quarta-feira, 16 de abril de 2014

O 25 de Abril de... Marcello Caetano

Marcello Caetano foi entrevistado no Brasil, onde se encontrava exilado, pelo semanário do Rio de Janeiro, O Mundo Português, em 25 de Junho e 2 de Julho de 1976.
É em vão que se procuram jornais dessa época que tenham dado o devido destaque a tais entrevistas. Porém, as mesmas explicam, no ponto de vista do anterior chefe de Governo, a génese dos acontecimentos que conduziram ao 25 de Abril de 1974 e o que se passou nesse mesmo dia em que foi um dos protagonistas principais.

Aqui fica a segunda entrevista, publicada em livro editado pela Verbo, em data incerta e intitulado "O 25 de Abril e o Ultramar" e na qual se esclarecem dúvidas como esta: por que razão Marcello foi para o Quartel do Carmo em vez de ir para a Pontinha?



 

 

 
  

 


 


 

154 comentários:

muja disse...

Bolas, faltava-me pôr essa apenas...

Mas como não tem directamente que ver com o Ultramar, estava a guardá-la para a efeméride...

As outras duas, já agora, estão aqui:

primeira:
http://ultramar.github.io/mandato-indeclinavel.html#titulo

terceira:
http://ultramar.github.io/faltou-me-coragem-para-destruir-portugal.html#titulo

Floribundus disse...

http://www.25abril.org/index.php?content=1&hora=1&unidade=34&tema=

na EPC conheci Ferrand de Almeida e Salgueiro Maia. o 1º rendeu-se ao 2º

Caetano não tinha apoio militar
Spinola era um 'poseur' com o olho no caco de vidro

tal como o PM em 1926
também Caetano não quis uma guerra civil

por intermédio dum pide tentei que Rosa casaco ditasse as memórias a um jornalista

as versões que conheço não são coincidentes

depois dos encontros de Paris ps+pc de 72
sei apenas que nenhum xuxa queria
uma transição pacífica

José disse...

Mujahedin:

pois faltava. E já agora...transcreveu-as manu officio?

zazie disse...

eheheh

Os dois a pensarem no mesmo.

Boa.
Estou a gostar destas comemorações
eheheheh

Floribundus disse...

'José, Amigo!
os comentadores estão contigo!'

por favor no 25.iv arranjee um post em branco

para colocar-mos 'bocas foleiras' alusivas ao dia

Anibal Duarte Corrécio disse...

Na revista do "SOL" do último fim de semana existe uma entrevista com o general Garcia dos Santos, em que este revela ter orientado antes do 25 de Abril uma operação secreta no âmbito das Comunicações , em que foram 'armadilhadas' as comunicações do regime e estas passaram desde aí a serem escutadas pelos revoltosos, que desde modo e por antecipação ludibriariam as movimentações de tropas no terreno e 'trocaram as voltas' às forças militarizadas do Regime no dia da 'liberdade'.

Porca miséria ter hoje o General Garcia dos Santos motivos de júbilo para se vangloriar dessa acção depois de 40 anos em que se afundou o País em 3 bancarrotas, se entregou '"o ouro ao(s) bandido(s)" do bloco central, e se deixou que os marxistas-leninistas fizessem gato e sapato da democracia e paralisassem o Estado a seu bel prazer.

Anibal Duarte Corrécio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anibal Duarte Corrécio disse...

"por favor no 25.iv arranjee um post em branco"

APOIADO!

Digo mais um rectângulo nNEGRO como post.

Vivendi disse...

Estas comemorações do regime Abrileiro estão a ser as mais divertidas de sempre.

José disse...

"por favor no 25.iv arranjee um post em branco"

Vou pensar numa ideia...ahahah.

José disse...

E já sei! Vai ser engraçado porque vou comemorar à minha maneira.

muja disse...

transcreveu-as manu officio?

No princípio fazia isso sim. Agora já evolui um bocado, ehehe!

Digitalizo e faço reconhecimento óptico de caracteres. Mas ainda requer muita supervisão. Na práctica tenho de ir palavra a palavra a corrigir e a compor o texto para ficar com os parágrafos bem, etc. Mas é mais rápido que batê-lo à mão. E permite fasear o trabalho, como o José fará certamente: digitalizar um dia, outro compor, etc...

Efectivamente, a maior dificuldade reside em obter imagens de alta qualidade. Os livros são difíceis de digitalizar devido àquela forma característica. Pelo menos sem os danificar.

Eventualmente, penso arranjar um scanner de livros. São relativamente fáceis de construir. Mas por ora não tenho vagar, nem espaço, para essa traquitana.

josé disse...

O scanner que uso quase me dispensa composição.
É um Epson Perfection V500 Photo.

Digitalizo em 300ppi e com 24bits.

Obtenho a imagem com o software que vinha junto ( já há alguns anos) e que é o Scan&Stitch Deluxe que permite automaticamente compor páginas de posters, ou capas de discos que não cabem num scanner normal ou jornais grandes como dantes havia.
Com três, quatro ou mais passagens da mesma página,em posições sucessivas e de dimensão idêntica ( a do scanner A4)o software compõe automaticamente a imagem grande, por vezes poster e que de outro modo demoraria muito a fazê-lo com uma aplicação de imagem tipo Photoshop.

Assim é canja.

josé disse...

Por fim com uma aplicação grátis- Fast Stone Image Viewer- reduzo a imagem que tem geralmente 6 ou 7 megas, para uns mais consentâneos 2 ou 3. E já está.

muja disse...

Pois. Mas os livros são uma maçada.

Para ficar mesmo bem, com as imagens certinhas e uniformes - que é muito importante para o OCR - só com um scanner em V.

muja disse...

De resto, uso um ipad. Dá mais jeito que o scanner, e é melhor para os livros. A qualidade é semelhante para os meus propósitos.

Arranjei maneira de o suspender sobre eles, e depois lá me ajeito com as páginas à mão, o que faz daquilo um processo um bocado tosco.

Acho que tenho de arranjar uma moldura, para as manter planas sem tapar o texto. E também é necessário compensar a altura dos lados à medida que se avança.

É um problema muito engraçado do ponto de vista da engenharia.

zazie disse...

Mas esta história od Caetano não deixa de ser estranha.

Diz ele uqe até elementos do governo sabiam o dia e ele foi apanhado de surpresa, já depois da rádio e tv terem sido tomadas.

Também diz que foram os tipos socialistas e comunas que mandaram gente com os cravos vermelhos na mão, já prontos.

Não acredito.

josé disse...

"Também diz que foram os tipos socialistas e comunas que mandaram gente com os cravos vermelhos na mão, já prontos."

Também não acredito porque essa foi inventada por ele. Como é que podia saber se foi logo para a Madeira, no dia seguinte?

josé disse...

O PCP enquanto estrutura não sabia exactamente o dia nem a hora, tal como a morte que virá para todos...

Anibal Duarte Corrécio disse...

Acredite.

Foi tudo planeado.

Até a imagética.

Os Charlie sabiam da poda e encaralharam logo tudo no 25.

Filhos de puta!



josé disse...

De tudo o que li até hoje ainda não me convenci que o planeamento chegou a esses pormenores.

Acho até que aquilo podia ter corrido mal.

zazie disse...

Pois é verdade. Ele nem teve tempo para saber em directo.

Mas onde se meteu o Thomaz?

O relato tem passagens estranhas. Quando ele diz que nem sabia que o Carmo já não tinha lá o esquadrão de calaria, por exemplo.

josé disse...

Ainda sobre os scannings: não procuro ser perfecionista nisto. Basta-me que se leia ou veja razoavelmente.

Se quiser scanear com qualidade faço-o em formato Tiff e com maior resolução.

É assim que faço com capas e páginas de revistas ou jornais que guardo para outros efeitos, mormente futura impressão, coisa de que ainda não desisti de fazer um dia.

Com um exemplar...ahahah.

josé disse...

O Thomaz estava em casa, pelos vistos. No Restelo e foi Caetano quem lhe disse para vir embora para o aeroporto porque seria melhor.
E foi.

zazie disse...

Não foi preparada imagética alguma.

Eu não estive lá perto mas o meu irmão até assistiu á cena do Carmo e ao tiroteio à porta da DGS e era populaça ao calhas.

josé disse...

Amanhã vou comparar o que se passou em Espanha e como se fez o paralelo entre os dois países.

È curioso porque há informação interessante ( estrangeira claro) e que me parece nova. Pelo menos nunca tinha pensado nisso e parece-me lógica.

zazie disse...

Aliás, um que morreu era meu colega e completamente apolítico.

Foi absoluto descuido da tropa.

Nem se lembraram da "Pide". Como nem se lembraram durante 3 dias dos presos políticos.

