegidas pelo Banco Central.
E há também as organizações sociais — sindicatos, movimentos raciais e sexuais, instituições culturais, a televisão pública, as agências assistenciais, os grupos ambientais e assim por diante — que recebem dinheiro diretamente do governo. Muitas das pessoas que comandam tais organizações não apenas têm empregos lucrativos e estáveis, como também possuem ligações íntimas com a burocracia estatal e com políticos, algo que garante vários privilégios e muito poder a estas organizações. Esta é uma forma de parasitismo institucionalizado, com a cumplicidade de nosso sistema democrático.

Vivendi disse...

Megalomania

Frustrado por sua incapacidade de realmente mudar a sociedade, o governo lança regularmente megaprojetos para ajudar a recuperar um setor industrial decadente ou para servir a um outro propósito nobre. Invariavelmente, essas ações só aumentam os problemas e elas sempre custam muito mais do que o planejado.

Pense nas reformas educacionais, na reforma da saúde, nos projetos de infraestruturas e seus vários elefantes brancos da energia (o programa de etanol nos EUA e os projetos de energia eólica costeira na Europa são bons exemplos que mostram que a incompetência estatal independe da riqueza da nação). As guerras também podem ser vistas como 'projetos públicos', realizados pelo governo para desviar a atenção de problemas internos, angariar apoio público, criar empregos para as classes desprivilegiadas e enormes lucros diretos para empresas favorecidas, as quais, por sua vez, patrocinam as campanhas eleitorais dos políticos e lhes oferecem empregos quando eles saem da vida pública. (Nem é preciso dizer que os políticos nunca lutam nas guerras que eles iniciam.)

Assistencialismo

Os políticos, que são eleitos para combater a pobreza e a desigualdade, naturalmente sentem que é seu dever sagrado continuar a introduzir novos programas sociais (e novos impostos para pagá-los). Isso serve não só aos seus próprios interesses, mas também aos interesses dos burocratas responsáveis pela execução dos programas. O estado assistencialista ocupa hoje uma parte substancial dos gastos do governo, na maioria dos países democráticos.
Na Grã-Bretanha, o governo gasta um terço de seu orçamento com o estado assistencialista.

Na Itália e na França, esse número se aproxima de 40%. Muitas organizações sociais (sindicatos, fundos de pensão de estatais, agências governamentais de emprego) têm interesse em preservar e expandir o estado assistencialista. Típico da maneira como o governo democrático funciona, o estado não oferece nenhuma opção e não celebra contratos com os seus cidadãos. Todo mundo é obrigado a arcar com os enormes gastos do seguro-desemprego e pagar elevadas taxas para a Previdência Social, mas ninguém sabe os benefícios que terá no futuro. O dinheiro que tiveram de entregar ao governo já foi gasto. O inevitável colapso da Previdência Social que se aproxima é o exemplo mais notório desse tipo de libertinagem.

E sempre tenha em mente que o assistencialismo não serve apenas os 'desprivilegiados'. Uma enorme fatia de 'assistência' vai para os ricos — por exemplo, para os bancos que foram socorridos com montantes na ordem de US$700 bilhões (depois de os executivos terem se auto-premiado com bônus consideráveis), para as grandes empresas que vivenciam dificuldades e que o governo decretou serem "grandes demais para falir" e, é claro, para toda a sorte de funcionários públicos, que se aposentam com valores magnânimos.

Vivendi disse...