Calhou assim mas podia ter calhado assado.

josé disse...

O Caetano fala num indivíduo que conhecia e que foi quem tirou a G3 e deu a rajada contra as paredes do Carmo..."um psicopata conhecido".

Quem será? O Sousa Tavares pai?

zazie disse...

Ok. Vou esperar.

josé disse...

Não me parece porque não era assim tão psicopata.

zazie disse...

eheheh

Futura impressão, pois

zazie disse...

Também não sabia essa dos tiros.

Mas parece qeu o Sousa Tavares andou por lá a fazer umas macacadas.

Mas é estranho porqu nunca tinha ouvido a história.

Choldra lusitana disse...

A descrição do Marcelo parece uma tragédia e farsa shakespeariana. Há de tudo mas sobretudo traições,traições e traições.
Os que alguns dias antes estavam a aclamá-lo no estádio,no 25 estavam a apupá-lo e com gritos de morte. Que canalha esta gente,tão bem representado na figura do Veiga Simão.

Anibal Duarte Corrécio disse...

"Não foi preparada imagética alguma."

Pois não. Caiu do céu.

zazie disse...

Concretize lá a que imagética se refere.

Eu vi, andei por lá a ver. Vi a populaça toda. Assisti a essas cenas dos cravos.

As mulheres costumavam vendê-los no Rossio, junto às fontes.

O puto da fotografia era o filho do antigo dono do Quarteto.

Nada disto foram figurantes idos buscar a casa pelo "PS" e "PCP".

Aliás, o que era o PS na altura, sabe?
Eu não.

zazie disse...

Muito mais parece ter sido farsa a cena do 11 de Março

E também não foi. Foi assim, à portuguesa.

Anibal Duarte Corrécio disse...

"Concretize lá a que imagética se refere."

A imagética do cravo.

"Aliás, o que era o PS na altura, sabe?
Eu não."

Quem falou em PS?


zazie disse...

Os carvos foi coisa espontânea no Rossio.

Aquela gente era gente vulgar. Populaça.
Ninguém levou ninguém para preparar teatro algum.

Pelo contrário- era anarquia até para assaltarem supermercados.
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Quem falou no PS foi o Caetano na entrevista

zazie disse...

«Após o 16 de Março o comité que passou a comandar a actividade conspiratória entrou em contacto com os representantes dos partidos socialista e comunista. E estes, no dia 25 de Abril, lançaram para a rua os grupos de acção formados por homens e mulheres, dizem-me que já levando nas mãos os cravos vermelhos»

-------------------
Contaram-lhe a patranha.

Anibal Duarte Corrécio disse...

Vou fazer um desenho.

O PPD não existia.

O PS andava no exterior.

O CDS eram uns rapazes de direita envergonhados por serem de direita e que umas semanas depois reclamavam o centro.

A única força que existia 'realmente' era o PCP e alguns grupos marxistas leninistas, implantados no terreno, espalhados pelo País e,

com um grau de especialização ao nível celular notável.

O que é que os designers comunas no 25 de Abril das ruas andaram a fazer? E os fotógrafos?

A trabalhar, em busca de pictogramas, de imagens, a ir ao encontro do "filho do antigo dono do Quarteto", das "mulheres do Rossio".

25 de Abril há vários. O dos capitães é um deles.

O do PCP foi o mais preparado de todos.

zazie disse...

Que CDS? que CDS é qeu existia no dia 25 de Abril.

Treta. Existia o PCP e a extrema-esquerda.

Até havia mais desta a nível univeriustário que PCP.

Ninguém dessa malta preparou populaça alguma para dar beijinhos e cravos aos soldados.

Foi assim.

Assisti a isso.
E assiti depois a mil vezes pior. Á caça aos fascistas; ao maralhal ululante a que chamam festa.

Só não assisti às ocupações porque me recusei sequer a ver.

Mas, tudo isso foi como quando as pessoas ficam histéricas por uma coisa e podiam ficar histéricas pelo seu inverso.

talvez a única coisa genuína tenha sido a ideia de irem "aos pides".

A bufaria tinha má fama.

Mas, mesmo quando se fala nisso confunde-se tudo.

A maior parte dos bufos nada tinha a ver com DGS ou antiga PIDE.

Eram velhos reformados que lá recebiam uns trocos. Não era coisa sequer institucional.

zazie disse...

Não havia PCP algum "espalhado pelo país".

Leia o que o José conta nestes recortes e vai perceber que a coisa foi mais macaca.

Havia "esquerda" em tudo quanto era sítio porque era uma mentalidade que já tinha prosperado nos jornais.

zazie disse...

O PCP creio que até já tinha tido mais força uns tempos antes- no Alentejo.

Na altura estava, de facto infiltrado por muito lado mas não tinha qualquer poder para pegar em lisboetas a fingir e fazer teatro com beijinhos e cravos.

Foi genuíno, Foi assim mesmo.

Anibal Duarte Corrécio disse...

"Assisti a isso."

Não tive a sua sorte. Não 'assisti'...

"Contaram-lhe a patranha."

Fiz parte da 'patranha'...

zazie disse...

Essas mulheres sabiam lá o que era o marxismo.

Eram aquelas de avental- como ainda usam.
E os homens, idem. Era populaça de todo o tipo e é claro que depois foi meio mundo da política para a rua.

Mas não foram esses que inventaram qualquer acção no terreno. Nem no terreiro do Paço, nem no Carmo.

o maluco do Sousa Tavares andou por lá pendurado nas árvores.
Mas era tudo como se fosse para irem para a bola.

Coisa de arruaça sem qualquer organização.

zazie disse...

Como o José também já disse, aquilo que mais me espantou foi mesmo a rapidez com que meio mundo apareceu como anti-facista.

Lembro-me de cenas em que bastava alguém gritar que era "facista" que até as peixeiras iam a corer para arrombarem o carro.

Na altura ainda havia peixeiras nas ruas.

Havia muito mais vida de rua nessa altura do que agora.
De cafés, por exemplo. Mesmo a baixa estava sempre naturalmente cheia de gente sem serem turistas.

Portanto foram esses anónimos que se lembraram dos cravos.

Anibal Duarte Corrécio disse...

"Portanto foram esses anónimos que se lembraram dos cravos."

E depois esses cravos casaram com os marxistas leninistas e foram muito felizes para sempre.

zazie disse...

Não sei se foi sorte mas, de facto, vivi tudo isso na idade certa.

Já não gatinhava.

Aliás, o que pensava e defendia antes do 25 de Abril é o que defendo agora.

Andei uns tempos (poucos, pouquíssimos) meio influenciada mas depois, com o PREC, afastei-me de tudo.

Costumo dizer que não sou de esquerda porque vivi o PREC e é verdade.

E nem sei como é possível que haja quem diga o inverso.

A cena das ocupações sempre foi coisa que me causava vómioto até no cinema.

E malta que nem era sequer do contra uns dias antes alinhou naquela merda e foram para lá para a folia da Reforma Agrária.

Olhe, esses é que cá para mim foram mesmo para fazer o tal sexo que não faziam de outra maneira

AHAHAHHAHAHAHAHA

Quem alinhou em ocupar casas e roubar bens nessas casas todas não merece respeito.

E tenho para mim que isso deseducou muito o povo.
Porque esse é o pior exemplo da moral da inveja em acção.

Anibal Duarte Corrécio disse...

"Quem alinhou em ocupar casas e roubar bens nessas casas todas não merece respeito."

Pior que isso só os ladrões do bloco central

zazie disse...

Sim. Os comunas trataram rapidamente de fazer a história.

Foram os murais, foram os cartazes, foi o 1º de Maio, foi tudo o resto. As ilustrações nos cartazes, o cinema, as cenas de etatro, tudo.

A propaganda política foi rapidíssima.

josé disse...

Essa do "fassismo" ( não era assim que então se dizia, era mais faxismo, mas gosto mais do som sibilante do Domingos Abrantes. É mais imagético e patético) é a palavra-chave do 25 de Abril.

É o abre-te sésamo de tudo o que se passou de anormal.

É incrível porque deve ser caso único no mundo, uma palavra ter o efeito social que teve.

zazie disse...

Os comunas e tudo o resto. O MES, essa cena toda e mais a extrema-esquerda a boicotá-los porque queriam revolução a sério e comuna era coisa frouxa.

ehehehe

As armas foram para os SUV, não foram para o PCP.

josé disse...

Em Espanha nem se pronuncia a palavra e no entanto, com maior propriedade o poderiam fazer porque Franco até apertou a mão ao Hitler.

Amanhã mostro.

josé disse...

As armas, cerca de 3000 foram para os pataratas do PRP e outros que tais.

Distribuidas directamente na fonte. O Otelo disse logo que estavam em boas mãos.

zazie disse...