Comportamento antissocial e crime

O estado assistencialista democrático estimula a irresponsabilidade e o comportamento antissocial. Em uma sociedade livre, as pessoas que se comportam mal, que não conseguem manter as suas promessas ou que agem sem preocupação com os outros, perdem a ajuda de amigos, da vizinhança e da família. No entanto, no atual arranjo, nosso estado assistencialista lhes diz: se ninguém mais quer ajudá-lo mais, nós ajudamos!
Assim, pessoas imprudentes e imediatistas são recompensadas por comportamentos antissociais. Como elas estão acostumadas que o governo lhes forneça tudo de que elas necessitam, elas desenvolvem a mentalidade dos aproveitadores, daqueles que não querem trabalhar para o seu próprio sustento. Para piorar a situação, legislações trabalhistas rígidas (assim como leis anti-discriminação) tornam difícil para os empregadores se livrarem de funcionários incompetentes. Da mesma forma, os regulamentos governamentais tornam quase impossível expulsar alunos ou despedir professores que se comportam mal ou têm mau desempenho.

Em programas públicos de habitação, é muito difícil despejar alguém que seja um incômodo para os vizinhos. Os grupos que se comportam mal em centros de acolhimento noturnos não podem ter a entrada recusada por causa de leis anti-discriminação. Para agravar ainda mais, o governo muitas vezes cria programas assistenciais para grupos antissociais, como vândalos. Na Inglaterra, por exemplo, há programas de assistência para hooligans. Desta forma, a delinquência é recompensada e encorajada.

Mediocridade e padrões mais baixos

Em qualquer sociedade, a maioria tende a ser constituída pelos mais pobres e não pelos membros mais bem sucedidos e competentes. Sendo assim, em uma democracia, há inevitavelmente uma pressão sobre os políticos para redistribuírem riqueza — para tirar dos ricos e dar aos pobres. Desta forma, o sucesso empreendedorial e a excelência são punidos por impostos progressivos. Logo, na democracia, é de se esperar que haja um emburrecimento da população e uma diminuição de normas gerais de cultura e etiqueta. Onde a maioria reina, a mediocridade torna-se a norma.

Cultura do descontentamento

Em uma democracia, as divergências privadas estão continuamente se transformando em conflitos sociais. Isso ocorre porque o estado interfere em todas as relações pessoais e sociais. Tudo o que acontece de errado em algum lugar, desde uma escola pública mal gerenciada a um tumulto local, logo se transforma em um problema nacional (ou mesmo internacional) para o qual os políticos têm de encontrar uma solução. Todo mundo se sente impelido e encorajado a impor sua visão do mundo sobre os outros. Grupos que se sentem injustiçados organizam bloqueios, protestos ou fazem greve. Isso cria um sentimento geral de frustração e descontentamento.

Vivendi disse...

Visão de curto prazo

Em uma democracia, o incentivo principal dos políticos é o desejo de serem reeleitos. Portanto, seu horizonte temporal dificilmente vai além das próximas eleições. Além disso, políticos eleitos democraticamente trabalham com recursos que não são deles e que estão apenas temporariamente à sua disposição. Eles estão apenas gastando o dinheiro dos outros. Isso significa que eles não têm que ter cuidado com o que fazem e nem têm de pensar no futuro. Por estas razões, políticas de curto prazo e imediatistas prevalecem em uma democracia.

Um ex-ministro holandês dos Assuntos Sociais disse certa vez que "os líderes políticos deveriam governar como se não houvesse mais eleições. Dessa forma, eles seriam capazes de tomar a visão de longo prazo das coisas". Mas isso é exatamente o que eles não podem fazer, é claro. Como o autor americano Fareed Zakaria disse em uma entrevista: "Eu acho que estamos diante de uma crise real no mundo ocidental. O que você vê é a incapacidade fundamental em toda a sociedade ocidental de fazer uma coisa, que é a de impor algum tipo de sofrimento de curto prazo para ganhos em longo prazo. Sempre que um governo tenta propor algum tipo de sofrimento de curto prazo, há uma revolta. E a revolta é quase sempre bem sucedida".

Como as pessoas são encorajadas a se comportar como aproveitadores em uma democracia, e como os políticos se comportam mais como inquilinos do que os proprietários de imóveis, pois eles estão apenas temporariamente no cargo, este resultado não deve surpreender ninguém. Alguém que aluga ou arrenda alguma coisa possui muito menos incentivos para ter cuidado e pensar no longo prazo do que um genuíno proprietário.

Por que tudo continua piorando

Teoricamente, as pessoas poderiam votar por um sistema diferente, menos burocrático e menos desperdiçador. Na prática, isso não é provável que aconteça, já que existem muitas pessoas que têm um grande interesse em preservar o sistema. E como o governo lentamente cresce, esse grupo cresce com ele.

Como o grande economista austríaco Ludwig von Mises apontou, a burocracia, em particular, resiste com unhas e dentes a qualquer tipo de mudança. "O burocrata não é apenas um empregado do governo", escreveu Mises,
Ele é, sob uma constituição democrática, ao mesmo tempo, um eleitor e, como tal, uma parte do soberano, seu empregador. Ele está em uma posição peculiar: ele é o empregador e o empregado. E seu interesse pecuniário, como funcionário, está acima de seu interesse como empregador, já que ele recebe muito mais dos recursos públicos do que contribui para eles. Esta dupla relação se torna mais importante à medida que o número de pessoas na folha de pagamento do governo aumenta. O burocrata, como eleitor, está mais ansioso em obter um aumento do que em manter o orçamento equilibrado. Sua principal preocupação é fazer inchar a folha de pagamento.

Vivendi disse...

O economista Milton Friedman descreveu quatro maneiras de se gastar dinheiro. A primeira é quando você gasta o seu dinheiro com você mesmo. Nesse caso, você tem um incentivo para buscar qualidade e gastar o dinheiro de forma eficiente. Este é o modo como, geralmente, o dinheiro é gasto no setor privado. A segunda maneira é gastar o seu dinheiro com outra pessoa — por exemplo, quando você compra jantar para alguém. Nesse caso, você certamente se preocupa com a quantidade de dinheiro que você gasta, mas está menos interessado na qualidade. A terceira maneira é quando você gasta o dinheiro de outra pessoa consigo mesmo, como quando você almoça à custa de sua empresa. Nesse caso, você terá pouco incentivo para ser frugal, mas você vai se esforçar para escolher o melhor almoço. A quarta maneira é quando você gasta o dinheiro de alguém com outra pessoa. Nesse caso, você não tem motivos para se preocupar com a qualidade e nem com o custo. Esta é a maneira como, geralmente, o governo gasta o dinheiro dos impostos.

Os políticos raramente são responsabilizados pelas medidas que implementam e que acabam sendo prejudiciais no longo prazo. Eles recebem elogios por suas boas intenções e pelos resultados iniciais positivos de seus programas. As consequências negativas, que surgem no longo prazo (por exemplo, dívidas que precisam ser reembolsadas), serão da responsabilidade de seus sucessores. Por outro lado, os políticos têm pouco incentivo para executarem programas que gerem resultados somente depois que eles já deixaram o cargo, pois tais resultados serão creditados aos futuros líderes.

Assim, os governos democráticos, invarialvelmente, gastam mais dinheiro do que recebem.

Eles resolvem este problema aumentando impostos ou, ainda melhor — uma vez que as pessoas que têm de lhes pagar não ficarão nada satisfeitas —, tomando empréstimos ou simplesmente imprimindo o dinheiro. (Note que eles tendem a contrair empréstimos junto a seus bancos favoritos, os quais posteriormente serão resgatados pelo governo, caso tenham problemas). Eles raramente cortam seu próprio orçamento. Quando eles falam em 'cortar', isso normalmente significa um crescimento mais lento dos gastos.