É diferente. Há coisas diferentes.

Ocupar casas, roubar bens, tirar tudo por inveja é um acto nojento sem comparação com mais nada.

E isso é uma certeza que devo ter desde bebé. Segundo contam, já em pequena, tinha a perfeita noção de que o que é meu é meu e o que é dos outros é dos outros.

Nunca pedi sequer um brinquedo e nunca na vida fiquei com o que quer que seja de outrém por empréstimo.

Portanto, aquela merda das ocupações tinha mesmo de me provocar asco biológico.

Coisa de tripas. Não precisa de ideologia.

zazie disse...

Sim. Era o faxismo. Mas era um grito de aleta que funcionava pavlovianamente como ainda funciona passados 40 anos.

O José morde bem estas coisas da linguagem proque a linguagem é tudo.

É mais importante que a realidade- fabrica-a.

Anibal Duarte Corrécio disse...

A 'malta' ainda está convencida que tem pensamentos e que os deita cá para fora.

O problema - até para ir ao encontro de "uma palavra ter o efeito social que teve" -é que o processo é inverso : os pensamentos andam cá por fora e a 'malta' tem uma máquina que os faz depois 'pensados'

zazie disse...

Pois ofram. Essa cena das armas foi macaca.

Isto escapou de boa. É um facto.

Mas não escapou das consequências. Estão à vista e só eles não a enxergam.

Acham que foi tudo culpa do "capitalismo de Estado" dos burgueses e, mais recentemente, dos neo-liberais.

josé disse...

Já viu aquele video ( é um filme alemão) sobre as ocupações no Alentejo e uma troca de palavras entre um progressista e um trabalhador do campo, por causa de uma "comprativa"?

É fantástico porque resume tudo o que é o idealismo socialista.

Anibal Duarte Corrécio disse...

"(...)porque a linguagem é tudo."

O pensamento é que é tudo.

zazie disse...

É como um estribilho de uma cançoneta.

É um meme.

Para alguma coisa o Dawkins há-de servir.
Essa noção de "meme" é pertinente.

zazie disse...

Já vi, pois eehehhe

zazie disse...

Não. Não é o pensamento. Mais de metade do que fazemos é automático.

A linguagem entra e nem é pensada.

A propaganda funciona por isso mesmo. Pelo efeito "de ouvido".

Os memes, como o Dawkins descreve, existem e são isso.

A dialética erística também explica como figuram as falácias por espantalho.

Por meras palavras que passam ter uma carga moral inusitada.

Anibal Duarte Corrécio disse...

"Mais de metade do que fazemos é automático."

Não é automático. É inconsciente. Mais de metade.

zazie disse...

Eu admiro muito o que o José faz porque acho mesmo que foi a única pessoa que consegue pegar nesse fenómeno da linguagem.

É um assunto que me interessa desde a adolescência.
Mas não tenho o ouvido que o José tem.

e nunca conheci sequer academicamente quem consiga captar o que o José capta.

o José tem o dom de fazer uma espécie de "iconologia" de memes- de linguagem.

Passe a transposição da imagem para a palavra.

josé disse...

Aníbal:

Está tudo pensado desde a Antiguidade clássica.

As palavras é que mandam.

Anibal Duarte Corrécio disse...

Tudo é pensamento.

Anibal Duarte Corrécio disse...

As palavras mandam é certo.

Mas o inconsciente fala mais alto.

zazie disse...

O fazer é automático a percepção é que pode ser inconsciente.

Mas é assim- as palavras fazem tudo.

Fazem a cabeça das pessoas, por exemplo.

josé disse...

Quem domina a linguagem tem o poder. E o poder da esquerda em Portugal é esse e é enorme, avassalador.

É isto que tenho dito por aqui, desde sempre e é isso que tento desconstruir.

zazie disse...

No início era o Verbo.

Por acaso, ou não, ando novamente com isso.

Porque pensando melhor, não há assunto que se perceba sem ir a essas origens.

josé disse...

Como é que se molda o tal "inconsciente" que nem sei bem o que será?

Não é pelos conceitos, pelas palavras?

josé disse...

Repare:

Antes de 25 de Abril, e isso é muito claro na revista Observador, a linguagem era outra. Simplesmente outra.

Logo a seguir, mudou. Nas semanas seguintes.

É fácil de ver isso consultando os jornais. E tenho-os e tenho mostrado tal coisa.

Tenho vários jornais ( República, Diário de Lisboa, Jornal de Notícias etc.) dos dias a seguir ao 25 de Abril, até ao 1º de Maio.

Hei-de demonstrar aqui que a linguagem mudou e como e até quando.

zazie disse...

O José tem razão.

Pensei no assunto, de forma muito leve, aí por volta dos meus 14 ou 15 anos.

E lembro-me que apanhava as modas e o que as pessoas diziam por isso- por modas de palavras.

Como também sempre tive a mania de não alinhar em grupos, isso servia para ir ficando de fora e desmontando manias da altura.

Mas nunca consegui apanhar como o José as apanha.

Mas, também acho qeu não me contagiaram porque tinha a noção que as coisas funcionavam assim- por entrarem no ouvido e a matilha repetir.

josé disse...

A linguagem nas semanas a seguir ao 25 /4 é totalmente comunista e isso torna-se claro ao ler artigos comunistas de antes do 25/4.


Todos os jornais embarcaram no logro-porque é um logor- ao adoptarem a linguagem comunista como standard. Até ficou na Constituição e os ditos partidos democráticos nem acharam estranho.

Incrível.

Anibal Duarte Corrécio disse...

"Como é que se molda o tal "inconsciente" que nem sei bem o que será?

Não é pelos conceitos, pelas palavras?"

É pela relação. Pela natureza, o tipo de relação.

josé disse...

Quer ver como as palavras funcionam?

Há "muletas", frases, simples palavras que em determinada época ganham predominãncia por qualquer motivo insindicável, porque não é fácil perceber a razão de se tornarem moda. Mas tornam. E passado algum tempo aparecem outras.

"Efectivamente", "este país", "implementar" etc etc etc. montes delas ao longo dos anos.

São modas que definem conceitos e circunscrevem noções.

Tal como fascismo, reacção, monopólios etc etc etc.

A partir do momento em que os media lhes pegam- e são jornalistas ignorantes que o fazem, geralmente- tornam-se palavras perigosas porque definem conceitos imprecisos mas com uma determinada semântica e significado.

E foi isso que sucedeu porque as pessoas precisam de palavras para definirem as coisas que não compreendem. Se alguém lhes der a coisa feita e preparada já está: foi essa a vitória da esquerda porque ninguém se lhe opôs.

A maneira de se lhe opor é pelo sarcasmo.

josé disse...

O inconsciente molda-se pela "relação"?

Explique por favor porque não entendo.

josé disse...

Se pegar na revista do PCP O Militante ( que compro regularmente) verá o uso que fazem das palavras que são exactamente as mesmas de há 50 ou mais anos. Diria até de há 80 anos.

É esse o trunfo do PCP. Quem lhes estragar as palavras destroi-lhes o aparelho partidário, a meu ver, porque se desconjuntam.

Foi assim que sucedeu com o PCI e com o PCE.

josé disse...

Se as pessoas começarem a gozar com a palavra fascismo é a perdição do PCP.

No entanto tal não é possível porque a imbecilidade jornalística não percebe isto.

josé disse...

No Nome da Rosa de Umberto Eco ( que percebe muito bem isto que tento dizer) o frade assassino esconde um livro desconhecido sobre o riso, em Aristóteles, porque acha que o riso é a morte da religião. E mata por causa disso, envenenando as páginas no livro que os curiosos folheiam molhando os dedos com saliva.

"Jesus Cristo nunca riu", diz o frade Jorge de Burgos.

Anibal Duarte Corrécio disse...

Por exemplo, na mama.

Uma mã que não dá mama, catastrofiza o filho e projecta-o para o terror sem nome.

Um pai que passa a vida a bater no filho das duas uma (caricaturalmente) : ou o filho passa a agredir os outros ou fica submisso e deixa-se bater. Ou fica agressivo ou deprime.

Caricaturalmente falando.

josé disse...

Esses conceitos são traduzidos em palavras e até arranjou os exemplos melhores para o que pretendo dizer:

É exactamente nos costumes e na Educação que as palavras tomam a dianteira na definição do politicamente correcto.

Para se passar a ideia- o conceito- de que a mama é tudo na primeira infância, arranjam-se as palavras adequadas a convencer os destinatários da mensagem e são essas palavras que se tornam imperiosas ( no sentido kanteano).

Anibal Duarte Corrécio disse...

"Se as pessoas começarem a gozar com a palavra fascismo é a perdição do PCP."

Melhor seria as pessoas viverem o fascismo...