Imprimir dinheiro, é claro, leva à inflação, o que implica uma redução constante no valor da poupança das pessoas e no seu poder de compra. Pedir dinheiro emprestado faz com que a dívida nacional aumente e, consequentemente, deixe para a geração futura o pagamento dos juros. Atualmente, as dívidas públicas de quase todas as democracias do mundo se tornaram tão altas, que é improvável que venham a ser quitadas algum dia. O que é pior é que algumas instituições, como fundos de pensão, compraram maciçamente essa dívida pública, sob a suposição de que este seria um bom investimento de longo prazo. Isso é uma piada cruel. Muitas pessoas nunca irão receber a pensão com que contavam porque o dinheiro que colocaram em seus fundos de pensão já foi desperdiçado.

No entanto, apesar de todos esses problemas que a democracia nos traz, continuamos a esperar e a acreditar que, após as próximas eleições, tudo vai mudar. Isso nos deixa presos em um círculo vicioso: o sistema não entrega o que promete, as pessoas se tornam frustradas, os políticos fazem cada vez mais promessas, as expectativas ficam ainda maiores, assim como os inevitáveis desapontamentos. E tudo se reinicia. Em uma democracia, os cidadãos são como alcoólatras que precisam beber cada vez mais para ficarem embriagados, resultando em uma ressaca ainda maior. Em vez de concluírem que devem ficar longe do álcool, eles querem ainda mais. Eles esqueceram completamente de como cuidar de si mesmos e abrindo mão da responsabilidade própria e do comando de suas próprias vidas.

zazie disse...

Tem razão, José.

Não faço ideia. Foi feedback de quem lá estudou vários anos e pareceu-me credível pois era e é mesmo pessoa criteriosa.

zazie disse...

O Vivendi acaba de ilustrar o que eu queria dizer ao Mujah.

Maluquinhos assim, não faltam.

Este consegue ser salazarista e anarco-capitalista pelo mero facto de antes de tudo ser morcão...

":O?

Vivendi disse...

Gostou do texto?

Ricciardi disse...

Estado Novo assentou praça num regime economico mercantilista.
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercantilismo
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A presença do estado forte. Proteccionismo forte. Apoios directos às industrias. Incentivo ao colonialismo para extração de riquezas. Acumulação de metais preciosos.
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Eu concordo com quase todos os principios do mercantilismo, excepto o colonialismo.
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O Estado Novo é um regime irrepetível. Não é replicavel nos méritos que lhe atribuem. Salazar e Caetano morreram e como eles o Estado Novo.
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Ora, se não é replicavel o Estado Novo, não faz sentido idealizar um sonho. Não será dificil de imaginar que em vez de Salazar pudessemos ter tido um Kim-Jon-Un. Who knows? Calhou-nos nessa rifa da autocracia sem método uma pessoa que, como diz o José, era honesta - Salazar. É como ter a sorte de nos sair o carro no Toto-Audi do fisco.
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A democracia actual consegue resolver este problema?
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Não. Ainda não. A vantagem é que podemos arreda-los de 4 em 4 anos e ter esperança que virá um melhor.
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Debalde.
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O Estado Novo, ao contrário da monarquia e democracia, não é replicavel. Nunca sabemos bem que preparação terá o futuro autocrata. Que valores defenderá. Que grau de anormalidade terá.
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A monarquia é, na minha opinião ( e nem sempre foi esta), o sistema que melhor garantias dá a um país. O filho do rei será preparado desde a sua meninice. Preparado com os melhores tutores.
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Não consigo imaginar contrapôr à democracia um eventual novo Estado Novo. É coisa demasiada incerta. Um toto-audi. Mas consigo perfeitamente contrapôr à democracia um regime monarquico. Dá-me garantias de que existe alguém potencialmente preparado para a condução do país.
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Rb

muja disse...

Ah é incerta?

Então diga lá, a seguir ao Passos Coelho, vem um melhor ou um pior?

V. não lê, Rb. Continua a imaginar que a 2ª República foi toda igual, e quem era rei e senhor era o Presidente do Conselho.

Mesmo que fosse assim na práctica - que não era - não tinha de voltar a ser. Havia uma Constituição da República. Só tinha que ser cumprida. Podia-se rever em relação à eleição do PR para a tornar de sufrágio universal, e podia-se rever a nota que permitia os poderes à polícia política. E pronto.

A nível democrático estávamos melhor servidos. Sem partidos, com deputados a fazer leis, e um governo responsável a governar, de forma estável, sob a autoridade do PR.

Isto é uma alternativa. Apenas uma. Que é que tem de tão estapafúrdio assim? E que falta é que faz o Salazar ou o Caetano? Temos a Constituição. Era só adaptar. E não digo fazer uma nova, porque aquela está muito bem feita de certeza, e a fazer-se outra, bem feita, ficava parecida certamente. Mas podia-se-lhe chamar nova também...

Agora, falta é vontade. Isso sim.



muja disse...

E continuo sem perceber a questão da incerteza.

A seguir ao Salazar veio o Caetano. Que foi melhor. Foi uma melhoria, melhor dizendo.

Afinal, não só se ganhou a lotaria uma vez, como foram duas seguidas...

E ninguém precisou de votar para escolher. Mas votou-se para legitimar a escolha e ela foi legitimada. E bem legitimada, porque era boa escolha.

E até era um tipo considerado meio das esquerdas. Embora fosse mais às direitas que o Salazar como dizia o Feytor Pinto.
Ainda hoje há - mesmo aqui - gente que não gostou.

Fez-se aquilo que esta democracia nunca conseguiu - nem vai conseguir, para mim: escolherem-se, empossarem-se e legitimarem-se dois governantes bons seguidos. E bons em qualquer parte do mundo, não só em comparação aos inúteis que nos apresentam a votos...

Duas vezes seguidas... Se calhar não foi apenas sorte...


zazie disse...

Mujah;

Tente encontrar exemplos de pessoas vivas- é importante que estejam vivas- que podiam, agora- no presente- fazer algo de semelhante ao que fez o Caetano.

Se me der um nome, um apenas, eu agradeço.

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Há um aspecto em que concordo com o morgadinho- a única diferença estrutural- não apenas conjuntural- que podia alterar bastante, era voltarmos a ter monarquia.

Sem isso, antes assim, como ele diz- podendo mandar embora.

Imagine-se o que seria o Pinócrates com poderes idênticos ao Salazar.

Vivendi disse...

Monarquia constitucional ou tradicional?

zazie disse...

Se calhar a tradicional era melhor mas os tempos não voltam atrás.

Não vale a pena v.s dispersarem-se em utopias.

zazie disse...

Eu nunca consegui especular assim, como se fosse ficção científica para dia seguinte.

Não dá. Para isso prefiro mesmo fechar-me na Idade Média ou em ficção literária.

zazie disse...

Mas é um facto que os tugas alinham nesses oráculos.

Na volta há-de ser por isso que essa cena à Mises também pega no Brasil e virtualmente por cá.

Porque são fantasias impossíveis de realizar.

Anónimo disse...

mujahedin مجاهدين, é precisamente esse regime presidencialista que defendo.
Eleição do PR em sufrágio universal, com poderes para nomear um PM que não dependa da Assembleia da República. E a adopção de um sistema eleitoral baseado em círculos uninominais.
Penso que uma reforma do regime passa por aqui.

AG

Vivendi disse...