Anibal Duarte Corrécio disse...

Eu entro num restaurante como ontem e onde a maior parte das pessoas vê uma mulher com uma mini saia a almoçar..., eu vejo uma mulher que não está exactamente a almoçar, mas a apresentar uma ferida narcísica e com necessidade de ser admirada...

zazie disse...

Chama-lhe ferida, chama-lhe

ehehehehe

josé disse...

Aníbal:

Ahahahah! C´mon...

Anibal Duarte Corrécio disse...

A zazie esta à espera que eu utilizasse a palavra 'tranca'...

eheheheh

zazie disse...

Pachachinha é mais giro

":OP

JC disse...

O José tem razão nessa tese que vem defendendo da linguagem que passou a ser usada no pós 25-4.

A linguagem, o discurso, os termos utilizados, tudo se modificou.
Passou a ser a linguagem do PCP.

E isso vê-se muito bem no site do jornal do Avante.

Nesse site, publicam-se as várias edições do jornal desde os anos 30 do século passado.
São dificeis de ler, porque têm por cima das imagens uns dizeres do tipo "marca de água".

Mas do que se consegue ler, percebe-se perfeitamente que é a mesma linguagem que passou a ser usada após o 25-4 e que ainda agora é usada.

É ver e confirmar.

http://www.ges.pcp.pt/bibliopac/imgs/AVT1002.pdf

JC disse...

http://www.pcp.pt/avante-clandestino

Era este o link...

muja disse...

Se as pessoas começarem a gozar com a palavra fascismo é a perdição do PCP.

Do PCP, mas não só... de todos quase.

Todos mamam na teta do fascismo. E não é só cá.

Curiosamente, passa-se neste momento em França algo semelhante ao que o José diz, com a perseguição - eu diria caça - ao humorista Dieudonné. Chegaram mesmo a proibir-lhe espectáculos.

Floribundus disse...

o pide com quem falei disse que o PM impediu que os tanques e tropa que o apoiava atirasse a matar

penso que estava desejoso por ir embora e entregar o governo ao gajo do caco no olho

era um óptimo político como se viu no 28.IX

o lado do almirante Thomaz, de quem o pide era guarda-costas, detestava o PM

foi pena não ter havido confronto
o fedor tinha chegada à urss

'boa noute'

Vivendi disse...

Aqui fica um cartaz de 74 das teorias avançadas da esquerda com a novilíngua.

http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2014/04/e-agora-as-teorias-avancadas-da-esquerda.html


E um cartaz dos anos 40 do Estado Novo.

http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2014/04/o-anti-keynesiano-salazar.html

muja disse...

Em relação ao grande acidente nacional e a questão da imagética, para mim, acho que é proveitoso comparar com outros acontecimentos semelhantes noutros sítios.

Por exemplo, sabemos que há, pelo menos, desde o ano 2000 gente sob a alçada americana que se especializou nisso precisamente, para deitar abaixo o Milosevic na Sérvia.
E desde aí em vários sítios, da Geórgia à Venezuela, e ainda agora na Ucrânia.
Baseiam-se num livro de um americano chamado Gene Sharp com o titulo "Da ditadura à democracia" e que é, no fundo, um manual de "manifestações" - de sabotagem "pacífica", no fundo. Uma das coisas que lá vem é precisamente oferecer flores à polícia.

A imagética das revoluções coloridas foram eles quem na criou.

Portanto, não é nada de admirar que naquela altura houvesse gente com vontade e competência para levar a cabo esse aspecto da operação. Os comunas foram pioneiros e são peritos nessa arte de "enquadrar as massas"...

Tal não significa que fosse tudo planeado ao pormenor, até nem interessava que fosse porque o que se procuraria nesse caso era "genuinidade".
Os comunas descobriram os memes há mais tempo que o Dawkins cheira-me... E provavelmente intuíam aquilo que os gringos sistematizaram depois em livro. Não era difícil colocar um pessoal na rua a mandar uns bitaites ou dar umas flores. E o que estava à mão eram cravos... Depois o meme pega e pronto, parece genuíno.

Mas isto é diferente da outra imagética, a dos posters, da música e da linguagem.

A dos cravos é táctica. A outra é estratégica. E estava já bastante desenvolvida como se veio a ver.




zazie disse...

Deixe-se de teorias da conspiração.

Não eram polícias- eram militares. Não dispararam. Os cravos foram enfiados no fusil precisamente por isso.

Ninguém podia prever se iam ou não iam disparar.

zazie disse...

E não foram só cravos. Deram-lhes água, deram-lhes comida. Porque estavam cansados e sem dormir.

Até a manuela Moura Guedes contou que na residência católica onde estava as miúdas foram buscar cerveja preta que usavam para o cabelo para eles beberem.

Um militar não é a bófia, rapaz

":OP

zazie disse...

Não havia sequer memória de cenas beras com militares.

Eram rapazes novos. Foi um golpe de Estado, a cena foi pacífica, os cravos estavam à venda mesmo ali, no Rossio.

Teoria de conspiração é mesmo isto. recusar o que é simples de explicar e trocar pelo que é complicado e sem a menor prova nem senso comum.

zazie disse...

Mas um meme não é uma coisa particularmente direccionada para alguém em concreto.

Um meme é mesmo um pensamento colectivo criado a partir de um chavão que entrou no ouvido.

Um meme tende para o anonimato.

Por isso é que é bom o José recordar que teve paternidade.

Mas um meme torna-se inconsciente com o tempo.

Vivendi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vivendi disse...

O golpe de 25 de Abril foi autorizado pelos globalistas. Tem um personagem americano que acompanhou de perto os acontecimentos. Agora é evidente que no calor da emoção surjam elementos artísticos como forma de consagração. Todas as revoluções precisam disso para conservar a chama.

muja disse...

De resto há umas poucas de coisas que não se sabem:

- o Presidente da República esteve em parte incerta durante o dia. Caetano dá-o como regressado a casa ao início da noite.

- Caetano não foi para Monsanto porque era um local comprometido desde Março, o que tem lógica. E teria lógica o Carmo como alternativa?

- Há também os relatos dos inspectores da DGS que lá foram ao Carmo para o resgatar e ele tê-los-á dispensado, porque Spínola já estaria a caminho de lá.

Pessoalmente, não consigo conceber como é que isto pode ter acontecido sem a DGS saber. A função primária da DGS era prevenir precisamente estas coisas - atentados à segurança do Estado. E não eram nenhuns basbaques. As informações da DGS eram de nível mundial.

Portanto, a conspiração ou chegou aí, ou estava acima.

Vivendi disse...

O 25 de Abril foi para a esquerdalha nacional como uma revolução francesa, passou a haver um antes e um depois.

A guerra liberal poucos a entendem e se dão ao trabalho de estudar, a instauração da república foi a balbúrdia que se sabe e o 25 de Abril já veio armado com uma nova dialética (marxista cultural).

Onde o cidadão comum não consegue ter noção de todas as anormalidades que são impingidas à sociedade das mais variadas formas (complexas e simples) que vão desde um referendo ao aborto e terminam nas palhaçadas do Ricardo Araújo Pereira. É toda uma contaminação que deixa o país no estado que se sabe.

Vivendi disse...

Henry Kissinger... o americano que estava por dentro do inside job e que curiosamente ainda está no ativo agora ocupado com a revolução ucraniana.

Vivendi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vivendi disse...

Os parolos dos comunistas deixaram-se usar pelos americanos e pelos russos.

Pois os líderes russos sabiam que não havia condições para instalar uma coutada comunista na ponta da Europa Ocidental. O aproveitamento maior dos russos seria na África. Aqueles guerreiros que faziam a guerra com a cruz de cristo há mais de uma década seriam agora expulsos de África.

Quanto aos americonços ficaram com Cabinda e ditaram o fim do Império Português, uma aventura que já levava mais de 500 anos de civilização.

Ricciardi disse...

Marcelo conduziu o barco uns, digamos, 10 anos mais tarde do era útil e necessário ao país.
.
Ele referiu que se lhe afigurou inevitável a independencia das colonias. Mas queria fazê-lo num tempo que já não tinha.
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O apoio da populaça aos militares é perfeitamente natural. Não devia haver alguém que tivesse gosto em enviar filhos para a guerra.
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O resultado prático da teimosia de Salazar (e que Caetano confessa que já não teve tempo de contrariar) foi termos saido das colonias da forma como saimos. Uma inevitabilidade quando se arrastam as decisões para além do tempo razoavel...
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Foi pena. Salazar foi importante. Com serviços ao país inestimaveis. Tão importante na primeira parte da sua governação como altamente prejudicial na parte restante.
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Rb

MRP disse...

precisamente sobre a questao da utilizacao da linguagem para manipular conceitos, ver aqui a recensao do Antonio Araujo sobre um livro da Raquel Varela e a forma como ele desmonta a tentativa que a senhora faz de utilizar uma certa linguagem para sustentar a sua agenda ideologica
http://malomil.blogspot.pt/2014/04/onde-esta-o-povo.html

Choldra lusitana disse...