A Monarquia e o Rei

Os tradicionalistas entendem que a Monarquia está muito acima do rei, por isso, no momento presente sentem-se órfãos de líder, embora a causa esteja bem viva.
A Monarquia é um regime que está ligado a um sistema que, de forma alguma, tem o Rei acima dela! A nossa Monarquia não é contra tudo o que é moderno, mas também não sustenta tudo o que é antigo. É uma filosofia de escolha própria que não aceita qualquer novidade, sem primeiro analisar o seu proveito. "O tradicionalismo diferencia o homem do animal, este último carece dele"!
O Rei na Monarquia Tradicional governa para o POVO (Nação) e com o POVO, através dos seus representantes, escolhidos directamente não só para as Cortes, mas também para os organismos intermédios.
É esta interligação de confiança mútua REI/POVO na procura do melhor para a Nação que sustenta a Monarquia Tradicional.
O liberalismo empenhou sucessivamente a Pátria e a Lei para sustento da tremenda voracidade da burguesia maçónica que, na sua luta pelo domínio do Mundo, apostou na destruição do catolicismo e na defesa de tudo quanto é moderno, mesmo tratando-se de porcaria. .
Eleger através do sufrágio universal, Rei sem o poder executivo e a falta de organismos intermédios com voz nas decisões de interesse para a Nação não fazem parte das verdadeiras Monarquias.
Para que serve um rei com o poder moderador? Os tradicionalistas não querem um rei déspota e isso está assegurado, uma vez que o seu poder está limitado pelo direito natural e pelos foros que expressam as liberdades, a autonomia de cada Município e salvaguardam as Famílias. Os organismos intermédios foram abatidos pelo constitucionalismo, de forma a que o povo deixasse de poder combater a partidocracia, a plutocracia e de ter liberdade para fazer ouvir a sua voz nas decisões importantes que lhe dizem respeito.
Qual é a força dos municípios? Onde estão as corporações profissionais? Que é feito da autonomia das universidades?...
Em jeito de conclusão: UMA MONARQUIA não é com certeza o que os constitucionalistas liberais defendem! O que os liberais defendem é uma REPÚBLICA porque tem tudo de república, COROADA porque em vez de um PR, tem um rei!

Guilherme Koelher

Ricciardi disse...

Quando me refiro a Monarquia quero significar um sistema onde o rei mande.
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O único proveito útil que encontro nas monarquias europeias é o prestigio internacional que a realeza vai tendo. São recebidos com maior deferência e salamaleques que os presidentes de republica. E depois vendem bem revistas cor-de-rosa.
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Terão influência politica interna. Não duvido. Mas não deixa de ser uma mera influência sem poder algum de facto. É semelhante ao poder do nosso presidente. Fala fala fala, mas só mesmo se lhe quiserem dar ouvidos é que é escutado.
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O Rei, o Chefe de tribo, o Soba ou qualquer outro nome que signifique a mesma coisa é um cargo natural.
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Percebe-se melhor isso se regressarmos ao passado. Provavelmente foram os mais fortes, os mais inteligentes, os mais corajosos e isso deu-lhes prestigio popular e respeito e liderança.
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O rei da modernidade já não irá montado num cavalo à frente do exercito para defender a nação, mas deverá ser uma pessoa que tenha por missão a mesma coisa para essa e outras ameaças ao povo que lidera.
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Um politico capitalista ou socialista, na forma de presidente ou PM da republica, não tem por missão defender o seu povo. Tem por missão defender a sua ideologia. Internacionalista. Porque foi por intermédio de partidos que foram eleitos e os partidos pertencem a grupos internacionais que se inter-ajudam porque fazem parte de uma mesmissima corrente ideologica.
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Se Deus não existe para os socialistas, o presidente de um país cristão terá de se sujeitar a essa prerrogativa e tem necessidade de colocar isso na constituição. O estado é laico, não obstante toda a história e tradição. As escolas e os hospitais deverão retirar os simbolos religiosos do passado.
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Os liberais são tanto ou mais perigosos porque são mais subversivos (manhosos). Por detrás da aparência e da lógica cartesiana escondem-se intenções verdadeiramente luciferinas. Não interessa de que forma um determinado povo se liga e evoluiu, nem que valores foram sendo estabelecidos. Em nome de uma lógica cartesiana um pai pode ter a liberdade de não alimentar o seu próprio filho. E querem que essa libertinagem não seja reprimida pela justiça de estado. Que caiba a cada individuo decidir por si. O presidente liberal tenderá a fazer-lhes esse grande favor, e aproveirá um bom momentum para o efeito (preferencialmente de forma subversiva) para o estabelecer, porque é mais importante, como nos socialistas, a ideologia internacionalista do que as tradições do povo.
.
Rb

Ricciardi disse...