Nem vale a pena perder tempo com essa gaja. Ia dizer "senhora" mas depois de saber a noção de povo que nos tenta impingir só pode ser mesmo uma gaja. Mias outra formada nas escolas dos Rosa&Pereiras.

muja disse...

Uma inevitabilidade quando se arrastam as decisões para além do tempo razoavel...

Desculpe. Mas isso é falso.

Não foi inevitabilidade nenhuma. V. não sabe nem se dá ao trabalho de ler nada. E continua com a mesma estupidez.

E eu disse-lhe que o ia contrariar sempre.

Mostre lá o que era inevitável e porquê. Desafio-o.

Não mostra. Não mostra porque não sabe. V. alguma vez sequer se deu ao trabalho de ler como foram realmente as negociações? Como foi o acordo do Alvor, por exemplo?

Tenha dó Rb. E tenha vergonha.

Ninguém gosta de enviar filhos para a guerra, mas se o seu filho, filha ou mulher fosse um destes

http://pissarro.home.sapo.pt/memorias6.htm

se calhar já gostava que viessem os filhos dos outros acudir-lhe. Veja lá bem a "libertação". Veja os corpos esventrados, decapitados, queimados. Veja as mulheres violadas com tudo e mais alguma coisa. Veja os bebés de rojo pelo chão, usados como bolas de futebol. Está aí, veja. Se não vir bem, eu arranjo-lhe em melhor definição.

Prejudicial... francamente... Olhe eu tenho orgulho.

E lembre-se quando lá andar agora, já não a colonizar mas a "cooperar", que já não há Salazar para o acudir. Reze para que nunca venha a precisar.


josé disse...

"Uma inevitabilidade quando se arrastam as decisões para além do tempo razoavel...

Desculpe. Mas isso é falso."

Por mim também não sei se será falso.

O que correu mal na retirada do Ultramar foi a pressa com que o fizeram. Quiseram mesmo entregar aquilo de mão beijada e sem atender aos que lá estavam e eram centenas de milhar.

Deveriam ter feito de outro modo e isso implicava porventura as instâncias internacionais e negociações que nem se sabe se resultariam.

Porém, sem apoio da URSS e da China os movimentos teriam que aceitar as negociações.

Poderia ser esse o caminho?

Não sei e por isso duvido.

josé disse...

Uma coisa é certa: o caminho da guerra para vencer o terrorismo tinha chegado ao fim da picada.

E isso talvez fosse evitado nos anos cinquenta. Mas Portugal, nessa altura, não tinha a noção que outros países tinham porque a as províncias eram mesmo entendidas como tal e não como colónias o que faz toda a diferença.

Salazar não poderia ter feito de outro modo porque nem isso lhe era possível perante a sua mentalidade e a do país.

Só o comunismo queria outra coisa, mas sabemos bem que o comunismo era ilegal em Portugal. E com toda a razão.

josé disse...

Os generais no seu conjunto tinham percebido que a solução do Ultramar era política. E foi isso que o livro de Spínola veio dizer e Caetano concordava, como se pode ler na entrevista.

A quesão era o timing e o modo e Caetano diz nas entrevistas que pensou vezes sem conta nas possíveis soluções para tal.

josé disse...

O que nunca se deveria ter permitido era que ALmeida Santos e Rosa Coutinho e o MFA cada vez mais esquerdista tomassem conta do dossier.

Mas o PCP e a extrema-esquerda tinham nessa altura um poder tremendo e foi isso que aconteceu: os kerenski do costume foram comidos por aqueles. Mário Soares, claro está.

josé disse...

É nessas alturas que se tornam necessários os homens de Estado. Que não tivemos porque Soares não é nada disso, apesar de andarem há 40 anos a construir o mito.

josé disse...

Portanto e em conclusão: se a retirada do Ultramar aconteceu como aconteceu tal se deveu à Esquerda comunista portuguesa.

É a eles que devem ser pedidas responsabilidade, não é ao Salazar ou ao Caetano.

É preciso não esquecer isso porque de outro modo está-se a desculpar o comunismo de mais este crime contra a nossa Humanidade nacional.

josé disse...

O PCP foi nessa altura ( como sempre) um traidor. Um partido criminoso que só por isso deveria ser ilegalizado.

josé disse...

Em vez disso anda-se a desculpar "os excessos".

Caramba! haja senso!

muja disse...

o caminho da guerra para vencer o terrorismo tinha chegado ao fim da picada.

Mas a guerra nunca foi para vencer o terrorismo! Era para o reprimir e conter nas bordas do território.

O terrorismo estava a ser vencido com a extraordinária campanha de promoção social e desenvolvimento económico que se empreendeu.

Nada podia ter sido evitado. Se Portugal tivesse abandonado, quer em 74, quer em 61, quer em 50, quer em 14, a guerra teria lá chegado como chegou a todo o lado em África. Porque assim que África caiu na mira dos soviéticos, os dados estavam lançados. O livro do Pieter Lessing demonstra-o bem. Nenhum território estava a salvo. Incluindo os que já eram governados por pretos ditos moderados.

Os democratas da primeira República não tiveram pejo nenhum em consumir milhares de almas portuguesas na Flandres para conservar aqueles territórios. E não pendia ainda sobre eles sequer a ameaça da barbárie que em 61 se materializou.

Não sejamos hipócritas. Ou bem que somos abertamente racistas e dizemos que não tínhamos nada que ver com os pretos e era problema deles - e então acho legítimo que se critique a guerra. Ou então é necessário reconhecer que ela era justa e justificada. E que enquanto durasse a agressão deveria durar a defesa.

Foi uma guerra justa, justificada e humanitária.

Ricciardi disse...

Certo. A retirada foi mal efectuada. Atabalhoada, se quiser.
.
Caetano nessa entrevista foi claro. Ele considerava inevitável, em face da realidade, que se avançasse para a independencia das colonias. Ele achava que devia ser um processo gradativo. Com tempo. E bem.
.
Por outro lado dizia-se 'amarrado' ao mandato que os portugueses lhe conferiam. A verdade não é bem essa. A verdade é que existiam forças que bloqueavam as suas ideias. Que queriam manter os poderes que as colonias lhes conferiam. Dentro das estruturas militares e politicas.
.
De facto ele tentou através da palavra ter um aliado - o povo - para prosseguir as suas intenções de forma mais acelerada e como isso poder demonstrar aos poderes a sua razão, agora sustentada na opinião popular contra a qual ninguém pode o que quer que seja. Autonomizar rumo à independencia das colonias com garantias para os portugueses, brancos ou pretos, que lá estavam. Era essa a sua intenção.
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O que eu digo, e repito, é que Portugal perdeu demasiado tempo. Centrado na teimosia de Salazar em não enxergar a tendência das coisas. Dez anos antes talvez fossem exequiveis as ideias de Caetano.
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O que significa que deveria ter começado a governar quinze ou vinte anos antes do 25 de Abril substituindo Salazar ainda durante a fase positiva dele.
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Mas as autocracias são assim mesmo. O autocrata perpectua-se no poder e só sai de lá pelas mãos de Deus ou do diabo. Da morte ou das revoluções. As monarquias tambem se passa do mesmo modo, embora tenha caracteriticas que nos dão mais garantias do que as ditaduras. A solução para acabar com uma monarquia perniciosa é matar o rei.
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O Povo portugues ao menos já experimentou de tudo. Já matou reis e principes. Já fez revoluções...
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O nosso problema é que nos acomodamos facilmente às coisas durante tempo demasiado. E quando acordamos da letargia as soluções encontradas só podem passar por rupturas extremadas.
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Nada disto, porém, é bom que se note oh Muja, não belisca a opinião que tenho acerca dos méritos de Salazar. Que são muitos.
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Rb

muja disse...

Quanto a soluções políticas, é uma redundância.

E o livro do Spínola não vinha dizer nada de novo e que se não soubesse já.

O General Silvino Marques, a quem reconheço muito mais experiência nessas lides - pois governou Cabo Verde e Angola - também publicou um livro em 70, chamado Estratégia Estrutural Portuguesa, não a favor da federação mas da união.

Mas explica lá porque é que uma é melhor que a outra. Ou seja, discute-se a solução política. Porque é a única coisa que admite discussão. A defesa de vidas e bens não.

Porque é que o livro desse general não foi nada conhecido?

Ou seja, as teses apresentadas pelo Spínola não eram novas e tinham até sido perfilhadas por Caetano muitos anos antes.

O livro do Spínola, para mim, não teve outro objectivo senão questionar a autoridade do Governo. Ou talvez demonstrar que o Governo já não tinha mão sobre os militares. Alguns, pelo menos.

Ricciardi disse...

Agora falamos numa saída à Irlandesa.
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Naquele tempo devia ter-se falado numa saída à Inglesa.
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Desse modo ainda hoje teriamos lá portugueses com os seus interesses intocados como têm os Ingleses na esmagadora maioria das suas ex-colónias.
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Fizeram-no porque tiveram a felicidade de fazer as coisas no seu devido tempo. Leram bem os sinais dos tempos. Se tivessem insistido com uma politica semelhante ao 'orgulhosamente sós' teriam perdido tudo como nós acabamos por perder.
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Não é quando estamos mesmo a ser condenados à morte que vamos pedir clemência. A Isso faz-se antes.
.
Rb

muja disse...

Eu quero lá saber da opinião que V. tem do Salazar, homem! O Salazar não é a questão aqui. O Nórton de Matos teria feito a mesmíssima coisa. Olhe:

Aquele «alguém» para o qual o Gen. Nórton de Matos clamava, em 1953, a atenção dos «Novos de Portugal» em patriótica advertência:

«Se alguém passar ao vosso lado e vos segredar palavras de desânimo, procurando convencer-vos de que não podemos manter tão grande império, expulsai-o do convívio da Nação».

Expulsai-o do convívio da Nação!

Gente que, para sempre, Camões estigmatizou em versos inesquecíveis:

«Ó tu Sertório, ó nobre Coriolano,
Catilina, e vós outros dos antigos
Que contra vossas pátrias com profano
Coração vos fizestes inimigos:
Se lá no reino escuro de Sumano
Receberdes gravíssimos castigos,
Dizei-lhe que também dos Portugueses
Alguns traidores houve algumas vezes.»

Teriam sido poucos?
Nunca tão grandes!


Percebe que isto não era coisa do Estado Novo? Nem do Salazar? Isto nunca, nunca, nunca foi posto em causa por ninguém em Portugal durante séculos e séculos.

V. fala em portugueses brancos e pretos que lá estavam. Então mas eram todos! Se havia portugueses pretos, então era toda a gente portuguesa!

É essa a falácia. Eram todos portugueses e nunca houve revolta nenhuma. Nenhuma!

Como é que se podia manter a ordem num território maior que a França se a revolta fosse generalizada e popular?! E isto só em Angola! V. nem as pensa.


muja disse...

Mas que morte? Pare de dizer baboseiras!

À morte estava o MPLA, que o Rosa Coutinho andou a financiar depois com dinheiro dos contribuintes destinado a salvar vidas e não a destruí-las!

Se tivessem insistido com uma politica semelhante ao 'orgulhosamente sós' teriam perdido tudo como nós acabamos por perder.

Sim. Realmente podíamos ser como os ingleses e lucrar da desgraça daqueles que se encontravam sobre nossa protecção. Lucrar com a paz e lucrar com a guerra. Com a vida e com a morte.

Em vez de orgulhosamente sós, teríamos estado vilmente acompanhados.

Merda para isso e merda para os ingleses.

muja disse...

*sob e não sobre...

muja disse...

As guerras - e particularmente as deste tipo - são fundamentalmente um conflito de vontades. É a vontade que não vacilar se mantiver firme que vence.

E a vontade portuguesa estava a perseverar.

Por isso é que foi necessário quebrá-la pela traição.

É uma estupidez monumental achar que os portugueses estavam ali indesejados. Não temos, como não tínhamos, meios de forçar o nosso domínio sobre territórios tão vastos. Nem as grandes potências os tinham, quanto mais nós...

Pegue num mapa com uma projecção que conserve as áreas e olhe para lá. É ridícula essa noção. A magnitude da diferença de tamanhos é avassaladora. Cabem duas Franças em Angola. Cabia toda a Europa dentro dos territórios portugueses africanos.

Imagine os portugueses a oprimir toda a Europa! Ahahahaha! É completamente estúpido.

O mapa não mente. A geografia é insofismável.

zazie disse...

Mas havia o precedente- o Black Power; a África para os pretos.

Era esse o tom geral e o do "fim do colonialismo".

A coisa teria de mudar por efeito dos ventos da História.

Tal como cá, aliás.

É esse tom maioritário que também se costuma chamar "Civilização" ainda que muitas vezes sejam modas erradas.

zazie disse...

É um assunto que, como já o disse, não sei. Não conheci nem de perto e mal de lonje.

E, se é um facto que eram províncias e não colónias, também é um facto que a relação histórica entre brancos e pretos nunca foi igual à que existiria em Trás-os-Montes ou no Algarve.

Pronto, é isto. O pé descalço que foi para lá era pouco recomendável.

Amélia Saavedra disse...

Meus caros, por acaso, sabiam que o "inventor" do fascismo além de ter tido um pai comunista, ele próprio foi comunista? Até foi editor no Jornal Avante italiano...
Afinal o fascismo é "filho" do comunismo.. quem diria!
http://www.history.com/news/9-things-you-may-not-know-about-mussolini
http://www.alerta360.org/secciones/lecturas/mussolini_comunismo.pdf
Boas leituras..

zazie disse...

Não foi nunca uma cena de dominação por ideologia racista como foram todas as outras, a começar pelo exemplo cretino dos ingleses.

Não tem comparação. Os ingleses fizeram barbárie em países antiquíssimos. Não descobriram e desenvolveram mato.

Mas, também é verdade que houve escravatura mais tardia e relações de poder e submissão que eu nunca gostaria de ter vivido.

A cena de espancar preto em bando, na entrada da adolescência, era hábito que me ouvi em directo em reunião de retornados.

zazie disse...

A barbárie que aconteceu foi mesmo em bairros onde viviam esses brancos pé-descalços que para lá foram.

Foi revanche.

zazie disse...

Mas isso de fascismo nunca existiu cá e quem fala nisso nem sabe o que foi o fascismo italiano.

Têm a mania de confundir com o nazismo.

De todo o modo, posso garantir que ainda há uns anos era matéria que nem se dava num curso de História.

Toda essa malta de "investigadores de Contemporânea", à trela dos Rosas&Pereiras da Nova, nunca estudou sequer o fascismo ou o nazismo.

Descartavam-se. Os de História cultural diziam que devia ser a de História Política a dar, esta dizia que devai ser a de Económica e ninguém falava nisso.

Havai apenas uma sessão teatral feita pelo Rosas sobre o regicídio.

o palhaço adorava ir fazer esse teatro uma vez por ano.

zazie disse...

Era uma sessão de "república e laicidade" com troças q.b. à monarquia.

Ricciardi disse...

Por falar em Norton de Matos oh Muja estive com ele na semana passada em viagem ao Huambo (Nova Lisboa). Está lá o homem numa estatua no jardim central da cidade.
.
Como não tinha placa de identificação eu perguntei a um 'mano' lá da terra.
.
- Quem é o tipo?
- Não sei o nomi. Mais comia pissoas.
- A sério? comia pessoas?
- Mas olha lá 'mano' o tipo tem ares de branco... e os brancos não tem por hábito comer pessoas.
- Não não é negro e esse comia pissoáis.
(comentei para o meu amigo - epá este gajo além de palerma é cego, então não se vê logo que o tipo é branco, até tem um relógio de bolso)
.
Ora bem a estatua tem dezenas de buracos de bala e o tipo, afinal, era o Norton de Matos que fundou a cidade do Huambo.
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Corre por ali que aquele tipo comia pessoas. ahahahah
.
É um espectaculo.
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Quanto ao resto Muja, a conversa não tem utilidade alguma. Seja o que for Salazar morreu e com ele o regime porque era de cariz aautocratico. A única forma de o ressuscitar e com ele o regime é clona-lo.
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Rb

zazie disse...

eheheheh Comia pissoas

":O))))))))))))

E os malucos mantiveram a a estátua para se lembrarem disso

":O)))))

José - uma homenagem paterna disse...