Mas pronto, a monarquia nunca será reestabelecida. Já não há forma de a implementar.
.
A democracia está para durar. Podemos é aperfeicoa-la. E talvez conseguir que os melhores sejam os lideres e não a escória.
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Algumas mudanças podem ser feitas. Nomeadamente a nível de representação parlamentar. Um gajo que é eleito por uma região e chega a Lisboa e se está a cagar para a região que o elegeu não me parece bom sistema. Por exemplo, o CAA foi eleito por Viana...
.
Rb
Rb

zazie disse...

Assino por baixo tudo o que disseste acerca dos ancap.

São judeus e basta.

Tempo é dinheiro- vendem os filhos se isso contribuir para a prosperidade material.

":OP

zazie disse...

Esta foi só para chagar mas é verdade.

Aquele palhaço do Rothbard só podia ser duas coisas- judeu e psicopata.

":OP

zazie disse...

Muito gostam eles de Repúblicas. Sempre as patrocinaram em toda a parte.

Repúblicas e voto- para depois conseguirem impôr poder por lobby e secessão.

A ideia é sempre essa- poderem ocupar território sem precisarem de nacionalidade.

zazie disse...

Morcão alinha nisto porque o Poerto é uma naçon, carago

zazie disse...

O CAA foi eleito pelos aventais. Diz antes assim.

Vivendi disse...

O Morcão alinha no que deve alinhar. O morcão não anda a dormir como muitos.

O Porto é uma nação mas não precisa de ficar independente de Portugal pois a nação fundou-se a partir do nosso condado. Não queremos é mais centralismo, nem democracias de cariz partidocráticas e maçônicas.

zazie disse...

Não és tu- são os morcões em geral.

Tu até é pena ires atrás dessas parvoeiras neotontas.

Porque tens capacidades para entender tudo o resto, se conseguires separar um pouco esse bairrismo.

zazie disse...

É pá, eu sou filha de portuense. Não é obrigatório cair-se nessa pancada.

Quero dizer- tem piada em escala pequena, lá para valorizarem o que é seu.

Mas dar o salto para um regime político independentista é pura caricatura.

muja disse...

Tente encontrar exemplos de pessoas vivas- é importante que estejam vivas- que podiam, agora- no presente- fazer algo de semelhante ao que fez o Caetano.

Não lho sei dar. Mas acho que deve existir uma pessoa dessas e até quem na saiba encontrar.

Percebo onde quer chegar, mas acho que é uma falsa questão.

Para mim, o cerne do problema é a tal "recta intenção". Isso é, de longe, o mais importante.

Quem a tem, sabe reconhecê-la nos outros. E também sabe reconhecer quem é competente.

Portanto, isso é o que se deve procurar nessa pessoa.


E isto

Imagine-se o que seria o Pinócrates com poderes idênticos ao Salazar.

não me parece possível. Se alguma vez chegasse o dia em que, de facto, fosse possível implementar-se um regime idêntico ao anterior, esse problema estaria automaticamente resolvido.

Porque a ladroagem gosta é deste sistema! Não quer outro! Só a comunagem; mas se tiverem que viver sempre neste também não se chateiam nada, como se vê pela vidinha que levam.
Portanto, quem puder e quiser trocar este sistema pelo antigo, só pode estar contra a ladroagem. Logo aí, já terá que ter a tal "recta intenção".

Problema resolvido. :)

zazie disse...

Bem explicado.

É um facto que a ladroagem vive da poltranice.
Um regime autoritá
rio é bom para os apparatchiks mas não têm de se confinar ao território.

E isto é pequeno, se não houver negócios das arábias por fora

Salazar: os valores desaparecidos