Já que falaram no S. Tavares pai cabe-me aqui contar uma narrativazita proporcionada pelo senhor.
Em 1972, pertencia eu ao grupo dos 13 000 cidadãos que tinham como habilitações literárias superiores ao 2º grau.Mas nesta altura já havia falta de emprego, por isso questiono a transformação do país que em 1974 abriu as portas ao desmasaurado emprego, para o bem dos cidadãos. Mas eu tive que procurar outras bandas. Na vida militar, não me dava, porque não queria levar com os menins kekes, capitães da AM. Limitei-me a concorrer para as policias e fui bater na PSP, gostasse ou não. Precisava de sobreviver livremente, mas apenas aguentei 5 anos na corporação. Hoje os meus ex estão aposentados em média com 1 500€ e eu com 40 anos de serviço AP, dão-me 515€. Mas a história prende-se com STavares (1979) que fazendo-se transportar num automóvel para as bandas da Embaixada Britânica em Lisboa e acompanhado com duas loiras, passou por mim desrespeitando o sinal de sentido. 100 metros acima e num restaurante, pára, sai do carro depois de estacionar e vira-se para mim, dizendo: - se quiser autuar-me, faça o favor. Por acaso não estava sózinho. As minhas companhias eram civis que apenas disseram isto: faça de conta que nada aconteceu proíbido

muja disse...

É, um espectáculo. Que maravilha.

Realmente até dá gosto olhar para Portugal e saber dessas coisas...
E que alegria ver o povo angolano assim livre...

Espero que se divirta lá para os Huambos. Agora já não faz mal andar aí. Já não é colonialismo n'é?
Veja lá é se não confundem a si com um desses come-pessoas.

A culpa foi do Salazar porque era autocrata.

Estes não são. Nadinha.

Está tudo bem. As continhas é que estão mázinhas...

Siga o enterro como diz o Floribundus. Cangalheiros não faltam...


Ricciardi disse...

Olhe, Mujinha, quer saber uma coisa ainda mais espetacular que, em 7 anos, ainda não tinha visto em Angola?
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Pois bem, vi recentemente portugueses a fazer de motorista a angolanos. Eu conheço a cara destes gajos. Sentem-se exclusivos por terem um motorista portugues.
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A profissão de motorista é bastante comum por aqui. Tem salários equivalentes ao nosso SMn. Mas nunca tinha visto motoristas portugueses.
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Tambem assisti, numa reunião com um eng. angolano, uma portuguesa que bateu à porta.
-Eu já não lhe disse para me interromper qdo estou em reunião ó...
- Desculpe senhor engenheiro, mas um cliente está a pedir que...
- Mas nada. Saia e não me interrompa.
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Eu fiquei acabrunhado. Senti a reprimenda como se a tivessem feito a mim. Afinal de contas os portugueses que andam por aqui um gajo considera-os como irmãos, brothers in arms. A rapariga tinha bom aspecto, do tipo executiva. Linda. Licenciada provavelmente. Financeira pela pinta, ou advogada.
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Este ultimo ano notei um grande diferença na estrutura de trabalho dos portugueses que por aqui andam. Dà-me a sensação de que estamos a começar a ser uma espécie de ucranianos de angola.
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Rb

zazie disse...

C'um caraças, ó Morgadinho da Cubata.

muja disse...

Boa Rb.

Folgo em saber o povo angolano livre e bem de saúde.

Não se percebe é para que é que precisam dos portugueses, quando há tanto angolano em Portugal que podia para lá ir participar na construção de um futuro melhor. Estranhamente, não parece terem muita vontade de partir. Se calhar ainda não lhes disseram que podem ter motoristas brancos lá. Se bem que também os têm cá.

Mas olhe, aposto que a riqueza de Angola agora é muito bem gasta e que os serviços que lá prestam os branc - perdão - os ucranianos, são pagos com o mais justo dos salários e que o povo angolano não fica a perder nada e já não é oprimido.

Valeu bem a pena até o perdão da dívida há uns anos. Mesmo as mulheres de paus enfiados na... enfim, "excessos", como agora se diz. Há-de ter sido pelo melhor.

O ucraniano cá está para pagar. E essa liberdade não há quem nos na tire. Abril conquistou-a bem conquistada.






muja disse...

Olhe eu não tenho irmãos. Nem aí, nem aqui. Mas tinha duas primas, que aí ficaram menininhas. Talvez ainda tenha. Se calhar são motoristas. Ou talvez tenham sido vítimas de "excessos".

Se foram, a culpa é do Salazar, claro. Se não fosse ele, talvez nem tivessem nascido...

Ricciardi disse...

«Folgo em saber o povo angolano livre e bem de saúde.» Muja
.
Não folga nada.
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Este pessoal está a meter-se com as pessoas erradas. Mas pronto, é lá com eles.
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Angola entregou-se aos chineses. Definitivamente. Ele há chineses por todos cantos. Até debaixo das pedras. Para mal dos meus pecados. Deus faz sempre isso comigo. Quando não gosto de alguma coisa Ele encharca-me com ela. Já estou habituado. Mas ainda não Lhe fiz a vontade de os apreciar em alguma coisa. Deve ser defeito meu. Mas ando à procura oh Senhor.
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Anyway, os poderes deste país renderam-se aos chineses. Fazem tudo. Estradas, pontes, escolas, caminhos de ferro, prédios, viadutos...
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No regresso do Huambo para Luanda resolvi experimentar a estrada pelo interior de Angola.
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Demorei 12 horas non-stop.
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Estradas e auto-estradas com menos de 3 anos de construção estão perfeitamente intransitáveis. Com crateras do tamanho do carro. Literalmente. Sem exagero algum.
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Como tinha que estar sempre a sair do jipe para ver se ele passava, reparei que por baixo da camadinha de alcatrão estava a terra vermelha que caracteriza as terras de angola. Nem brita, nem areia, nem outra coisa qualquer. Era mesmo alcatrão por cima da terra. E nem condutas de agua pela beiras da estrada.
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Em suma, Mujinha, vc quer que eu diga que o regime angolano é bom e que são livres como pasaarinhos?
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Mas eu não digo. O que eu digo é que isso é problema deles.
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Aliás, até lhe digo uma coisa. Um segredo vá. Eu estou sempre a imaginar (um sonho recorrente na verdade) um plano de fuga de contingência. Eu sei lá o que acontece no dia em que MPLA perder as elecinhas...
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No meu sonho meto-me no barco com 5 bidões de gasolina e zarpo até ao Congo. É claro, nesse sonho as quimicas judaicas tambem emergem. Porque no sonho eu tiro um dos bidões para meter um inglês no barco que me pagava uma pipa de massa para escapar. De repente aparecem-me mais 3 tipos a dar ainda mais aqui ao timoneiro. Tambem queriam ir. Eu tirei mais dois bidões e acomodei-os para lá.
.
O barco avança e ainda nem tinha saído das aguas angolanas e a porra da gasolina acaba. Fico lixado. Nessa altura aparece-me sempre uma fragata na minha direcção. Ainda não consegui perceber se a fragata é para me vir prender e levar de novo para trás ou se é uma do Congo para nos libertar e levar para a frente porque acordo sempre nesta altura.
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Rb

Ricciardi disse...

« tinha duas primas, que aí ficaram menininhas. Talvez ainda tenha. Se calhar são motoristas» Muja
.
Eu prometo. Quando vir duas moças com uma burca eu pergunte-lhes se conhecem o primo Muja.
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Na volta são ministras. Olhe que uma aluna da minha tia, que era dona de um colégio em angola, hoje é ministra.
.
Rb

zazie disse...

aahhahahahahaha

muja disse...

Ai folgo folgo. É para o ladinho que durmo melhor acredite. A mim só me preocupa Portugal. Que eu saiba, Angola não é Portugal. Até há quem diga que nunca foi, não é? Por isso, se estão bem, melhor para eles. E não gosto nada de os ter cá, se quer que lhe diga. O dinheiro é pouco e nós já somos muitos.

Mas vindo de si, que aí está, tem piada queixar-se dos chineses. É feio ser racista, Rb. Hoje em dia até pode dar cadeia.

Eles estão a ajudar o povo angolano a progredir!

Essas estradas podem não ser muito boas, mas ao menos não foram feitas por trabalho escravo, não é?

Além do mais, se os chineses fossem assim tão maus, e estivessem realmente a oprimir o povo angolano, e a roubar-lhe a riqueza, já haveria com certeza uns poucos de movimentos de libertação prontos a dar a vida por Angola, não é assim?

Ainda não se devem ter esquecido de como se faz. Para quem sacudiu o jugo da opressão salazarista, uns quantos chineses são um "passeio no parque"...
Por isso, é mais que óbvio que os chineses são amigos do povo angolano.

Deus os conserve a uns e outros. Mas lá. Sobretudo que fiquem lá. Portugal é um país pequenininho, e por mais que a gente gostasse de os sustentar cá, agora não dá muito jeito.
É que como somos piquininos, temos que pagar as dívidas... E há pouco espaço.

muja disse...

As minhas primas não eram donas de nada, penso eu. A mãe também não era.

Na verdade, ninguém sabe bem o que aconteceu. A minha tia não fala disso. Nunca falou.

Foi a minha mãe que me disse, há relativamente pouco tempo. Desconfia que também deve ter tido direito a "excessos", mas ela nunca disse nada.

Por isso, ministras duvido que sejam. Mas há ministros brancos, em Angola? Ministras brancas?

Mais uma razão para folgar. Claramente vão de vento em popa.

muja disse...

Mas é curioso... Já me interessava por esta questão antes de a minha mãe me contar essa história.

Como calcula, teve algum efeito em mim. A realidade que eu lia nos livros, afinal estava bem perto - salvo seja, que Trás-os-montes não é perto de nada.

Afinal a minha família também lá tinha andado a oprimir o povo angolano.
Porém, olhando para as minhas primas que vieram, penso que a dívida ficou bem saldada...

muja disse...

Olhe e se passar lá à beira do General outra vez, dê-lhe também um tiro.

Fica sempre bem atirar sobre opressores, ainda para mais se forem dos nossos, e assim os angolanos ficam logo convencidos que V. não come crianças como ele.

muja disse...

Aí tem uma boa maneira de comemorar Abril!

Melhor creio que não se fará nem em Portugal. A não ser que ainda haja para aí alguma estátua do Salazar...

josé disse...

Salazar...deu-me uma ideia para amanhã. Já fica na calha.

Maria disse...

Não posso estar mais d'acordo com tudo quanto Mujahedin escreveu. Começando pelo comentário das 10.28, de que tomei logo nota para não me esquecer. Só depois fui ler os restantes, os dele incluídos.

A minha é uma opinião pessoal por ter conhecimento próximo dos trágicos acontecimentos em Angola, pós Abril de 1974.

Abro um parentesis para deixar já aqui e antes que passe a oportunidade, o que penso sobre Marcello Caetano e o 25 de Abril e a traição miserável de que foi alvo. Depois de ler a entrevista sincera e verdadeira que deu ao M.P., que foi mais um depoimento realista e sofrido, o que se extrai das suas palavras é que foi vilmente traído por esquerdistas e direitistas, tanto seus próximos no governo como fora dele. Militares e civís, gente indigna da farda que envergava, que, dado os altos cargos militares e políticos e até ambos em simultâneo, que detinham, deviam-lhe fidelidade absoluta, não apenas por ser o Presidente do Conselho mas sobretudo por isso e no entanto na primeira oportunidade surgida espetaram-lhe facadas nas costas uma e outra vez. Gente reles, esta, traidora e criminosa que não merecia, não merece, o chão que pisa.

África.
A tese defendida por alguns de que tínhamos que sair de África a bem ou a mal porque o tempo escasseava, pois já o deveríamos ter feito muito tempo antes, a exemplo dos outros países europeus relativamente às suas Colónias africanas, não tem razão de ser nem é defensável do meu ponto de vista. Afectivamente a ligação de Portugal com as suas Províncias Ultramarinas e as suas gentes não era em nada igual nem sequer parecida com as Colónias africanas inglesa e francesa.
Aqueles povos não queriam independentizar-se coisa nenhuma. A quem lho fosse perguntado em 1973 ou mesmo no início de 74, se sim ou não admitiam essa hipótese, a resposta teria sido um rotundo NÃO.

O golpe de Estado perpetrado em Portugal e a tragédia que se lhe seguiu em África, jamais teria acontecido tivesse a Perestroika acontecido em 1969 ou, melhor ainda, em 1959, em lugar de ter acontecido só 1989. Caso ela se tivesse verificado neste último ano, a matança satânica e indiscriminada cometida a mando do exterior, em 1961 no Norte d'Angola, não teria acontecido. Disto, tenho a certeza absoluta. O que não invalida a que mais tarde, legal e organizadamente se pudesse proceder a uma calma e segura independência daqueles povos, mas nunca sem antes todos eles terem sido origatòriamente consultados através de Referendos. (Por acaso até imagino qual teria sido o resultado). Mas, é claro, este método correcto e honesto jamais teria sido aceite pelos dois internacionalismos, pois sabiam d'antemão qual seria a resposta, principalmente porque os nossos riquíssimos territórios africanos eram demasiadamente cobiçados pelos Estados Unidos e pela União Soviética, para correrem um risco que sabiam perdido à partida.
(cont.)

Maria disse...

(conclusão)
Soares é um fingido, um cínico e um traidor. Sempre o foi. Odeia o nosso país e o seu povo. Sempre os odiou. Tudo quanto fez em Portugal, uma vez consumada a traição/golpe d'Abril (descontado o mal que fez ao país ainda na clandestinidade) foi pré-programado e executado em seu exclusivo benefício e dos camaradas-traidores iguais a ele próprio.
A estranha amizade (desde a juventude...) postiça ou não, entre ele e Cunhal e a falsa oposição às medidas políticas que este queria impôr ao país e que Soares, vendo o poder (que se auto-convenceu) patriarcal a fugir-lhe debaixo dos pés e principalmente os muitos milhões em divisas e as centenas de toneladas d'ouro longe das suas conspurcadas gadanhas no B.de P. e desde há muito anos gananciosamente cobiçadas, a ficarem cada vez mais longe do seu alcance, resolveu encenar e levar à cena uma farsa grandiosa num palco literalmente monumental (Fonte Luminosa) com o contributo jamais dispensado, tanto cá como o tinha sido durante anos em Paris, do seu diabólico amigo do peito, Cunhal, a que se juntaram mais uns tantos camaradas traidores, que se pode designar com propriedade um verdadeiro golpe de mestre - é preciso não esquecer que a comédia encenada ao pormenor e representada magnìficamente na Alameda D. Afonso Henriques, tornando grandiosa uma manifestação montada à última da hora exclusivamente para ele brilhar como um grande democrata e libertador do povo, mas também e muito especialmente para escapar à fúria deste, por esta altura prestes a explodir tal o ódio incontido pelo rumo destruidor que estava a ser dado ao país pela esquerda unida com os comunistas na dianteira e os socialistas à ilharga, já que eram centenas de milhar os patriotas ali reunidos, os mesmos mais outros tantos que nas semanas e dias que antecederam a dita manifestação lhes haviam pregado um susto de morte... e lá se ia a democracia por água abaixo e perdidas para sempre as 'conquistas' longamente cobiçadas - e ao mesmo tempo a sua nunca perdida ambição em ascender ao cume do estrelato político para ficar na História como o 'pai da democracia', necessitando de se mostrar moderado nas atitudes e nas palavras e definindo-se, conforme as ocasiões, umas vezes social-democrata genuíno, outras hipòcritamente centro/direitista, como lhe convinha, claro, sobretudo naquela altura crítica para a esquerda em geral e para os comunistas em particular, de cuja ajuda na destruição da Pátria ele não podia prescindir, portanto, munido do cinismo costumeiro, começou a amedrontar os portugueses com o terror comunista e a subversão levada a cabo por este partido com o fito de acabar com a 'democracia' (dele)... - sendo ele próprio comunista desde a juventude e nunca deixando de o ser, na sequência da lavagem cerebral levada a efeito por Cunhal no Colégio do pai Soares, onde ambos estudavam e se conheceram e partilharam todas as vivências políticas e a partir d'então nunca mais se largaram... - sabendo ele melhor do que ninguém que 99% daquela multidão reunida na Alameda era direitista e pró-salazarista a 100% e ele, fazendo-se de 'vítima' e acusando os comunistas de quererem impor um regime estalinista aos portugueses, tendo perfeita consciência de que só armando uma gigantesca comédia em três actos conseguiria ter o povo nas mãos e sair dela como um herói nacional, o único político 'honesto e impoluto' capaz de nos livrar do perigo comunista, acalmando de um modo cobarde e miserável a fúria dos portugueses e revertendo tanto quanto possível o pandemónio em que o país já se encontrava perigosamente mergulhado, como se sabe por culpa inteirinha destes dois demónios e de mais uns tantos diabos da mesma índole.

Maria disse...

Rematando.

Estou à vontade para falar da tragédia que aconteceu em Angola porque tive lá alguma família, pouca, que felizmente não sofreu grandes danos físicos. Mas também lá vivíam muitos amigos dos meus pais, eles próprios descendentes de gerações já lá nascidas. Estes é que nos contaram as milhentas atrocidades e crimes perpetrados pelos "terroristas de libertação", imediatamente após declarada a guerra, com o beneplácito incondicional dos militares do M.F.A. (até armas para assassinar os portugueses lá residentes foram àqueles generosamente fornecidas a mando de Lisboa, por estes cobardes e traidores à Pátria), ingrata e imperdoàvelmente considerados portugueses pela presente e pelas futuras gerações e, por estas e para sempre, justamente estigmatizados como os maiores traidores à Pátria desde que Portugal existe como Nação.

Maria disse...

Leia-se: "de que se auto-convenceu".

E "gadanhos" (e não gadanhas) é um substantivo masculino e não feminino.